- há 2 meses
Chespirito - Chompiras - Chaveco com dublagem BKS
Categoria
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DiversãoTranscrição
00:24A CIDADE NO BRASIL
00:30Parece que o senhor tem a tão boa vista, não é?
00:33É certo.
00:35Ironia do destino, na verdade.
00:37E o senhor é quem diz?
00:38O mesmo acontece comigo porque o meu sobrenome é Mortália.
00:41E mesmo assim, ainda estou tão vivo como o senhor.
00:45Nem precisa me dizer.
00:48Estou chamando o carregador para subir seu bagagem.
00:50Porque suponho que trouxe bagagem.
00:52É lógico. Está aqui?
00:54Ah, muito bem.
00:57Senhor, isso é um ataúde?
01:01Isso mesmo?
01:03Bom, sim, mas eu estou perguntando por sua bagagem.
01:07Essa é minha bagagem.
01:09Tem alguma lei que proíba?
01:12Não, não, mas...
01:14O que tem aí dentro?
01:16O que lhe interessa?
01:18É que não sei se devo permitir que o senhor se hospede neste hotel trazendo esse tipo de bagagem.
01:25Olha, senhor, conheço pessoas que utilizam caixas de papelão como se fossem bagagem.
01:31Outras utilizam bolsas de plástico do supermercado.
01:35Outras utilizam mochilas de lona.
01:38Enfim, o tipo de bagagem usada por cada indivíduo depende da sua própria vontade.
01:45Bem, bem, sim, mas o senhor deve compreender que...
01:49Então deixe de perder tempo, por favor.
01:51E faça com que o carregador leve minha bagagem ao quarto que o senhor vai me designar.
01:55Está bem, está bem.
01:58Como temos um só carregador, às vezes demora um pouco atender.
02:02Ah, não tem problema.
02:03Eu não tenho pressa.
02:13Perdão, sim.
02:18Quem foi que morreu?
02:20Ninguém.
02:22Este ataúde é a bagagem do senhor.
02:26O senhor jura?
02:28Qual é a dúvida?
02:31Mas é que esse tipo de bagagem, a única coisa que se guarda dentro são os cadáveres mortos e os
02:36discurso gelados que já passaram por uma vida melhor?
02:39Bom, eu sei que isso é o mais comum.
02:42Mas em certas ocasiões, o mais comum pode ser o menos comum.
02:48Bom, é que com isso o senhor já me esclareceu tudo, né?
02:53Mas sabe o que é?
02:54De qualquer maneira, esse tipo de bagagem unicamente se usa para realizar a última viagem.
03:01Pois é.
03:02Esta, precisamente, é minha última viagem.
03:07Ave Maria Puríssima.
03:08Eu, por via das dúvidas, fico longe dessas coisas.
03:15Desculpe, seu Cecílio.
03:16Me pareceu que escutei a campainha que usa para me chamar.
03:20Já faz muitíssimo tempo.
03:23É, é, é, como vou dizer?
03:24É que eu tinha muito tempo de...
03:26Não precisa me dizer nada.
03:27Prefiro que se apresse para subir a bagagem do senhor.
03:31Lógico.
03:31E vai me dar gorjeta?
03:33É natural.
03:34Ah, ótimo.
03:35E o que é isso?
03:39O que é isso aqui?
03:41É minha bagagem?
03:43Não, mano, não.
03:44Como é possível?
03:47Não, não, não.
03:47Eu estou falando sério.
03:49Quantas maletas tem?
03:51Digamos que uma somente.
03:53É, e onde está?
03:54Aqui embaixo?
03:55Tompiras.
03:56A bagagem deste senhor é exatamente este ataúde.
04:07Não, não, não, não.
04:08Não está bêbado, não.
04:10Bom, pelo menos não se nota.
04:15Isto sim pode ser.
04:17Escute, escute.
04:18O senhor está insinuando que eu estou louco?
04:21Bom, não, não, não, não exatamente.
04:23O que acontece é que eu...
04:24Então escute, por favor.
04:25Deixe de perder seu tempo e faça com que o carregador leve minha bagagem ao meu quarto.
04:28Está bem, está bem.
04:30Não, mas como que está bem?
04:32O senhor está sugerindo que eu leve ao quarto dele isso aí, é?
04:36Sugerindo, não.
04:37Estou ordenando.
04:39Mas como é que o senhor pode pensar que eu vou andar subindo e descer?
04:43E além disso, você que anda sempre mendigando sua gorjeta, já ouviu que esta é a ocasião de receber uma
04:48boa por parte do senhor.
04:51Ah, e sim, isso já está dando uma perspectiva diferente ao assunto.
04:55Quanto é que eu vou ganhar de gorjeta?
