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  • há 4 meses
HZ entrevistou Cchico Felitti, escritor e podcaster, Kátia Lund, diretora, e Mariana Paiva

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Transcrição
00:00Por que a mulher da casa abandonada atraiu a curiosidade de tanta gente,
00:06no ponto de vista de vocês?
00:09Eu acho que tem dois fatores, Felipe, no meu ver.
00:12O primeiro é o quanto esse caso é instigante e realmente é misterioso.
00:16Realmente, a maneira que eu conheci essa história foi uma maneira,
00:20foi através da curiosidade.
00:21Eu fiquei curioso por aquela casa abandonada,
00:23eu fiquei curioso por causa da mulher de pasta branca na cara.
00:26Então, tem um fator instigante,
00:28mas tem um fator que é muito triste,
00:30que é uma realidade brasileira.
00:32Todo mundo se reconhece,
00:34todo mundo conhece algum caso de exploração doméstica,
00:36porque, infelizmente, o Brasil é um dos países
00:38com o maior número de exploração doméstica,
00:42trabalhista doméstica no mundo.
00:43Então, ao mesmo tempo que é uma história completamente estapafúdia,
00:47é uma história que você lembra,
00:49ah, tá, então, quando eu morava no interior eu vi isso,
00:51ou minha avó tinha uma empregada doméstica
00:54que também talvez fosse explorada.
00:55Então, acho que são duas punções
00:57que levaram o interesse para o podcast, no meu ver.
01:00Porque tem o fato também da figura da Margarida
01:03ter ficado num limbo ali, né?
01:06As pessoas não sabem direito
01:07que é aquela mulher com a pomada na cara
01:08numa janela de uma casa destruída.
01:11Então, acho que criou também essa curiosidade
01:13no campo imaginário das pessoas.
01:15Quem é essa mulher?
01:17Por que ela está nessa casa, assim, né?
01:19Então...
01:19Uma história que instiga,
01:21porque é muita pergunta.
01:23Como assim?
01:23Como assim, né?
01:26Então, tem esse mistério, né?
01:28Essa mulher escondida,
01:29essa casa caindo aos pedaços.
01:31Parece um conto de fadas, né?
01:33Um filme de terror, alguma coisa assim.
01:36Então, vem com outras camadas, né?
01:39É, nesse primeiro começo eu fui bem atraído, né?
01:41Na época do podcast,
01:43quando eu escutei,
01:44pelo contexto de terror macabro,
01:46para depois descobrir uma história bizarra,
01:50mas que é real, né?
01:51E, assim, agora, né?
01:53Ganhando novos rumos,
01:54eu queria entender também
01:55como é que foi construir
01:57uma série documental.
01:59Da onde vocês partiram, né?
02:00Qual foi o primeiro ponto?
02:02E agora?
02:05Bom, uma coisa que eu tenho muito forte em mim
02:08como documentarista
02:10é que eu quero ouvir a história
02:12das pessoas que viveram a história.
02:15Então, eu, eu...
02:17No começo, a gente teve muita dificuldade
02:19de achar,
02:20de conseguir acessar as pessoas
02:21diretamente ligadas a essa história.
02:25Os policiais, os vizinhos,
02:27as pessoas que estavam no Brasil,
02:29que tinham participado do podcast,
02:30já estavam cansados dessa história
02:33e não queriam falar.
02:34E, então, assim,
02:36a gente ficou pensando,
02:38ah, conta essa história com especialistas,
02:40com jornalistas,
02:41com pessoas, né?
02:42Contando uma fofoca
02:44ou a gente vai atrás dos fatos?
02:46E aí a gente teve essa oportunidade
02:48quando eu encontrei a Ilda, né?
02:53E a gente encontrou
02:55as pessoas envolvidas diretamente
02:58no caso do crime nos Estados Unidos
03:00e a gente encontrou os documentos
03:03do caso federal
03:05de realmente acessar as pessoas
03:09que atuaram,
03:10estavam presentes
03:12e fizeram diferença nessa história.
03:14Como é que foi trazer a Ilda, né?
03:15Para a série documental?
03:17Eu acho que mexer nos traumas dela
03:19também não deve ter sido algo fácil.
03:21É uma coisa que a gente se perguntava.
03:24Eu, na verdade, achava
03:25que ela não ia querer
03:27falar desse assunto, né?
03:28Ela tinha falado para o Chico
03:30que ela não queria falar no podcast.
03:32Por isso, o Chico respeitou.
03:34E ela falou de fora do podcast.
03:37Então, quando eu fui perguntar para ela,
03:39eu bati na porta dela
03:40e eu perguntei
03:42você quer contar o seu lado?
03:46Eu fiquei impressionada
03:48porque ela mudou, né?
03:52Um pouco a...
