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  • há 4 semanas
Wallace Menezes bate um papo com a escola de samba: MUG

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Transcrição
00:00:00Olha, em primeiro lugar, quero agradecer imensamente vocês terem vindo, disponibilizar o tempo de vocês para a gente bater um
00:00:07papo aqui.
00:00:08Galera, eu estou com Robertinho, da Mug, Peterson Alves, do Carnavalesco e Laila Bastos.
00:00:18Vamos bater um papo bacana sobre o que vai estar acontecendo com a Mug, como é que ela vai se
00:00:24apresentar.
00:00:24É uma coisa bem legal e eu quero que vocês fiquem bem à vontade para a gente fluir bem esse
00:00:29bate-papo aqui.
00:00:30Eu quero te perguntar o seguinte, Robertinho, o nível do nosso Carnaval, ele deu um salto maravilhoso, né?
00:00:37Sim.
00:00:37E o último título de vocês foi em 2018, não é isso?
00:00:43Ficou aquele...
00:00:44Não, em jejum.
00:00:48E agora vocês ficaram, sagaram-se campeões.
00:00:51Então ficou cinco anos em jejum.
00:00:53Isso te incomodou, essa coisa de você não conseguir?
00:00:55Porque vocês são feras de campeões, cara.
00:00:58Nove vezes do grupo especial e tal, e de repente vocês conquistaram agora 2023.
00:01:02Esse período que ficou parado, te incomodou?
00:01:04Pô, cara, o que está havendo? O que eu não estou...
00:01:06O que eu vou ganhar, meu irmão? O que está havendo?
00:01:08Olha bem, não incomoda porque a gente torce que as escolas evoluem todas no mesmo patamar.
00:01:15Que a competição fique para ser na avenida e seja surpresa para o público.
00:01:23O público esperar grandes escolas bem arrumadas e fica aquela coisa, né?
00:01:30O sambista é amigo, mas quando chega lá na linha amarela, a amizade já termina.
00:01:36E quando termina lá no final, na formação da escola, é uma coisa.
00:01:43Na dispersão, todo mundo já tem amizade novo.
00:01:46Mas todo mundo quer ganhar o carnaval.
00:01:48Então, o que incomoda?
00:01:50Você coloca aí, nós temos aí a piedade com 14 títulos, né?
00:01:57E logo em seguida vem a mug com 8.
00:02:00Mas a idade da piedade para a mug é 50 anos mais velha do que a mug.
00:02:06A mug não existia quando a piedade surgiu.
00:02:10A mug foi campeã, todos os títulos da mug é dentro do sambão do povo.
00:02:16E se me falha a memória, eu acho que a piedade não tem nenhum título dentro do sambão do povo.
00:02:22Ela não tem.
00:02:23Mas incomoda a pergunta sua porque a gente torce para haver uma piedade forte.
00:02:29Torcemos das nossas duas últimas concorrentes, que é a Boa Vista e a Jucutuquara,
00:02:35sempre vieram fortes.
00:02:37Uma escola de comunidade igual a Novo Império, uma escola forte.
00:02:41O que a gente quer?
00:02:42A gente quer competir, a gente quer ganhar.
00:02:45Mas não quer bater em cachorro morto.
00:02:47A gente quer ganhar competindo lá.
00:02:51Nós temos lá quais são as peças importantes, são os quesitos.
00:02:56Os quesitos que vão para lá, a gente quer mostrar.
00:02:59Como, por exemplo, a Nossa Bela Rainha.
00:03:01Não é um quesito, mas é uma marca.
00:03:05Com certeza, com certeza.
00:03:06Outra marca forte da escola de samba.
00:03:08Não é quesito e não dá ponto, só tira.
00:03:12A ala das baianas.
00:03:14Mas todo mundo espera uma ala de baianas bonita.
00:03:16Bonita, é verdade.
00:03:17Agora, os outros quesitos que é competição, é fácil.
00:03:21Entendeu?
00:03:22Mas a gente torce que toda a escola, a escola minha concorrente,
00:03:27ela vai trazer uma rainha de bateria.
00:03:31Aí a gente já fala, vamos botar um trocadinho para ver quem vai ser melhor.
00:03:36Entendeu?
00:03:37Então, quer dizer, é uma brincadeira saudável, é uma brincadeira.
00:03:40Mas a gente torce para ganhar.
00:03:43Todo mundo quer ganhar.
00:03:43Agora, também vira a hegemonia, só ganhando, ganhando, ganhando, ganhando.
00:03:47Se eu não tenho adversário, eu não tenho nem graça.
00:03:49Eu já fui até consultado uma vez.
00:03:51Tira um pouco o pé do acelerador para ver se...
00:03:55Mas não, não, aquilo ali, porque eu também tenho propenso.
00:03:59Eu queria lutar, conversando até em saúde,
00:04:03para a Mug ganhar mais uns dois títulos e chegar a dez.
00:04:06Aí minha carreira está encerrada.
00:04:08Deixar para os jovens, como já tenho deixado também.
00:04:13As nossas equipes são de pessoas novas.
00:04:16Não vou nem dar nome para não elogiar um.
00:04:18Não, esquecer do outro.
00:04:21Mas todos os jovens já trabalhando, mas com potencial grande.
00:04:25Hoje o nosso potencial foi a nossa bateria.
00:04:31Nós usávamos de muitos ritmistas emprestados.
00:04:35Você vê muito isso no carnaval.
00:04:37Ritmista que toca em uma escola e toca em outra.
00:04:40Toca em uma e toca em outra.
00:04:42Às vezes até em três.
00:04:44E hoje a Mug não tem isso.
00:04:46Hoje ela é sangue puro.
00:04:47E os mestres de bateria são cria da casa.
00:04:51Desde o primeiro mestre de bateria cria da casa foi o Carlos Magno.
00:04:55Hoje o Lucas e o João.
00:04:57E eles já falaram para mim, já tem um substituto.
00:05:00Interessante.
00:05:01Quer dizer, isso aí é interessante.
00:05:03Você tem cria.
00:05:04Aí é o verdadeiro nome.
00:05:05Escola de Samba.
00:05:07Vocês fazem trabalho de substituição?
00:05:12Incentivar o jovem, a criança a ser ritmista?
00:05:15Porque vai renovando, tem que ser renovado.
00:05:18Dá até nojo.
00:05:19Isso aí eles fazem.
00:05:20Segunda, terça, quarta e quinta.
00:05:22E outra coisa, eles caíram para dentro da faculdade.
00:05:27Então hoje as faculdades do estado, logo até falando de Vila Velha, os estudantes lá,
00:05:35quase a maioria quer ser ritmista e aprendem fácil.
00:05:39E lá é selecionado instrumento por instrumento.
00:05:43Cada instrumento tem a sua.
00:05:45É a percussão, é o tambor.
00:05:47Tem as oficinas.
00:05:49E eles criam oficina.
00:05:51Inclusive, quando eu tenho que fazer reunião lá na quadra, eu pergunto, hoje tem oficina?
00:05:55Porque você fica ouvindo aqui.
00:05:59Aqueles que não sabem tocar, fica lá batendo na tela e enjoa a mente.
00:06:04Mas respondi o que você perguntou.
00:06:06Respondeu, respondeu.
00:06:07E vocês escolheram desfilar, que é um direito da escola campeã, na quarta posição.
00:06:17Isso é estratégico, não é?
00:06:20Eu vou falar por mim.
00:06:22Por que eu acho que é estratégico?
00:06:25Por exemplo, nós temos o tempo de televisão.
00:06:28A televisão não entra como fosse a primeira.
00:06:35Eu e o Peço, o Peço já foi campeão pela MUG três vezes.
00:06:39Cinco.
00:06:39Cinco vezes campeão pela MUG.
00:06:41E o que é que é o maior campeão da MUG, né?
00:06:44Dificilmente o outro vai chegar a esse patamar.
00:06:46Pelo menos comigo eu tenho certeza que não, que já estou com certeza.
00:06:49Só faltam dois títulos para fechar.
00:06:52O outro que chega não vai conseguir fazer assim.
00:06:54Não vai.
00:06:55Aí você vê, o Pettersson sempre escolhia desfilar por último.
00:06:59Então é uma estratégia.
00:07:00Agora, só que hoje a estratégia, eu vou falar no meu pensamento.
00:07:05O meu pensamento é o seguinte, você vai desfilar uma hora, você vende as fantasias mais
00:07:10fáceis, o fulhão não está tocado, está legal, está inteiro.
00:07:17O fulhão também não está cansado, porque você fica ali na avenida esperando para desfilar.
00:07:24Eu tenho até pena da escola, que é a última hoje, porque ela desfila com sol.
00:07:29Existe estratégia também de material, você tem que comprar material para o dia.
00:07:34Então, tem o brilho da noite e tem o brilho do dia.
00:07:37É verdade.
00:07:38O carnaval, na verdade, não foi feito para de dia, nem para de dia, nem para de chuva.
00:07:42Nossa, de chuva então, hein?
00:07:44Porque a noite todos os gatos são pardos, então o carnaval é uma festa de brilho.
00:07:49Já tem a luz solar que é o brilho maior do dia.
00:07:52Então, ele por si só já rouba a cena toda do carnaval.
00:07:57E aí, à noite, ainda você consegue manter, esconder as imperfeições.
00:08:05Às vezes, o tempo é muito curto da projeção do carnaval.
00:08:09E aí, às vezes, tem coisas que você precisa, você faz, ele tem que fazer aquela finalização de última hora
00:08:15e que não fica com aquele acabamento tão perfeito que é aquele acabamento que o jurado está esperando.
00:08:20Então, aí, de dia, à noite ainda você consegue esconder, né?
00:08:24Porque tem o brilho da noite, mas de dia, não.
00:08:26De dia, isso é...
00:08:28Vocês conseguem consertar?
00:08:30A escola entrou, metade que já entrou não dá mais, mas a outra ainda está entrando e pinta um problema.
00:08:35Você consegue resolver ali?
00:08:37Consegue.
00:08:37Tem que estar todo mundo muito atento naquele momento ali, porque a escola está vindo...
00:08:44É aquilo que você falou, já entrou...
00:08:46Pois é, ali já...
00:08:47Aí, já não tem como mexer mais.
00:08:49Mas, enquanto está vindo, você vai ajustando.
00:08:52Por quê?
00:08:53Porque aí tem toda a harmonia, que são quesitos, né?
00:08:56Que é um quesito responsável pelo andamento do desfile.
00:08:59E aí, eles vão se comunicando por rádio.
00:09:02Ó, para a escola, para um pouco, segura o tempo aí, né?
00:09:05E é assim que funciona.
00:09:07Aí, é toda essa comunicação interna.
00:09:10Por isso que a gente vê muita gente com fone, com rádio, porque é aquelas pessoas que estão se comunicando
00:09:15no decorrer do desfile.
00:09:17Porque, ó, a bateria vai se apresentar agora para a comissão de frente, para o carro, né?
00:09:22A bateria vai entrar para o recuo, né?
00:09:24O que é o carnaval?
00:09:25O que é o desfile?
00:09:26É uma matemática.
00:09:28Com certeza.
00:09:29Aí, você consegue.
00:09:30Aí, você tem que ter o tempo que o seu primeiro folhão, que é a comissão de frente, entra.
00:09:34Qual o tempo de coreografia de cada quesito?
00:09:38Aí, aquilo vai andando, né?
00:09:39Andando e sendo julgado, né?