04:57Digamos umas dez pratas, o que lhe parece?
05:00Por dez pratas lhe subo a funerária completa.
05:03E o dez pratas?
05:05Ai, caramba.
05:07Pesa mais do que eu supunha.
05:09Não é?
05:10Mas é verdade que vai me dar mesmo dez pratas de gorjeta?
05:14Sim, foi isso que eu lhe disse.
05:15Sabe de uma coisa?
05:16Por via das dúvidas, o senhor vai me dar isso adiantado.
05:19Tá bom, se você...
05:20Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai.
05:24Ai, ai, ai, ai, ai, uuuh, uuuh.
05:34O que é que eu tenho quebrar os ossos do meu pé?
05:36Mas é lógico, pesa bastante.
05:38Não, não, não, Chompiras.
05:40Você deixou o caixão cair das mãos quando pediu sua gorjeta adiantada.
05:45É que, olhe, eu não...
05:50Está bem, está bem, está bem.
05:52Olhe, eu vou cumprir com o meu dever e espero que depois você cumpra com o seu
05:57e me dê as 30 pratas de gorjeta que me ofereceu, não é?
06:0120. Eu disse 20 pratas.
06:04Veja, 20, 30, dá no mesmo.
06:06Não, não é o mesmo.
06:08Está bem, está bem. Vamos deixar por 25.
06:1220.
06:14Chompiras, por favor, não seja tão esganado.
06:17De acordo, de acordo.
06:20Pode me dar uma mãozinha, pode?
06:22Você está ficando louco.
06:23Eu estou te dando uma gorjeta para que você suba minha bagagem, não eu.
06:27Está bem, mas olhe, vamos fazer isso.
06:29Das 20 pratas de gorjeta que você vai me dar, eu dou a você 5 se me ajudar.
06:35Te dou 6, 7, 8, 8, 9, 9, 10.
06:38Chompiras, eu vou te ajudar.
06:40E não preciso que reparta sua gorjeta comigo.
06:43Ah, está bom, é isso aí.
06:44Vamos, vamos, me ajude, me ajude.
06:46Isso, isso.
07:04Chompiras, você quer ter a amabilidade de me dizer qual dos dois extremos você vai levantar?
07:10Claro, eu levanto esse aqui.
07:14Ou melhor, aquele.
07:17Não, não, melhor.
07:18Esse, esse.
07:20Não, não, aquele, aquele, aquele.
07:23Não, não, não, aquele.
07:24Não, não, não, não.
07:25Não, aquele.
07:27Esse, aquele.
07:28Esse, aquele.
07:29Esse, aquele.
07:30Esse.
07:31Tá, tá, tá, tá.
07:33Você vai levantar aquele de lá e eu vou levantar esse de cá.
07:44Vem, vem, vem, vem
07:45Equilibrando, equilibrando
07:47Agora sim, agora sim, direitinho
07:49Direitinho, direitinho
07:50Vem, vem, vem
07:54Onde você vai?
07:56Ora, ao quarto desse senhor aqui
07:58Aquele que está no primeiro andar
08:00Mas não pelas escadas
08:02Para isso tem elevador
08:03Mas o ascensorista do elevador é o botijão
08:06Já sei de quem maneja o botijão.
08:09Ei, senhor, quer ter a bondade de apertar o botão do elevador, por favor?
08:12Ah, é claro que sim.
08:15É melhor pela escada, hein?
08:17Não, homem, não.
08:19Pela escada.
08:20Como é?
08:21Como ouviu? Por acaso pensa que este pobre elevador vai poder subir com o seu peso junto com o meu?
08:27Botijão.
08:27Espera, homem. Neste...
08:30Ai, mãe, quem morreu?
08:31Não, não, não morreu ninguém, não. E se a bagagem do homem aí...
08:35Mas o que você está falando, como a...
08:37Espera, isso é só o quê?
08:39É minha bagagem. O senhor vai resolver se devemos subir pelo elevador ou pelas escadas?
08:44Pois sim, claro, o que eu não estou entendendo, Adijão.
08:47Fica aí de lado e deixe-nos passar com isso.
08:49Sim, sim, sim, porque isso aqui está pesando.
08:51Cuidado, hein, por favor.
08:52Devagar, devagar.
08:53Mas é que eu...
08:54Devagar, devagar.
08:55Vamos, vamos, vamos.
09:01Não cabe.
09:02É claro que não. Tem que colocá-lo de pé.
09:05Também, também, também. Então vamos colocar de pé. Vamos lá, vamos lá.
09:08Um, dois, três, já.
09:09Isso, isso, isso.
09:11Muito bom, muito fácil.
