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  • há 4 meses
A BBC News Brasil entrevista alguns dos grandes nomes da história da capoeira e pessoas responsáveis pela internacionalização da modalidade, como os mestres João Grande, Jelon Vieira, Lua Rasta e a musicóloga Emília Biancardi

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Transcrição
00:00A capoeira é um pensamento. A cabeça pensa e o coube do recado.
00:09Pelas águas do Atlântico, mais de um milhão de africanos de diversas etnias chegaram aqui em Salvador.
00:16Trazidos à força no tempo da escravidão, eles fizeram da Bahia o berço de algumas das maiores invenções culturais brasileiras.
00:23Uma delas, a capoeira, hoje está presente em mais de 150 países.
00:27A gente veio a Salvador contar a história de grandes mestres que fizeram uma prática que já foi proibida alcançar
00:34todos os continentes.
00:35São pessoas que viveram odisseias, que deixaram marcas em Hollywood e influenciaram até práticas culturais estrangeiras, como o breakdance.
00:43Mas vários desses brasileiros que ajudaram a moldar a imagem do Brasil no exterior morreram esquecidos ou na miséria.
00:50E outros ainda vivos são mais reconhecidos lá fora do que aqui.
00:58Eu estava estudando, né, 19 anos, e eu perdi três amigos que não tinham nada a ver na ditadura militar.
01:06Isso me revoltou.
01:07Eu lembrei que eu era capoeirista e era a única salvação.
01:26Eu me considero o primeiro capoeirista.
01:33Eu abri a primeira capoeira fora do Brasil.
01:38E eu fiquei naquele espaço de 75 a 79.
01:43Foi a primeira academia de capoeira fora do Brasil.
01:47E eu tenho o maior orgulho disso.
01:48Enquanto dava aulas de capoeira, Gelon também se destacava como coreógrafo de uma companhia de dança que ele fundou com
01:54outro capoeirista brasileiro, Loremil Machado.
01:57Com o sucesso, Gelon passou a receber convites para coreografar filmes de Hollywood.
02:04Minha primeira coreografia de capoeira foi um filme chamado Brenda Star.
02:11A estrela foi Brooke Shields.
02:17Depois fiz Boomerang com Eddie Murphy, eu coreografei.
02:21Eu coreografei quatro filmes, mas já coreografei também o show de Broadway.
02:26Já participei tudo com a capoeira.
02:32Ao espalhar a capoeira por Nova York, Gelon e Loremil colaboraram com uma modalidade que viraria um dos símbolos da
02:39cultura americana negra, o break dance.
02:46Uma amiga minha, trabalhando nas escolas públicas, falava, acho que vai ser legal você vir dar uma aula lá para
02:53os meninos no Bronx.
02:56Fomos para a escola, fazemos uma demonstração, depois os garotos queriam trocar intercâmbio, fazer intercâmbio, trocar ideias, conversar.
03:06A capoeira ajudou o break dance, o relógio, que eles hoje fazem bem melhor do que nós.
03:11Pião de cabeça, eles começaram e hoje fazem também bem melhor, eles ficam lá rodando por horas.
03:17Pião de mão, em pé, né?
03:20E ficou esse intercâmbio forte.
03:44Lua Rasta foi um dos primeiros a levar a capoeira para a Suíça.
03:47Hoje ele mantém no Pelourinho um pequeno museu com instrumentos que coletou em viagens pelo mundo.
03:53Fui para lá na Suíça, na Suíça já fui para lá no Egito, do Egito já fui para a Tailândia,
03:59já fui para a Tailândia, já fui para Filipinas e continuo.
04:05Hoje, Senegal agora, Ilha de Reunião.
04:09Isso tudo o senhor viajava pela capoeira?
04:11Eu viajava muitas coisas, eu viajei pela capoeira, mas muitas coisas também eu fui na maior, rapaz.
04:17Eu fui na maior sem capoeira e fiz capoeira lá.
04:29Rapaz, eu era oprimido demais, foi isso que me levou lá para a capoeira, entendeu?
04:35Tinha os tios que tudo queriam, todos queriam ser meu pai.
04:40E a capoeira livrou o senhor dessa opressão?