00:09:41Você está sendo avaliado, né?
00:09:42Você está sendo avaliado.
00:09:44Uma escola de samba no porte da Mug, né?
00:09:46Que apresenta um carnaval muito grande.
00:09:48Ela tem que chegar ali, no mínimo, com 26 minutos, lá na dispersão.
00:09:54Para que o último carro entre e passe tranquilo, como foi esse ano, né?
00:09:59É cronometrado.
00:10:00É, tudo é cronometrado.
00:10:0162 minutos.
00:10:03É legal, cara.
00:10:03Não podia deixar, não sei, 80 minutos ali.
00:10:06Não, porque assim...
00:10:07Não, não, não tem uma escola para isso aqui.
00:10:10Não, não tem.
00:10:11Sabe por quê?
00:10:12O que aconteceu?
00:10:13O nosso sambó diminuiu.
00:10:15A nossa dispersão, por que que diminuiu a quantidade de carro?
00:10:19Porque não cabe hoje, se sete escolas botar quatro carros cada uma, são 28 carros lá no final.
00:10:27Mais os tripé atingem 40, aí lá nesse imóvel, não mexe mais nada lá embaixo.
00:10:34É tanto que o carnaval de sexta-feira, ele acontece e tem que recolher os carros para o de sábado
00:10:41chegar.
00:10:41Entendi.
00:10:41Por isso que você perde um ponto, cara.
00:10:44É uma...
00:10:44Se você não sair em tempo ali, em um ponto, cara, você derruba.
00:10:48Um décimo te derruba.
00:10:49Você faz um desfile maravilhoso.
00:10:51Todo mundo vem e perdeu um ponto ali.
00:10:53Por isso que eu falo para todo mundo.
00:10:55O carnaval, às vezes as pessoas falam assim, a escola está linda, está banhada de ouro, bordada em diamante.
00:11:02Cara, se lá dentro, tudo é feito para acontecer ali dentro, se não acontecer, como manda o regulamento...
00:11:11Existe o regulamento do carnaval, tem que seguir ali.
00:11:13Não aconteceu, acabou.
00:11:16Não, é preparado para ser feliz.
00:11:19E outra coisa, a escola de samba já entra campeã.
00:11:22Todas elas entram com nota 10.
00:11:25Quem vai dizer se vai perder é a sua desenvoltura durante todo o trajeto.
00:11:30Com certeza, né, cara?
00:11:30E você vê aí, quando você vai, por exemplo, quem você imagina, a melhor porta-bandeira.
00:11:36Quando chega lá na frente, o salto quebra.
00:11:39Ou a cabeça cai, a bandeira enrola.
00:11:43Enrola, já é.
00:11:44Aí a caneta come, né?
00:11:45Já foi, já foi.
00:11:46Aí quando chega...
00:11:47E quem é que fiscaliza os carros alegóricos para não quebrar antes?
00:11:53Tem alguém?
00:11:54Tem alguém?
00:11:55Tem o diretor...
00:11:56Está terrível, né, cara?
00:11:56Então isso tudo se torna função de que?
00:11:59Carnaval, diretor-geral de barra de alegorias pesadas, né?
00:12:03E junto com o diretor-geral de harmonia.
00:12:05Mas assim, a cabeça mesmo, a responsabilidade mesmo, se a gente for seguir o regulamento do
00:12:11carnaval, as regras do desfile, é a direção de carnaval.
00:12:15Ele é que tem que entender.
00:12:21Entendi.
00:12:22Ele vai ser cobrado direto.
00:12:23Entendi.
00:12:24Mas eu vou falar por mim.
00:12:27Eu, como presidente, hoje atualmente um dos mais velhos do carnaval, aí em atividade,
00:12:34eu digo...
00:12:36Não me recordo, na Mug, o Petro está aqui, de a gente ter feito o que era para ser feito.
00:12:42Uma engenharia com cálculos.
00:12:44Por exemplo, um chassi do carro, ele suporta quantos quilos?
00:12:51Por exemplo, aí um caminhão baú, tem aquele chassi com aquelas rodas para aquele baú e
00:12:56as balanças estão na rodovia para pesar se ele está em excesso.
00:13:00Por quê?
00:13:01Se ele põe excesso, o pneu estoura.
00:13:03E nós, na alegria e na folia, nós pegamos igual um copo de água.
00:13:09Seu copo de água, ele tem um limite para 200 ml.
00:13:14Aí você vem, mas com conta a gota...
00:13:16Fica empolgado.
00:13:17E volta uma 0,1 mil.
00:13:200,00 mil.
00:13:22Uma gota.
00:13:23Aí ele vai transportar.
00:13:25Porque o limite dele era aquele ali.
00:13:27Então, nós nunca calculamos quantos quilos, quantos vão colocar.
00:13:32Como pode colocar, chega um e fala assim, carnavalesco,
00:13:36Pô, sou fã da escola, sou milionário, eu ganhei 50 milhões,
00:13:41o homem lá de Aracuza.
00:13:42Errou.
00:13:43Ganhei.
00:13:44Eu quero...
00:13:45Aí o carnaval vai falar assim, o que é que eu vou ganhar com isso?
00:13:49Não, para você é um milhão.
00:13:51Para o presidente, um milhão.
00:13:52Aí o olho, ó, tafo.
00:13:54Aí você bota lá, aí o cara é um gordo e chega lá o carro e estoura.
00:13:59O cara é a gota d'água.
00:14:01Ele é a gota d'água.
00:14:03A gente ganha o dinheiro, mas perde o carnaval, entendeu?
00:14:06Então, o carnaval tem muito disso, né?
00:14:08O carnaval tem essas peripécias aí que a gente não faz cálculo.
00:14:13Ele não faz cálculo.
00:14:14E eu...
00:14:14Eu fico até admirado, né?
00:14:17Quando a gente ouve isso que falam...
00:14:21Igual, por exemplo, o Peterson falou da harmonia.
00:14:24A harmonia é o carro-chefe.
00:14:26Quando a escola chegou lá na...
00:14:31Na dispersão, na concentração, o meu poder cava.
00:14:37Eu já não mando em mais nada o presidente da escola.
00:14:40Quem manda é a harmonia.
00:14:43O que a harmonia determinar é eles.
00:14:45Presidente, não tem mais jeito aqui.
00:14:47Agora é nós e eles que vão tão ligados, tão correndo, tão doidos.
00:14:51Olha o tempo.
00:14:52É um olhando o tempo, é outro olhando.
00:14:54Mas e o teu papel?
00:14:56A escola entrou na avenida.
00:14:59É quando chega...
00:14:59A tua responsabilidade acabou.
00:15:00Já fiz a minha parte.
00:15:01É assim?
00:15:02Ou você fica lá um pouco...
00:15:04Só ser aplaudido.
00:15:06Ou vaiado.
00:15:07Mas eu me envolvo.
00:15:08Eu me envolvo até o final.
00:15:10Eu vou...
00:15:11Aí eu fico naquela faixa ali amarela do início do desfile.
00:15:14Que ainda eu ajudo ainda a galera da harmonia, a equipe.
00:15:17Porque aí é mais um olho, né?
00:15:19É mais um olhar.
00:15:20E aí é aquele olhar do dono, do criador.
00:15:22Você consegue avisar?
00:15:23Olha lá.
00:15:23A baiana tá...
00:15:25Aí tá ainda o olhar do criador, né?
00:15:27Do responsável pelo desfile.
00:15:29Então eu vou sempre olhando e aí eu fico ali, naquela tensão, me empolgo ao mesmo
00:15:34tempo, mas ao mesmo tempo eu fico naquela tensão e fico olhando, observo uma coisa, observo
00:15:38outra.
00:15:38Aí eu viro pro pessoal da harmonia, ó.
00:15:39Ali tá isso.
00:15:40Isso, isso.
00:15:41Ajusta ali.
00:15:42Aquilo tá no lugar errado, dá tempo de consertar.
00:15:44Ou eu corro, vou lá, tira a pessoa.
00:15:45Isso, claro.
00:15:46Antes da cabrilha do jurado.
00:15:48Já teve carnaval da mug que eu tirei folhão bêbado de balas.
00:15:51Aí, aí, aí.
00:15:52Folhão sem cabeça eu tirei, né?
00:15:54Nossa.
00:15:54Porque, tipo...
00:15:55O cara quer fotografar também.
00:15:56Ela fala, não, você não vai estragar o carnaval, é um trabalho de um ano, você
00:15:59não vai dar uma...
00:16:00Tira esse caboclo aí.
00:16:01Se não quer sair por bem, sai no mal, né?
00:16:03Outra coisa da harmonia.
00:16:04Você vê que o artista tá ali, você tem milhares de olhos, de olhos, não é vendo,
00:16:10mas sempre um cara esquece uma lata de tinta, um pincel.
00:16:14Em cima do cara.
00:16:15Em cima do cara.
00:16:16Eu já vi escola de samba passar e as latas de tinta com os pincel no pé do destaque.
00:16:21Poxa, o destaque poderia chutar aquilo lá pra baixo, ou saculejar lá embaixo, não.
00:16:27Mas disso filou aí, dá com pouco.
00:16:30Nota 9.5.
00:16:32Olha lá as latas de tinta.
00:16:33Eu ainda tenho uma outra coisa com o diretor de carnaval da Liga.
00:16:38É.
00:16:38Me falou bem assim, você conhece esse ditado, é bota a mão no fogo?
00:16:45Aí eu falei bem assim, conhece bem.
00:16:49Então, vou dizer pra você, você desfilou com um homem vestido de mulher nas baianas.
00:16:56Falei, não aconteceu isso.
00:16:59Aí ele falou, aconteceu e você perdeu o ponto.
00:17:04Como eu disse, a baiana não dá ponto, mas tira.
00:17:08Aí daqui um pouco eu falei, agora vou te mostrar a fotografia.
00:17:12Isso aqui é um homem, eu falei.
00:17:14Era um travesti.
00:17:17Um travesti.
00:17:18Ele desmaiou, a mãe dele pegou a fantasia dela e desfilou.
00:17:22Isso.
00:17:24Entendeu?
00:17:25Ligou contra, hein?
00:17:27É, mas é a história do carnaval, né?
00:17:30Isso aí tem que ser registrado e visto.
00:17:32E tá lá, o diretor de carnaval tá vivo até hoje, que é o Pedro Suzano, foi diretor
00:17:38de carnaval muitos anos da Liga.
00:17:40Ele me mostrou, ele falou, queima sua mão agora no fogo.
00:17:43Você disse que botava a mão no fogo.
00:17:45É, queimei a minha mão.
00:17:47A gente queima.
00:17:48Deve ser super incômodo você tirar alguém da ala, né?
00:17:51É, mas...
00:17:51Não é legal, né?
00:17:52É porque a gente fala, a gente costuma dizer, que é um concurso, né?
00:17:56E ainda a gente tem um problema muito sério, que o capixaba ainda, os fulhões capixabas,
00:18:03eles não...
00:18:04Eu falo capixaba, mas eu também sou capixaba, né?
00:18:06Às vezes as pessoas podem achar que eu sou carioca, né?
00:18:08Não, mas eu sou capixaba.
00:18:09O fulhão capixaba, ele ainda não entendeu que aquele momento ali que ele tá ali com aquela
00:18:15fantasia, ele tá participando de um concurso.
00:18:17Ele tá contribuindo pro sucesso e, ao mesmo tempo, pra derrota.
00:18:23Porque se ele não cumpre com o papel dele de fulhão, né?