03:53Não sei se pela idade,
03:55ela estava quase 90 anos
03:56e ela tinha visto a repercussão também
03:59do podcast.
04:00mas, na verdade,
04:01eu bati na porta
04:04e ela abriu,
04:05ela me viu,
04:06viu que eu falava português
04:07e antes que eu pudesse me apresentar,
04:10falar meu nome,
04:11eu falar o que eu queria,
04:12ela já começou,
04:13ela estava transbordando com essa história.
04:15Ela estava com
04:16um disco quebrado no peito.
04:18Ela tinha necessidade
04:20de botar para fora essa história.
04:22E nos Estados Unidos,
04:23não tinha ninguém que falasse português.
04:25Eles falavam espanhol
04:27e eles tinham um pouco
04:28a paciência com ela,
04:29porque quem fala espanhol
04:30tem dificuldade
04:31de entender o português.
04:33Então,
04:33ela mesma
04:35transbordou
04:35e falou duas horas seguidas
04:37sobre esse crime
04:39antes de eu
04:40me apresentar para ela.
04:43E hoje em dia
04:44eu sinto que ela está
04:45em paz,
04:46assim,
04:47porque agora
04:47ela se sente vista,
04:49ouvida,
04:51contemplada.
04:52Ela descreve, assim,
04:53coisas horrorosas, né?
04:55Então, eu queria perguntar
04:56se vocês acreditam também
04:58que o documentário
04:59ele vem para chocar
05:01ainda mais as pessoas.
05:03Eu acho que é para a gente
05:05trazer a noção exata
05:06da violência
05:07que é o crime, né?
05:09Que é um crime cometido
05:10em quatro paredes.
05:11Então, é muito difícil, né?
05:13Você dizer, assim,
05:14ah, tem o relato da Hilda
05:15que sofreu a violência.
05:16Os vizinhos
05:16não conseguiam ver
05:18o que estava acontecendo
05:19ali naquela casa.
05:20Mas trazer essas imagens,
05:22essas reencenações,
05:23eu acho que foram fundamentais,
05:25foi muito fundamental, assim.
05:26para que as pessoas
05:27tivessem uma noção maior.
05:28Porque você ouve
05:29no podcast
05:31sobre o crime,
05:32mas ver
05:33te dá um impacto
05:34um pouco
05:35mais forte, né?
05:36E é até difícil, assim, né?
05:38De você assistir
05:38e ficar
05:39ficar bem, né?
05:41E aí, depois,
05:42quando você vê
05:42a Hilda falando
05:43é que traz
05:44uma força, assim,
05:46porque
05:46ela passar por tudo isso
05:49e ficar
05:5021 anos
05:50sofrendo por tudo isso
05:51e ter a coragem
05:52de falar
05:53num tribunal
05:54sobre tudo
05:54que ela sofreu
05:55é muito forte também,
05:57é muito
05:58ressignificar, né?
05:59O trauma
05:59que ela sofreu.
06:01Chico,
06:01agora é uma
06:02para você também, né?
06:03Que eu fiquei
06:04sabendo, né?
06:06Agora, ontem
06:06que teve mais um episódio, né?
06:08Que depois assistindo
06:09eu vi que era
06:09o restante ali
06:11da...
06:12uma informação nova
06:13sobre esse caso,
06:14de onde ela morou.
06:15Então, acho que
06:16a minha pergunta final é
06:17será que essa história
06:18ainda tem
06:19desdobramentos?
06:21Eu acho que
06:22com a série
06:23e com esse episódio
06:23final,
06:24esse episódio final
06:24o podcast merecia
06:26porque tinha sido
06:27uma falha minha
06:28de dizer,
06:29olha, não sabemos
06:29porque ela não foi
06:30acionada pela polícia
06:31e pela justiça brasileira.
06:33Agora sabemos.
06:34Então, acho que veio
06:35para, de fato,
06:36encerrar a série em áudio
06:37e com a série
06:38audiovisual,
06:39com a série
06:39em imagem,
06:41você tem a outra
06:42perspectiva,
06:42você tem a perspectiva
06:43dos Estados Unidos
06:44e você tem o outro lado
06:45dessa história, né?
06:46Que é o lado
06:46da Hilda
06:47e das pessoas
06:48que se juntaram
06:49a Hilda para mudar
06:49uma lei nos Estados Unidos.
06:51Então, acho que, de fato,
06:54a gente conseguiu contar
06:55essa história contento.
06:56Assim, não digo
06:56dessa água não beberei,
06:58mas eu acho que ela
06:59está muito bem contada
07:00e muito bem contemplada
07:01com a visão da Kátia,
07:03da Mari,
07:03de toda a equipe
07:04que fez o audiovisual.
07:05Assim, seguimos
07:06para as próximas.

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