Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 semanas
Pesquisa desenvolvida na Ufes aponta que o racismo se manifesta de formas diversas, nem sempre em um contexto abertamente violento

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Já ouviu expressões como
00:01O seu cabelo molha?
00:02Você é uma negra muito inteligente mesmo?
00:05Ou você trabalha por aqui?
00:07Essas frases aparentemente inofensivas
00:09fazem parte de um universo de comportamentos racistas
00:13no ambiente de trabalho.
00:14Um estudo desenvolvido por uma pesquisadora
00:16da Universidade Federal do Espírito Santo
00:18identificou uma série de microagressões
00:22vivenciadas rotineiramente por pretos e pardos.
00:26A pesquisa apontou que o racismo
00:28se manifesta de formas diversas.
00:30Nem sempre é um contexto abertamente violento
00:33com frases e comportamentos agressivos.
00:36Muitos casos passam despercebidos
00:38mas ainda assim acabam contribuindo
00:41para a perpetuação do preconceito.
00:43Nas ruas capixabas, relatos de trabalhadores
00:45pessoas negras de diversas profissões
00:47mostram situações cotidianas
00:50onde o racismo se manifesta.
00:51Uma vez eu fui entrar num local
00:53e o rapaz pediu uma identificação
00:57como se, acho que pela minha cor, pelo meu jeito,
01:02eu me sentia um preconceito.
01:05Aí eu não entrei, eu voltei para trás.
01:07Foi muito ruim, né?
01:09Porque geralmente nós negros
01:11somos muito recriminados.
01:12A situação de ser barrado
01:14durante uma atividade de trabalho
01:16também foi relatada por outro entrevistado
01:18que preferiu não se identificar.
01:20Uma vez eu trabalhando
01:21acabou que a pessoa não quis deixar eu entrar na casa dela
01:26por conta da minha cor.
01:28Eu mesmo fiquei constrangido, entendeu?
01:30Porque a gente sai cedo para trabalhar
01:34para fazer a nossa função
01:36e isso acontece e acaba ficando constrangido.
01:39Hoje, atuando como dançarina,
01:41Andresa dos Santos conta que sofreu microagressões
01:44quando trabalhava em ambientes corporativos.
01:46Fiquei muito incomodada.
01:48Até então, na época, eu pedi demissão
01:50por causa de uma gerente,
01:52porque prestava serviço num banco.
01:55E sempre que ela tinha um cliente lá,
01:57ela pedia para eu servir o café, né?
02:00Para justamente ficar, tipo,
02:01me oferecendo para o cliente.
02:04Ficava, olha como ela é bonita,
02:05olha como isso aqui.
02:06Então, eu não gostava,
02:07não gostava da situação.
02:08É desagradável, né?
02:10Que as pessoas têm que se informar
02:12e saber impor, saber falar.
02:16Porque senão isso vai continuar.
02:17Além das posturas preconceituosas
02:20mascaradas por microagressões,
02:21há também relatos de quem viveu
02:23momentos de racismo escancarado.
02:25Já vi gente chegar em mim e falar bem assim,
02:27eu não compro o cocado na sua mão
02:29porque você é preto.
02:30Eu olhava assim, fiquei calado.
02:32Não tive resposta para dar, não.
02:34Talvez a resposta que eu ia dar
02:35seria mais dura do que ele me deu, né?
02:37Eu peguei e deixei para lá.
02:38Já lá que ele trabalha em alguns eventos,
02:40eu percebi que é por causa da minha cor.
02:43Já não deixaram eu trabalhar.
02:44Devei botar eu, botaram outra pessoa
02:46no meu lugar.
02:47Pode falar o que for de mim.
02:48Eu sou negro mesmo,
02:49enquanto acabou.
02:50Não adianta a gente ser negro
02:51e querer ser branco.
02:52Tem uma pele negra, é pele negra.
02:54O mesmo sangue que corre na veia do negro
02:57corre na veia do branco.
02:58Se dá um beliscão no negro,
03:00ele vai sentir dor.
03:01Se dá um beliscão no branco,
03:02ele vai sentir dor da mesma forma.
03:03Entendeu?
03:04Para Deus não existe, pô.
03:06Para Deus não existe, pô.
03:07Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:08Para Deus não existe, pô.
03:09Para Deus não existe, pô.
03:09Para Deus não existe, pô.
03:09Para Deus não existe, pô.
03:10Legenda por Sônia Ruberti
Comentários

Recomendado