00:18:26Ele acaba prejudicando o desfile e a escola toma essa penalidade, como foi a baiana, né?
00:18:33Então, e aí as pessoas têm o fulhão, ele acha que ele tá no vital.
00:18:36Aí eles vão comprar uma fantasia...
00:18:38Fé, café?
00:18:39Não, agora não.
00:18:40Eles vão comprar uma fantasia, aí eles querem a fantasia mais pelada.
00:18:44É.
00:18:44Eles querem mostrar o corpo.
00:18:46Eu falo, não, mas essa fantasia tem muito tecido, tem muita roupa.
00:18:49Eu falo, gente, mas esse é um figurino construído pra esse determinado momento, né?
00:18:54Você não tá ali, você tá ali pra...
00:18:55Você vai brincar o carnaval, você vai desfilar, mas é a instituição que tá num concurso.
00:19:02Aí eles deixam um pedaço da fantasia em casa, aí eles não querem a fantasia.
00:19:08Esquece a sombreira, esquece o chapéu.
00:19:09Eles não querem a fantasia.
00:19:10Aí a gente bota aquela fantasia com o resplendor.
00:19:12Ah, não quero isso, porque isso atrapalha.
00:19:15Aí, se você tira da fantasia, construir um figurino sem essas peças, eles começam
00:19:20a pular igual o micareteiro.
00:19:22Entendi.
00:19:22Vão pulando pra um lado e pro outro, né?
00:19:24Igual pipoca dentro do desfile.
00:19:26Mas eu vou te falar o que eu já vi.
00:19:27E aí, isso o jurado desce a caneta, porque isso tá no regulamento, no caderno de jurados,
00:19:32né?
00:19:32O jurado, ele precisa, ele tem que ficar atento.
00:19:35Aí, qual é o jurado?
00:19:36É o jurado do quesito evolução, do quesito harmonia, né?
00:19:41Apesar de que a harmonia não é só o desfile em si, né?
00:19:45O quesito harmonia, ele fala muito do canto.
00:19:48É o entrosamento do canto da escola com o intérprete.
00:19:51Por isso que a gente faz ensaios de cantos, né?
00:19:53Às quintas-feiras, lá no bairro da Glória.
00:19:55Pra quê?
00:19:56Pra que o fulhão aprenda a cantar o samba e sempre numa sincronia.
00:20:00Com o intérprete, bateria e o corpo, que são os fulhões.
00:20:03Tem que cantar.
00:20:04Mas eu já vi, sabe o quê?
00:20:06E aí foi culpa da escola.
00:20:08O fulhão comprou a fantasia e com a promessa de que lá no desfile ele ia receber o resto
00:20:15da fantasia.
00:20:17E ele chega lá e não recebe.
00:20:18Já aconteceu com a gente.
00:20:20Ele quer desfilar, ele pagou.
00:20:22Mas o diretor do de harmonia fala assim, bicho, você não vai entrar, porque você tá
00:20:25incompleto.
00:20:26É uma situação desagradável, né?
00:20:27Esse ano mesmo aconteceu com a gente, né?
00:20:29É, aconteceu.
00:20:30A mug e os três fulhões que ficaram sem o chapéu, eles desfilaram a si mesmo.
00:20:35E a mug tomou dois nove, tomou um dez em fantasia e dois nove ponto nove.
00:20:40É muito difícil de administrar isso, né, cara?
00:20:42E por um décimo a mug não perdia o carnaval, né?
00:20:46Por quê?
00:20:47Porque também, tudo bem, existia o comprometimento da escola de entregar na avenida.
00:20:52Mas se não entregou, o fulhão tinha que...
00:20:55Eu sei que era a primeira vez dos fulhões, então vem aquela adrenalina, aquela coisa
00:20:59louca, mas os fulhões também tem que entender que, olha, eu não posso desfilar sem, então
00:21:04eu quero meu dinheiro de volta, de uma forma ou de outra.
00:21:07Então, aí, você volta lá na escola, a escola...
00:21:10Já passa com o segundo plano.
00:21:11Mas eu sei que é um sonho, né?
00:21:12Então, assim, ele pagou pra estar ali naquele dia, naquele sonho, e acaba se tornando frustrante
00:21:17porque você tem que tirar o fulhão do desfile, né?
00:21:20Porque, senão, se você não tira, você perde o carnaval, né?
00:21:25Então, tipo, você fica entre a cruz e a espada.
00:21:28Deixa eu falar com a Laila Bastos aqui.
00:21:31A fantasia tá pronta.
00:21:32Abre o jogo aí.
00:21:33Ainda não, quase.
00:21:35Não é mesmo?
00:21:37Tá em processo.
00:21:38Tá em processo.
00:21:40O primeiro ano seu na mocidade como rainha.
00:21:43Isso.
00:21:43Mas antes...
00:21:44Quatro anos como musa.
00:21:46Estrenhei na Mug.
00:21:47E você vem de destaque com musa e tal?
00:21:50Vinha no chão?
00:21:51Antes de ser a rainha?
00:21:52Eu sempre vim no chão.
00:21:54Meu presidente me deu essa honra, desde a primeira vez, que é muito sortuda, porque
00:21:59as meninas passam por uma seleção nova, né?
00:22:01Ah, isso é que eu queria saber, né?
00:22:02Ficam como passistas durante anos.
00:22:06Só que o nosso presidente deixou pular a fila.
00:22:10Já cheguei com musa.
00:22:12Não, não deixei pular a fila.
00:22:13Foi merecimento.
00:22:14Uma escolha por merecimento, e ela sabe muito disso.
00:22:20Nós, mugianos, não somos exploradores.
00:22:23Nós não vendemos cargo.
00:22:25Eu tive oferta, não estou exagerando, eu tive oferta de 100 mil reais.
00:22:32Eu fico toda metida com isso, tá?
00:22:35Para a esposa de empresário colocar.
00:22:38Ah, tem esses...
00:22:40Tem, tem esses bastidores.
00:22:42Cara, chega e eu te dou essa grana tal.
00:22:43Para botar a mulher dele como rainha.
00:22:45Às vezes nem samba à direita danada.
00:22:46É o que mais acontece.
00:22:47Eu acho que aqui no Estado só tem uma rainha que não...
00:22:50Quer dizer, agora são duas, né?
00:22:51Que não pagam para ser rainha.
00:22:54Dá para enrolar ali na frente?
00:22:57Olha, dá para enrolar, mas eu não gosto muito de enrolar, não.
00:23:00Se você for no ensaio da mug, você vai ver que...
00:23:05Energia mugiana de leão.
00:23:06Eu vi o ensaio daquela Viviane Araújo.
00:23:08Cara, ela faz certinho.
00:23:11Quando a escola faz as paradigmas, ela faz também.
00:23:13Aí volta, ela volta também.
00:23:14Mas estão nesse livro?
00:23:15Porque elas ensaiam com a bateria.
00:23:17Estão nesse livro de...
00:23:18As coreografias, ensaiam com a bateria.
00:23:20Cara, é muito legal aquilo, né?
00:23:22Mas, ó, falando para ti, eu tive duas, três propostas.
00:23:25Só que quando nós criamos um conselho, a escola toda votou pela rainha.
00:23:30E a rainha tinha que sair das passistas.
00:23:34Rainha da comunidade.
00:23:35Que é mérito da comunidade.
00:23:37Pronto.
00:23:37Tinha que ser uma rainha da comunidade.
00:23:39Então, as musas e passistas se candidataram.
00:23:43Aí veio a votação.
00:23:45Carnavalês com voto.
00:23:47O meu voto nem vale nada, porque o meu voto, quando eu chego, já está decidido.
00:23:51E a Lália foi prestigiada.
00:23:55Mas nós temos mulheres lindas também, que poderiam ser rainha.
00:23:58Tem madrinha?
00:23:59Tem madrinha?
00:24:00Não.
00:24:00Não tem?
00:24:00Nós abortamos a madrinha, mas futuramente, talvez sim.
00:24:05Já vamos dar chance a uma ex-rainha, né?
00:24:07Eu acho que isso é legal, né?
00:24:08Uma ex-rainha, receber a rainha, entendeu?
00:24:14Mas não estou dizendo que é ex-rainha.
00:24:17Pode ser até uma outra pessoa, a madrinha da escola.
00:24:20Mas até porque o carnaval, você parte do zero para chegar até o cem.
00:24:27Por exemplo, começa como criança, depois é passista adulto, chega até a baiana.
00:24:35Tem que chegar até o carnaval, tem que chegar até a baiana, vai envelhecendo e vai tomando as suas posições,
00:24:41né?
00:24:41E ainda fora aqueles que destilaram por muito tempo, hoje estão naquela posição de cadeirante, aí querem destilar, a gente
00:24:50tem que levar.
00:24:51E também temos essa parte também.
00:24:53Porque o carnaval é uma inclusão, né?
00:24:54Nós temos também o ritmista, que às vezes ele quer tocar o instrumento, mas na cadeira de roda, ou impossibilitado.
00:25:03Mas a gente, até por causa do palco, a gente pega com cadeira de roda e tudo, bota lá em
00:25:07cima do palco, vai.
00:25:08Deixa ele lá, né?
00:25:09Entendeu? Vai curtir a sua fantasia, entendeu?
00:25:12Digo uma coisa, você se prepara com muita antecedência.
00:25:18O ano todo.
00:25:19A academia.
00:25:20O ano todo.
00:25:21Muito carboidrato e tal, tal.
00:25:22Na verdade, eu faço um pouquinho diferente.
00:25:25Eu faço jejum e faço low carb.
00:25:28Eu sei que tem a proposta de carboidrato, que dá mais energia, mas eu acho que o estado de cetose,
00:25:35que é a baixa da gordura, né?
00:25:38Baixa no carboidrato, eu acho que dá mais energia ainda e foco.
00:25:41Ah, entendi.
00:25:42Uma coisa, não pode quebrar o salto lá.
00:25:44Não pode, mas de vez em quando quebra, tá?
00:25:46Você faz um reforço antes no sapateiro e tal.
00:25:49Prato.
00:25:49Porque isso não...
00:25:50Cara, você de linda, maravilhosa, que troço aqui.
00:25:52Ele falou quebra o salto.
00:25:54Acabou, cara.
00:25:55Como é que você vai?
00:25:55O meu...
00:25:56Mas não pode perder o rebolado.
00:25:57Não pode.
00:25:58Vai na pontinha do pé, né?
00:25:59Tira o outro e vai descalço, mas não pode perder o rebolado.
00:26:01Não, mas aí perde...
00:26:03Não, não.
00:26:03Vai no terra.
00:26:04Não, vai na frente.
00:26:05No meu penúltimo, foi o último, foi o meu penúltimo desfile, que eu vim de Vudu.
00:26:14A minha sandália, antes de entrar na avenida, quebrou o salto todinho e eu vim só no beijinho,
00:26:19sambando num... só com uma perninha assim, uma de apoio e a outra rebolando.
00:26:26Foi assim, um sufoco danado.
00:26:27Coisas que a gente não espera, mas acontece.
00:26:31Mesmo testando a sandália, não, não tem coreografão.
00:26:35Não fica uma...
00:26:36Geralmente fica, né?
00:26:38Dando aquele suporte ali em cima, né?
00:26:42Mas a coreografia é vista até...
00:26:45Não vou dizer, não.
00:26:46É mais ou menos igual a televisão.
00:26:47Não cria, né?
