00:01Os 24 anos sem título, desde 1970, isso gerava uma grande pressão no elenco, né?
00:14Você prepare aí o seu coração. Aí vem o Brasil, de amarelo do jeito que a gente gosta.
00:22Feliz Davido, o torcedor começou a se concentrar cedo para acompanhar a partida.
00:27O grito de tetracampeão também já estava ensaiado.
00:35É sua, Tafarel. Partiu o Baresi, pé direito, bateu.
00:43Partiu o Dunga, pé direito, bateu. É gol! É gol! É gol! Gol!
00:53Todos no gol com o Tafarel.
01:02Baixo o Tafarel! Vai partir! Vai que é sua, Tafarel!
01:10Brasil!
01:16Baixo o Tafarel!
01:18Vai partir! Vai que é sua, Tafarel!
01:21Partiu, bateu! Acabou! Acabou! Acabou!
01:29É tetra! É tetra! É tetra!
01:34O Brasil é tetracampeão mundial de futebol!
01:40O Brasil, 24 anos depois, é tetracampeão mundial de futebol!
01:49O próprio dia que o Brasil ganhou, que o Bádio chutou para fora, então foi uma celebração,
01:56eu não tinha assistido até então o Brasil ganhar nenhuma Copa.
01:59Em 82 a gente perdeu, em 86 a gente perdeu, em 80 a gente perdeu.
02:03Veio em 94, estava com 17, então eu pude assistir o Brasil ganhar uma Copa Mundial.
02:08E foi uma loucura, porque a cidade inteira celebrou durante aquele dia todo, o resto do dia e a noite
02:14toda.
02:15Depois de 120 minutos de sofrimento, emoção e muita tensão,
02:21o torcedor agora pode dizer que o Brasil é o único país do mundo a ter 4 títulos.
02:28Agora o negócio é só comemorar!
02:32Foi uma coisa, tipo assim, providencial, né, para o Brasil.
02:39As duas pistas da Avenida Dante Michelini, aqui na Praia de Camburi,
02:44foram fechadas num longo trecho para que o torcedor possa comemorar agora à noite.
02:49Quando ele perdeu o pênalti foi incrível, a família toda comemorou, todo mundo pulou,
02:54e foi uma sensação inexplicável, assim, foi muito incrível.
03:00Por isso me marcou tanto, além de ser minha primeira Copa.
03:02Aqui em São Pedro, as poucas pessoas que resolveram assistir o jogo fora de casa,
03:07fizeram uma festa na hora que a partida acabou.
03:12A de 94 foi campeã no dia do meu aniversário, de 18 anos.
03:16Quando eu fiz 18 anos, o Brasil foi campeão no dia, 17 de julho.
03:19Apresentão, né, Roberto Bajo. Foi muito emocionante no dia.
03:23Catarse.
03:2424 anos depois, o Brasil voltava a ser campeão mundial de futebol.
03:29Um título com sabor especial.
03:32Uma conquista que começou desacreditada, mas se sobrepôs a inúmeras dificuldades.
03:38E para entendermos bem essa história, a gente tem que voltar alguns anos no tempo
03:43para compreender o caminho que o futebol brasileiro percorreu até alcançar a tão sonhada taça.
03:49Eu sempre falo que a derrota, de 86 também, mas principalmente a derrota de 82,
03:57mexeu bastante com a cabeça, não dos jogadores não,
04:02mas dos treinadores, dos preparadores, os recém-formados.
04:07Por quê?
04:09Poxa, o Brasil jogou bonito, mas não ganhou.
04:13Aí ficou sempre a pergunta, o importante, jogar bonito ou ganhar?
04:18Ganhar é sempre bom.
04:19Mas se você puder ganhar jogando bonito, tendo a essência do futebol brasileiro,
04:25que sempre foi de jogar bonito, jogar para frente, jogar com jogadas técnicas, jogadas plásticas,
04:31esse sempre foi o futebol brasileiro.
