00:00Eu sou a Elaine, eu vi esse princeso aqui lá pra adoção e ele tava assim muito pelo, com muito
00:12pelo na cara,
00:13não dava pra ver a carinha dele, as pessoas estavam reclamando, falando que era pra casar o cachorro,
00:19que ele não tava nem enxergando. Então eu entrei em contato com a mulher, né, no privado e falei pra
00:26ela.
00:28É, conversei com ela, né, ela dizia que ela não era dona dele, que ela abriu o portão e ele
00:34entrou, né,
00:36mas aí ela ficou dando lar pra ele uns dias, né, só que ela tá indo embora pro Pará e
00:42ela falou que não tem como levar, né,
00:46porque é muito caro, eu não sei quanto tempo ela ficou com ele.
00:50E ele chegou aqui, eu peguei, eu fui buscar ele, então eu me responsabilizei, falei, então eu vou pegar ele,
00:59eu vou dar lar pra ele, pra gente achar alguém que realmente cuide dele, entendeu?
01:05Porque essa é uma raça que precisa de cuidado, entendeu?
01:08Porque muita gente adota por status e logo abandona.
01:12A gente tá vendo muitos cães de raça abandonados, então assim, chega a ser assustador, por quê?
01:19As pessoas abandonam de qualquer jeito, entendeu?
01:22Não importa mais se é de raça, não importa mais se é vira-lata.
01:26Então, quando ele veio chorando no carro, ele chorava, chorava, eu segurava ele e ele tava desesperado.
01:33Ele pulava pra todo lado e se agarrava em mim, sabe?
01:37Tipo assim, não querendo vir, tipo, ele, né, falava assim, eu queria.
01:42Então, ele chegou aqui e a gente não conseguia dormir, porque aí veio uma casinha dele,
01:48mas é uma casinha minúscula e é muito gelada.
01:51Então, eu deixei ele ali fora, né, porque ali você viu que tem as cachorras ali, né,
01:55que ficam ali na garagem, tudo, tem as suas casinhas, né, suas cobertinhas todas.
02:03Então, ele ficou, mas ele latia e chorava, ele gritava, gritava, aí eu comecei a ver que ele,
02:11ele batia nas coisas, ele não enxergava nem as cadelas, ele ia de um lado, ele batia e ele voltava,
02:17ele ia do outro, ele batia e voltava.
02:19Aí eu, né, tentei dar um, dei um tranquilizante ali pra ele, que eu tenho ali de cachorro, né,
02:26pra ele ficar mais calminho, pra ver se ele dormia, pra gente conseguir dormir, né,
02:29porque a gente não tava conseguindo dormir.
02:32Então, ele não adiantou, não adiantou, ele ficou, ele ficou, daí eu voltei lá de dentro, não aguentava.
02:39Aí eu vim ali, ele tava todo molhado aqui, porque aí ele achou que não enxergava os potes de água
02:45das cachorras,
02:46aí ele começou a se molhar todo.
02:48Então, eu fui ali fora, eu pensei assim, eu falei, meu pai do céu, o que que eu vou fazer
02:54com esse cachorro?
02:56Eu vou doar ele amanhã pra primeira pessoa que vai aparecer?
03:01Falei, não.
03:02Eu enrolei ele na coberta, né, daqui o cobertor.
03:06Eu enrolei ele, porque ele tava tremendo.
03:10Então, eu enrolei ele, vim aqui e sentei aqui, porque meu esposo tem que acordar de manhã pra trabalhar.
03:16E ele não tava deixando ninguém dormir, com desespero dele.
03:20Então, eu enrolei ele e ele tava tremendo.
03:23Então, aí, no meu colo, ele se sentiu protegido.
03:26E ele começou, assim, a, né, a se acalmar no meu colo.
03:34Só que daí, como ele não enxergava nada, e daí tava todo molhado, e tava cheirando ruim ali,
03:40eu falei, eu vou tosar a carinha dele, né, pra mim ver a carinha dele.
03:44Pra ele tava podendo ver, né, porque ele tá batendo por tudo, ele não, a gente não vê, parece que
03:50ele não vê onde ele tá andando.
03:52Então, eu comecei a tosar ele, aos pouquinhos.
03:55Ele mordia a maquininha, ele me metia a boca, assim, mas no meu colo, assim, eu enrolei ele e eu
04:01fui.
04:02Fui tosando, né, aos pouquinhos, com cuidado.
04:05E quando eu terminei de tosar ele, eu vi que ele é cego.
04:12Ele é cego, ele tem uma cicatriz aqui, ó, e a boca dele é torta, né, aí ele é cego
04:20aqui, ó, olha o olho dele.
