00:00A gente começou naquele problema de não ter documento para poder identificar, né?
00:04Mas aí ela estava com um cartão de um banco no bolso e estava incompleto o nome dela.
00:12A gente achou várias pessoas com o mesmo nome e quando foi na segunda-feira de manhã que a gente
00:16identificou a família,
00:17a família reconheceu o corpo, foi daí que a gente conseguiu nortear a investigação, né?
00:22Porque até então não tinha nem o nome da vítima.
00:24E aí todas as provas que a gente tem leva a crer que foi esse rapaz que é o ex
00:29-namorado dela.
00:30E pelo levantamento que a gente fez até agora, ela sofreu um relacionamento muito abusivo com ele,
00:36a ponto de ele controlar até o telefone celular dela.
00:40Ele controlava ela o dia todo, ele ficava às vezes do lado de fora, lá do local de trabalho dela,
00:46esperando ela da hora que ela entrava até a hora que ela saía.
00:49E ela já tinha registrado uma ocorrência de uma tentativa, até ficou como tentativa de homicídio,
00:57que ele deu um mata-leão nela e ela até desmaiou.
01:02Então, desde então, pelo que a família me falou, ela não teve mais relacionamento nenhum com ele.
01:07Porém, ela morava na Serra, em Jacaraípe, e a família mora na Mada Praia.
01:10Então, eu acredito que ela tenha continuado, pelo que eu levantei, pelo levantamento que eu fiz,
01:16do trabalho dela em vários locais, de pessoas amigas,
01:19ela continuou mantendo esse relacionamento com o rapaz,
01:22até porque ela estava grávida, eu creio até que seja por esse motivo,
01:25ela continuou mantendo a relação.
01:28O bebê nasceria dia 20 de fevereiro, como o secretário falou.
01:31Então, eu penso assim, ela até tinha dito para a mãe que ela ia entrar em contato com ele,
01:35e provavelmente entrou, porque ele continuou se encontrando com ela.
01:38E a partir de então, a partir de quarta-feira, quando ela sumiu,
01:42foi que a gente começou, a partir dessa data, a gente já tem provas técnicas,
01:47que ela realmente estava com ele, o ex-namorado dela, que foi preso.
01:53A gente falou da tecnologia utilizada, seria a geolocalização, por meio do celular,
01:57como você pode explicar?
01:58Na verdade, a gente tem metodologias para a gente poder trabalhar hoje.
02:04na evolução da época, a gente tem muito material, que isso tem que ser instrumentalizado.
02:10O inquérito policial é uma peça, que você tem conjuntos de diligências,
02:16que você leva ao Ministério Público o indício da autoria.
02:20Então, é isso que nós estamos trabalhando.
02:21Nós temos material, que ele estava na cena do crime, através de trabalho científico,
02:29através de trabalho de geolocalização mesmo, que ele não tem como ele indegar nisso,
02:35que ele não estava na cena do crime.
02:37Então, agora, são detalhes que a gente só vai trabalhar.
02:40A doutora Aguilar vai conduzir isso, no sentido de a gente terminar esse ano subjetivo dele.
02:47Agora, é saber a motivação, porque homicídio você trabalha meios, modos e fins.
02:55Então, você precisa saber agora qual foi a motivação, o que levou ele a fazer,
02:58os meios que ele praticou e quais são os seus fins.
03:01É isso que o doutor Aguilar colocou, apenas tinha o corpo, não sabíamos quem era.
03:06E no direito penal, a gente sempre fala que o corpo conta a sua própria história.
03:12Então, a partir do corpo, nós identificamos e chegamos à figura dele, à pessoa dele.
03:17Agora, foi o cabo, foi aquele filho que ele sai do carro de sinhas e entra no carro preto?
03:24Foi nesse momento, um dia antes do mandato de busca e apelição,
03:28o carro do pai dele era um carro preto?
03:31É esse momento que ele faz a troca de carro e vocês também acharam isso suspeito?