04:33E vamos combinar, né?
04:34Vamos combinar.
04:36O Brasil foi campeão em 94 por duas pessoas, Bebeto e Romário.
04:42E era desconfiança.
04:44O time não tinha um meio de campo talentoso, como por exemplo,
04:50era o meio de campo de 82 e 86, que era a memória mais recente dos brasileiros.
04:55Ali era um timaço, com brilho imenso.
04:58E já o time de 94 não tinha isso.
05:01Eram jogadores mais combativos.
05:03E aquilo, isso não agradava o espírito do brasileiro.
05:06Queria show, ganhar com sobras.
05:09Então, era um espírito pessimista.
05:14Os especialistas não acreditavam tanto assim.
05:18Mas o torcedor, vocês sabem como é.
05:20Eles não perdem a fé.
05:22Muita movimentação nas ruas, bandeirinhas, calçadas e muros pintados,
05:27e até mesmo uma carta gigantesca, foi produzida em vitória e endereçada aos jogadores da seleção.
05:33Uma verdadeira relação de amor.
05:35A emoção que a gente vai sentir quando a gente vê pela primeira vez o Brasil ser campeão,
05:40a gente que nunca viu, nossa senhora, vai ser incrível a emoção.
05:56Já para o ano de 85, eu vendo um jovem goleiro sub-20, o Tafarel.
06:05Quando eu vi uma reportagem dele, eu falei, pô, o dia que eu tiver um filho, vai chamar Tafarel.
06:09Dessa forma.
06:10E depois ele veio à seleção brasileira, disputando o Mundial Sub-20, em 85 também, se eu não me engano.
06:18E aí, aquilo foi cada vez ficando mais forte, né?
06:22Até que em 86, final de 85, comecei a namorar minha esposa.
06:27E eu falei pra ela, o dia que tiver um filho, vai ser Tafarel.
06:30Bom, já no ano da Copa, ela já estava um pouco mais acostumada, né?
06:34Porque ano de Copa, tem aquilo tudo, né?
06:37Nos jogos, né?
06:38Que a gente reunia pra assistir.
06:40Aí sim que ela foi, assim, ficando doida, né?
06:43Gostando dele e admirando e tal.
06:47E aí, realmente, durante a Copa, ela falou, vai ser Tafarel mesmo.
06:50E foi ali durante a Copa que, de fato, ela aceitou pra valer e começou a gostar.
06:54Pra mim, eu me sinto realmente homenageado, assim, no nome do Tafarel mesmo.
07:03Eu acho que é um personagem muito marcante.
07:06E eu acho bom porque ele é bem marcante de uma maneira muito positiva, assim.
07:11Não tem ninguém que não goste de Tafarel.
07:14Não é um personagem igual Romário, que tem um pessoal que gosta, tem um pessoal que não gosta.
07:20O Tafarel todo mundo acha legal, todo mundo acha diferente.
07:24Quando encontro pessoas que me conhecem na primeira vez, sempre falam, ah, legal, Tafarel, goleiro.
07:29Não tem nenhuma lembrança negativa sobre o Tafarel nem nada disso, então eu acho muito legal.
07:34Olha, foi uma peregrinação aqui em alguns cartórios aqui do estado.
07:39Eu chegava e negavam, não, não pode, porque isso é um sobrenome, isso não é um nome.
07:46E aí, alguns até achavam esquisito, né, eu lembro de uma recepcionista no cartório me falar,
07:54você parou pra pensar nele, como ele vai se sentir chamando Tafarel lá daqui a tantos anos e tal, entendeu?
08:00Mas não tinha como, era Tafarel, ele já era Tafarel, né, outro nome nem caberia.
08:06Aí até que um cartório, cheguei, deu certo, convenci, suei, mas deu certo.
08:12Não tem um dia que eu não ouço algum tipo de bordão, o Galvão gritando, sai que é sua, né,
08:18é uma cena muito marcante ali.