09:12Cavaleiro, me perdoe a insistência, mas o senhor disse que anda usando este ataúde como bagagem.
09:17Sim, é minha bagagem. E daí?
09:19É que o senhor está pensando em ir de férias ao cemitério. É nova moda?
09:22Olha, senhor, eu sei que pode parecer estranho que eu utilize um ataúde como bagagem.
09:27Mas também não é estranho que um elevador não suba com o assessorista dentro?
09:31Sim, tão estranho como alguém usando um sapato na mão em vez de usá-lo no pé, não é verdade?
09:36O senhor já pode passar.
09:38Obrigado.
09:39Pode passar.
09:40Aperte o botão para o primeiro andar.
09:42Devagar, assim.
09:51Ai, Butizão, eu tenho uma coisa muito importante para te contar.
09:55Eu também tenho algo para te contar.
09:57Você acredita que tem um cara que usa um ataúde como bagagem?
10:03Vem, devagarinho, devagarinho.
10:05Devagarinho.
10:06Cuidado, cuidado.
10:07Vamos, vamos, levante, levante.
10:09Assim, assim, assim, assim, assim.
10:11Ah, mas antes tem que abrir a porta do quarto.
10:13Assim.
10:16João Piracinho, como você pode soltar o ataúde?
10:19E como podemos mantê-lo aí dentro antes de abrir a porta?
10:23Ah, podia ter deixado que o senhor abrisse a porta antes.
10:26Mas como se sou eu que trago a chave, homem?
10:30Foi o mesmo pé ou foi o outro?
10:32Não, foi o outro.
10:33Pois que sorte, hein?
10:34Porque assim, pelo menos, tinha a proteção do sapato.
10:38Não diga bobagens e prossiga com o que estávamos fazendo.
10:42Estamos aqui para isso.
10:43Estamos aqui para isso.
10:45Vamos, vamos, força, força.
10:46Vem, vem, vem, vem.
10:47Equilibrando.
10:48Vamos, estamos chegando.
10:49Vamos, estamos chegando.
10:49Estamos chegando.
10:50Isso.
10:50Assim mesmo.
10:52Está seguro que se trata de um ataúde?
10:54Sim, senhor.
10:55Um féretro?
10:56Exatamente.
10:56Um caixão de defunto?
10:58Sim, sargento, sim.
10:59Não importa o sinônimo que o senhor queira usar, o objeto é esse mesmo, uma caixa mortuária.
11:05Caramba, não faltava mais nada.
11:07Não faltava mais nada.
11:08Mas, de qualquer maneira, quer dizer que esse cara usa um ataúde como se for a sua bagagem?
11:13É isso mesmo.
11:14Um ataúde?
11:15Aham.
11:16Um féretro?
11:17Sim.
11:18Um caixão de moro?
11:19Outra vez vai repetir a lista de sinônimos.
11:22Não, não, não, não.
11:22Perdoe, senhor Cecílio, mas é que, na verdade, eu estou muito espantado porque não tem nada
11:26a ver que o indivíduo use um ataúde como se fosse a sua bagagem?
11:31Isso é claro.
11:31Ou sua maleta?
11:33Ou sua mochila?
11:35Também vai enumerar a lista de sinônimos e bagagens.
11:38Não, não, não, não.
11:39Me desculpe.
11:40Bom, isto é, isto é definitivo.
11:42O senhor quer o quê?
11:43Que eu investigue, averigue ou indague...
11:47Sargento, por favor, a única coisa que eu quero é que pergunte a esse sujeito o que
11:53ele traz nesse ataúde.
11:54E se ele não responder, o que é que eu faço?
11:57Pois então faça uso da sua autoridade.
11:59Entre no quarto, abra o ataúde, espia para ver o que tem lá dentro.
12:03Ah, ah, ah, ah, ah.
12:04Isso seria como realizar uma exumação clandestina.
12:08E se o senhor não sabe, para efetuar uma exumação, é preciso uma ordem judicial primeiro.
12:16E se no ataúde não tiver um cadáver e sim um contrabando?
12:20Ai, caramba.
12:21Aí sim eu tenho que intervir.
12:23E o que espera para fazê-lo?
12:25Espere, espere, espere, espere.
12:26Estas coisas têm que ser tratadas com inteligência, com perspicácia, com sutileza.
12:33E com todos os sinônimos que existem a respeito.
12:35O senhor mesmo é quem diz.
12:38Muito bem, mas então o que é que vai fazer?
12:41O senhor vai ver, vai ver, eu já volto.
12:50Mas, Choupiras, você carregou esse ataúde.
12:53Você podia dizer pelo peso, se estava vazio ou se tinha um cadáver dentro.
