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  • há 14 horas
A oficial de chancelaria Flávia Medeiros foi exonerada do Ministério das Relações Exteriores na última sexta-feira (22/5), após decisão em segunda instância do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspender os efeitos de sua posse. Em relato publicado nas redes sociais nesta semana, ela descreveu o momento como um dos mais difíceis de sua vida. "Estou tentando assimilar ainda essa informação de que não sou mais servidora, de que não estou mais integrada ao quadro", disse.

A exoneração ocorre menos de dois meses depois de Flávia ter tomado posse no cargo, em abril de 2026, desfecho de uma batalha judicial iniciada em 2024, quando a banca de heteroidentificação do Cebraspe rejeitou sua autodeclaração como parda no concurso de 2023. À época, a banca concluiu que ela apresentava "pele clara, traços finos e cabelos lisos", características consideradas incompatíveis com as vagas reservadas a candidatos negros e pardos.

"Eu não podia conceber que uma banca de heteroidentificação, supostamente qualificada, tinha olhado para mim e enxergado uma mulher branca", afirmou Flávia em seu relato. "Meu cabelo é cacheado, minha pele não é clara. Eu tenho as características típicas de uma pessoa parda. A vida inteira me entendi como uma pessoa parda."

➡️ Acesse o site do Correio para ler a reportagem completa
🎥 Reprodução/Instagram/flaviahgmedeiros

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Transcrição
00:00Eu fui exonerada do cargo de oficial de chancelaria do Itamaraty
00:03menos de dois meses depois de tomar posse,
00:06porque a banca de heterodentificação me considerou uma pessoa de pele clara,
00:11cabelos lisos e traços finos.
00:13Em 2023, eu fiz o concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty
00:17depois de anos de estudo, formação acadêmica e estudos específicos para a prova,
00:23uma prova super concorrida, que requer idiomas, conhecimentos específicos.
00:28E depois de passar por todo esse processo, em 2024,
00:31ao passar pela banca de heterodentificação, eu fui considerada uma pessoa branca.
00:36Depois de receber essa notícia estarrecedora, eu entrei com o processo judicial
00:41porque eu não podia conceber que uma banca de heterodentificação supostamente qualificada
00:46tinha olhado para mim e tinha enxergado uma mulher branca.
00:50Então, naquele momento, eu não tinha nenhuma expectativa de nomeação e posse,
00:54mas eu sabia que eu precisava tomar uma atitude
00:56para poder ter a minha identidade reafirmada, confirmada
01:01e que algo fosse feito em relação a isso
01:05porque, de fato, era completamente em desacordo com a realidade.
01:10Hoje tem sido um dia muito difícil para mim
01:12porque eu estou tentando assimilar ainda essa informação
01:15de que eu não sou mais servidora,
01:17de que eu não estou mais integrada ao quadro
01:19e que eu não tenho mais o direito de trabalhar como oficial de chancelaria
01:24porque, até então, eu seguia uma rotina normal de trabalho,
01:30eu estava lutada numa divisão que eu gostava muito
01:33com os meus colegas de trabalho, completamente integrada
01:37e, enfim, estar nessa situação de não poder exercer o cargo
01:42é muito frustrante.
01:43Então, eu estou trazendo aqui para vocês essa situação
01:45porque é revoltante como, mesmo com todas as provas,
01:51mesmo com todos os argumentos,
01:54mesmo eu já tendo tomado posse,
01:57mesmo eu já estando exercendo a função,
02:00ainda assim, é possível que injustiças continuem acontecendo,
02:05foi possível que isso aconteça, absurdos acontecem.
02:07E eu estou abrindo aqui o meu coração
02:10para poder falar para vocês o que está acontecendo comigo,
02:14para dar a minha visão
02:15e para abrir o jogo mesmo,
02:17para a gente dialogar sobre isso,
02:19porque eu acredito muito na importância da política de cotas,
02:25acredito muito na importância das bancas de heterodentificação,
02:29mas, ainda assim, injustiças têm acontecido
02:33e a gente precisa falar sobre isso.
02:38Obrigado.
02:39Obrigado.
02:40Obrigado.
02:40Obrigado.
02:41Obrigado.
02:41Obrigado.
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