04:44Ah, me livrou, porque primeiro logo eu caí para dentro dos meus tios.
04:51Entendeu?
04:52Ah, não sei o que, eu digo nada, rapaz.
04:54Você tem que me respeitar como sobrinho, entendeu?
04:58E não é assim, vai chegando, dando tapa na frente de todo mundo.
05:02Não é assim não, veja lá.
05:04Mesmo já tendo viajado tanto, Lua Rasta cita um dos grandes nomes da história da capoeira
05:09para dizer que ainda tem muito a viajar e aprender.
05:13O João Pequeno já dizia, você faz 100 anos em capoeira, você é capoeirista e você não sabe nada.
05:22A mesma coisa é a gente, rapaz.
05:25Os mestres Lua Rasta e Gelon Vieira fizeram suas primeiras viagens ao exterior como membros de um grupo que teve
05:32papel central na difusão da capoeira pelo mundo,
05:35o grupo Viva Bahia.
05:36O Viva Bahia foi uma primeira iniciativa empresarial em relação à construção do que seria essa diáspora da cultura afro
05:49-brasileira.
05:50Você tem a junção do maculelê, do samba de roda, da capoeira, das danças dos orixás.
05:56Então você tem um, digamos, um pacote afro-brasileiro do qual a professora Emília Biancardi foi a responsável na montagem
06:06disso.
06:07Então as primeiras viagens que foram feitas para a construção de algo da capoeira no exterior foram essas empresas,
06:15esses movimentos empresariais de shows.
06:19Então os europeus vão conhecer a capoeira a partir daí, os norte-americanos.
06:23Um dia eu lembrei que o Viva Bahia tinha uma audição, fui, era uma viagem para os Estados Unidos.
06:28Ela gostou de mim e falou, tá legal, aí contratou, me contratou, aí eu saí em 73, em 74 eu
06:37fui embora.
06:38Tudo que eu sou, que eu tenho, eu agradeço a Deus, né, porque meus espíritos, meus orixás,
06:44que me deram essa força, essa visão e a professora Emília por ceder, me abraçar e me dar a oportunidade.
06:53Inclusive nós vamos entrevistar a professora Emília na sexta-feira.
06:59Aonde? Na casa dela?
07:00Na casa dela.
07:02Só vai vocês dois?
07:03Sim.
07:04Eu posso ir, posso aparecer lá?
07:06Claro.
07:13Indo aqui para ver a professora Emília, com um coração disparado.
07:34Opa, não acredito.
07:37Não acredito, melhor acreditar que sou eu mesmo.
07:40Não acredito.
07:43Meu Deus, me arrepiando.
07:45É porque realmente essa nossa amizade começou nessa vivência da capoeira.
07:56E naquele tempo era diferente.
08:00Naquele tempo tinha uma coisa chamada amor.
08:06Hoje tem uma coisa chamada competição.
08:09E viajávamos com um grupo de jovens.
08:11Eu era jovem, tinha 20 anos.
08:14Eu não sei se eu digo bravo, porque eu estou muito perto dela.
08:17Não, pode dizer.
08:18Mas ela era dura.
08:21Mas ela era dura.
08:22O grupo Viva Bahia levou a capoeira a vários países onde a modalidade era totalmente desconhecida.
08:28Um deles, o Irã antes da Revolução Islâmica.
08:32Quando o país era uma monarquia que tinha como autoridade máxima o chá.
08:36A professora Emília foi a única artista e mulher a conhecer o chá.
08:42O chá da péssia foi.
08:44O chá da péssia.
08:44Era coisa de sonhos, coisa de Hollywood.
08:48O grupo Viva Bahia lançou álbuns de música e as viagens foram um grande sucesso.
08:54Conquistas que foram resultado de muito estudo e pesquisa.
08:57Eu, jovem, me formei em música.
09:02E nessa coisa de formar em música, a gente criou um grupo que tinha o nome de Lesguel.
09:08Eu já tocava piano.
09:11Depois terminei tocando bateria.
09:17Um ponto crucial na trajetória de Emília foi o encontro dela com o mestre Pastinha.
09:22Porque eu não podia fazer um grupo folclórico que eu não soubesse.
09:28Eu tinha que aprender.