00:26:48Tudo se copia.
00:26:49Tem as escolas do Rio, tem as meninas que já têm a preparação.
00:26:53Como a gente copia de lá, eles também copiam de cá.
00:26:56Eu vou até elogiar.
00:26:57O nosso carnaval hoje, você faz uma comparação, o nosso carnaval, a dois hospitais.
00:27:03Leva um doente ali no Si e leva outro lá no Dória e Silva.
00:27:06O tratamento é igual, né?
00:27:09Não precisa ter nem resposta a isso.
00:27:11Então, é a mesma coisa.
00:27:12O carnaval nosso aqui, eu quero até mandar um abraço a todos os presidentes,
00:27:17a todas as escolas de samba, em especial o nosso presidente da Liga, Edson Neto,
00:27:22que tem feito um trabalho maravilhoso.
00:27:23Teve ontem aqui.
00:27:24É, mas o que acontece?
00:27:27O nosso carnaval é o carnaval mais sofrido que tem.
00:27:31A gente consegue receber a verba quase no dia do carnaval.
00:27:37Em cima do laço.
00:27:38Entendeu?
00:27:38Não sei se vai chegar a esse patamar para perguntar isso, mas é muito difícil.
00:27:43A gente poderia ter um carnaval construído com antecedência, entendeu?
00:27:48Um muito bem melhor.
00:27:50Agora, aqui no Espírito Santo, os presidentes de escola de samba fazem milagre para fazer carnaval.
00:27:55Entendi.
00:27:55Mas você acha que vamos chegar a um dia em que as escolas não dependerão mais da verba do governo?
00:28:02Devido à nossa qualidade, as empresas vão procurar para patrocinar,
00:28:05ao ponto que a verba do governo seja assim só o plus.
00:28:08Então, vamos lá.
00:28:09Deus te ouça se a iniciativa privada tomasse conta.
00:28:13Tomasse conta.
00:28:14Entendeu?
00:28:15Aí a gente não dependeria do poder público também.
00:28:19Temos que elogiar o prefeito da capital, atualmente o Pasolini, os outros que passaram,
00:28:25aos governadores que dão a verba.
00:28:28Porque se não tiver a verba pública, não tem como fazer esse carnaval lindo e maravilhoso que acontece aí.
00:28:34Porque a iniciativa privada, você vê bem, ontem eu vi uma reportagem na Gazeta,
00:28:40os hotéis não têm mais vaga para o verão.
00:28:46Estão lotados.
00:28:47Então o Espírito Santo vai estar lotado.
00:28:48Esse povo todo vem para o carnaval, graças a Deus.
00:28:52Graças a Deus.
00:28:52Aí eu pergunto a você, eu não me recordo, não sei se o presidente da Liga vai ver essa reportagem,
00:28:59ele pode responder depois para vocês aqui, com a rede hoteleira deu um tostão, pelo menos para a Mug não
00:29:06deu.
00:29:07Não deu.
00:29:08Vou até fazer uma crítica também aqui.
00:29:11Nós somos do bairro que tem uma das maiores indústrias, a Chocolates Garoto.
00:29:15Chocolates Garoto dá dinheiro para o Carnaval do Rio, mas não dá para nós que somos do bairro da Glória.
00:29:20É mesmo?
00:29:20É, já fizemos dois enredos com o nome da Chocolates Garoto, né?
00:29:26Quando ela, a história do, onde tem bumbum, tem chocolate, leite, mel, onde?
00:29:32Lá na Glória, lá perto do céu.
00:29:34Esse foi o primeiro samba da Mug.
00:29:36Em 84.
00:29:37É, entendeu?
00:29:38Aí depois vem o segundo samba.
00:29:41A garota fez 60 anos.
00:29:42Tenho 60 anos, mas ainda sou garoto.
00:29:46Nesse sonho todo mundo é louco.
00:29:52Tenho 60 anos, mas ainda sou garoto.
00:29:55Nada também.
00:29:56Ganhamos dois sacos de bala, alguns papéis.
00:30:00Quer dizer, tivemos o apoio do prefeito na época, né?
00:30:04O Marcos Filho.
00:30:05Ele era deputado federal.
00:30:07Ele foi com nós.
00:30:08A mulher veio de helicóptero de São Paulo para fazer uma reunião com a gente.
00:30:14Eu falei, não, nós estamos bem.
00:30:15A dona da garota aí veio de...
00:30:17Chegou lá, a mulher prometeu e não deu nada a nós.
00:30:20Nada.
00:30:21Você vê que nós também pecamos.
00:30:24Nós não recebemos lei Rouanet.
00:30:28A coisa mais difícil em uma escola de samba é receber um dinheiro de uma lei Rouanet.
00:30:33Então, é...
00:30:35Agora, hoje, nós, Mug, né, nós temos a quadra.
00:30:40Passamos uma magrela no carnaval passado, porque não tinha movimento, não poderia aglomeração de povo.
00:30:46Mas a nossa quadra funciona, todas as festas, e a gente consegue arrecadar uma grana.
00:30:53Entendo?
00:30:53Uma grana não.
00:30:54Isso faz uma boa diferença, né?
00:30:55Uma parte que dá para pagar alguns profissionais e adquirir algum material.
00:30:59Mas a Mug faz carnaval para o povo.
00:31:03Nós fazemos 22 alas, 12 alas é doada.
00:31:09Entendi.
00:31:10Oito alas é comercial, entendeu?
00:31:13Eu ainda quero fazer um carnaval de dar fantasia a todo mundo.
00:31:18De azer todas as alas doadas para a comunidade, para todo mundo.
00:31:22Mas eu preciso do apoio do empresário, né, da Celó Mitral, da Vale do Rio Doce, que não é muito,
00:31:29é cultura.
00:31:30A maior educação do mundo é a cultura.
00:31:33Mas, olha, eu tenho fé que isso um dia vai acontecer, cara, porque não tem como as empresas fecharem os
00:31:39olhos, cara, para um evento como esse, de grande porte.
00:31:41Nós não estamos mais no passado, cara.
00:31:43Vocês podem reparar.
00:31:44Cara, o Novo Império, em 2022, foi a campeã, cara.
00:31:47Só tinha a Mug e o Jocotucaro.
00:31:48Mug e o Jocotucaro entrou à Boa Vista, estava o Novo Império.
00:31:51Isso é um crescente danado, né, cara?
00:31:53A gente torce para isso, né?
00:31:54Mas é o que eu te falei.
00:31:55A gente quer ganhar.
00:31:57Mas se uma escola, furo olho, amostrou um carnaval, eu, Robertinho, tenho certeza que é minha diretoria, nós vamos estar
00:32:05de pé, batendo palmas, se ela apresentar aquilo que é merecedor.
00:32:09Entendeu?
00:32:10Agora, eu também fico muito triste quando eu vejo a escola ganhar carnaval, principalmente de nós, que não condiz com
00:32:18aquela condição ali.
00:32:20A ganhou, ganhou porque teve ajuda, ganhou porque, o que é muito dito, a Mug perde para ela mesmo.
00:32:27Isso aí é falado nos quatro cantos, não é eu que estou dizendo.
00:32:31Isso eu ouço muito, vocês perdem para vocês mesmos.
00:32:34Se vocês alinhar e passar direitinho, é difícil.
00:32:38Por quê? Porque o nosso dever de casa é correto.
00:32:42Nosso trabalho é perfeito.
00:32:44Nós não somos uma escola de comunidade, nós somos uma escola de amigos.
00:32:49Porque hoje você vai falar, a Mug é da comunidade do bairro da Glória.
00:32:52Não é.
00:32:53A Mug é da grande Vila Velha, do grande Estado do Espírito Santo, do Brasil e do mundo.
00:32:59Nós somos uma escola do povo, de todo mundo.
00:33:01Porque é a escola de comunidade, isto é comunidade.
00:33:07Certa hora você pergunta, o cara mora na comunidade, não foi na Mug.
00:33:11Não levou o martelo para dar um prego, não levou o pincel para pintar um papel, nem nada.
00:33:16E hoje, o carnaval mesmo, ele é profissional.
00:33:20O carnaval virou profissional.
00:33:22Se você não é para o céu profissional, não adianta.
00:33:25Você sente falta de ter um outro carnavalesco para te ajudar?
00:33:29Tem escola que tem dois carnavalescos.
00:33:30Você sente falta de ter um outro?
00:33:32Não.
00:33:33Não?
00:33:33Não.
00:33:34Você acha que te atrapalharia?
00:33:35Sim.
00:33:36É?
00:33:36Sim.
00:33:38Eu sou muito exigente, né?
00:33:41Eu falo que eu chego a ser até chato.
00:33:44Porque a gente, quando assume um contrato, quando a gente faz um contrato com a instituição,
00:33:50com a escola de samba para poder fazer um carnaval, ela nos contrata porque ela tem um sonho.
00:33:57O sonho de ser campeã, como qualquer escola, né?
00:33:59Contrata o artista para poder ser campeã do carnaval.
00:34:03E aí, eu me sinto na responsabilidade e o compromisso firmado de fazer, realizar aquele sonho.
00:34:09Eu estou ali para isso, né?
00:34:10Eu não estou ali para ganhar beijos, flores e nem abraços.
00:34:13Eu estou ali para trabalhar, para poder executar o carnaval.
00:34:16E aí, por eu ser muito exigente, aí eu prefiro eu fazer sozinho.
00:34:20Eu me tornei um carnavalesco que, uma vez, o Renato Laje me perguntou, em 2004 para 2005,
00:34:26eu estava com o Robertinho, foi o primeiro carnaval que eu fiz na Mug.
00:34:28Ele virou para mim e falou assim, nós tínhamos ido lá, porque a Mug também tinha hábitos
00:34:34de comprar esculturas.
00:34:35Na mesma loja hospitalar?
00:34:36Não, hábitos de comprar esculturas, aquela coisa, e trazer para fazer um reaproveitamento.
00:34:42Aí, nós fomos lá.
00:34:43Eu precisava de uns bois.
00:34:45Eu precisava de uns gados, de uns bois, para botar no carro da Grécia.
00:34:49Primeiro carnaval que eu estava fazendo na Mug, em 2005.
00:34:51E aí?
00:34:52Aí, nós chegamos no barracão do Salgueiro, porque fomos orientados a ir lá no Salgueiro,
00:34:57que lá tinha uns bois para vender.
00:34:59Aí, chegamos lá.
00:35:01Aí, o Renato Laje veio.
00:35:02Nós fomos apresentados.
00:35:04Ah, é mesmo?
00:35:05É, conversão, bateu papo, apresentaram o Robertinho a ele, o presidente da Mug, aquela coisa toda.
00:35:11Aí, eu perguntei se ele tinha os bois que eu estava necessitando.
00:35:15Aí, ele virou para mim e falou assim, eu posso fazer uma pergunta?
00:35:17Eu falei, pode, claro.
00:35:19Ele virou e falou assim, como você... que tipo de carnavalesco você é?
00:35:24Aí, eu virei e falei assim, mas como assim, tipo?
00:35:27E aí, eu era garoto ainda.
00:35:29Eu tinha 26 anos de idade, 27 anos de idade, fazendo carnaval.
00:35:32Era o meu primeiro carnaval.
00:35:34Aí, eu falei, eu não entendi.
00:35:36Você poderia me explicar melhor?
00:35:37Aí, ele virou e falou, não, porque aqui no Rio...
00:35:39Não deu nessa pergunta.