04:23Tem uma cicatriz ali, no meio do olho, eu não sei o que que é, eu não sei se foi
04:29um acidente ou o que que aconteceu.
04:31Ele sei que esse cachorro, a pessoa que era dona dele, depois dele ter sido atropelado, ele foi abandonado, entendeu?
04:42Então, eu não posso simplesmente doar ele.
04:45Tem muita gente ali pedindo ele, porque ele é lindo.
04:49Ele tava com os pelos tudo no rosto, cobrindo, e ele é chitsu.
04:53Um cachorro desse tá na faixa de cinco mil reais.
04:59E eu não posso doar ele pra qualquer pessoa, né, tipo, uma pessoa falou assim,
05:04Ah, onde você mora?
05:06Eu falei, ah, eu moro aqui no Esmeralda.
05:09Ah, mas é muito longe.
05:10Como que uma pessoa que não tem dinheiro pra vir buscar um cachorro, ele tem condições de ter um cachorro
05:16desse?
05:17As pessoas não têm consciência.
05:19Eles precisam ver se eles têm condição de dar a vida que o bichinho merece.
05:23Porque, olha só, eu tosei ele e daí eu comecei a chorar.
05:28Eu comecei a chorar e eu falei pro meu marido, eu falei assim, amor, olha,
05:34na verdade, os verdadeiros monstros hoje são os seres humanos.
05:39Porque quem em sua consciência abandona um bichinho desse?
05:42Ele não para de chorar, ele tá pedindo pra voltar pra casa, ele tá sentindo falta da família dele.
05:52E ele foi abandonado.
05:54E quem abandonou ele não tá preocupado, mas ele tá sofrendo.
05:58E as pessoas mesmo assim querem adotar por status.
06:01Ah, porque eu quero pra minha filha, pro meu filho.
06:05Não é assim.
06:07Eu tenho minha filha, ela é autista desde pequenininha.
06:11Eu ensinei ela a amar, a cuidar.
06:12Porque eu resgato já há 19 anos, eu sempre tô cuidando de câncer.
06:19Inclusive, esse ano eu tive minha primeira gata, o nome dela é Angel.
06:24E eu trato dela, limpo a caixinha de areia, adoração, água, brinco com ela.
06:32Trocou a pitbull pela gata.
06:37Aí, então, eu tenho 10 cães aqui, que eu preciso cuidar.
06:42Que é da minha responsabilidade.
06:44E daí mais o costelo lá da rua, né?
06:46Que você viu que eu também tenho responsabilidade com ele.
06:49Porque a mulher que ajudava o cuidar dele foi embora.
06:52Então, ele não tem, não tem quem cuide dele.
06:56Sim.
06:56Então, assim, a gente não tem uma vida fácil.
07:01Meu marido é pintor.
07:02A gente não tem condições de levar ele no veterinário pra ver o que ele tem.
07:07Por que ele grita tanto.
07:08E você tá buscando alguém pra adotar ele, que alguém seja responsável.
07:11Alguém que precise de alguém, de uma companhia de verdade, porque ele é querido.
07:17Já deu pra perceber que ele é amoroso.
07:19Mas ele quer que a gente fique o tempo todo perto dele.
07:22Sim.
07:23E eu não posso, porque eu tenho as outras lá dentro, eu tenho as outras ali de fora, entendeu?
07:28Uhum.
07:29Eu não tenho tempo pra ficar só com ele.
07:32Ele precisa de uma pessoa que cuide dele e dê atenção e carinho de verdade.
07:37E que vá levar ele no veterinário.
07:40Que leve ele pra fazer uma tosa, tomar um banho que ele tá precisando.
07:43Eu não cuide porque eu tenho síndrome de carpe nas mãos.
07:46E eu, aos pouquinhos, fui tosando a carinha dele, né?
07:50Porque a minha mão, ela adormece.
07:52Então, assim, eu não consigo dar banho.
07:55Meu marido me ajuda nesse ponto pra dar banho aos cachorros, né?
07:59Mas como ele chegou ontem à noite,
08:02então, assim, eu resolvi fazer esse pedido
08:06pra alguém que realmente tenha condições.
08:11Pra que não enche de gente lá pedindo ele, só porque ele é lindo.
08:16Entendeu?
08:16Ele é um cachorro lindo, ele é um cachorro caro.
08:19Todo mundo quer.
08:20Mas não é assim.
08:22A gente tem que ter consciência.
08:23A gente tem que saber da condição da gente
08:26de ter um bichinho desse forte.
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