09:29Eu aprendi a tocar berimbau, aprendi música de capoeira, aprendi tudo com ele.
09:34Então eu pagava ele e ele ia na minha casa.
09:38Ele foi meu professor e fez com que eu pudesse ser o que eu sou.
09:44Maior nome da história da capoeira angola, Vicente Ferreira Pastinha virou um ícone da cena cultural de Salvador.
09:51Ele abriu uma academia no Pelourinho, onde recebia artistas e escritores baianos, como Jorge Amado e Mário Cravo.
09:57Além de célebres visitantes estrangeiros, como os escritores franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
10:04Pastinha nasceu um ano após a abolição da escravatura.
10:08Ele aprendeu capoeira na infância com um homem africano do qual só sabia o primeiro nome, Benedito.
10:14Quem inventa capoeira são os africanos aqui no Brasil.
10:18Uma mistura étnica de diversos elementos desses grupos que vão se compor aqui e que vão fazer esse tipo de
10:28capoeira, essa invenção.
10:29A capoeira dos primórdios deu origem às duas modalidades que se espalhariam.
10:34A capoeira regional de Mestre Bimba, normalmente jogada em pé e com golpes rápidos.
10:40E a capoeira angola de Mestre Pastinha, mais cadenciada e próxima do chão.
10:46Pastinha se destacou tanto com a capoeira, que foi convidado a exibi-la no Festival de Artes Negras no Senegal,
10:52em 1966.
10:54Uma participação citada na música Triste Bahia, de Caetano Veloso.
11:08Mas a fama de Pastinha e as contribuições dele à cultura não impediram que ele tivesse um fim de vida
11:14triste e melancólico.
11:16Cego, solitário e sem dinheiro, Pastinha viveu seus últimos dias nesse prédio, morando de favor, num quarto lindo e escuro.
11:34Pastinha? Pastinha?
11:37É.
11:38O que é que tá sentindo agora?
11:41Nada.
11:42Hein?
11:43Absolutamente nada.
12:05Hoje a história se repete.
12:07E pra muitos capoeiristas, a maneira mais segura de evitar um fim como o de Pastinha é emigrar.
12:15Mas tem gente buscando formas de encerrar esse ciclo e de fazer com que o legado desses mestres seja mais
12:21reconhecido e valorizado enquanto eles são vivos.
12:27Desde criança, quando eu comecei capoeiro, eu sempre via todos esses mestres numa situação extremamente fragilizada, no decorrer do seu
12:35final, geralmente, do seu ciclo de vida, né?
12:38Sempre se fazia vaquinha pra pagar o enterro ou pra dar algum tipo de assistência médica, comprar algum remédio.
12:47Sabiá passou a buscar formas de apoiar velhos mestres depois de conviver com um dos maiores capoeiristas de todos os
12:54tempos, João Grande.
12:56Um menino que sai adolescente de casa, ele chega até Salvador, se registra com 18 anos de idade, continua trabalhando
13:06de estivador, abrindo estrada.
13:09Outro ex-membro do Grupo Viva Bahia, João Grande deixou Salvador nos anos 90 e se mudou pra Nova Iorque
13:16em busca de melhores condições.
13:17Um tempo atrás eu vi o mestre João Grande também nesse momento de fragilidade social e eu falei assim, você
13:24vai voltar pro Brasil dessa vez como herói.
13:39Aos 91 anos, João Grande voltou ao Brasil pra ser homenageado e pra compartilhar ensinamentos com jovens capoeiristas.
13:48O senhor já recebeu alguma homenagem desse tipo aqui, desse tamanho?
13:51Não, não me dá não. Me dá não. Aqui hoje parece que eu estou no céu.
13:59Por quê?
14:01Porque todo mundo está bem aqui, me ajuda aqui, me ajuda.
14:07O que é a capoeira pro senhor? O que significa capoeira?
14:11Capoeira é a natureza.
14:14Tudo o que nós temos dado por Deus sai da capoeira, da natureza, dos bichos, das águas, das aves, do
14:26pé de mato ensina a jogar.
14:28A capoeira é um pensamento, um pensamento que pensa a coisa, a cabeça pensa e o corpo dá um recado.