12:59Pois sim, botijão, como eu vou te dizer?
13:01Olha, bem, se o cadáver fosse como você, esse ataúde não seria levantado nem com um guindaste.
13:07E ao contrário, se o cadáver fosse, digamos, como a ximoutrúfia,
13:11pois eu poderia deduzir se o ataúde estava vazio ou não estava.
13:15Sim, claro.
13:16Mas ao contrário, se o cadáver fosse como você,
13:19todo mundo ficaria sabendo pelo cheiro de carne podre.
13:33Eu vim arrumar o quarto.
13:53Escuta, o que você está fazendo?
14:01O que?
14:05O que?
14:06Quero trutro.
14:08Como?
14:10Trocar os lençóis, lençóis da...
14:14O que?
14:15Da cama, da cama, da cama, da cama.
14:19Da o que?
14:20E da cama, senhor, é da cama.
14:23Ah, a cama não está aqui.
14:26E está ali?
14:28Ah, louvado seja Deus.
14:30Será que você não estava tentando roubar alguma coisa da minha mala?
14:34Da sua o quê?
14:35Da minha bagagem.
14:37Qual bagagem?
14:38Da que você estava a ponto de abrir quando eu entrei no meu quarto.
14:43É que eu estava passando a mão por cima?
14:48Pois é que...
14:48Para ver se tinha alguma poeirinha só.
14:51Ah, e encontrou alguma poeira ou não?
14:53É.
14:54Não, mas eu encontrei o pó que em pó te converterás.
14:59O que está falando?
15:01Não, não, não é nada.
15:04Que tal se...
15:05Que tal se...
15:06Não melhor eu voltar a arrumar o seu quarto quando eu puder contar com a ausência da tua presença.
15:10Não, senhor, é só para não me incomodar.
15:13Enquanto eu não estiver aqui, ninguém entra nesse quarto, tá?
15:17Olha, é que...
15:18Eu já disse, e além disso, não me importa a sua presença.
15:21Mas a mim me incomoda a sua.
15:23E vai me perdoar bastante, senhor.
15:24Mas quando eu digo uma coisa, eu digo outra.
15:26Porque assim é como tudo.
15:27Tem coisas que eu nem sei e eu tenho ou não tenho razão.
15:30Eu não sei e não quero saber.
15:32O que me importa é que você limpe o meu quarto quando eu estiver aqui.
15:37Está bem, está bem.
15:40Mas não me incomode.
15:45O senhor disse que eu não lhe incomodava.
15:47Não.
15:57Desejo alugar um quarto.
16:00O senhor deseja alugar um quarto aqui, sargento?
16:04Ah, mas como soube que eu sou sargento?
16:07Bom, é que...
16:09Eu supus que estava disfarçado, mas está vendo?
16:11Portanto, o senhor não deveria me reconhecer.
16:14Bom, está bom, mas já o reconheci.
16:17Sim, eu já reparei.
16:18Mas agora o senhor tem que fazer...
16:21É fingir que não me conhece, entendeu?
16:24Ah, sim, sim, claro.
16:26Eu suponho que está fazendo isso para investigar a história do ataúde.
16:31Exatamente.
16:32Portanto, lhe peço que me dê um quarto pegado ao que ocupa o homem do ataúde.
16:37Ah, sim, sim.
16:38Como não, como não.
16:40O senhor deseja preencher este cartão aqui?
16:42Ah, claro.
16:43Sim, com muito prazer.
16:45Como vai, sargento?
16:49Aqui está.
16:52Refúgio Pasguato.
16:55Não deveria colocar um nome que não fosse o verdadeiro?
17:00Ah, sim, sim.
17:01Me permita.
17:02Tem um outro cartão?
17:03Sim, sim, aqui está.
17:08Pronto, agora sim.
17:09Ah, não, não, não.
17:13E agora o que foi?
17:14Não, é que de repente já tem uma outra pessoa que se chama Augusto Sanches.
17:18Claro, está bem.
17:19Me dá outro cartão.
17:20Sim, toma.
17:30Hermenegildo Zacazonapão.
17:32Sim, eu não creio que haja outro igual.
17:34Isso eu juro.
17:36Bom, mas ainda não me deu a chave.
17:38Agora mesmo eu vou lhe dar, sargento.
17:40Mas que sargento?
17:42Que sargento?
17:45Senhor Zacas...
17:46Zacas...
17:47O que foi que eu escrevi?
17:51Zacazonapão.
17:52Isso, isso.
17:53Senhor Zacazonapão.
17:54Sim, tem razão, senhor Zacazonapão.
17:58Muito bem, assim.
18:00Ah, outra coisa.
18:02O senhor trouxe sua bagagem, senhor Hermenegildo?
