00:00O repórter Paulo Cidadão vem trazendo informações do julgamento de Suellen Kelly Vasconcelos,
00:05acusada de matar o ex-companheiro, o guarda municipal identificado como Ivanhoede Souza,
00:11o crime registrado em 2024.
00:14Hoje está acontecendo o julgamento no Tribunal do Júri, aqui em Belém.
00:18Repórter Paulo Cidadão já posicionado para trazer as informações.
00:21Como é que está por aí desde o começo da manhã de hoje, Cidadão? Boa tarde.
00:27É isso mesmo, Natália Genô. Boa tarde para vocês.
00:30A RBA TV está acompanhando desde cedo o julgamento de Suellen Tavares,
00:35momento em que tanto os advogados, Ministério Público, a parte da defesa do guarda municipal
00:41e também da Suellen estão apresentando as suas versões.
00:44Aqui, ao meu lado, quem vai conversar agora com a gente ao vivo é o doutor João Paulo, advogado de
00:49Suellen.
00:50A gente pôde acompanhar nesta manhã o momento em que teve a pausa agora para o almoço do julgamento
00:56e em um dos episódios onde ela conversou com o próprio juiz,
01:00ela alegou que diversos episódios de violência doméstica.
01:04Você poderia pontuar para a nossa equipe? Boa tarde.
01:07É até difícil responder.
01:09Tamanha foi a magnitude dos oito anos que Suellen viveu com o seu Ivanhoer.
01:14Foram oito anos de todos os tipos de violência doméstica que uma mulher pode sofrer.
01:20Violência patrimonial, violência física, violência psicológica, violência moral, violência familiar, violência sexual.
01:30Tudo isso foi comprovado nos autos, através dos depoimentos, das testemunhas, das provas que nós juntamos aos autos,
01:35dos prints de conversa, dos vídeos que constam aos autos.
01:39Nós conseguimos, com robustez, demonstrar que Suellen, embora hoje acusada, foi vítima de um ciclo de violência que perdurou durante
01:49oito anos
01:49e que, infelizmente, só terminou com esse evento catastrófico que nós lamentamos que foi a morte do seu Ivanhoer.
01:57A gente conseguiu observar que foi até difícil para a Suellen relatar esses diversos episódios.
02:03Entre eles, ela contou, anotei aqui, que ela estava estudando e até quando ela ia estudar, ele era ciumento, chegou
02:10a quebrar a porta, a violentá-la.
02:12Isso faz parte de um ciclo do agressor, né?
02:15Ele estabelece com a mulher uma relação de posse, como se ele fosse dono dela.
02:23Então, tudo aquilo que a mulher faz, que não condiz com a vontade do homem, era assim que ele tratava.
02:31Ele admoestava ela, ele lesionava ela, ele ameaçava ela, chegou a atirar na porta porque ela estava trancada estudando
02:39e tantos outros eventos que eu perderia aqui pelo menos uns 30 minutos, uma hora, conversando com você sobre a
02:46gama de violências que ela sofreu.
02:49Diante de toda essa violência, em um deles, duas vezes ela recebeu a medida protetiva, ela solicitou, por sinal foi
02:57deferida.
02:58Você poderia falar um pouco também sobre isso?
03:00As medidas protetivas foram deferidas para mais de duas vezes.
03:03Mas como o ciclo de violência, ele se reincindia, ele tinha esse condão de obrigá-la a desistir das medidas
03:14protetivas,
03:15de exigir que ela pedisse na justiça a retirada dessas medidas protetivas
03:21e de se impor como proprietário dela para continuar perpetuando o ciclo de violência que Suelen sofria.
03:30Natália Agenor, outro ponto que chamou bastante atenção durante aqui o julgamento,
03:35que está acontecendo, na verdade, só teve a pausa para o almoço, é o que eu vou apontar agora para
03:39você,
03:40e que um desses episódios que ela solicitou medida protetiva, ele sempre pedia perdão,
03:45dizia que iria mudar o seu comportamento, na versão que foi apresentada aqui no julgamento.
