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  • há 3 meses
Angela Amorim chegou ao bairro na década de 1960; em comemoração ao próprio centenário, ela revive as memórias da juventude

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Transcrição
00:00Vitalidade, bom humor e disposição. Essas são algumas das características que definem a idosa Angela Morim, que é moradora de
00:09Arginapém, Vitória, e completou 100 anos em 2023.
00:13Ela faz parte das primeiras 106 famílias a chegarem no bairro e deu detalhes de como era a região naquela
00:20época.
00:20Aqui era tudo mato, aqui era uma fazenda, sabe? Era uma fazenda e só tinha mato, mato, mato. Aí era
00:28pra ir meio deserto, né? Também, né?
00:31Eu conheço a Camburi. Eu moro em Jucucuara, no tempo de mocinha, de solteira, e a gente vinha muito passear
00:40aqui. Não tinha nem campo de aviação ainda, né?
00:42Quando a gente vinha passear depois, quando fizeram esse campo de aviação, aí era o passeio nosso.
00:48Era visitar aquelas paneleiras, via de panela, que era muito pobre, né?
00:53O pessoal que a gente ia lá em Goiabeira.
00:55Depois a gente ia, era o nosso passeio, porque Vitória não tinha nada, né?
01:00Porque Vitória era muito sem, não sei, Clube Vitória.
01:06E se eu tenho mais coisa para os ricos, né? Porque os povos mesmo, era mesmo a caminhada que a
01:12gente fazia, né?
01:13Por isso que eu disse a você que eu conheço isso tudo.
01:15Mãe de sete filhos, Dona Ângela morou muitos anos no Rio de Janeiro, onde casou com outro capixaba.
01:22Ela sempre atuou no ramo do artesanato, mas se aposentou como corretora de seguros.
01:27Eu vim em 1968.
01:30Mas eu gostei muito aqui de Vitória, eu já estava acostumada aqui, né?
01:39Eu saí, fui passar as férias lá, e nesse período de férias e casamento, tudo que eu fiquei lá, os
01:47filhos nasceram, tudo.
01:48Eu fiquei 15 anos no Rio, mas eu era doido para vir embora, para Vitória.
01:53E ele também, e ele era de Colatina, sabe?
01:56Então ele dizia assim, pode deixar com a minha coisa, eu falei, nós vamos embora para Vitória.
02:00Ela foi, inclusive, uma das moradoras que ajudou na construção de dois importantes lugares do bairro.
02:06A paróquia São Francisco de Assis e, principalmente, a Associação Praiana 106.
02:11Então nós reunimos um grupo, né?
02:15Deu um tanto, conseguimos comprar o terreno, aquele terreno ali.
02:19Mas ele vinha todinho até, não tinha aquele prédio, aquele edifício não.
02:23Mas como ficava muito caro, né?
02:25A gente conseguiu só, deu, só conseguimos comprar aquela partezinha lá do 106, né?
02:31E fizemos, fazia churrasco, fazia os bailezinhos, né?
02:36Que o pessoal aqui gostava.
02:38Questionada sobre como alcançou uma vida tão longa, Dona Ângela diz que não existe nenhuma receita.
02:44A fé, no entanto, foi algo muito importante durante a caminhada delas.
02:48Se você é franca a você, eu não sei.
02:51Eu não sei porque, como se, como a gente que tem um fundo religioso, né?
02:59Porque eu sou, eu sou católica, né?
03:03Então, a gente lê a brimba e tudo, e tudo isso, e tudo isso.
03:06Eu não tenho receita, eu não sei como eu cheguei.
03:10Só quem sabe é Deus, né?
03:12Só que tem aquela cantiguinha do Roberto Carlos, né?
03:16Se a jornada for pesada, te cansar na caminhada, segura na mão de Deus e vai.
03:22Porque só Deus mesmo pra ajudar a gente.
03:25Porque é difícil.
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