00:35:40Ele falou assim, porque hoje, aqui no Rio de Janeiro, aqui tem vários tipos de carnavalescos.
00:35:46Tem aquele que constrói o carnaval.
00:35:49Aí, tem aquele que tem o figurinista.
00:35:52Tem aquele que tem o enredista.
00:35:53Tem aquele que tem o desenhista.
00:35:55Tem aquele que pinta.
00:35:56Tem aquele que borda.
00:35:58Tem aquele que faz.
00:35:59E ele só vai lá e assina.
00:36:01Então, hoje, fazer carnaval é muito fácil.
00:36:04Porque qualquer pessoa hoje que queira ser carnavalesco, que tenha uma visão, que tenha um gostar pela cultura chamada carnaval,
00:36:12ele consegue.
00:36:13Desde que ele tenha condições de ter toda essa equipe, essa estrutura com ele.
00:36:17Aí, ele acaba...
00:36:19Ele, na verdade, não faz nada.
00:36:21Todos fazem por ele.
00:36:22Entendi.
00:36:23E aí, eu falei, não, não.
00:36:24Aí, eu falei, olha, a única coisa que eu não sei fazer é soldar, botar madeira em carro e nem
00:36:30costurar.
00:36:31Eram as três coisas que eu falei que eu não sabia fazer.
00:36:33Quando vocês se reúnem para escolher o enredo, a tua palavra é a final?
00:36:39Não, às vezes é a do presidente.
00:36:40A palavra é o presidente.
00:36:41O enredo é o enredo do enredo, sempre a gente parte para procurar um enredo afro, um enredo da Europa,
00:36:50um enredo dos folclores brasileiros.
00:36:53Então, ultimamente, a Mugue tem feito cinco anos seguidos aí, um enredo do capixaba, capixabismo mesmo, entendeu?
00:37:02Foi castelo, colatina, vila velha.
00:37:06Bem regional, né?
00:37:07Bem regional, entendeu?
00:37:09Mas o enredo, você parte também daquela coisa, o apoio.
00:37:16Digamos que uma família tradicional do Espírito Santo queira fazer, uma empresa de televisão queira fazer.
00:37:24Nós já tivemos um convite uma vez para falar de uma emissora de televisão.
00:37:30Ah, é?
00:37:31Inclusive, um dos diretores, ele era da empresa de televisão.
00:37:36Teve a nossa rejeição até para não bater com outras, entendeu?
00:37:43Aí eu ia levar lá a empresa A lá para o Sambão.
00:37:48Naturalmente, os repórteres de outras iam ficar todos constrangidos.
00:37:52Então, era até aniversário da empresa de televisão.
00:37:57Agora, o que se faz no enredo é sempre as falsas promessas.
00:38:02Ah, é?
00:38:03Por exemplo?
00:38:04Por exemplo, eu vou fazer um enredo do Wallace.
00:38:08O Wallace é milionário, chega lá na frente e você dá para trás.
00:38:12Os milhões, o senhor não chega.
00:38:14Entendi.
00:38:15Então, vamos dar um exemplo.
00:38:16Nós fizemos um carro...
00:38:17E aí não dá tempo de mudar.
00:38:18Muita promessa e fala em comprometimento, né?
00:38:20Chegou uma equipe da França que iria contar a história de Dunkerque, aquela história lá de pescador.
00:38:27Da Segunda Guerra.
00:38:30Chegou aqui e nos ofereceu, primeiro, levar eu e alguns integrantes da MUG à França.
00:38:38Já é interessante.
00:38:40Aí eu não quis ir e mandei o meu filho, o Carnavalesco, uma repórter, né?
00:38:46Foram para lá e uma dançarina, que foi a Luísa, né?
00:38:49E o Geógico.
00:38:50Eles foram no segundo tempo, né?
00:38:53Na primeira viagem, foi eu, Islin, Juliana e Steve.
00:38:58Foram lá para fazer reconhecimento do cotidinho.
00:39:01E tinha promessa.
00:39:02Ó, vocês vão receber um milhão e tanto.
00:39:05Mas essa equipe foi indicada aqui no Espírito Santo, ó, vocês vão pegar a escola no momento que está mais
00:39:14organizada e vai atender o anseio de vocês, é a MUG.
00:39:19Mas desmerecendo as outras escolas.
00:39:21Naquele momento, nós éramos a mais organizada e tinha vindo.
00:39:25Com a melhor estrutura.
00:39:26Com a melhor estrutura e tinha vindo de um tiro.
00:39:29Fomos para lá.
00:39:32Lindo e maravilhoso, vamos embora, e aí?
00:39:34Investimos.
00:39:35Investimos em casal e mestre-sala deles.
00:39:38Treinamos o mestre-sala e porta-bandeira deles, da França.
00:39:42Fizemos tudo isso.
00:39:43O único lucro que teve foi a viagem deles.
00:39:46O dinheiro até hoje não veio.
00:39:47Por que que ele declinou?
00:39:48Por que que não?
00:39:49O que que aconteceu?
00:39:50Eles não dão motivo?
00:39:51Ah, não quero mais.
00:39:52Não paga.
00:39:53Não paga.
00:39:54Porque aquele dinheiro que você faz, você faz um contrato.
00:39:58É diferente.
00:39:59Até contrato, se a gente fizer com a prefeitura ou com o governo do estado, chega lá na frente,
00:40:05o governador ou o prefeito fala bem assim, esquece isso aqui que eu vou colaborar com vocês.
00:40:12A gente declina porque não vai ficar brigando com prefeitura nem governo de estado, que acaba
00:40:18o prejuízo sendo maior, entendeu?
00:40:20Então, não tem condição.
00:40:22Nós também fizemos de castelo.
00:40:26Tivemos um apoio, né?
00:40:28O município participa.
00:40:30Quando você escolhe o município, ele dá uma graninha lá.
00:40:32Não, trouxemos todo mundo de castelo, de lar do ano e tudo.
00:40:35Mas a verba mesmo que era pra ser dada, não veio.
00:40:39Não veio.
00:40:39Entendeu?
00:40:40É o que eu costumo dizer.
00:40:41Tudo dá carnaval.
00:40:43Tudo vira enredo.
00:40:44Mas nem tudo vira um bom carnaval.
00:40:46E por incrível, pareço.
00:40:47Ganhamos esses carnavais todos que eles não deram nada.
00:40:49Olha bem.
00:40:49Foi sorte, né?
00:40:51Fizemos agora de colatina.
00:40:53Boa fé.
00:40:54De colatina.
00:40:55Pomba.
00:40:56Eu dei mais de quatro viagens a colatina.
00:41:00Reunião com o prefeito.
00:41:01Reunião toda.
00:41:02Não, tá tudo certo.
00:41:03Ganhamos o carnaval.
00:41:05Colocamos o colatina em toda a mídia.
00:41:07Mas a verba da prefeitura até agora não veio.
00:41:10Entendeu?
00:41:11Ou seja, o caminho é sair desses municípios.
00:41:16Vou até fazer um agradecimento.
00:41:18Se nós não tivéssemos um apoio da faculdade de lá de Colatina, através do Renzo Vasconcelo,
00:41:25é a faculdade de lá que nos apoiou.
00:41:29Entendeu?
00:41:29E na época o deputado Renzo Vasconcelo não cendeu uma emenda que ajudou para a gente
00:41:36pagar as dívidas.
00:41:37Se não...
00:41:38Se você procurar, se você achar, eu te dou um presente.
00:41:43Uma escola que não está endividada.
00:41:45Não tem, né?
00:41:47Não tem.
00:41:48Em São Paulo.
00:41:49Em São Paulo.
00:41:50Em São Paulo.
00:41:50Todo mundo.
00:41:51Porque a loucura pela paixão nos leva a fazer loucuras mesmo.
00:41:58Comprar e ficar devendo no comércio e tudo.
00:42:02Hoje as lojas do carnaval aqui no estado é Alves Coro e no Rio é o Babado da Folia.
00:42:08A gente deve nas duas.
00:42:10Se você quiser ganhar um título, o carnaval aqui no Espírito Santo hoje é dois milhões
00:42:16na mão.
00:42:17Para você sair legal.
00:42:19Mas se eu recebesse o dinheiro...
00:42:22E sem errar dentro da avenida.
00:42:23Porque você pode gastar isso tudo.
00:42:24Derruba dentro da avenida, seus dois milhões...
00:42:26Dois milhões dá para ganhar um campeonato?
00:42:28No carnaval caprichado, assim?
00:42:30Eu achei que fosse mais, cara.
00:42:33Mas não, mas...
00:42:34Mas lindo e maravilhoso?
00:42:36A gente faz milagre, né?
00:42:38Eu reimagino.
00:42:39Aqui a gente tira leite de pedra.
00:42:41Aqui realmente a gente é artista.
00:42:43É mesmo?
00:42:43Eu acho que é dois milhões que a escola gasta.
00:42:46Mas ainda tem os destaques, as músicas.
00:42:49Não, não.
00:42:49As raízes que...
00:42:50Se você for buscar a escola...
00:42:51É muito mais que dois milhões.
00:42:53Mas da escola...
00:42:54Essa situação que você perguntou naquela hora, né?
00:42:57Se um dia o carnaval caprichado iria vivenciar o prazer de não ter do dinheiro público.
00:43:05Eu acho o seguinte.
00:43:07Eu acho que esse dia nunca vai existir.
00:43:09Porque nem o Rio de Janeiro, com toda a infraestrutura que tem o Carnaval Carioca, eles estavam passando agora uma
00:43:16dificuldade.
00:43:16O dinheiro do poder público foi liberado aqui tem uma semana.
00:43:20Os barracões estavam todos parados.
00:43:22Dois milhões e poucos.
00:43:23Dois milhões e trezentos que a prefeitura liberou para cada escola.
00:43:27Então, os barracões do especial estavam todos de braços cruzados esperando esse dinheiro.
00:43:32Então, para você ver, o porte, que é o Rio de Janeiro, que tem Globo, tem empresas multinacionais participando, que
00:43:39tem patrocínios gigantescos, passam por essas dificuldades.
00:43:42Você imagina nós aqui, né?
00:43:45Eu acredito, assim, lógico, eu acredito no crescimento, né?
00:43:49Como ontem, numa entrevista que eu dei, o entrevistador me perguntou qual seria o primeiro passo para o melhoramento do
00:43:58Carnaval.
00:43:59O que o Carnaval Caprichado precisa para melhorar?
00:44:01A primeira coisa é que precisa de uma cidade do samba.
00:44:04As escolas de samba, hoje, elas necessitam urgentemente de uma cidade do samba.
00:44:12A gente vê escola de samba do especial que não tem uma quadra de escola de samba para ela poder
00:44:16fazer.
00:44:17Então, como que pode sonhar que o Carnaval vai crescer?
00:44:22Se elas estão jogadas ao léu, né?
00:44:25Se elas não têm uma infraestrutura, né?
00:44:27Se você vê aí a piedade para poder fazer um evento, ela precisa pagar o aluguel de um clube para
00:44:33poder fazer o evento.
00:44:34Aí, o lucro dela fica no preço do aluguel.
00:44:37A Jucutuquara tem um anchetinho, mas o anchetinho não é dela.
00:44:40O do fluido, o anchetinho, ela tem que pagar o aluguel.
00:44:43Aí, o que ela ganharia de lucro para o investimento, ela paga o aluguel porque elas não têm.
00:44:50Então, assim, o poder público, ele tinha que olhar, assim, né?
