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A escalada de tensões entre Irã e Israel joga luz sobre o complexo xadrez de alianças e rivalidades no Oriente Médio.
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00:04A tensão recente entre Israel e Irã colocou o mundo em estado de alerta.
00:09Também deixou em evidência a complexa rede de alianças e rivalidades que unem e dividem o Oriente Médio atualmente.
00:17Os dois países são potências regionais, que contam com aliados importantes, assim como adversários de peso.
00:23Eu sou Julia Brown, da BBC News Brasil, e neste vídeo explico alguns pontos desse xadrez geopolítico.
00:30O Irã, comando que é conhecido como o eixo da resistência no Oriente Médio.
00:35Para entender o que isso significa, precisamos voltar mais de 20 anos no tempo,
00:39quando o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ainda nos desdobramentos dos ataques de 11 de setembro,
00:47classificou o Irã, Iraque e Coreia do Norte como o eixo do mal.
01:03Era o começo da controversa guerra ao terror americana.
01:07Lembrando aqui que os Estados Unidos são também o principal aliado externo de Israel,
01:11a quem enviam bilhões de dólares anualmente em apoio militar.
01:15A reação iraniana ao eixo do mal foi uma espécie de aliança informal de grupos e países
01:21que se enxergam como uma resistência aos interesses americanos e de antigas colônias europeias no Oriente Médio.
01:27Esse eixo da resistência tem como inimigos Israel e o que eles classificam como o imperialismo dos Estados Unidos,
01:35além de, por vezes, regimes locais que mantêm relações com o governo americano.
01:40Um ponto central desse eixo está dentro do Irã.
01:43É a chamada Guarda Revolucionária, um poderoso grupo que trabalha em paralelo ao exército oficial
01:49e que tem atribuições muito importantes, com desdobramentos para todas as relações externas iranianas,
01:55como explica o jornalista Barry Sajid, da BBC Monitoring, especializado em temas iranianos.
02:16O Irã e sua Guarda Revolucionária são vistos como uma espécie de mentor ideológico,
02:22além de financiador de vários grupos e países que operam localmente conforme seus interesses.
02:27Entre eles estão o Hamas em Gaza, o grupo Hezbollah no Líbano, os Houthis do Iêmen
02:33e vários outros grupos armados no Iraque, na Síria e no Bahrein.
02:37Segundo analistas, esses grupos recebem apoio logístico, econômico e ideológico do Irã.
02:44Vamos então detalhar cada um deles e depois explicar os apoios do lado israelense,
02:49além da posição de outros atores importantes na região.
02:52No caso de Gaza, o Irã é acusado de apoiar o Hamas e a jihad islâmica,
02:57o segundo maior grupo militante nesse território.
03:00A reivindicação palestina por um Estado próprio, aliás, é central para esse eixo da resistência,
03:06como detalha Barry Sajid, do BBC Monitoring.
03:08O palestinian cause é fundamental para o Axis da resistência,
03:12porque é o que tem a maior grande legítimação entre os povos do Middle East.
03:17E, historically, tem sido o principal motivo por que o Repúblico
03:21tem sido capaz de acruir a legítimação através da sectaria divina.
03:27Todos esses diferentes grupos, dentro do chamado Axis da resistência,
03:31Estado ou não-Estado, têm diferentes contextos e diferentes razões
03:36para compartilhar os inimigos da República, principalmente Israel e os Estados Unidos.
03:42Quando aconteceu o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro,
03:46surgiram muitas especulações sobre uma possível participação direta do Irã no episódio.
03:51Mas Teheran nega qualquer envolvimento.
03:53E, até agora, não foram de fato encontradas evidências que confirmam essas especulações.
03:58Ao mesmo tempo, é sabido que o Irã ajuda a financiar e a treinar integrantes do Hamas.
04:04Embora a ligação com o Hamas tenha ganhado destaque desde o início do conflito em Israel com Gaza,
04:09a relação da jihad islâmica com o Irã é relatada como mais forte, segundo o serviço árabe da BBC.
04:15No Líbano, o laço iraniano é com o Hezbollah,
04:18grupo que se fortaleceu no contexto da invasão israelense do Líbano em 1982
04:23e na ocupação que aconteceu em seguida.
04:26Além de um grupo armado, o Hezbollah é um partido político e uma força social no país,
04:31ao mesmo tempo em que é designado como organização terrorista pelos Estados Unidos, Israel e outros países da Liga Árabe.
04:38Desde a sua criação, o Hezbollah tem sido acusado de realizar uma série de ataques contra alvos judeus e israelenses.
04:45Já no Iêmen, a ligação iraniana é com os rebeldes Houthi,
04:49um grupo que a partir dos anos 2000 protagonizou várias rebeliões contra o governo autoritário
04:54que comandava o Iêmen com apoio americano.
04:57Em 2011, durante a onda de protestos que varreu países árabes,
05:01o governo central yemenita foi forçado a renunciar.
05:04Ao longo dos anos seguintes, os Houthis conseguiram tomar à força o controle de várias áreas do Iêmen,
05:10incluindo a capital Sana'á.