08:41Jogar uma Copa do Mundo é um sonho, né, realização de um sonho.
08:45Então, eu tava super feliz, super feliz, ansioso, né, ansioso também,
08:51porque tem uma grande responsabilidade envolvida aí nesse sonho, né,
08:56os 24 anos sem título, desde 1970, isso gerava uma grande pressão no elenco, né.
09:07Mas eu tava muito feliz, tava na seleção, minha primeira convocação foi em 90,
09:11ou seja, já tava na seleção há quatro anos, então, claro, era um momento assim de consagração,
09:19por assim dizer, se o título viesse.
09:22Enfiou, Mazinho, Mauro Silva arriscou de longe, valeu que a palha, bateu lá atrás e voltou na mão do goleiro.
09:31Brasil!
09:34Contra a Rússia tava aquele jogo arranhado, né, aquele jogo que o Brasil vai,
09:39cadê a criação, o meio de campo não tava criando nada pra bola chegar pro Romário, pro Bebeto,
09:47aí veio o escanteio, o Romário achou aquele gol, antecipou o zagueiro e fez o gol,
09:53aí deu um alento maior.
09:54E aí você vencendo em Copa do Mundo, em qualquer campeonato, em qualquer torneio,
10:00você vai ganhando corpo, vai ganhando confiança, né.
10:03Aqui na Avenida Gil Veloso, na Praia da Costa, a primeira vitória do Brasil se transformou na maior festa.
10:10O trânsito na Avenida está totalmente congestionado.
10:18E no jogo contra a Suécia, a Suécia foi o terceiro jogo, que foi empate, inclusive, 1x1.
10:25Nós saímos perdendo, aí o biquinho do Romário, coisa que ele fazia sempre de brincadeira, acabou salvando a gente,
10:32mas a gente tava com a classificação encaminhada, né.
10:37É aquele futebol de resultado, até o biquinho resolveu.
10:40Expectativa, ansiedade total, total, porque estreia na Copa do Mundo, né.
10:45Eu já tinha jogado Copa América, mas Copa do Mundo é outra coisa, né.
10:50Outro patamar de competição e começar bem, né.
10:54Aquele jogo de estreia ali é o jogo de máxima ansiedade.
10:57Você ganhar e estrear numa Copa do Mundo é fundamental, né.
11:03Então eu consegui ali controlar essa ansiedade.
11:05O Brasil fez um jogo muito sério, muito organizado, como era costume e padrão daquela seleção, né.
11:14Consegui uma grande vitória que deu tranquilidade pra depois aí a gente dar a sequência na primeira fase.
11:22Conseguir a classificação, jogar com o da Camarões, né.
11:25E depois Suécia e garantir a classificação.
11:28É um jogo com uma ansiedade imensa, né.
11:30Toca o hino nacional, você fala, meu Deus, olha onde eu tô e olha o que tem pela frente, né.
11:36Pois é, Mauro Silva, o que viria pela frente, hein.
11:39No próximo episódio, vamos falar sobre as partidas decisivas e sobre um certo jogador,
11:44que é um dos mais lembrados desta conquista do Brasil.
11:48Romário.
11:48Romário e Bebeto, aquela dupinha ali na frente ali.
11:51Dependia muito do talento de Romário.
11:53Você tinha protagonismo de quem? De Romário e Bebeto.
11:57Romário, eu acho que foi o melhor.
11:58Meu nome é Romário de Souza, tenho 30 anos e eu nasci no dia 18 de 5 de 1994.
12:04Pega a bola, chuta, marca em cima, faz um gol.
12:08É o que eu quero ver você fazer.
12:12Romário, anjo, topo, demônio do futebol.
12:16Dribla, seduz, me importa de prazer.
12:20Príncipe, daigona, Barcelona, barreira do baixo.
12:24Romário e Bebeto é o melhor.
12:26E aí
12:26E aí
12:26E aí
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