00:44:54Porque isso é cultura, né?
00:44:55E a gente vê, a cultura vive de cultura, né?
00:44:58Então, precisa ter esse olhar, né?
00:45:03Ter essa troca de informações, de projetos, né?
00:45:10O poder público tem condições de fazer.
00:45:13Porque o Carnaval não é despesa, Carnaval é investimento, né?
00:45:16Você vê aí a rede hoteleira, o trade turístico, né?
00:45:20Fica totalmente superlotado, né?
00:45:23Por quê?
00:45:23Porque houve um investimento, as pessoas vêm para participar, vêm para desfilar, elas vêm para assistir o desfile, né?
00:45:31Aí, quem ganha?
00:45:32O aplicativo de transporte ganha, a rede hoteleira, o restaurante, o comércio.
00:45:39Todo mundo ganha.
00:45:41Então, eu não posso acreditar que isso seja despesa.
00:45:44Todo mundo ganha, menos as escolas.
00:45:46Você quer ver só?
00:45:46Parece ser brincadeira.
00:45:48Eu, com 50 anos de Carnaval, mais 50 anos de Carnaval, eu não consigo entender por quê a responsabilidade e
00:46:00o crédito que o povo dá na confiança.
00:46:03Você bota lá os ingressos para vender, meia hora acabou.
00:46:06Bota os camarões para vender, meia hora acabou.
00:46:09O povo compra, confiando que as escolas vão levar àquele espetáculo.
00:46:14E nós cumprimos com isso com o povo.
00:46:17Nós levamos as escolas nesses últimos anos.
00:46:18É, acho que esse é o maior objetivo.
00:46:20Estão levando show, se matam.
00:46:23É um troço.
00:46:25Quantos componentes vocês vão entrar na avenida?
00:46:28Hoje, uma média, um total, acho que de uns 1.600 a 1.700 componentes.
00:46:34Mais que isso, complica, né?
00:46:36Complica.
00:46:36Uma superlotação.
00:46:37Do tamanho, o tempo, aí entra a harmonia, né?
00:46:41O tempo, tudo isso.
00:46:43A estrutura do sambódromo, né?
00:46:45E aí, se você for procurar hoje, em Vitória, um espaço para relocar o sambão do povo, para construir um
00:46:51sambão do povo maior, a gente não tem.
00:46:54Para onde você vai transferir aquele espaço?
00:46:57Acho que dá para aumentar, não dá?
00:46:59Dali na dispersão, até aquela rotatória ali, tem um bom pedaço ali.
00:47:01Então, mas aí precisaria de ter um lugar para guardar as alegorias que não tem, né?
00:47:05E aí, estão dali por...
00:47:06Pô, seria legal, hein?
00:47:08É.
00:47:08Pô, de repente aumentar aquele pedaço ali.
00:47:11Acho que nós temos que chamar o japonês para criar um barracone ali em cima do mar, entendeu?
00:47:15Fazer umas plataformas ali em cima do mar, a água passa por baixo.
00:47:19Por exemplo, igual tem ali, né?
00:47:20Aquela parte do Tancredão, que fica do lado de cá, onde aconteceu o mini desfile, e aí as escolas fazem
00:47:26as alegorias ali.
00:47:27Ah, não cabe sete escolas ali, do especial?
00:47:29Você constrói três, quatro escolas ali, está o Carmélia, que está todo lá, praticamente abandonado, tem aquele espaço gigantesco.
00:47:37Constrói três barracões ali, constrói complexos para o carnaval, faz um comodato, bota as escolas de samba para o outro.
00:47:45Enquanto as escolas de samba tiverem vida, aquilo ali pertence às escolas de samba, elas vão administrar.
00:47:49Acabou o carnaval, acabou as escolas de samba, elas enrolaram bandeira, acabou, não tem dinheiro para fazer mais o carnaval.
00:47:54Devolve para o governo, devolve para o poder público, para a prefeitura, sei lá de quem for.
00:47:58Mas eu acho que necessita, sabe? Precisa muito, porque a gente que constrói o carnaval, a gente que assina o
00:48:05carnaval, a gente sofre muito com isso.
00:48:08Você faz um carnaval, você vai lá...
00:48:10E olha que eu falo do sofrimento, diz a seguinte forma, e olha que eu estou coberto, estou debaixo de
00:48:15ter me protegido do sol e da chuva, as minhas alegorias.
00:48:19Porque eu estou lá na MUG, mas eu sofro no traslado, do tirar dali, eu tenho que construir minhas alegorias,
00:48:26eu vou um quebra-cabeça.
00:48:27Elas são todas enumeradas, se eu errar uma peça daquela no encaixe, acabou.
00:48:32O desfile de vocês vai acontecer com uma quarta escola? O que? Três horas da manhã?
00:48:38Não, umas duas horas.
00:48:39Um e meia, duas horas da manhã.
00:48:40E aí vocês chegam, que horas lá, começam a trazer os carros, que horas?
00:48:43A gente sai na sexta-feira, à meia-noite.
00:48:47E fica onde os carros?
00:48:48Na sexta-feira, aí fica na rua, a gente vem deslocando, aí chega no sábado de manhã ali.
00:48:54Primeiro, que não pode entupir a ponte, você não para, o Espírito Santo se entupir a ponte.
00:49:00Então a gente tem que passar ali antes, aí é combinado, no caso das escolas, que é do outro lado
00:49:05da ponte,
00:49:06às vezes o andar aí também faz alegoria do lado de lá, sempre uma escola.
00:49:11Aí fica três escolas para passar na ponte.
00:49:15Mug Boa Vista é certo, sempre tem uma de Vitória que faz do lado de lá.
00:49:19Consegue passar aquele gargalo ali do pedaço?
00:49:22Ela tem horário, cada escola só tem um horário para chegar.
00:49:24Não, diga assim, os passam.
00:49:25Ele é todo de pedaços, igual a quebra-cabeça.
00:49:31Na pista tem dez metros, a gente calcula o carro com quatro metros e meio, cinco, que dá para passar,
00:49:37e traz as saias por fora, quando chega lá na avenida, monta as saias.
00:49:41Aí cobre tudo para ninguém ver, né?
00:49:44Na verdade, não é nem ver mais, né?
00:49:46Na verdade, é o proteger mesmo da chuva, se caso chover de madrugada,
00:49:50alegoria ainda para chegar até o Sambão do Povo.
00:49:52Eu vou te convidar, dá um puninho lá no Sambão do Povo,
00:49:56que você está fazendo essas entrevistas aqui,
00:49:58para você ver o sofrimento.
00:50:00É muitos irmãos, muitos amigos lá, construindo.
00:50:03Se o sol está rachando, eles estão de chapéu arrebentando.
00:50:07Quem ainda prefere o sol rachando...
00:50:09E eu falo que eu também trabalhei lá dois anos...
00:50:11E vai lá com chuva.
00:50:12É triste.
00:50:13As coisas que comprou, esse brilho bonito está aqui,
00:50:16você vê isso aí molhar.
00:50:18Aí o que aconteceu?
00:50:19Se bate sol, tira o brilho.
00:50:21Pois é.
00:50:21Porque queima.
00:50:22No dia de cilá já não tem mais brilho.
00:50:24Se molha, piorou mais ainda.
00:50:26Você falou em chuva.
00:50:28Para você, a chuva é teu inimigo.
00:50:30Mortal, né?
00:50:31Graças a Deus, eu nunca peguei chuva na avenida.
00:50:34Porque imagino que possa pesar, né?
00:50:36A alegoria, as penas.
00:50:37Eu digo mais para não escorregar, né?
00:50:39Ah, não escorregar, eu acho que eu já estou vacinada.
00:50:42Porque eu peguei uma chuva num ensaio.
00:50:45Não é mesmo?
00:50:45Mas existe também toda uma estrutura, uma...
00:50:48Vou até responder por ela, essa questão do calçado.
00:50:51Porque hoje, o que a gente manda fazer?
00:50:53A gente instrui, principalmente...
00:50:55Igual a gente tem quesitos, que é mensalho, porta-bandeira.
00:50:58Então, assim, são duas pessoas responsáveis por quatro notas, né?
00:51:04São quatro, dez, notas dez.
00:51:06Então, a responsabilidade deles é muito grande, né?
00:51:08Porque eles estão ali dançando.
00:51:10Então, se chove, a gente tem que ter a preocupação.
00:51:12Eu falo sempre, olha, tenham dois calçados.
00:51:15Um calçado que você vai dançar e um antiderrapante por causa da chuva, né?
00:51:19Porque choveu, você tem que trocar seu calçado.
00:51:21É, gente.
00:51:21É para poder ter o equilíbrio, principalmente para quem dança.
00:51:25Como ela, rainha, mensalho, porta-bandeira, comissão de frente.
00:51:28Porque são quesitos que necessitam de movimentos.
00:51:31Não é melhor ela entrar logo com o antiderrapante?
00:51:34E se mudar o tempo, juro?
00:51:36Não, mas eu já entro com o antiderrapante.
00:51:38A minha sandália já...
00:51:39É, porque o antiderrapante, ele acaba meio que te travando, né?
00:51:42Porque a pista está seca.
00:51:44Então, ele é um calçado para uma pista molhada, né?
00:51:48Então, ele não é para aquele determinado momento.
00:51:51A pista é bem lisinha e a gente acaba sambando na pontinha do pé.
00:51:55Então, fica pouco solado ali.
00:51:57Talvez para o mestre Salle, para a porta-bandeira, que ficam com a...
00:52:09A escolha do enredo, foi fácil?
00:52:13Foi fácil de construir a...
00:52:16Era uma cena?
00:52:17Isso.
00:52:18Rapaz, na verdade, foi assim.
00:52:21Igual a que você perguntou, né?
00:52:22Ah, se o veredito final da escolha do enredo era...
00:52:25É aquilo que eu falei.
00:52:27Tudo vira enredo, mas nem tudo dá um bom carnaval.
00:52:31Então, o que a gente faz quanto artista carnavalesco?
00:52:33A gente propõe para a escola, olha, eu tenho essa ideia, né?
00:52:37Eu gostaria de construir esse sonho.
00:52:41Aí o presidente fala, ah, mas eu tenho uma empresa que quer patrocinar o carnaval falando do cimento.
00:52:49Ah, ela vai me dar dois milhões para eu falar do cimento.
00:52:53Ah, mas aí eu vou perguntar, o que esses dois milhões vai te fazer?
00:52:57O que você quer?
00:52:57Você quer os dois milhões ou você quer a estrela?
00:53:00Quer o troféu de campeão?
00:53:02Ele vai me dizer, ah, eu quero o troféu de campeão e os dois milhões.
00:53:05Não, vamos negociar, porque uma coisa não vai dar...
00:53:09Não é bem assim.
00:53:10É, né?
00:53:11E a gente vai estudar, vamos falar do cimento?
00:53:13Então, vamos falar do cimento.
00:53:14Se vai dar um bom carnaval, aí eu preciso pensar, estudar.
00:53:19Se eu vou te dar um bom resultado, aí vai ver outros cimentos.
00:53:22Entendi.
00:53:22Porque, às vezes, o dinheiro é bom.
00:53:24É bom, a gente consegue fazer o carnaval com muito dinheiro, com uma boa quantidade?
00:53:28Sim, mas nem sempre eu vou conseguir construir.
00:53:31O artista vai conseguir construir um grande espetáculo, que é a festa do carnaval, né?