05:11Aqui entra outro ponto importante no Oriente Médio, a rivalidade entre muçulmanos, chiítas e sunitas.
05:18A Arábia Saudita, um país sunita, passou a temer que seu vizinho Iêmen ficasse totalmente
05:22sob controle dos Houthis, que são da ramificação chiíta, assim como o Irã.
05:26A preocupação saudita era justamente de que o Iêmen virasse um país satélite do Irã,
05:31adversário de longa data dos sauditas.
05:34Junto com uma coalizão árabe, os sauditas passaram a bombardear o Iêmen,
05:38alimentando uma sangrenta guerra civil que deixou o país em ruínas e com índices devastadores
05:45de pobreza.
05:45Mas anos de combate não foram suficientes para expulsar os Houthis, que hoje controlam
05:50um território que abarca 70% da população iemenita.
05:54Uma frágil trégua mediada pela ONU entre Houthis e sauditas está em vigor desde 2022.
06:02A guerra em Gaza deu ao grupo uma oportunidade de consolidar apoio popular interno,
06:07unindo os iemenitas em torno da causa palestina.
06:10Assim, os Houthis passaram a atacar navios mercantes no Mar Vermelho,
06:15uma rota muito importante para o comércio marítimo global.
06:18A justificativa era de que esses ataques seriam uma cruzada moral contra Israel e o Ocidente.
06:23Os Houthis teriam recebido centenas de milhões de dólares dos iranianos, algo que o Irã não confirma.
06:30Quando se trata de atores estatais, a Síria aparece como o aliado mais importante do Irã no Oriente Médio.
06:37Esse apoio tem muito a ver com a guerra civil na Síria.
06:40Recapitulando, o que começou em 2011 como protestos contra o presidente Bashar al-Assad
06:45rapidamente escalonou para uma guerra civil, opondo o governo sírio a grupos rebeldes.
06:50Do lado de Assad estão a Rússia e o Irã.
06:53Do lado dos rebeldes, o apoio veio dos Estados Unidos e outros aliados
06:57que em determinados momentos se envolveram diretamente no conflito,
07:01como o Reino Unido, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos e forças kurdas.
07:07O Irã nunca admitiu formalmente papel na guerra síria,
07:10embora membros da Guarda Revolucionária iraniana tenham sido enviados para Damasco.
07:15Acredita-se que a Guarda Revolucionária distribua mísseis e outros armamentos para o Hezbollah,
07:20no Líbano, através do território sírio.
07:23Com isso, alvos e indivíduos iranianos na Síria entraram na mira israelense.
07:28São atribuídos a Israel centenas de ataques em território sírio
07:31contra supostos grupos armados financiados ou treinados pelo Irã,
07:36algo que Israel não confirma.
07:37O suposto objetivo de Israel seria conter a distribuição de armamentos,
07:41além de impedir que o Irã fortaleça ainda mais a sua presença militar na Síria.
07:46Eu consultei o professor Yaniv Voller, da Universidade de Kent, no Reino Unido,
07:51sobre essa aliança Irã e Síria.
07:52O Brasil, o Bashar al-Assad regime, depende extensamente do Irã,
07:59e ambos países têm sido alianos por um tempo.
08:04Síria é um muito forte no momento.
08:05É não um grande ator em regional geopolítica.
08:09É claro, ainda ocorre as consequências da guerra civil.
08:22No Iraque, o Irã tem se envolvido de forma mais profunda na política local
08:27desde a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003.
08:30Acredita-se que muitos partidos políticos iraquianos
08:34tenham ligações com o regime iraniano,
08:36que financia e treina grupos paramilitares ali.
09:03E do lado de Israel?
09:04O apoio maior aos israelenses vem de fora do Oriente Médio,
09:07com Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido.
09:10Dentro da região, a professora Elisabeth Monnier,
09:13da Universidade de Cambridge,
09:15prefere classificar os laços de Israel
09:17mais como uma cooperação do que como alianças.
09:20A parceria entre egípcios e israelenses
09:22se baseou nos últimos anos, principalmente,
09:25nos esforços para erradicar ameaças extremistas
09:28na Península do Sinai e no comércio de gás natural.
09:31Mas, segundo os especialistas que eu ouvi,
09:34o governo egípcio parece menos disposto
09:36a apoiar seu vizinho em um eventual conflito expandido com o Irã.
09:40Isso porque enfrenta os seus próprios problemas econômicos
09:43e de instabilidade em suas fronteiras com a Etiópia e a Líbia.
09:47Já a Jordânia participou ativamente dos esforços de defesa
09:50ao lado de Israel durante o ataque iraniano recente de 13 de abril.
09:55Mas isso desagradou parte da população local,
09:57que tem protestado contra o apoio jordaniano
10:00desde o início da ofensiva de Israel em Gaza.
10:03There have been massive demonstrations every single day
10:06asking the king and asking the government
10:10to annulize the peace treaty with Israel
10:13and actually support Gaza and Hamas.
10:16And somewhat the decision of Jordan
10:22to actually join that coalition
10:24and stop the Iranian missiles from reaching Israel
10:28has been perceived by the public,
10:31but also the Arab public opinion in general
10:33as an act of siding with Israel militarily.
