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  • há 3 horas
A superação de uma nação: 5 seleções da Copa que aliviam o sofrimento de um povo

Categoria

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Esportes
Transcrição
00:00A Copa do Mundo não é só futebol.
00:02Muitas seleções representam países devastados por guerras, conflitos, ditaduras, caos social, humanitário, político, institucional, fome.
00:15São muitos problemas que afetam populações que veem, por vezes, no futebol a única fonte de alegria.
00:21E no capítulo de hoje, do Copa 360, a gente vai falar sobre seleções que aliviam o sofrimento de um
00:30povo.
00:31Sempre às segundas e quintas, aqui no YouTube de GZH e no meu canal Rodrigo Oliveira 360.
00:39Aproveita, já te inscreve e no final, se gostar do vídeo, dá o like para dar aquela moral.
00:55A relação entre o futebol e a política iraniana não é algo novo.
01:02Antes da Copa do Mundo de 2022, uma mulher curda, etnia minoritária no Irã,
01:09foi espancada pela polícia, presa porque não usava a roupa considerada adequada pelo governo e pelas determinações locais.
01:21E ela foi morta pelas autoridades.
01:24Houve uma onda de protestos da população contra a morte dessa mulher.
01:28Os protestos foram reprimidos e houve milhares de mortos.
01:32No primeiro jogo do Irã, na Copa do Mundo de 2022, os jogadores resolveram não cantar o hino nacional.
01:39Em protesto contra o governo e em solidariedade à mulher morta pelo regime e aos mortos nos protestos.
01:48Agora, em 2026, a polêmica envolve a participação ou não do Irã no Mundial nos Estados Unidos
01:56por conta dos bombardeios promovidos por Estados Unidos e Israel desde o dia 28 de fevereiro.
02:03O Irã chegou a ameaçar não jogar a Copa.
02:06Hoje, o Irã sinaliza que quer jogar, embora não tenha dito isso de forma clara.
02:11O presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu que o Irã vai jogar a Copa.
02:16O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dá declarações contraditórias sobre o assunto.
02:21Disse, na mesma declaração, que o Irã é bem-vindo, mas que pode não haver condições de segurança
02:28para o Irã jogar a Copa nos Estados Unidos.
02:31O que não faz muito sentido, porque, olha, eu estive nos Estados Unidos recentemente
02:36para os amistosos da seleção e eu não vi nenhum tipo de ranço dos americanos
02:42contra os jogadores iranianos e mesmo contra os iranianos.
02:46Pode haver contra o regime dos Ayatollahs, a ditadura que governa o Irã, mas não contra o time do Irã.
02:53O fato é que é um povo que sofre com a guerra, é um povo que sofre com uma ditadura
03:00e que vê no futebol uma possível ferramenta de felicidade, de união, de orgulho.
03:07E tem mais polêmicas.
03:09Recentemente, um dos craques da seleção do Irã, o atacante Sardar Asmun,
03:14que joga nos Emirados Árabes, ele postou uma foto ao lado de um governante de Dubai.
03:20E essa foto foi interpretada como uma manifestação de apoio ao governo dos Emirados Árabes,
03:27que é aliado dos Estados Unidos e inimigo do Irã.
03:30Logo, a foto foi encarada como uma deslealdade do Sardar Asmun ao Irã em meio à guerra.
03:37Coincidência ou não, o Sardar Asmun, ele não foi convocado para os amistosos do Irã na Turquia,
03:44na data FIFA de março.
03:46Então, o Irã é dúvida para a Copa e, se o Irã for, o Sardar Asmun também é dúvida para
03:52a Copa.
03:52Mas, se o Irã jogar a Copa do Mundo, a seleção iraniana terá uma missão muito mais importante
03:58do que ganhar pontos, garantir a classificação ou tentar ganhar o torneio.
04:04Terá a missão de dar alegria a um povo sofrido por uma guerra
04:09e também a missão de mostrar ao mundo que o povo iraniano e que a cultura iraniana
04:15são muito maiores do que uma guerra, do que um governo ou uma ditadura.
04:26A história recente do Iraque é marcada por muito sofrimento.
04:30O país viveu quase 30 anos de ditadura sanguinária, liderada por Saddam Hussein.
04:37E, naquela época, quem controlava o futebol do país era o Day Hussein, filho do Saddam.
04:43E ele controlava com punhos de ferro, inclusive com prisões e espancamentos
04:50contra atletas que performassem mal e, segundo ele, envergonhassem o país.
04:55O Iraque se livrou da ditadura do Saddam Hussein, mas passou por muitos conflitos.
