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  • há 10 horas
Hospital das Mulas do Tráfico: como é unidade que possui ala exclusiva para atender esses pacientes?

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Transcrição
00:05Esse perfil de paciente, que todos que chegam aqui para nós, estão buscando algum atendimento,
00:10são pacientes. Eles dão a entrada via pronto-socorro, provenientes do aeroporto internacional de
00:18Guarulhos, como nós estamos próximos aqui, o aeroporto internacional, inclusive somos,
00:23o estatoral de Guarulhos é referência para o aeroporto, para casas mais graves, que necessitem
00:29de um atendimento hospitalar. Esses pacientes chegam acompanhados, escoltados pela Polícia Federal,
00:37até porque quando são apreendidos no aeroporto, com suspeitas de estarem, terem ingerido cápsulas
00:44com drogas, com torpecentes, eles são trazidos pela Polícia Federal, escoltados aqui, primeiro
00:50para confirmar a presença dessas cápsulas. Nós fazemos um exame de imagem, uma tomografia
00:56computadorizada. Nesse sistema da imagem da tomografia existe um software, você consegue
01:03trabalhar a imagem, você subtrai os músculos, os óculos e fica somente a imagem do esqueleto
01:12e a cápsula C, esse paciente ingeriu, o cápsula que geralmente o invólucro dessas
01:18cápsulas, ele é rádio opaco, então ele aparece na imagem de tomografia. E isso permite
01:24você contar quantas cápsulas foram ingeridas, inclusive até medir, o próprio aparelho permite
01:31que você medir o tamanho dessas cápsulas. O estado clínico geral desses pacientes é um
01:39estado geral bom, você veja, inclusive, eles foram apreendidos em um aeroporto prestes
01:43a embarcar, né? Estão indo em trânsito ou indo ou voltando, né? Na maioria das vezes
01:49as crianças são apreendidas pela polícia antes do embarque. Então, são pessoas que
01:54estão saudáveis, fingidas, a maioria deles são jovens, uma faixa etária mais jovem.
02:02O número desse atendimento, ele não é tão impactante dentro do volume geral do hospital.
02:08Nós temos uma média, uma média de 1.500, 1.600 internações mês e o número de
02:16pacientes atendidos com esse diagnóstico corresponde a 1%.
02:21Para nós, é caracterizado em gestão de corpo estranho. Aí tem outro perfil de
02:26pacientes em gestão de corpo estranho. Então, por exemplo, a população pediátrica.
02:30A criança que engole moeda, ou tampa de caneta, ou pilha, né? O idoso, às vezes,
02:37que acaba engolindo uma própria estentáquia. Então, nós reservamos uma área mais isolada
02:43no pronto-socorro com que esses pacientes fiquem ali naquela sala, que tem um banheiro ao lado.
02:50A escola, até porque a presença da escola também fica na porta, né?
02:56E, naturalmente, é uma escola armada, eles não utilizam arma.
03:00E até para que a presença da escola não seja um fator que possa assustar,
03:07incomodar os demais pacientes que estão sendo atendidos.
03:11Então, o que nós fizemos é deixar esses pacientes com esse perfil de escola
03:17numa área mais reservada do pronto-socorro,
03:20para que não seja aquela área que tenha um contato muito próximo com os demais
03:25pacientes que estão em atendimento e familiares dos pacientes que estão também em atendimento.
03:33O que nós fazemos aqui, essas pessoas tomam medicamentos que são laxativos
03:39para estimular realmente uma diarreia.
03:42E, uma vez eliminadas todas essas cátuas com segurança,
03:47é comprovado, quer dizer, como ele disse, você consegue contar as cátuas.
03:52Essas cátuas eliminadas, elas também são contadas, né?
03:56E, depois disso, essas cátuas ficam, são entregues para a Polícia Federal,
04:01que está escoltando esse paciente, que, inclusive, a análise,
04:05depois, pela Polícia Científica, daquele conteúdo, né?
04:08É que vai determinar, realmente, a origem daquele produto.
04:12Uma vez essas cátuas sendo totalmente eliminadas, a gente faz uma nova tomografia,
04:18provisando a antena, você compara as duas imagens de entrada e de saída,
04:23confirmando que não existe mais nenhuma cátula.
04:26E, do nosso ponto de vista hospitalar, essas pessoas obtêm alta.
04:30Como eles estão sob escolta da Polícia Federal, eles saem do hospital sob escolta da Polícia.
04:37Do hospital para fora, nós não sabemos mais.
04:40O destino aí é com relação a essas pessoas sob custódia da Polícia Federal.
04:45Eu me lembro somente de um caso, nos últimos anos,
04:50de uma pessoa que teve de ser operada, que era uma cápsula de um tamanho maior,
04:55e aquilo ficou presa no estômago, não saía,
04:58foi tentado retirar por endoscopia.
05:02Também, aí, havia o risco de, pela apreensão pela endoscopia,
05:07aquela cápsula se romper e uma paciente realmente teve de ser operada para tirar a via cirúrgica.
05:14Agora, isso foi um caso que eu me lembro dos últimos,
05:18desde que eu estou aqui há dez anos, doze anos.
05:21Eu não lembro, às vezes, isso é eliminado naturalmente.
05:24A pessoa ingeriu pela boca e vai evacuar depois.
05:28O que acaba nos chocando, eu acho que é mais a questão social.
05:34Você vê, às vezes, como ele disse, a maioria são pessoas jovens
05:38e que você vê que está ali naquela situação de detidos, sob escolta.
05:43Poxa, por que que se aventuraram a praticar um ato desse, né?
05:48Então, ele disse que o desafio é mais sob o ponto de vista social.
05:53Poxa, por que que você deveria não buscar um outro caminho
05:56para a própria vida e para a própria sociedade, né?
05:59Enfim, eu acredito que talvez a grande maioria nem saiba o risco que estava ocorrendo.
06:06Só no risco de uma possível ruptura daquela cápsula ali e eles não verem.
06:11Eu acho que aquela situação de uma oferta, de uma remuneração rápida e ilícita,
06:20talvez é o que atrai esse perfil de pessoas,
06:24mas, certamente, eu imagino que eles não saibam o risco em termos de saúde,
06:29com o risco de morte que eles estão correndo.
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