00:00As missões viviam um apogeu civilizatório em 1750,
00:04com expansão das artes, das ciências e da economia.
00:07Até que Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri,
00:12trocando a colônia de sacramento, no Uruguai, pelos sete povos das missões.
00:17Os guaranis não aceitaram entregar o próprio território e se rebelaram.
00:22Começou então a Guerra Guaranítica.
00:32O que vai acontecer com o Tratado de Madri é que vai tensionar politicamente
00:36esta relação entre indígenas e os jesuítas.
00:40Há um abalo desta aliança, um rompimento do pacto político que manteve essas reduções operantes,
00:45no qual parte das lideranças indígenas vão utilizar exatamente a escrita
00:50para manifestar sua oposição a um tratado que eles não foram consultados
00:54e que principalmente entregava sete reduções exatamente para os inimigos históricos.
01:03Liderando os sete povos das missões,
01:06Sepetiraju infligiu importantes danos aos invasores europeus,
01:10atacando ora em Santa Tecla, na região de Bagé, ora em Rio Pardo,
01:16até que uma grande enchente impôs uma trégua na Guerra Guaranítica.
01:20Os exércitos europeus tiveram dois anos para se reagruparem e organizarem o contra-ataque.
01:26Mas em 7 de fevereiro de 1756, Sepetiraju tentou armar uma emboscada para os europeus,
01:34atraindo um comando militar até um capão de mato, na Sanga do Bica, em São Gabriel.
01:39Mas na fuga, o cavalo de Sepet pisou num buraco e ele foi ao chão.
01:44Acabou transpassado por uma lança portuguesa,
01:46até que recebeu um tiro fatal do governador de Montevideo, José Joaquim Viano.
01:53Eu acho que a figura do Sepetiraju tem que ser analisada no seu devido contexto.
01:57De alguém que sabe negociar,
01:58alguém também que dominava um pouco do idioma espanhol,
02:01que faz dele um negociador.
02:03Ou seja, ele não é um líder que foi ungido pelos jesuítas,
02:06ele se faz no conflito, pelas suas qualidades.
02:09Qualidades que eram muito valorizadas pela própria sociedade Guarani.
02:12A própria questão da guerra, da liderança em campo de batalha.
02:16O Sepet, o importante dele, é o seguinte,
02:18é um cara que nesses três anos,
02:20que a gente tem notícia dele só de três anos,
02:2153 até a sua morte,
02:23que ele consegue ser uma autoridade legítima
02:26perante os seus próprios companheiros.
02:31Três dias após a morte de Sepetiraju,
02:34a 10 de fevereiro de 1756,
02:37ocorreu a batalha final.
02:39Aqui, nos campos do Caiboaté,
02:41a 30 quilômetros do que hoje é o centro de São Gabriel.
02:45De um lado, 1.700 indígenas,
02:48entrecheirados no alto de uma costilha.
02:50Do outro, mais de 4.000 soldados europeus.
02:54200 canhões de artilharia ao centro.
02:56A cavalaria espanhola à direita,
02:58a portuguesa à esquerda,
03:00e atrás, a infantaria.
03:02Por duas horas,
03:03soaram timbales, pífanos e caixas,
03:06numa sinfonia do massacre que estava por vir.
03:08A batalha durou pouco mais de uma hora.
03:11Mais de 1.500 indígenas
03:13foram sepultados nas próprias trincheiras.
03:15Pouco mais de 150 acabaram aprisionados.
03:18Num mortistínio jamais visto antes,
03:21encerrava-se assim,
03:23com o pampa ensopado de sangue,
03:26a utopia missioneira
03:27nos confins do Rio Grande do Sul.
03:37Em junho de 2024,
03:40uma microexplosão durante uma tempestade
03:42arruinou o Museu Arqueológico de São Luís Gonzaga.
03:45Desde então,
03:47boa parte do acervo,
03:48com mais de 5.000 peças do período jesuíta,
03:51ainda está aqui dentro,
03:52entre paredes cobertas de mofo e limo.
03:59Tchau.
03:59Tchau.
04:00Tchau.
04:00Tchau.
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