10:37And that in itself is a very tricky decision.
10:42So Jordan now is perceived,
10:44the regime at least is perceived by everyone
10:47as a close ally to Israel,
10:50as ready to defend Israeli interests and territory.
10:55And that in itself puts Jordan
10:58in a very tough position at the domestic level,
11:01but also at the regional level,
11:02because if the war escalate,
11:05Jordan will be considered as an ally of Israel.
11:09Israel também assinou mais recentemente
11:11tratados de paz com os Emirados Árabes Unidos
11:14e com o Bahrein.
11:15Antes do conflito em Gaza,
11:16também havia a expectativa
11:18de que a Arábia Saudita
11:19estivesse prestes a estabelecer
11:21relações diplomáticas com Israel
11:22em uma aproximação patrocinada
11:25pelo governo americano.
11:26Agora, especialistas afirmam
11:27que esse movimento está paralisado.
11:29Historicamente, os sauditas
11:31são defensores da causa palestina
11:33e nos últimos meses
11:34o reino tem condenado
11:36as ações israelenses em Gaza
11:37e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.
11:40Mas segundo uma reportagem
11:41do Wall Street Journal
11:42que ouviu oficiais americanos,
11:45egípcios e sauditas,
11:46Riyadh teria ajudado Israel
11:48com informações de inteligência
11:50na defesa contra os mísseis iranianos
11:52em 13 de abril.
11:53A informação não foi confirmada oficialmente
11:55por nenhum dos dois lados.
11:56O fato é que a Arábia Saudita e Irã
11:58mantém uma rivalidade aberta
12:00que já foi descrita
12:01como a nova Guerra Fria
12:03no Oriente Médio
12:03e que se desdobra
12:05em vários dos movimentos
12:06e apoios que eu descrevi nesse vídeo.
12:08Mas mais recentemente,
12:09os dois têm se aproximado.
12:11Em março de 2023,
12:13representantes de ambos os países
12:15se reuniram na China
12:16para reatar seus laços.
12:18Embaixadas foram reabertas
12:19e o presidente iraniano
12:21Ebrahim Raisi
12:22foi a Riyadh em novembro,
12:23na primeira visita
12:25de um líder iraniano
12:26à Arábia Saudita
12:27em 11 anos.
12:27Os dois também trabalharam juntos
12:29em conversas diplomáticas
12:31sobre o conflito em Gaza.
12:32Mas a verdade é que
12:33a abertura diplomática
12:35ainda não se traduziu
12:36em acordos
12:37ou entendimentos significativos,
12:39já que o Oriente Médio
12:40vive em momentos turbulentos.
12:42Também entre os países do Golfo,
12:43o Catar desempenha atualmente
12:45um papel singular
12:46como mediador entre Israel
12:48e o Hamas
12:49diante do conflito em Gaza
12:50e mantém relações próximas com o Irã.
12:53Para Yaniv Vohler,
12:54o país é um dos poucos
12:55que também teriam condições
12:57de atuar como mediador
12:58entre Israel e Irã.
12:59Outro país apontado
13:01como possível mediador
13:02é o Oman,
13:03que já fez esse papel
13:04em outros momentos
13:05de negociação entre Irã
13:06e nações ocidentais.
13:08Vohler também cita a Turquia
13:10como uma segunda alternativa.
13:12É ela o ponto final deste vídeo.
13:14Como outro estado
13:15não árabe da região,
13:17a Turquia manteve
13:17laços estreitos
13:19durante grande parte
13:20da sua relação
13:20de 74 anos com Israel.
13:22Mas mais recentemente,
13:24sob o governo
13:24de Recep Tayyip Edouan,
13:26as relações
13:27se tornaram mais tensas.
13:28Muitas vezes
13:29em paralelo
13:30com os altos e baixos
13:31das tensões
13:32israelo-palestinas.
13:33Ainda assim,
13:34Vohler acredita
13:35que o país
13:36tem se mantido
13:36em uma posição
13:37mais neutra
13:38do que outros estados
13:39da região.
13:40A Turquia é um grande
13:41jogador na região,
13:41é um alívio NATO.
13:44Como os outros atores
13:46da região,
13:46não tem interesse
13:47em ver
13:49um conflito
13:49se transformando,
13:50porque isso
13:51afetará a economia
13:52da Turquia também.
13:53E a economia
13:54também está lutando.
13:55A Turquia
13:56tem um interesse
13:57em prevenção
13:59de uma relação
13:59original.
14:01Bom,
14:02obviamente,
14:02esse vídeo
14:03não esgota
14:03a complexidade
14:04das relações
14:05multilaterais
14:06no Oriente Médio
14:07e nos países
14:07ao redor.
14:08Mas espero
14:09que tenha ajudado
14:09você a entender
14:10a rede de rivalidades
14:12e alianças,
14:12que, aliás,
14:13é fluida
14:14e em constante
14:15transformação.
14:16Por hoje,
14:16eu fico por aqui.
14:17Siga a nossa cobertura
14:18de assuntos internacionais
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14:22Obrigada
14:23e até a próxima.
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