05:01Todas as gerações iraquianas têm a guerra marcada na retina e na memória.
05:06O Iraque viveu, por exemplo, a guerra com o Irã nos anos 80, a guerra do Golfo nos anos 90,
05:13a invasão norte-americana em 2003, que acarretou na sequência a queda do Saddam Hussein.
05:19Mas depois houve muitos conflitos, milícias, disputas internas, atentados.
05:24E, no meio desse contexto, teve a Copa da Ásia de 2007.
05:29Uma história linda que mais parecia um milagre, mas um milagre real.
05:34O técnico do Iraque era Jorvã Vieira.
05:37Além de comandar um país que vivia no meio da guerra,
05:41ele teve que administrar a tensão entre muçulmanos,
05:46xiítas e sunitas, que não se davam,
05:48e, principalmente, árabes e curdos, que não se davam.
05:52Os curdos foram duramente perseguidos pela ditadura do Saddam Hussein.
05:56E, até hoje, há um histórico de tensão entre os árabes, que são maioria,
06:00e os curdos, que são minoria.
06:03Imagina uma seleção iraquiana com árabes e curdos jogando.
06:06Pois o técnico brasileiro Jorvã Vieira conseguiu unir sunitas, xiítas,
06:13curdos, árabes e o Iraque milagrosamente foi campeão da Copa da Ásia de 2007.
06:19E esse sentimento de união passou para o país.
06:22A comemoração foi incrível.
06:24Mesmo em meio à guerra, chegou a ter atentado no dia do título.
06:28Mas o sofrido povo iraquiano teve momentos de felicidade através do futebol.
06:34E é o que o Iraque vai tentar fazer nessa Copa do Mundo de 2026.
06:39Unir um povo através da magia do esporte.
06:42Aliás, já teve uma festa emocionante nas ruas iraquianas
06:48quando o Iraque ganhou da Bolívia na repescagem intercontinental
06:52e garantiu a vaga à Copa.
06:54Algo que não ocorria desde o Mundial de 86.
06:57Mais uma vez, o futebol é uma ferramenta de união entre árabes e curdos
07:02e também uma ponte para aliviar o sofrimento de um país
07:07marcado por guerras, ditaduras e conflitos.
07:16Explicar o conflito na República Democrática do Congo
07:19é algo complexo, mas eu vou tentar resumir de uma forma didática.
07:23A República Democrática do Congo, que antes se chamava Zaire,
07:27viveu décadas de ditadura
07:29e depois viveu uma guerra civil violenta.
07:33Foram várias, né?
07:34São as chamadas guerras do Congo.
07:36No leste do país, o conflito foi muito mais violento.
07:41Massacres, guerras, mortes.
07:44E até hoje, a situação é tensa.
07:48Há territórios no leste comandados por milícias.
07:50E não é uma milícia, são várias milícias
07:53que dominam o território
07:54e se financiam com a exploração de minérios daquela região.
07:59O governo controla a maior parte do país,
08:01mas o leste, não.
08:03Há regiões no leste que não são controladas pelo governo
08:06e as milícias disputam o poder na base da bala.
08:10E a consequência é uma crise humanitária
08:13que é ignorada por muita gente.
08:16Há fome, falta de serviços básicos
08:18e quem sofre é a população.
08:21Povos que não têm nada a ver com as milícias ou com o governo.
08:25Povos que querem meramente ter a dignidade.
08:28E a República Democrática do Congo,
08:31ao garantir a vaga na Copa do Mundo,
08:34conseguiu, não vou dizer que conseguiu acabar com o conflito,
08:37mas conseguiu dar alguns minutos de alegria
08:40a esse povo sofrido.
08:42E naquele momento,
08:44as milícias rivais, o governo,
08:47ninguém se preocupou com a bandeira
08:49que defendia no conflito.
08:51Todos se preocuparam com a bandeira
08:52da República Democrática do Congo
08:55que vai tentar usar o futebol
08:57como uma ferramenta
08:58para ajudar a unir um país.
09:06A história recente da Costa do Marfim
09:09é um dos melhores exemplos do poder que o futebol tem.
09:12Em 2002, uma rebelião armada
09:14dividiu a Costa do Marfim
09:17entre o Sul, comandado pelo governo,
09:20e o Norte, comandado pelos rebeldes.
09:22Foi uma violenta guerra civil.
09:24E o futebol ajudou a acabar com essa guerra.
09:27Na classificação para a Copa do Mundo de 2006,
09:31a geração de Didier Drogba
09:33contribuiu para a paz.