18:08Estou falando com o senhor.
18:10Com quem?
18:11Com o senhor.
18:13Então o senhor não se chama Hermenegildo?
18:17Mamãe, eu não sei mais.
18:18Deixa eu ver.
18:19Assim como eu não vi, aqui está.
18:23Hermenegildo Zacazonapão.
18:24Pois sim, pois sim.
18:25Mas deveria ter escolhido um nome mais fácil de lembrar.
18:28Não!
18:29Tudo deve contribuir para que ninguém me reconheça.
18:33Como vai, sargento?
18:39Não, a verdade.
18:41A verdade é que para mim também pareceu muito curioso que alguém use um ataúde como bagagem.
18:46Olha, mas o que é que queres investigar?
18:48Como o que, Chompias?
18:50Como o que?
18:51Só existem duas coisas que podem ser transportadas dentro de um ataúde.
18:55Ou um cadáver, ou um contrabando.
18:58Ou qualquer outra coisa.
18:59Ou qualquer outra coisa.
19:00Não, não, Chompias.
19:02Para transportar qualquer outra coisa, se usaria uma bagagem comum e conhecida.
19:06Ou um ataúde.
19:07Ou um ataúde.
19:09Veja, Chompias.
19:10Você se limite a fazer o que eu te expliquei.
19:12A fingir que não me conhece.
19:15Você entendeu?
19:16Sim, sargento.
19:17Sim.
19:18Não, de sargento.
19:19Por que não, sargento?
19:20Por que vamos fingir que você não me conhece?
19:23Ah, é verdade, é verdade.
19:25Bobo, então como eu devo chamá-lo?
19:27Bom, deve me chamar de Zacatatu.
19:31Como é que é mesmo?
19:32Eu já lhe digo.
19:35Zacazonapan.
19:35Isso.
19:36Já sei, já sei, já sei.
19:37Eu devo tratar o senhor como se fosse o hóspede do hotel.
19:41Exatamente.
19:42Vai me dar gorjeta?
19:43Gorjeta por quê?
19:45Por subir sua bagagem.
19:47Qual bagagem, Chompias, se eu não trago bagagem?
19:49O que, aliás, é um erro da sua parte, sargento.
19:52Por que eu...
19:53Digo, senhor Zaca...
19:55Zaco...
19:56Não, esqueça.
19:56Esqueça o nome.
19:57Diga-me qual o erro da minha parte.
19:59O de não haver trazido a bagagem.
20:02Digo, se o senhor planejava fazer-se passar por um hóspede do hotel,
20:06então o senhor...
20:06Sim, sim, sim, sim.
20:07O senhor tem toda a razão.
20:08Mas não se preocupe.
20:11Casualmente, alguém deixou aqui sua maleta.
20:13Eu posso lhe emprestar?
20:15Muito bem.
20:16Muito bem.
20:16Ah, agora sim.
20:17Quanto vai me dar de gorjeta?
20:19Mas por que gorjeta, Chompira, se esta maleta não é minha?
20:22Mas estamos imaginando que sim.
20:24Ah, mas então imagina que eu já te dei a gorjeta.
20:27Pois então imagina que eu já subi sua maleta.
20:31Quer saber, Chompira, eu mesmo subo a maleta.
20:33Saia da frente, vamos.
20:34Está bem, está bem.
20:35Pode passar, vai lá.
20:46Pela escada, sargento.
21:17Por favor, não atire.
21:18Eu já sei.
21:19Ah, senhora simotrúfia.
21:22Sim, sargento sou eu.
21:23Mas pelo que eu vejo, o senhor tem a mesma curiosidade que eu.
21:27Curiosidade de quê?
21:28Ora, pois de saber o que esse cara guarda nesse ataúde.
21:31Ah, sim, mas eu não tenho uma simples curiosidade, mas sim uma suspeita.
21:35Suspeita de quê?
21:36O quê?
21:37De que se possa ser um contrabandista.
21:41E que usa justamente o ataúde para transportar sua mercadoria.
21:46E você sabe por quanto poderia vender um só quilo do que transporta nesse ataúde?
21:52Bom, então seria bom averiguar quanto é que está custando o quilo de morto.
21:57Não, não, não, Chompira.
21:59O que ele transporta no ataúde não é um cadáver.
22:02O que que é?
22:03Depois, depois eu lhe explico.
22:04Agora o importante é encontrar a maneira de entrar neste quarto.
22:09Ah, mas isso é muito fácil.
22:11Isso é o que você pensa, simotrúfia.
22:13Eu que sou um policial, não pude encontrá-la.
22:17E também tem que verificar se esse cara não está agora, mesmo dentro desse quarto.