03:35A equipe trabalhou, a equipe correu todas as câmeras naquele local.
03:43É aquela coisa, não existe crime perfeito, não é isso?
03:47Então, quando ele sai e entra em outro veículo, nós captamos essa imagem.
03:52A partir desse momento, nós passamos a monitorar.
03:59Não, não. Tínhamos a informação que ele estava num veículo com aquelas características.
04:05Isso?
04:05Então, foi dado aqui o alerta para todas as equipes.
04:09Todo carro com aquela característica deveria ser abordado.
04:13Isso, então, no caso, aquele foi visto e foi abordado.
04:18E demos sorte.
04:19Mas o carro dele, do pai?
04:21Não, o carro dele foi apreendido ontem.
04:24Não é isso, doutora?
04:25Foi.
04:25O carro dele foi apreendido que será minuciosamente periciado.
04:29Aí o doutor, o coronel Ramalho, que comanda hoje a polícia científica, já está à frente,
04:34já determinou o que tem que ser feito.
04:36Ah, o celular dela foi encontrado?
04:39Não, não foi encontrado.
04:41O dele já foi também, ou foi periciado, vai ser periciado?
04:45Foi entregue?
04:46Ele entregou, doutora?
04:48O celular dele hoje?
04:49Não, né?
04:51O bairro de dúvidas onde ele reside, muitos oradores citam o que ele fazia, algum tempo
04:57atrás, uma espécie de ronda por ali, com alguns outros colegas, vamos dizer assim,
05:03quase como se fosse um grupo de justiceiros.
05:06E aí, falam também que ele dizia para todo mundo no bairro que ele era o policial militar,
05:10inclusive, pela segurança que fica ali no bairro, alguns funcionários disseram que,
05:15quando precisavam de alguma ajuda com alguma pessoa que estava, de alguma forma, ali no bairro,
05:19levantavam seus feitos, pediam para ele, e ele conseguia, em minutos, a ficha da pessoa,
05:25às vezes o boletim, às vezes uma foto dos feitos.
05:29E aí, por isso, eu pergunto essa questão dele de ser, falar que era policial militar,
05:33muitas pessoas disseram.
05:35Isso também chegou a dizer para vocês quando vocês trabalhavam?
05:37Posso falar?
05:39Ontem eu fui, eu comandei a busca e apreensão na casa dele, lá em Barre de Ludes, né,
05:44que eu esqueço que eu não sou daqui.
05:46E no final da abordagem, um senhor que comanda a segurança lá, me falou que ele se apresentava
05:53lá como policial militar, porque, infelizmente, acho que foi isso que, por ele se apresentar,
05:57não que ele seja, porque ele não é policial militar.
06:00E me falaram isso aí, que ele falava lá para todo mundo que ele era soldado Santana,
06:06se chamava soldado Santana, e que ele fazia a vigia lá do local, mas que essas informações,
06:13com relação a essas informações que ele conseguia rápido, eu não fiquei sabendo, não.
06:16Ele só se identificava como PM, porém não é, e ele ficava monitorando lá, tomando conta lá do bairro.
06:23Sim, eu tenho algumas imagens.
06:24Como se fosse segurança.
06:25Ele mandando o oitinho, tudo.
06:27Ele mandando?
06:28É, a gente falava para todo mundo, baixava a placa de carro, sabia todas as informações.
06:33Você hoje tem um aplicativo aberto, chamado Sinés e Cidadão.
06:38Ali você tem todas as... é aberto.
06:40Você pode você mesmo entrar e jogar a placa do carro, você tem as informações todas,
06:44você tem informação de foragido, você tem informação de mandar de prisão.
06:48Isso é aberto ao cidadão, entendeu?
06:50É uma ferramenta que a Secretaria Nacional de Segurança Pública fez justamente para facilitar o trabalho das pessoas.