00:53:36Então, e o cimento, então, é um produto que não dá carnaval, né?
00:53:39Mas o Homero Macena, não.
00:53:41O Homero Macena foi um grande artista, né?
00:53:44Um grande pintor, um aquarelista.
00:53:47E aí, assim, a gente tinha a ideia, na verdade, de fazer um outro enredo, que está guardado.
00:53:53Aí apareceu a proposta de fazer...
00:53:55Na verdade, eu apresentei dois enredos para o Robertinho.
00:53:57Eu falei, olha, nós temos esse que eu gostaria de fazer, mas, se caso a gente não fizer esse,
00:54:02o meu tempo, podemos fazer o Homero Macena, né?
00:54:06Porque ele era mineiro, mas residiu em Vila Velha, né?
00:54:10Adotou o Vila Velha e o Espírito Santo como a sua terra natal, né?
00:54:15Tanto que ele morreu dizendo, viver bem é viver em Paris ou viver na Prainha.
00:54:20Eu brinco dizer que ele vivia em Paris às margens do Sena,
00:54:23porque na Prainha, o mar da Prainha eram as margens do muro da casa dele.
00:54:28Então, acho que ele fez essa junção, essa brincadeira, um achismo da minha parte.
00:54:33Mas, então, apresentamos o Macena e a primeira pergunta que o Robertinho
00:54:37dizia, como é que você vai fazer o Homero Macena?
00:54:39Falei, precisamos estudar, né?
00:54:41Mas a gente, o Homero Macena foi um grande artista e ele tem mais de 10 mil obras, né?
00:54:47Vem algum ator caracterizado?
00:54:50Temos, temos.
00:54:51Pode abrir, não pode falar muita coisa, né, Roberto?
00:54:53Tem que ficar...
00:54:53Na verdade, o enredo da Muga tem quatro fases da vida do Macena.
00:54:58Na verdade, a gente fala da vida e da obra.
00:55:00A gente não queria um enredo altamente biográfico, né?
00:55:03Dizia, ah, o Homero Macena nasceu em Minas Gerais,
00:55:06foi a criança que pintou, que cresceu, que se apaixonou pelo lápis de cor
00:55:09e virou, estudou odontologia.
00:55:12Por isso, a formação acadêmica de Homero era odontologia, né?
00:55:18Porque era um desejo do pai.
00:55:20Antigamente, tinha essa coisa, né?
00:55:22O pai...
00:55:25Dentista, gerente de banco...
00:55:26Queria que o filho seguisse aquilo que o pai...
00:55:29Mas o pai do Homero Macena também não foi dentista.
00:55:31O pai do Homero Macena era um saltimbanco, era um artista.
00:55:34E aí, Macena veio muito criança, como todo mineiro,
00:55:39vem para o Espírito Santo, se apaixonou,
00:55:41cresceu a sua vida de férias escolares.
00:55:44Aos 15 anos, Macena vai para Paris, né?
00:55:49Em 1900.
00:55:50Ele é de 1885, né?
00:55:53Ele nasceu dia 4 de março de 1885.
00:55:56De 1885.
00:55:58Com 15 anos, Macena vai para Paris e começa a estudar,
00:56:02porque ele se apaixona pela arte, pela pintura.
00:56:05E, ao se apaixonar nessas idas e vindas de Paris,
00:56:11ele retorna a primeira vez no período da arte moderna, né?
00:56:16Em 1922.
00:56:18E aí, ele meio que se depara com...
00:56:20Porque lá ele aprendeu a técnica do impressionismo,
00:56:23porque foi o período que ele foi estudar,
00:56:25que é a técnica da pintura solar, né?
00:56:27A pintura do reflexo do sol.
00:56:29E o reflexo do ar europeu é diferente do Brasil, né?
00:56:35Lá é mais cinzento, por mais quente que seja,
00:56:38mas é frio, né?
00:56:40As cores não têm a beleza que tem no hemisfério sul,
00:56:43que tem no Brasil.
00:56:44Aí, Macena volta, então, ele volta meio que bem tropicalista, né?
00:56:49Bem devorador, antropofágico, aquela coisa assim.
00:56:52Devorou toda aquela cultura do europeu
00:56:55e veio para cá para pintar.
00:56:57Aí, começa a pintar com as técnicas de lá,
00:56:59mas com as cores mais matizadas do Brasil.
00:57:01É interessante que a casa dele virou um museu, né?
00:57:04Virou um museu.
00:57:05E o restaurador, a restauradora, né?
00:57:07Começaram a restaurar os quadros e tal
00:57:10e descobriram que na parede do banheiro, né?
00:57:13Da cozinha, começaram a descascar.
00:57:16Pô, ia achar um monte de trabalho dele lá em Rio Grande do Sul.
00:57:20De pintura, é.
00:57:21Três ou quatro camadas de pinturas da casa dele.
00:57:24Porque ele era...
00:57:25Porque aquela coisa, né?
00:57:26O Macena...
00:57:28O que era a técnica do impressionismo?
00:57:31Se ele chegasse aqui, agora ele pegava um cavalete,
00:57:34uma pedaça de papai, gostei desses coqueirinhos aí.
00:57:37Ele ia desenhar...
00:57:37Primeiro ele desenhava, para depois pintar.
00:57:40É diferente do artista plástico,
00:57:42que usa tinta plástica, né?
00:57:44A tinta acrílica.
00:57:45Ele vai lá, ele pega o pincel e começa, né?
00:57:49Ter lá as visões e vai pintando.
00:57:52E o Macena, não.
00:57:52Primeiro ele desenhava.
00:57:53Tanto que tem quadros, tem obras do Macena que você vê o rabisco do lápis ainda.
00:57:59Eu fui na casa do Galveias, lá na Barra do Jucu,
00:58:02que o Galveias é discípulo de Macena.
00:58:04Foi aluno de Macena.
00:58:06E Macena foi padrinho de casamento dele.
00:58:09E ele se sentiu, assim, muito deslongeado, homenageado,
00:58:13em saber que o padrinho, que o amigo, o professor, né?
00:58:17Está sendo homenageado.
00:58:17Ah, ele se merece desfilar.
00:58:20O Pamela Galveias, então eles são amigos, nós, a Barra do Jucu, né?
00:58:24E aí o Galveias me levou.
00:58:26Grande pintor também.
00:58:26Um quarto, onde é o museu, foi a casa quando o Galveias casou.
00:58:31E essa casa, hoje, é o museu.
00:58:33E o quarto do Galveias, né?
00:58:36Ele me levou para eu conhecer.
00:58:38Ele falou que hoje é o museu.
00:58:40Ele falou, está vendo essas borboletas?
00:58:42Foi Macena que pintou, que desenhou.
00:58:44E aí, no marco da porta, da entrada, tinham uns passarinhos.
00:58:49Ainda estavam no grafite.
00:58:50Aí ele falou, ele não terminou, porque foi aqui que ele começou a ter os primeiros sintomas
00:58:54e começou a passar mal para ir para o hospital.
00:58:57Então, assim, ele é um artista.
00:58:59Foi um artista que tem um legado gigantesco.
00:59:02Quer dizer, bastante assunto.
00:59:04Tem muito.
00:59:05E aí eles começaram a cavar e viu que dava bastante assunto para fazer o enredo.
00:59:09E por ele ter se tornado, se identificado com o Espírito Santo e apaixonado,
00:59:16se autotitulou capixaba, mineiro de alma capixaba,
00:59:22a gente resolveu fazer essa homenagem,
00:59:25porque a Mugui é uma escola de samba muito eclética para seus enredos.
00:59:29É diferente de algumas escolas que criam uma linha de enredo de temas únicos.
00:59:35Tem escolas de samba que constroem enredos só com as temáticas africanas.
00:59:40Então, se ela não fizer aquelas temáticas, parece que ela não acontece.
00:59:43E a Mugui não tem isso.
00:59:45Então, ficou legal. Sabe por quê?
00:59:47Porque vocês, quando fazem de município, não dá certo entrar nessa linha.
00:59:54Agora, como a cena, tudo indica que aqui vem coisa boa.
00:59:58Nós contamos uma história muito bonita de São Mateus também,
01:00:02uma história de Zassinho e a Garba.
01:00:03E a gente fala, a gente tem passagens por Vila Velha,
01:00:06porque uma cena pintou muito Vila Velha.
01:00:10Ele pintou coisas brasileiras, regionais,
01:00:14mas Vila Velha foi o marco.
01:00:17Ele escolheu Vila Velha para viver.
01:00:19Ele foi um artista que circulou o mundo inteiro,
01:00:23mas no seu retorno, na sua, digamos assim,
01:00:29na sua idade já, no período que ele adoeceu.
01:00:33Então, ele escolheu Vila Velha para viver seus últimos dias de vida,
01:00:37que foi no Parque da Prainha.
01:00:39E fundou a Escola de Bela Arte aqui.
01:00:41Fundou, é.
01:00:42Na época que o governador era o Jones do Santos Neves.
01:00:45Primeira Escola de Belas Artes.
01:00:46E o Jones do Santos Neves foi aluno de uma cena na Escola de Belas Artes.
01:00:52Ele foi um grande inspirador para muitos artistas.
01:00:56Ele só não teve essa vitrine em vida,
01:01:01como a Mug está proporcionando para o Carnaval de 2024,
01:01:05está construindo.
01:01:06Eu acho que vai ser um Carnaval que vai emocionar muitos artistas,
01:01:09muitas pessoas, por causa da história.
01:01:12Quem conhece a história de uma cena vai poder olhar
01:01:16e vai se encontrar ali.
01:01:18Entendi.
01:01:19E aí, Paulo.
01:01:20Legal.
01:01:21Legal demais.
01:01:22Gente, já deu para saber muita coisa, mais ou menos.
01:01:26E agora não abriram nada do que vem aí,
01:01:28de algum mistério, alguma coisa, comissão de frente.
01:01:31Isso é segredo.
01:01:32É segredo.
01:01:32É segredo mortal.
01:01:33É como a gente está abrindo agora.
01:01:34É segredo.
01:01:35Misteriosa.
01:01:36O que o público pode esperar,
01:01:38o público em geral pode esperar do desfile da Mug no dia 3 de fevereiro?
01:01:42Uma identidade única.
01:01:43Robertinho.
01:01:44Olha bem, a Mug, eu me auto-elogio nessa parte.
01:01:49A Mug é a escola mais esperada do Carnaval do Carnaval do Carnaval.
01:01:52É exuberante.
01:01:53Isso aí, me perdoem meus amigos que vão olhar lá.
01:01:56As co-irmãs, né?
01:01:57As co-irmãs, mas...
01:01:59A galera fica esperando.
01:02:01É, fica esperando.
01:02:02Então, nós criamos essa identidade de fazer grandes Carnaval.
01:02:07Em 1988, o nosso ponto-chave de sair de bloco e de escola parecendo bloco de Carnaval foi o Paulo
01:02:17Costa.
01:02:18Nós tínhamos um carnavalesco do Rio de Janeiro e ele começou a dar aquele estoque.
01:02:24Inclusive, na época, ele fez as árvores que mexiam, movimentavam.
01:02:31Criou árvores dentro dos carros alegóricos e ali dentro da casa iam gente mexendo as árvores, entendeu?
01:02:39Então, isso aí foi um ponto alto.
01:02:41Depois, nós trouxemos o Paulo Carioca.
01:02:45E ele falou, não, vamos fazer carros grandes.
01:02:49Mas e a condição para fazer isso?