22:23Olha, pois com o que eu vejo aqui, não tem ninguém, ninguém.
22:27Ah, simotrúfia, é porque o ângulo de visibilidade que proporciona a fechadura é muito pequeno, mas...
22:35Bem, nem tanto, né? Pequeno.
22:38Mas sabe de uma coisa?
22:39Tem razão.
22:41Aqui não há ninguém.
22:50É que eu abri a chave, mestre, que todas as camareiras têm.
22:54Ah, claro, é isso que eu ia te sugerir, sabia?
22:58Pô, mas o que o senhor está esperando para ver o que tem dentro do ataúde? Vai, vai, vai.
23:02E se esse cara chega e me surpreende?
23:04Porque o mais provável é que ele tenha saído unicamente para ir ao banheiro.
23:08Ah, já sei, simotrúfia, já sei.
23:12Eu vou lá e me planto na porta do banheiro para impedir que esse cara saia.
23:16E você aproveita para jogar o olho no ataúde.
23:19E eu fico com a olha, né?
23:21Não, simotrúfia, eu quero dizer que você aproveita e espia para ver o que há no ataúde.
23:27Bom, bom, bom.
23:28Mas o senhor vai ter que segurar muito bem esta porta, hein?
23:31Disso me encarrego eu.
23:33Vamos à obra.
23:39Já?
23:40Já, já.
23:48O que...
24:16O que aconteceu?
24:20Ai, ai, perdoe, senhor.
24:22É que eu estava...
24:23Ai, ai, como vou lhe dizer?
24:40Escuta, timotrúfia, eu posso saber...
24:48Olha, senhor, me deixe explicar.
24:50É que na realidade eu, eu...
24:52Senhor...
25:02Eu, eu, eu...
25:31Música
25:52Por favor, Simontrofia, acalme-se, controle-se, tranquilize-se.
25:57Agora sim, diga-nos o que foi que viu dentro do altaúde.
26:02O que viu? O que é isso?
26:07Não estou entendendo. Nem eu.
26:12O que está no altaúde é o cadáver morto de um morrido que já desvaleceu no melhor da sua vida.
26:35Você tem certeza que se trata do mesmo hóspede do altaúde?
26:39Claro que com certeza que é lógico que sim.
26:42Mas como é possível?
26:44Espera um momento.
26:45Quando se registrou no hotel, esse cara disse que estava realizando sua última viagem.
26:54Caramba! Por isso ele deitou no altaúde.
26:57Mas em que sentido se...
26:58Em sentido horizontal.
27:00Eu ia perguntar em que sentido disse essas palavras sobre sua última viagem.
27:04Está claro.
27:06Esse senhor pressentia que estava próximo da morte.
27:10Então decidiu encarregar-se do seu próprio funeral.
27:13O senhor acredita nisso?
27:15Não há outra explicação?
27:17E isso significa algo terrível.
27:20O que significa?
27:22Que não vai pagar a conta do hotel.
27:39Que não vai pagar a conta do hotel.
28:04Escuta, não sabe que isso é proibido?
28:07Isso o quê?
28:08Que entre mulheres dos quartos dos hóspedes...
28:13Bem, eu...
28:14Suponho que posso contar com a sua descrição.
28:18Claro que em troca de uma boa gorjeta.
28:21Bom, olhe, desta vez eu vou deixar passar, mas que não se repita.
28:25Não, pode ter certeza que não.
28:27Não, não, não, mas quem deve segurar isso não é a senhora, é o hóspede e eu vou avisar.
28:33Escuta, senhor.
28:42Onde está?
28:44Senhor?
28:46Senhor?
28:54Eu gostaria de saber o que vai fazer com este vaso.
29:22O caso é que não me lembro o que diz o regulamento a respeito.
29:25O que regulamento?
29:27O de polícia?
29:28Mas a respeito de quê?
29:30É, sobre se podemos prender os difuntos que organizam o seu próprio funeral.
29:36Escuta, sargento.
29:37O que...
29:38Espera aí, espera aí.
29:40E se tiver acontecendo que o morto não está morto porque morreu e de repente ele morreu porque mataram ele?
29:48E você está insinuando que podem tê-lo matado.
29:52Oh, e por isso mesmo conseguinte o senhor deve revistar o cadáver para ver se ele tem algum buraco.
29:59Um buraco?
30:01Claro, algum buraco de bala ou de punhal ou de alguma coisa assim.
30:05Ah, ah.
30:06Pois então, como é que acha que matam a gente?
30:08Ah, claro.
30:09Sim.
30:10Aham.
30:11Sim.
30:13Sim, você tinha toda a razão.
30:15A história do ataúd serveu perfeitamente para que se distraíssem e não percebessem o disfarce que eu usei.