06:58Então, ali você tem desaparecidos, tem mandar de prisão, tem foragidos, veículos, entendeu?
07:05Então, ele usava dessa metodologia aberta, que é uma ferramenta aberta, para dizer que ele tinha essas informações privilegiadas.
07:14Não, porque os nossos bancos de dados, eles são fechados somente aos policiais.
07:19O senhor, só para você, chegou o conhecimento da polícia que, um dia antes do crime, ele pediu a numeradora
07:25de imagens de vídeo monitoramento das cambeiras na região,
07:29porque uma pessoa tinha batido no campo dele, ele queria verificar, mas ele foi atrás dessas imagens.
07:35Chegou essa informação até a polícia e foi considerada como uma forma também de prova contra ele?
07:40Chegou alguma coisa para vocês?
07:43Doutora Glória, chegou alguma coisa essa informação?
07:47Não?
07:48Agora, se tem essas informações, agora, doutora, com a prisão, ela terá um prazo para prosseguir a inquérito.
07:57Ela vai ouvir agora muita gente, agora vai reconstruir, reconstituir a vida, né?
08:02Para a gente buscar justamente a motivação, não é isso?
08:07Buscar os meios pelos quais ele praticou, né?
08:11E quais foram os seus fins.
08:12Então, agora, é o inquérito policial que vai ser conduzido e a gente vai ter toda essa formatação.
08:17Qual era a nossa preocupação e a nossa intenção?
08:21Prendê-lo o mais rápido possível.
08:24Ele não poderia ficar solto, né, secretário?
08:26Ele não poderia ficar solto, ele tem que pagar pelo que ele fez.
08:30E agora é um trabalho investigativo, de muita técnica, muita apuração, muito cuidado.
08:36A polícia viu justamente o Ministério Público, o Poder Judiciário,
08:39para que a gente possa fazer um inquérito policial muito bem mistecido
08:43para que ele tenha uma condenação certa e severa.
08:47Mas só para saber se o comportamento dele, assim, antes, durante o desaparecimento,
08:52foi usado como prova, só para vocês falarem provas técnicas que...
08:57É, como a gente fala prova técnica, ela é objetiva.
09:00Mas, assim, por exemplo, essa prova de carro foi algo suspeito?
09:03Só para saber...
09:03Esse é objetivo, sim, lógico, lógico, lógico, lógico.
09:06Agora, a prova subjetiva que vai ser, claro, buscada por ela.
09:11O que é a subjetividade?
09:12Os relacionamentos, né, como ele vivia, como ela vivia,
09:17o que levou ele a tomar essa atitude, enfim.
09:20Então, agora, são detalhes que nós vamos formar, formatar o caráter de cada mulher.
09:27A gente tem uma informação também, de que em outubro,
09:31ela tinha pedido uma medida protetiva para ele.
09:34A gente gostaria de saber se essa medida é unigada,
09:36se ela retirou, se ela não aconteceu.
09:39Então, ela, de fato, procurou a unidade policial no mês de outubro,
09:44no dia 5 e 10 de outubro.
09:46Infelizmente, naquele momento, estava sendo implantada
09:49uma nova ferramenta chamada PJR.
09:53Entendeu?
09:53Então, estava muito ainda, muita dúvida, muita coisa.
09:57Então, naquele momento, o expediente não foi tramitado.
10:02O unidade policial foi instalado.
10:04E, nesse período de outubro até agora,
10:06ela não procurou mais a unidade policial.
10:09O que nós vamos fazer agora?
10:10O que já está sendo feito agora?
10:11A correderia da Polícia Civil já está apurando,
10:15o motivo pelo qual não foi feita essa tramitação.
10:18E também o motivo que não houve,
10:21depois, não há alguma procura com relação a essa situação.
10:25Então, se houve falha, de alguma parte,
10:29nesse sentido, será apurado,
10:31e também será feita a punição de verbo.
10:33Eu vou esclarecer o que é o PJR.
