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  • há 2 meses
Rafael Braz, colunista de A Gazeta, fala sobre filmes e séries aqui no Em Cartaz desta semana.

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Transcrição
00:00Fala galera, bem-vindos a mais um Encartage, nosso palco pra falar de cinema, aqui é a Gazeta e hoje
00:04tem Blonde, filme que é a biografia da Marilyn Monroe, estreou na Netflix na última semana
00:09Botei as aspas da biografia porque é uma biografia ficcionalizada, tá? O filme ele é baseado num livro que também
00:15é uma biografia totalmente ficcionalizada
00:18Ele pega alguns fatos marcantes, lançamentos de filmes, casamentos, relações da Marilyn Monroe, da Norma Jean, que é o nome
00:24real dela
00:24Ele recheia, ele bota um recheio, bota os acontecimentos que não tem comprovação nenhuma, algumas coisas que se sustentam em
00:31boatos, enfim
00:32É uma ficção, o filme avisa isso, mas é bom avisar novamente que as pessoas podem consumi-lo como uma
00:36cinebiografia convencional
00:37E o filme não é convencional, o diretor, o Andrew Dominic, é um cara que não gosta de uma narrativa
00:42linear
00:42Ele é o diretor do assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford
00:46Ainda bem que não fiz título dessa matéria na época desse filme, enorme o título
00:50E do Homem da Mafia, com Brad Pitt, que é muito interessante também
00:53Ele opta por uma narrativa meio... parece um sonho
00:56A gente conhece a Norma Jean criança, questões familiares, ela não conhece o pai dela
01:00A mãe dela mostra uma foto de quem seria o pai dela, ela cria várias histórias na cabeça a respeito
01:04daquilo
01:05A mãe dela tem problemas de saúde mental
01:06E de repente o filme dá um salto, a gente conhece a Norma Jean já vivida pela Ana de Armas
01:11Belíssima, Ana de Armas, muito bem no papel
01:13Entrando na indústria, a indústria é super selvagem, super machista
01:17Ela é abusada pra entrar, pra conseguir o papel, a mulher é linda
01:20Então o filme mostra isso nem sempre, nem nada sutil
01:25Não é sutil, não é delicadeza
01:27As cenas de violência tem mais de uma
01:29Que eu acho que são bem delicadas de defender de alguma forma
01:33Foca muito o rosto dela pra mostrar a dor da Norma Jean naquela situação
01:37E são, acho que talvez os pontos mais fracos do filme
01:40Mas o filme também trata o sexo de uma outra forma que é interessante
01:43A Norma Jean se entrega em um relacionamento feliz, um relacionamento menos tóxico
01:48Ela é filmada com mais alegria, o rosto dela já mostra prazer
01:52Tu tem alguns detalhes no filme
01:54Ele tem toda essa pegada de sonho, a dimensão de tela varia
01:57Vai pro right screen e encolhe, estreita e fica mais vertical
02:01É preto e branco, é colorido, tem um filtro diferente, é rosa
02:04No começo a gente tenta entender a situação de cada aspecto, de cada cor em cada cena
02:09Ainda mais de repente você desiste porque é uma confusão danada
02:11E também é um outro ponto fraco do filme
02:13Porque a gente não entende o que o diretor tá querendo passar
02:15E eu acho que quem falar que entende tá mentindo, tá?
02:18Porque é confuso pra caramba
02:20A gente cria teorias, tal, mas essas teorias vão por água abaixo também
02:23Apesar de ter quase três horas, a atuação de arma segura o filme
02:26Ela não torna ele chato
02:28Sempre tem coisa acontecendo, o que também chega a ser um problema
02:31Porque tal, mesmo sendo a biografia de mentira
02:33Biografia ficcionalizada, mas melhor falar assim
02:36Ela é uma biografia, então é sempre, todos os acontecimentos são muito importantes
02:40Então o filme passeia, vai de um lado pro outro
02:42Dá uns saltos temporais gigantes, só que é tudo em fatos marcantes
02:45Então tem muito pouco de vida normal
02:47A gente não conhece a Norma Jean que é a personagem
02:50É quem tá em conflito
02:51O filme é sobre o conflito da Norma Jean com a Marilyn Monroe
02:54Que é uma figura criada pela indústria do cinema
02:56Pra ser um pedaço de carne, um boneco sexual
02:59Uma boneca sexual no caso
03:01É uma mulher que vendia, era vendida como um ícone feminino na época
03:06Mas não tinha vontades próprias
03:08Ela não podia decidir o futuro dela
03:09Ela era jogada de um lado pro outro, controlada pelos homens
03:13E é quase...