14:44O mestre João Grande é um mestre espetacular, ele é um dos principais responsáveis pela manutenção dessa proposta,
14:53dessa tradição, dessa invenção de uma tradição, dessa capoeira, digamos, do século XX.
14:59Ele é um dos únicos realmente que tem ainda uma verdade dentro da tradição do que recebeu dos antepassados.
15:12João Grande foi escolhido por mestre Pastinha como um de seus sucessores,
15:16mas dificuldades financeiras o fizeram abandonar a capoeira por um tempo.
15:21Foi nessa época que o senhor trabalhou no posto de gasolina?
15:25Isso mesmo.
15:27O que o senhor fazia lá?
15:29Lavando o carro.
15:30Lavando o carro?
15:31Lavando o carro.
15:33E foi porque o senhor chegou a lavar o carro ou porque não estava dando pra viver da capoeira naquela
15:38época?
15:38Não dá pra viver, foi isso mesmo.
15:41Lavando o carro.
15:43Qual que foi a importância do mestre Pastinha pro senhor?
15:45Oh, meu Deus, foi em tudo.
15:48Meu mestre me deu tudo, me deu tudo, coisa possível.
15:54O mestre Pastinha é meu mestre, meu pai, meu avô de capoeira.
15:58O senhor quando ficou sabendo que o mestre Pastinha estava doente,
16:03quando ele estava lá no fim da vida, cego, lá no quartinho dele, lá isolado,
16:08a sua decisão de ficar lá nos Estados Unidos era pra não acontecer isso com o senhor também no fim
16:14da vida?
16:14Foi se bem.
16:16Isso mesmo, sim, senhor, foi se bem.
16:18Capoeira está na escola, cai na rua de Salvador
16:26E você é capoeirista, a morte é o seu valor
16:32João Grande divide o palco com outros 14 mestres que ajudaram a espalhar a capoeira pelo Brasil e pelo mundo.
16:41O mais velho deles, mestre Felipe Santiago, de 97 anos.
16:54A gente se esqueceu das pessoas que movimentaram e que fizeram a cultura desse país acontecer.
17:02Esses caras não são mestres, só eles são heróis, porque esses caras venceram contra tudo e contra todos.
17:08E que o mínimo que a gente poderia fazer era devolver a dignidade a eles, né?
17:15Capoeira está na escola e na rua de Salvador
17:21Capoeira é importante quanto um elemento de educação, né?
17:26De educação, de formação do caráter, de formação da personalidade, de formação filosófica
17:34de pessoas que possam serem antirracistas.
17:38Capoeira enegrece tanto os negros, de suas identidades, quanto os brancos.
17:45A importância da capoeira tem sido reconhecida em diferentes países.
17:49Gelon Vieira e o mesmo João Grande, que já teve de lavar carros no Brasil para sobreviver,
17:54receberam um prêmio do Congresso dos Estados Unidos.
17:58E nós estamos tão orgulhosos e felizes que ele é parte da nossa cultura e tem sido
18:04um professor e artista mestre aqui.
18:08Por favor, sejam bem-vindos ao Sr. Zhao Braché.
18:15Eram os 50 anos desse prêmio que chama-se Tesouro Nacional, para você ver a importância,
18:22como ele vê a capoeira e minha contribuição nessa panela cultural que tem dentro dos Estados
18:28Unidos.
18:29Na minha cabeça veio, eu gostaria de ser o Tesouro Nacional do Brasil.
18:38Será que o país que apresentou a capoeira ao mundo dá à modalidade a importância que
18:42ela merece?
18:44E o que o governo federal poderia fazer pelas pessoas que ajudaram a projetar no exterior
18:48um dos símbolos do Brasil?
18:54A gente esteve em Salvador.
18:56Uma preocupação que muitos expressaram ali para a gente era em relação a alguns velhos
19:02mestres que chegam ao fim da vida numa situação de muita vulnerabilidade, algo que possa ser
19:08feito nesse campo.
19:10A capoeira é um dos grandes tesouros, um dos grandes legais da cultura brasileira, não
19:13é?
19:13No Ministério da Cultura não existe possibilidade que o Ministério da Cultura não tenha essa
19:17ação assim direta de fazer como se fosse um tipo de uma bonificação.
