00:01Música
00:21O verão é uma ótima oportunidade para tirar a poeira da bicicleta e aproveitar a cidade.
00:26Vitória, onde estamos agora, conta com uma das maiores malhas cicloviárias do estado.
00:32São 63 quilômetros de ciclovia.
00:34O meu convite é que você me acompanhe nesse passeio.
00:37Eu e o fotógrafo Fernando Madeira vamos passar pelos principais pontos da cidade,
00:42claro, conhecendo a história do município, mas entendendo como era o território da capital antes dos aterros.
00:48Posso contar com você nesse rolê?
00:51O nosso ponto de partida é a chácara Von Schilgen, construída em 1901, há mais de 100 anos.
00:59É um dos pontos de referência mais antigos da Praia do Canto.
01:05Música
01:07Esse é um dos últimos aterros realizados em Vitória, o aterro da Conduza, da década de 1970.
01:13Essa área conhecida como Praça dos Namorados, também com Ciada do Suá, era mar.
01:20Até a área que eu estou em cima da bicicleta era água.
01:29Música
01:29Música
01:30Seguindo o traçado original da ilha, passamos pela Avenida Nossa Senhora dos Navegantes,
01:35por dentro do bairro Santa Helena, pegando a Avenida Saturnino de Brito, perto do McDonald's.
01:41Música
01:44Nessa parte você percebe que eu e o fotógrafo Fernando Madeira estamos compartilhando
01:49e muitas vezes até disputando o espaço com os motoristas.
01:53A gente segue no mesmo sentido dos veículos, obedece a ordem de parada dos semáforos
01:59e tenta se espremer o espaço que sobra.
02:01Às vezes dá medo, viu?
02:03Principalmente quando passa um carro maior ou até mesmo um ônibus.
02:08Música
02:16A nossa segunda parada é no Hospital do Suá, ou Hospital São Pedro, que hoje conhecemos como PA da Praia
02:24do Suá.
02:25Esse foi um presente do presidente Juscelino Kubitschek para a colônia de pescadores, lá em 1955.
02:32Note que lá em cima tem a estátua de São Pedro, que é o padroeiro dos pescadores.
02:38Ele está com uma rede de pesca nas costas.
02:40Toda essa área que a gente está agora era água até 1970.
02:43A ideia é que justamente a brisa do mar ajudasse os doentes, principalmente aqueles que tinham tuberculose,
02:50que era a principal doença da época.
02:55Música
02:56Saindo da Praia do Suá, pegamos um pedaço da Leitão da Silva, depois a Avenida César e Lau.
03:03O nosso próximo destino é a antiga fábrica de Jutas, lá em Jucutuquara.
03:14Jutas são aqueles sacos utilizados para armazenar café.
03:17Esse desvio todo é para contornar o mangue que havia até a década de 1950,
03:23entre os bairros Bento Ferreira, Monte Belo e Ilha de Santa Maria, que hoje já não é mais ilha.
03:29Essas áreas foram aterradas no início do século XX.
03:33A fábrica de Jutas ficava aqui, às margens do rio Jucutuquara.
03:37Aterrado entre as décadas de 50 e 70.
03:41As barcas com a produção da fábrica desciam o rio por entre o mangue até o porto de Vitória,
03:47lá no centro, para onde vamos agora.
03:51Música
03:52O nosso trajeto agora passa pelo Forte São João.
03:56O objetivo é alcançar a Rua da Alfândega, a mais antiga da cidade,
04:00que hoje conhecemos como Jerônimo Monteiro.
04:04Andar de bike pela capital é uma aula de história.
04:07Mas, como bom capixaba, eu nem poderia deixar de admirar essa linda vista do Forte São João para o porto
04:13de Vitória.
04:14Sente só essa beleza e o tamanho desses navios.
04:18A gente renova o protetor solar, se hidrata e segue viagem.
04:23Música
04:23Agora eu desci da bike e peço que você repare nesta linha aqui.
04:28Essa linha, com essa cor escolhida e exatamente nesse lugar,
04:31tem tudo a ver com o trajeto que a gente está fazendo hoje.
04:34A linha azul é uma intervenção artística feita em 2010.
04:38O artista plástico Piatan Lube retratou o curso da água em Vitória, justamente antes dos aterros.
04:45A água chegava até a Praça Costa Pereira, que também era um aterro sanitário, até 1860.
04:53Passamos agora pela Rua Nestor Gomes e pelo Palácio Anchieta.
04:57Depois de chegar ao Palácio Anchieta, a gente segue para o Parque Moscoso, que é considerado o pai dos aterros.
05:04Há quase 200 anos, em 1830, aqui era um manguezal.
05:09Esse era o local em que as casas mais antigas da cidade jogavam o esgoto.
05:14Para lidar com o mau cheiro, tudo foi aterrado.
05:16Em 1905, com o projeto de modernizar a cidade, o parque foi construído.
05:25A gente segue agora em direção à Ponte Seca, que até a década de 1970 ligava a Ilha do Príncipe
05:32à Ilha de Vitória.
05:34Esse novo caminho se estende daqui, passa pelo Tancredão, pelo Sambão do Povo e termina lá em Santo Antônio, onde
05:42era o antigo Cais do Hidroavião.
05:44A próxima parada é São Pedro, que levou durante os anos 80 e 90 a fama de ser um dos
05:50lugares mais pobres do estado, principalmente depois do documentário Lugar de Toda a Pobreza.
05:58Até lá, a gente precisa pedalar um bom caminho, inclusive com algumas subidas.
06:03Só de pensar, eu já fiquei cansado de novo.
06:06Antes da década de 80, toda essa região, nos bairros de Yanguetá e Grande Vitória, era formada por manguezal, aterros
06:14clandestinos, muito lixo, pinguelas e casas de palafitas.
06:19E finalmente chegamos à Ilha das Caieiras, a nossa última parada.
06:23Apesar do nome, também não é mais ilha.
06:26Hoje, ela é um ponto tradicional da cultura marisqueira e tem como carro-chefe uma das melhores muquecas do Espírito
06:33Santo.
06:34Você já deve ter experimentado, né?
06:36Da Praia do Canto à Ilha das Caieiras foram 15 quilômetros de bicicleta, conhecendo a antiga ilha sem os aterros.
06:44E você, consegue encarar?
06:47Espero que tenha gostado, viu?
06:49Até a próxima!
06:53Tchau!
06:54Tchau!