03:14O filme só tem praticamente a Ana de armas e atores homens
03:17Então o filme pega os maridos dela
03:19Não dá nome pros maridos dela
03:20Mas os personagens são o Joey Di Maggio
03:22Que era um ex-joador de baseball famosíssimo
03:25O Arthur Miller, o autor Arthur Miller
03:27Também transforma em realidade os boatos do relacionamento dela
03:30Com o Charles Chaplin Jr. e o presidente John Kennedy dos Estados Unidos
03:34Todos os homens são escrotos de alguma forma com ela
03:36Em algum momento
03:36E não respeitam as vontades dela
03:39E mesmo assim o filme ainda tem uns momentos interessantes
03:41Só que tem uma parada, tem um arco do filme
03:43Um momento que começa a tratar de uma de gestações dela
03:46Eu descobri que o proálogo de gravidez é gravidez
03:48E resolvi usar as gestações nesse dia
03:50E de repente tem uma imagem de um feto falando
03:54Conversando, começam os diálogos
03:56É um negócio meio constrangedor, cara
03:57Que é difícil defender essa escolha do filme
04:03Ela poderia só conversar
04:04Não seria legal, mas ela poderia conversar
04:06Tem uma imagem ali
04:06Eu entendo que talvez o filme busque o incômodo
04:09Mas incomoda demais
04:10Há outras formas de causar o incômodo
04:12Com uma situação como as gestações da Norma Jean
04:15E no final eu fiquei confuso
04:16Eu comecei gostando do filme
04:17Achei interessantes as escolhas estéticas
04:19Mas o final foi me incomodando
04:21E talvez o Andrew Dominic fale que é isso mesmo que ele queria
04:24Com o filme
04:25Mas não me bateu da forma que ele queria que batesse
04:28Tem escolhas interessantes
04:30Ela de armas tá ótima no filme
04:31Mas ele parece se perder
04:33Ele parece ao fim que a gente tá vendo um filme
04:35Que a Norma Jean não gostaria de estar vendo sobre ela mesmo
04:39Parece que ao fim o filme mostra ela realmente como um pedaço de carne
04:42Como uma boneca sexual pra homem, sabe?
04:45E ignora algumas coisas muito importantes da carreira dela
04:48Como ela deu espaço pra ela Fitzgerald
04:50De uma época que ela lutou pela ela Fitzgerald
04:52De uma época que cantoras negras não tinham espaço
04:54Em grandes eventos, em grandes shows
04:56No mainstream, em uma própria agência pra controlar a própria carreira
04:59Pra conseguir negociar salários melhores
05:01Então tem toda uma questão
05:02Que todas as questões que poderiam ser tratadas pelo filme
05:05E o filme não o faz
05:06Preferindo contar o quê?
05:08A dor, o trauma
05:09É uma experiência até quase similar a do Dumber
05:12Saiu da Netflix também
05:13Que transforma a dor num trauma
05:14Então num espetáculo, né?
05:16E aqui ele meio que sexualiza
05:17Mesmo que a nudez da Nadia Armas não seja tão erótica
05:20Na maior parte do filme
05:21Seja uma coisa mais de fragilidade
05:22Eu acho que o filme se perde um pouco nessa linha
05:25E acaba se perdendo pelo caminho
05:26Ele cuda um...
05:27Enfim, assistam o que muita gente vai falar sobre
05:29Ficou grandaço esse vídeo
05:30Peço perdão à Pai da que vai editar esse vídeo
05:32Que vê você que está nos acompanhando
05:33Mas é isso
05:34Nós voltamos com mais em cartaz aqui em A Gazeta
05:37Valeu
05:37Tchau
05:39Tchau
05:40Tchau
05:41Tchau
05:43Tchau
05:45Tchau
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