09:35Primeiro, porque o país inteiro,
09:38área dominada por rebeldes,
09:40área controlada pelo governo,
09:41o país inteiro celebrou a classificação para a Copa.
09:44E houve um apelo de Didier Drogba
09:48logo após garantir a vaga na Copa de 2006.
09:51Um apelo pela paz.
09:53Seria simplificar demais dizer
09:55que o Drogba ou que o futebol
09:57acabou com a guerra sozinho.
09:58Isso não.
09:59Mas o futebol ajudou.
10:00O futebol ajudou a criar um cenário
10:02para que o governo e os rebeldes
10:05chegassem a um acordo.
10:07Inclusive, em 2007,
10:09a Costa do Marfim jogou um amistoso simbólico
10:12numa área antes marcada por conflitos
10:15e dominada pelos rebeldes.
10:17Depois de 2010, houve mais tensões.
10:20Hoje o país está numa situação estável,
10:22mas teve uma tensão no ano passado,
10:26porque a oposição não reconheceu
10:28o resultado das urnas do pleito de 2025
10:32e houve algum tipo de reação violenta,
10:36depois controlada,
10:38mas não dá para dizer que
10:39situação e oposição estão unidas.
10:42O que dá para dizer
10:43é que a seleção da Costa do Marfim
10:45está na Copa do Mundo
10:46e o futebol já mostrou
10:48que pode ser uma ferramenta de paz
10:50ou de pelo menos estímulo para a paz
10:53naquele país.
10:54Aliás, no mundo todo, né,
10:57o futebol tem essa magia,
10:58o esporte tem essa magia.
11:04A crise humanitária no Haiti
11:07é muito antiga.
11:08Em 2010, um terremoto devastou o país,
11:11mas o Estado é incapaz de garantir à população
11:16os serviços mais básicos.
11:18Em 2021, o presidente Jovenel Moise
11:22foi assassinado e, desde então,
11:25há uma espécie de vácuo de poder.
11:27Houve alguns arranjos de transição,
11:30mas nunca o Haiti conseguiu se organizar
11:33para eleger um novo presidente.
11:34Boa parte da capital Porto Príncipe
11:37e boa parte do país
11:39é dominada por gangues.
11:41A violência urbana
11:43é um dos problemas mais graves,
11:45mas não é o único.
11:46Falta água potável em algumas áreas,
11:49há fome,
11:50é um colapso político,
11:52social, humanitário
11:53e o futebol
11:55foi uma das pequenas fontes de alegria
11:57nos últimos tempos.
11:58A seleção mandou a maioria dos seus jogos
12:01em Curaçal,
12:02uma ilha caribenha próxima,
12:03porque não há condições de segurança
12:05para jogar futebol no Haiti,
12:07porque o estádio principal do país
12:08está numa área que é dominada por gangues.
12:11O técnico,
12:12Sebastián Migné,
12:13nunca pisou no Haiti,
12:15porque não é seguro.
12:16Os jogadores todos moram fora do Haiti
12:18e eles se reúnem fora do Haiti.
12:20E quando o Haiti conquistou a vaga
12:22na Copa do Mundo,
12:23houve uma onda de comemorações.
12:25tiros que pela primeira vez em muito tempo
12:28eram tiros de comemoração
12:30e não tiros que simbolizavam
12:32conflitos entre gangues
12:34ou conflitos entre gangues e o Estado.
12:37Não dá para dizer que o Haiti
12:38é candidato a fazer uma grande campanha,
12:42mas o Haiti vai simbolizar
12:43a esperança de um povo
12:46que há muito tempo sofre
12:47com a fome,
12:49com a guerra,
12:50com o caos social
12:51e se o povo comemorou
12:53com a classificação,
12:55certamente o povo
12:56vai buscar alguma alegria
12:58com essa Copa do Mundo
12:59e, claro,
13:00que a participação do Haiti no Mundial
13:03sirva para chamar a atenção do mundo
13:06para o que está ocorrendo
13:07nesse país, irmão.
13:26Essas são as seleções que chegam à Copa do Mundo
13:29com a nobre missão
13:31de dar uma alegria
13:33e de aliviar o sofrimento
13:35de um povo.
13:36Se gostaram do vídeo,
13:38deem um like
13:39e sigam o canal
13:41do YouTube de GZH
13:42e o meu canal
13:44Rodrigo Oliveira 360.
13:46O projeto
13:46Copa 360
13:47apresenta as 48 seleções
13:50do Mundial
13:51de forma temática
13:52e dinâmica.
13:53Toda segunda
13:54e toda quinta.
13:55até a próxima.
13:56Até a próxima.
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