10:35Vocês sabem o que é o PJR?
10:36É.
10:37Explica para aí.
10:38O inquérito policial, ele é eletrônico.
10:41E, na justiça, eles têm também o procedimento,
10:44o processo judicial eletrônico.
10:46E foi feita uma integração desses dois sistemas.
10:49Então, assim, não vai ter mais papel.
10:51E o fato cedeu na época que estava justamente...
10:53Justamente eu...
10:54Estava dando tudo errado.
10:56E foi feita essa integração.
10:57Aí o PJ parou de receber o procedimento sem papel,
11:02entendeu?
11:02Aí pode ter sido um problema aí nessa integração.
11:05Infelizmente.
11:06Problema técnica.
11:06O carro dele, o BQD,
11:09no dia passou por câmeras no cerco, assim,
11:13que foi um dos motivos que levaram,
11:15que ele pensava lá, por lá.
11:17Sim.
11:19Mas ele não teria sido com o carro dele.
11:22O carro dele.
11:23É por isso que ele estava sendo policiado.
11:25Acredito, por ter encontrado o carro...
11:27E ele lavou o carro, certo?
11:29Ele tentou descaracterizar isso,
11:33mas nós temos recursos para isso.
11:37Lavou no dia seguinte?
11:38É.
11:39Ele deve ver filme, né?
11:41Ele deve ver filme.
11:42No Instagram ele se...
11:44Ele se...
11:45O titulava perito forense...
11:48É, exatamente.
11:49Além disso...
11:50Ele só não contava com a gente.
11:52Ele tinha muitos...
11:55É.
11:56Ele estava fazendo faculdade.
11:57Muita loucura.
11:58É direito e ainda era perito forense,
12:00investigador criminal.
12:03O titulava...
12:04É.
12:04É.
12:04TPM, é investigador.
12:06A verdade é que ele tirou a vida de uma moça muito bonita, nova, jovem,
12:11uma vida pela frente, né?
12:13E ela, inclusive, tem um filho de oito anos de idade.
12:16Ela deixou o menino de oito anos de idade.
12:18O relacionamento anterior dela.
12:20Ele vai responder por homicídio com a qualificadora do feminicídio, mais aborto, tudo em concurso
12:26material, as penas serão somadas, entendeu?
12:29E o senhor repete para a gente o que é que pôr lá no final, né?
12:33E ocultação.
12:34Ocultação.
12:35Ele vai responder por homicídio na qualificadora do feminicídio.
12:38Ok.
12:38Porque o feminicídio qualifica o homicídio, mais o aborto, certo?
12:43E também a ocultação de cadáver.
12:45Tudo no tribunal do júri.
12:52Bom, a perícia vai nos dizer isso, mas, né, de qualquer maneira, quando nós temos
12:59uma situação dessa, aonde se deu o conhecimento, se torna prevento.
13:04Se torna prevenção.
13:06Então, a doutora Glória foi sorteada.
13:09Não consegui ela.
13:18Olha só, ontem à tarde, um advogado dele falou para mim que ia apresentar ele 10 horas
13:24hoje.
13:24Aí não apresentou.
13:25E quando foi mais ou menos meio-dia, eu recebi uma outra ligação de um outro advogado.
13:30Ele procurou um outro advogado.
13:32E aí marquei duas horas.
13:35Só que aí já estava sendo monitorado.
13:37Foi aí que ele foi encontrado aqui antes dele seguir para lá.
13:41Por isso que ele foi encontrado junto do advogado dele.
13:44E o Rosso Arco?
13:46É, nada.
13:48A gente ainda não...
13:50Ele era CAC, né?
13:52É, eu fiquei sabendo que ele era CAC, mas eu não consegui ainda...
13:55Comprovar melhor da gente.
13:56Comprovar.
13:56Comprovar.
13:59Comprovar.
14:00Comprovar.
14:00Comprovar.
14:01Comprovar.
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