30:21Sim.
30:23Bem, agora está servindo para algo mais.
30:27Sim.
30:29Claro que eu tenho dinheiro.
30:32Bem, digamos que só teve outro pequeno contratempo.
30:37É que agora os sapatos não entram mais nos meus pés.
30:41E ainda mais os de mulher.
30:43Sim.
30:45É que o idiota deixou cair em cima dos meus pés o ataúd.
30:50Sim, duas vezes.
30:53Claro, claro que ficaram inchados, sim.
30:57Aham.
30:59Bem, e agora?
31:01Quais são as instruções?
31:04Está bem.
31:06Sim, sim.
31:09Está bem.
31:11Bem, até logo.
31:15Posso ajudá-lo, sargento?
31:18Shhh.
31:19Estou investigando.
31:21Ah, não, não, não.
31:22Isso não vale.
31:23O que foi?
31:25Como soube que eu sou o sargento?
31:27Bem, é porque muitas vezes ouvi fazer sua ronda aqui, pelo bairro.
31:32É isso mesmo, mas agora estou disfarçado.
31:35Ai, é verdade.
31:36Me perdoa.
31:37Me perdoa, mas é que o senhor tem uma personalidade tão forte.
31:42Ah, bom, isso sim.
31:45Mesmo porque a senhora também poderia competir comigo, hein?
31:49Competir?
31:50Em quê?
31:51Em sagacidade, para descobrir as pessoas que andam disfarçadas.
31:55Porque ele assegura que a mim não escapa uma.
31:58Hum, eu imagino.
32:01Pode-se saber com que intenção se disfarçou?
32:04Bom, olhe, é que eu estou investigando um mistério que tem neste quarto.
32:09O caso é que não encontro uma maneira de entrar nele.
32:12Sargento, aqui está a chave mestra que a simotrufa lhe mandou para que o senhor possa abrir.
32:17Ah, muitíssimo obrigado, botijão.
32:19O senhor é muito amado.
32:20Escuta, escuta!
32:21Quem lhe deu licença para entrar no meu elevador?
32:23O senhor é muito amado.
32:53O que aconteceu? Está tremendo.
32:55Nada, que tremendo. Aconteceu o que tinha que acontecer.
32:59Este elevador, estando eu dentro, não suporta nem 5 gramas de carga adicional.
33:03Quer dizer que foi por isso que descemos com tanta velocidade?
33:06É claro, naturalmente que desde já que sim.
33:08E mesmo sabendo de uma coisa dessas, o senhor ainda teve o cinismo de entrar no elevador.
33:13Mas cinismo foi o seu entrando no meu elevador sem sequer pedir licença.
33:20O John Firas!
33:22Isso mesmo.
33:25Não!
33:29O John Firas!
33:32Por que ele tinha que morrer precisamente quando estava vivo?
33:37Calma, Timotrúfia, calma.
33:40O sargento pode haver se... pode haver se confundido.
33:44Não, seu Cicílio. Desgraçadamente, essa é a triste realidade.
33:49Ai! E sabe o que que é?
33:52Eu acho que eu tenho a obrigação de rezar as réguas com o Tepache para ele.
33:59Seria o Ré que escate em parte?
34:02Pois que seja a mãe do guarda, mas que eu tenho a obrigação de rezar, eu tenho.
34:09Ai! E por que diabos não se consegue abrir essa porta?
34:12Por que o elevador não chegou até embaixo?
34:14Somente abaixou um pouco mais da conta.
34:18Ai!
34:34Senhor, eu te suplico suplicantemente que escutes as súplicas dessa pecadora que...
34:43Bom, pecadora, mas só um pouquinho, né?
34:46Porque, sabe, e eu não sou como essas outras que o senhor conhece por aí.
34:51Eu nem vou dizer o nome para o senhor não dizer que eu não sou fofoqueira, mas...
34:55Mas como eu dizia, senhor, que escutes as súplicas suplicantes dessa pobre pecadora?
35:03Não, nós já falamos que não é verdade.
35:05Mas, mas, dessa pobre que te...
35:07Que te suplica suplicantemente que ajudes este pobre infeliz e a este pobre miserável, a este morto de fome.
35:18Morto de fome não, né?
35:19Ele é morto de outra coisa.
35:20Mas, olha, senhor, mas, mas eu te suplico que o ajude agora que ele já passou dessa para uma vida
35:26melhor.
35:27Mas, quer dizer, bom, mas nem tanto melhor, senhor.
35:30Mas, por favor, eu te suplico que intercedas por ele.
35:33Eu te suplico que o deixes livre sob fiança do inferno.
35:37E que não lhe dê mais de 15 ou 20 anos de purgatório.
