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  • há 9 horas

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Esportes
Transcrição
00:00A Copa do Mundo acaba de nos dar uma lição, uma aula magna em Harvard,
00:04sobre como a parte coletiva não é inimiga da individual.
00:08O plano tático não é opositor do talento individual.
00:12No Brasil a gente tem um pouco esse debate, como se a parte coletiva fosse a inteligência
00:16e o lado individual fosse a percepção, a intuição, algo menor.
00:20Inclusive, às vezes, tendo que se submeter e quase se castrar em função de um plano coletivo.
00:24Quando tende a haver uma simbiose, é assim que se faz futebol.
00:27Eu lembro do Guardiola, quando chega no Bayern de Munique, ele pede a contratação do Douglas Costa,
00:31não o do Grêmio, o acabado, o cara que era o diferente.
00:34Parecia uma contradição, porque ele é contratado por um Bayern para fazer um time coletivo,
00:39a equipe como força máxima.
00:41Aí ele diz, mas por que eu vou prescindir do talento?
00:43A parte tática, ela existe para dar ao talento a chance de decidir.
00:47Então, poste bola radical, muita troca de passos, mobilidade, busca de espaço para a bola chegar
00:52no diferente, no mano a mano, e ele decidir.
00:54Por isso a Espanha não ganhou de Cabo Verde.
00:56E a Mal entrou no finzinho do jogo, ali uma parte do segundo tempo, porque está voltando
01:01de lesão, fora de ritmo, ele não conseguiu ser esse cara diferente.
01:05Ficou a Espanha organizadíssima, e é mesmo muito organizada, deveria ter ganhado mesmo
01:08assim, eu sei.
01:09Mas se tem o craque ali, em um momento ele dribla um, dois, e as coisas se resolvem.
01:13A bola chega no mano a mano, e aí ele pode resolver.
01:15Time grande nenhum, seleção nenhuma, numa Copa do Mundo, prescinde do talento do craque.
01:20E é legal a gente aprender isso.
01:22Está aí a aula que a Copa do Mundo nos deu.
01:24Não precisamos brigar o plano tático coletivo com a individualidade.
01:28Não podemos.
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