19:23tem uma questão que nós estamos também, que passa pelo Congresso Nacional, que é essa
19:29questão dos mestres, de poder dar algum tipo de reconhecimento aos mestres.
19:34Está no Congresso essa lei do reconhecimento dos mestres da cultura popular.
19:37E esse reconhecimento significaria também uma espécie de remuneração, algum tipo de
19:42apoio financeiro para essas pessoas?
19:44Isso passa por essa contemplação dentro do Congresso Nacional.
19:48E o que nós podemos fazer é justamente buscar que o Congresso se sensibilize para que essa
19:53lei tramite logo.
19:59Se muitos mestres só encontraram reconhecimento fora do Brasil, outros tantos ficaram aqui
20:05apesar das dificuldades.
20:07E agora, mulheres também estão na linha de frente.
20:12Esse é o Forte de Santo Antônio, construído no século XVII, para proteger Salvador de
20:17invasões holandesas.
20:18Foi aqui que o outro grande discípulo de Pastinha, João Pequeno, abriu uma escola de capoeira
20:23para passar adiante os ensinamentos de seu mestre.
20:26Hoje é uma neta de João Pequeno quem cuida da escola e tenta transmitir o legado do avô
20:31às novas gerações.
20:32Nunca é demais, tanto João nessa escola.
20:38Agora!
20:38Nunca é demais, tanto João nessa escola.
20:44João grande, João pequeno, tem tanto João nessa casa de Angola.
20:49Um certo dia meu avô chega com uma música da capoeira para o meu irmão, que é o bujão.
20:59Ele chegava cantando, ô bujão, ô bujão, ô bujão, role no chão e não suja o roupão, ô bujão.
21:05E aí eu senti uma certa, né?
21:09Um ciúme.
21:10Um ciúme de saber que para eu estar com o meu avô eu tinha que treinar.
21:16E aí meu avô começa a me colocar na frente para reproduzir o método de treino, de iniciação
21:23da capoeira angola que ele tem.
21:25Olha ginga menino, ginga menina.
21:30Ginga Bia, ginga Bia.
21:33Isso, isso Bia.
21:35Rabo de arraia aí mesmo nele, Bia.
21:38Para eu levar isso para dentro da escola, para que a escola pudesse me ouvir, eu precisei
21:44ir para a universidade.
21:45Quando as pessoas veem o birimbau, veem o atabaque, a gente vai falar sobre o maculele,
21:49a gente vai falar sobre a história de zumbi, de dandara, há uma negação ainda, né?
21:55Ainda é visto de forma pejorativa pelos professores, pelos pais, pelos alunos.
22:00A gente não pode chegar lá e falar sobre a importância de tudo isso.
22:04E aí a gente tem que levar muitas vezes como a ginástica, levar ela de forma camuflada
22:11para ela ser aceita.
22:13Ministro, um outro ponto que alguns capoeiristas mencionaram para a gente foi a dificuldade
22:19de ensinar capoeira nas escolas públicas.
22:22Isso é uma visão até não só da capoeira, né?
22:25A cultura popular brasileira, o Brasil em si, eu acho que nessa questão cultural e artística
22:31existe essa visão, essa falta de percepção, eu acho, da valorização interna da nossa cultura.
22:37E é nisso que nós estamos apostando.
22:39Estamos apostando na cultura brasileira.
22:41O Ministério da Cultura com o Ministério da Educação agora trabalhando numa pauta
22:45de trazer essa questão do ensino integral
22:48para a gente tentar fazer com que as artes voltem a ser ensinadas dentro das escolas
22:54e a capoeira, a cultura popular, por assim dizer, está na nossa pauta também.
23:12Com o sem apoio de governos, a roda não pode parar.
23:18A história da capoeira se move em círculos.
23:21Início, meio e início.
23:27Porque um dia a gente vai ser a transmissão de tudo isso.
23:33O meu avô sempre dizia assim, minha filha, a capoeira está pronta, ela não precisa de nada.
23:38O que precisa agora é que vocês deem continuidade, né?
24:03Eu sou uma fruta madura que cai do pé lentamente, na queda da larga semente.
24:09Eu como a terra fresca para ser fruta novamente.
24:12Comecei novamente.
24:13.
24:13.
24:15Obrigado.

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