01:02:51Ele falou, não, para mim é fácil.
01:02:53Pega tudo quanto é saco de lixo que vocês veem pela rua, desde que não seja...
01:02:58Utilizado?
01:02:59Não, com...
01:03:00Resíduo?
01:03:01Resíduo, resíduo.
01:03:02Com resíduo, não.
01:03:03Que seja de papel, de escritório, traz.
01:03:06Aí ele preparou os carros, botava com muitos sacos de lixo amarrados, cobria com murinho e fazia cola de trigo.
01:03:14E passava no murinho.
01:03:16Ficava perdendo para danar o carro, entendeu?
01:03:18Mas fazia.
01:03:19Os carros se tornaram grandes.
01:03:22Aí, depois do Paulo Carioca, surgiu o Peterson.
01:03:29Aí nós já começamos a fazer, vamos investir em trazer parentinhos?
01:03:34Trouxemos parentinhos.
01:03:36Foi o ponto mais chave de tudo também.
01:03:39Alegorias com movimento, cobras, boitatá, não sei mais o quê.
01:03:43Aquelas coisas, tudo que ele fazia, encantava o povo.
01:03:46Nós criamos, na época, uma vez, o Paulo, foi até o Paulo, voltando ao Paulo Carioca, ele criou uma pomba
01:03:52da paz com uma grua.
01:03:55Porra, rapaz, que legal.
01:03:56A pomba, ela girava lá no meio da arquibancada, assim, ela passava por cima e voltava, entendeu?
01:04:01Então, quer dizer, fizemos modernidade.
01:04:04Estamos ainda...
01:04:05As pessoas foram criando essa expectativa ao longo das apresentações.
01:04:09Então, o povo espera que a MUG vai ter alguma atração.
01:04:15Atualmente, falando do nosso personagem, elogiando eles, mas hoje nós temos um coreólogo premiado no Rio de Janeiro.
01:04:22Ele veio morar no Espírito Santo e se apaixonou pela MUG e está com nós lá.
01:04:28Que é o Marcelo Laje.
01:04:30Aquelas comissões de frente do Rio que perde a cabeça, que sai do corpo, que se tira a saia.
01:04:37Ele que fez aquilo tudo e ele está com nós aí.
01:04:40Então, já há três carnavales.
01:04:42Nós é o dirigente da comissão de frente.
01:04:44Time de milhões.
01:04:45Gente, aquela câmera ali, para vocês chamarem a galera, fica à vontade para convocar aí a turma boa para acompanhar
01:04:53vocês aí.
01:04:53Tem os ensaios, tem os encontros.
01:04:56Olha bem, eu queria chamar a atenção, inclusive, aproveitar que estou aqui na Rede Gazeta,
01:05:04pedir que elas anunciem nossos ensaios para a quadra,
01:05:08que saindo as manchetes, pedindo o apoio do povo, vai para lá.
01:05:13E está acontecendo o encontro das escolas de samba.
01:05:17A MUG recebe, é o nome da festa.
01:05:21Estamos recebendo agora, no próximo domingo, a Boa Vista.
01:05:25Já recebemos outras escolas.
01:05:28Daqui para lá, nós vamos receber também a Jucutuara,
01:05:31vamos receber a Novo Império, durante o mês de dezembro todo.
01:05:36Janeiro, já é aquele ensaio mais bombado,
01:05:39mas vai ter alguma escola também, que a gente chama do segundo grupo,
01:05:43para participar com a gente.
01:05:45Então, gente, fiquem à vontade, venham apoiar o Carnaval,
01:05:49toda a história que a gente puder contar.
01:05:51Vou até, não vou desfazer, vou confirmar.
01:05:56As nossas fantasias estão luxuosas, muito bonitas,
01:06:01porém...
01:06:03Estão brancas.
01:06:04Estão brancas.
01:06:06Estão brancas.
01:06:06Estão todas brancas.
01:06:07Entendeu?
01:06:09Então, o Fulhão, aquele que se interessar mesmo,
01:06:12ele vai chegar na quadra,
01:06:14veio procurar para comprar, ele vai ver.
01:06:16É fantasia.
01:06:17Legal.
01:06:17Laila, me fala uma coisa.
01:06:19Que responsa?
01:06:21Primeiro ano, à frente da bateria.
01:06:23Desculpando a idade, né?
01:06:24Caramba.
01:06:25Eu estou super ansiosa, a realização de um sonho,
01:06:29e eu fico mais honrada ainda de saber todo esse bastidor,
01:06:34de como é difícil para as escolas de samba arrecadar verba,
01:06:39e aqui deixar o meu agradecimento ao presidente,
01:06:42toda a comunidade que me escolheu como rainha,
01:06:45porque a escola não só deixou de ganhar, né?
01:06:48A gente sabe que cem mil reais é muito dinheiro,
01:06:51que faria diferença no carnaval,
01:06:53mas o meu presidente é íntegro, né?
01:06:56E eu tenho muito orgulho disso,
01:06:57de escolher uma rainha da comunidade,
01:07:00muito ansiosa, muito feliz.
01:07:03Legal.
01:07:04Beber muita água,
01:07:05muito carboidrato no dia,
01:07:07muito cardio,
01:07:08vamos sambar.
01:07:09E vai para cima.
01:07:10Eu vou que a escola toda está satisfeita com a sua rainha.
01:07:14Ah, legal.
01:07:15Até porque isso é o mais importante.
01:07:16É a competência, né?
01:07:18A próxima vez você traz o cavaco para a gente fazer aqui.
01:07:21Ela aprendeu direitinho a leitura das escolas de samba,
01:07:26apesar de que ela tenha dito que veio do Rio morar no Espírito Santo
01:07:30e nunca participou lá,
01:07:32mas aqui ela faz o trabalho de comunicação bem,
01:07:37é apadrinhada pelo coração da escola,
01:07:39a bateria toda ama ela.
01:07:41Então, quer dizer, já tem 50%, entendeu?
01:07:44Beleza.
01:07:45Peterson, e aí?
01:07:46Beleza?
01:07:47Vou deixar tudo beleza,
01:07:48mas vou deixar um recado agora para a galera da Glória.
01:07:52Todos que ali estão no entorno da Glória,
01:07:55da Mocidade Unida da Glória, né?
01:07:56Do Leão,
01:07:58que são apaixonados,
01:08:00que são torcedores.
01:08:02A partir de segunda-feira,
01:08:04vamos abrir o processo do voluntariado.
01:08:06Você que quer ser voluntário,
01:08:08quer ajudar, né?
01:08:09A construir as obras de Almeiro Macena,
01:08:12que é o carnaval, né?
01:08:13Na verdade, a gente pegou aí as obras de Almeiro Macena e carnavalizou,
01:08:17foi carnavalizado.
01:08:18Vocês estão convidados a participar com a gente lá da construção das fantasias,
01:08:23né?
01:08:24Ajudar a construir o carnaval e levar para a Avenida.
01:08:27Então, a partir de segunda-feira,
01:08:28sinta-se à vontade,
01:08:29a casa é nossa,
01:08:30vocês são meus convidados
01:08:31a levar a tesoura
01:08:32e vão participar lá com a gente
01:08:34desse grande mutirão para fazer o carnaval.
01:08:36Legal.
01:08:36O que eu posso dizer para você,
01:08:39galera,
01:08:39olha,
01:08:40participem, né?
01:08:41Ajudem a escola
01:08:42porque isso engrandece todo mundo.
01:08:44E eu desejo a vocês
01:08:45toda a sorte do mundo
01:08:46que vocês façam um desfile
01:08:48irretocável
01:08:48e conquistem
01:08:50o campeonato mais uma vez.
01:08:52Tá bom?
01:08:53Tá certo.
01:08:53Obrigado pela presença.
01:08:55E, por favor, vá nos fazer uma visita.
01:08:57Vamos lá.
01:08:57Vamos revelar só um segredo.
01:08:59Opa!
01:08:59Olha!
01:09:00Olha aí, olha aí.
01:09:01A história do porquê do branco, né?
01:09:04Na verdade, nós construímos...
01:09:06Eu não quis perguntar.
01:09:07Não, porque, na verdade, assim,
01:09:08nós construímos, foram construídos 86 estampas
01:09:13das obras de Almero Macena
01:09:15para a gente poder contar, né?
01:09:18A vida e a obra de Macena.
01:09:20Então, na verdade,
01:09:21esse é um dos segredos do carnaval.
01:09:23Então, são tecidos únicos, né?
01:09:25Não são tecidos comprados
01:09:27em lojas específicas de carnaval, né?
01:09:31Fabricado especialmente.
01:09:32A gente tem um artista,
01:09:33tem um designer, né?
01:09:35Gráfico que fez,
01:09:36que é o Alexandre Aguiar,
01:09:38ele que executou para mim
01:09:39todas essas obras, né?
01:09:41A Silmer, que está sublimando
01:09:43todos os nossos tecidos, né?
01:09:45Então, são artistas da terra, né?
01:09:48A gente não trouxe,
01:09:49não comprou nada fora.
01:09:50Então, a gente está valorizando também
01:09:52esse mercado, né?
01:09:54Abrindo portas para esse tipo de trabalho
01:09:57para chegar no carnaval, né?
01:09:58Que é a sublimação.
01:09:59Eu comecei usando o ano passado
01:10:01em uma pequena parte do desfile,
01:10:03porque eu senti dificuldade
01:10:04de encontrar materiais
01:10:06para a construção do carnaval de Colatina.
01:10:08Aí eu comecei com a sublimação.
01:10:10E aí, agora,
01:10:11esse ano,
01:10:12a gente resolveu fazer
01:10:12100% a Mug toda sublimada,
01:10:15que é, na verdade,
01:10:17as obras de Homero Macena.
01:10:18Deixa eu ver se eu entendi.
01:10:19Então, o branco é o tecido
01:10:20que vocês estão sublimando.
01:10:22Você falou do branco, branco...
01:10:23É, o branco.
01:10:24Agora, o que vem no branco...
01:10:25São as estampas.
01:10:26O branco é isso aí
01:10:27e vai entrar o sublimado.
01:10:28Vai entrar as estampas.
01:10:29É, o que vem no branco é o que vem no branco.
01:10:30Eu queria, para fechar a minha parte,
01:10:33desejar sorte
01:10:34a todas as escolas de samba.
01:10:37Eu, como conhecedor
01:10:40das dificuldades
01:10:41de um dos batalhadores pelo carnaval,
01:10:44também estamos à disposição
01:10:46de toda a irmandade,
01:10:47a todas com a irmã,
01:10:48e vamos, sim,
01:10:50realizar um grande carnaval,
01:10:52prestigiar esse grande presidente,
01:10:54Edson Neto,
01:10:55que tem corrido atrás bastante.
01:10:58As escolas de samba
01:10:59nunca receberam
01:11:01verba igual
01:11:03nessa gestão dele.
01:11:05Estou esperando ele aqui.
01:11:06Parabéns, Neto.
01:11:07Ele é muito empolgado.
01:11:09Eu tenho até medo
01:11:09desse garoto dar um negócio,
01:11:11porque ele corre tanto atrás
01:11:13que ele se empolga tanto
01:11:15que ele se arrepia.
01:11:16Entendeu?
01:11:17Mas cuida da saúde, meu garoto.
01:11:18Estamos juntos.
01:11:19Gente, obrigado.
01:11:20Obrigada.
01:11:20Valeu.
01:11:21Falou.
01:11:24Uh-huh.
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