35:41E vai me perdoar bastante, mas tu sabes bem, senhor, que quando eu digo uma coisa, eu digo outra.
35:45Porque assim é como tudo.
35:47Tem coisas que eu nem sei e eu tenho ou não tenho razão.
36:07Não, sargento, não.
36:09Eu não me mexi deste lugar.
36:11Por isso, posso lhe assegurar que este homem não saiu do hotel.
36:15Mas, então, o que foi?
36:17Será que ele não entrou no quarto de algum outro hóspede?
36:21Mas, se não tem mais hóspedes neste hotel, este homem é o único.
36:25E a mulher que estava falando por telefone.
36:28Que mulher?
36:29Uma que chamou muito a atenção porque andava descalça.
36:35O senhor disse que andava descalça?
36:37Sim, por quê?
36:38Porque este homem também tirou os sapatos.
36:41Que homem?
36:43O do ataúde.
36:44O Chompiras deixou cair o ataúde.
36:47E, naturalmente, os seus pés incharam.
36:51O morto ressuscitou!
37:02O que foi que falou a ximotrúfia?
37:05Alguma coisa como que o morto ressuscitou.
37:08Está certo disso?
37:10Bom, deixa eu perguntar a ela.
37:12Escuta, ximotrúfia.
37:21Ai, minha mãe santíssima dos desaparecidos, que não me apareça!
37:27Escuta, ximotrúfia.
37:28Podia me dizer a que morto está se referindo?
37:31Ah, mas como quem ora o Chompiras?
37:35Espere, espere.
37:36Os mortos não ressuscitam.
37:39Mas esse sim ressuscitou!
37:41E eu digo que eu acabo de ver com os meus próprios...
37:54Escute bem, gordinho.
37:56Ou você arranja um jeito da gente sair daqui.
37:59Ou já pode ir rezando as suas últimas orações.
38:01Não, não, não, não, não, é que vamos ver se é certo que o medo aumenta as forças do ser
38:08humano.
38:09Vamos.
38:11Vamos rápido!
38:13Sai da minha frente, sai!
38:26A senhora está presa em nome da lei.
38:30Eu posso explicar tudo, sargento.
38:37O plano era muito engenhoso.
38:40A mulher pensava escapar do hotel com o seu amiguinho.
38:44Amiguinho que a polícia já tinha prendido, não é?
38:48Naturalmente, ela queria escapar com a maior quantidade possível de dinheiro.
38:52Mas tinha um problema.
38:55A conta bancária estava em nome do seu marido.
38:59Então, é como deve ser?
39:01Ah, meu Deus, então quer dizer que você tem uma conta no banco, é?
39:04Não, mas assim é que deve ser.
39:06Não, não, não, não, por favor, botijão, por favor.
39:08Deixa que o sargento continue e depois o que quer.
39:10Então, ela foi e se disfarçou como se fosse o seu marido, foi ao banco, falsificou a assinatura do seu
39:18marido e tirou todo de mim.
39:20É, é assim mesmo que deve ser.
39:22O quê?
39:23Escuta, não.
39:24Por favor, por favor, por favor, deixem que o sargento continue, não interrompam e depois.
39:30Ela sabia que o pessoal do banco não tardaria em perceber a falsificação.
39:34E depois o que fariam?
39:36Não sei.
39:36O quê?
39:37O quê?
39:37O quê?
39:38O quê?
39:38Suspeitar que o marido tinha cometido um autoroubo.
39:42Caramba!
39:43Então deve ter sido bem, não é?
39:44Não, não, não, não, não, isso não, isso não, isso não.
39:45Então ela se viu na imperiosa necessidade de se desfazer do disfarce.
39:49Mas onde fazê-lo?
39:51É, pois é, onde?
39:52Ora, mas onde?
39:53Nenhum lugar onde tivesse uma turma de idiotas que nem percebesse.
39:58O que aconteceu?
39:59Você tem que dizer coisa que você está vivendo.
40:01Bom, bom, espere, espere, espere, espere, espere, espere.
40:03Olha, ela usou o ataúde como bagagem para que ele chamasse todas as atenções e ninguém percebesse que era ela
40:12quem estava disfarçada.
40:14Não, mano, não.
40:17Isso não pode ser.
40:19Tanto pode ser que assim foi.
40:24Bom, pois então, por via das dúvidas, tem que se proibir a proibição de que os hóspedes usem ataúdes como
40:31bagagem.
40:32Mas o senhor está seguro de que essa é sua bagagem?
40:36Meu senhor, o porquê desta pergunta?
40:52Não, mano, não.
40:54Não, mano, não.
40:59Legenda por Sônia Ruberti
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