03:50E vocês têm um vídeo onde ele mesmo pede perdão para ela?
03:54Você pode compartilhar um pouco sobre esse episódio?
03:56Nós temos dois vídeos que mostram ele de joelho, pedindo perdão para ela,
04:02numa tentativa de produzir uma prova de que ele não era uma pessoa violenta,
04:07de produzir uma prova capaz de revogar a medida protetiva, para que ele continuasse se perpetuando.
04:14Advogado, obrigado pelas informações, vocês que fizeram agora a pausa para o almoço,
04:18obrigado pela entrevista aqui à RPA TV.
04:20Pois é, esse caso aconteceu no dia 17 de janeiro de 2024,
04:25quando a Suelen efetuou diversos disparos de arma de fogo contra Ivanoel.
04:31Ainda foi, na época, deslocada, o hospital metropolitano não resistiu e morreu.
04:37Ela foi presa, ficou aproximadamente ali cinco meses,
04:40e logo depois respondeu à liberdade para aguardar o julgamento.
04:44Vou pedir para o Carneiro continuar aqui comigo,
04:46para a gente mostrar a movimentação aqui dos familiares, do amigo,
04:50agradecer ao advogado por conversar.
04:52Para que a nossa equipe venha aqui comigo, para a gente continuar conversando,
04:56até mesmo porque nós falamos agora com o advogado dos próprios de defesa,
05:05de Suelen, mas aqui a gente vai tentar conversar também com os familiares do próprio guarda municipal.
05:12A gente está acompanhando aqui, foi apresentado todas as versões por parte do advogado da Suelen.
05:19Para você, que é parente dele, esses relatos que foram colocados em pauta,
05:25eles aconteceram? Você presenciou algum deles?
05:27Mas, como o advogado de acusação agora está falando com uma emissora,
05:34ela tem muitas falácias, sem provas.
05:37Ela não quer ir para a cadeia.
05:39Ela não quer ir para a cadeia, então ela vai tentar provar,
05:42de todas as maneiras, que houve uma legítima defesa.
05:45Mas, como eu também tive acesso ao apartamento,
05:47não tinha uma cadeira sequer fora de lugar, entendeu?
05:51E eu vou falar um fato agora, que o advogado até não me autorizou.
05:56Eu tive acesso ao laudo do Renato Chaves.
05:59Os dois tiros que atingiram meu cunhado, eu fui pelas costas,
06:02de cima para baixo, entendeu?
06:06E, mais uma vez, prisando aqui, ninguém é a favor de violência doméstica,
06:10do homem bater mulher, entendeu?
06:14Ninguém aqui é hipócrita para saber que existe realmente marido e mulher discute,
06:19se ofende, mas isso não me dá direito de pegar uma arma e matar a minha esposa
06:23ou a minha esposa me matar, entendeu?
06:25O que a família nada mais está pedindo, que seria a condenação da ré.
06:29Seria muita injustiça essa moça sair daqui pelas portas da frente sorrindo, entendeu?
06:35E, olha, um ponto bem importante que durante, no momento em que a nossa equipe
06:40estava acompanhando, foi que o Ministério Público também realizou
06:44algumas perguntas pontuais a ela.
06:46Por que que esses relatos e esses episódios que ela colocou
06:50não estavam nos registros da época de boletim de ocorrência?
06:54Eu vou pedir com licença aqui para o Isidoro Calixto,
06:57que é o advogado da família,
07:01onde ele está dando entrevista agora e falando um pouquinho sobre o julgamento.
07:06Premeditou o crime.
07:08O Ministério Público, nós da assistência da acusação,
07:12não estamos dizendo que houve premeditação.
07:14O que nós estamos afirmando e vamos sustentar agora, depois, após o intervalo,
07:19é que a dona Suellen não agiu em legítima defesa.
07:23Por que não?
07:24Porque não há, no processo, nenhum elemento que corrobore essa narrativa,
07:31essa afirmação.
07:32Porque narrativa não precisa ser comprovada.
07:34Narrativa é narrativa.
07:35Não se trata, de fato, de narrativa.
07:38Mas reparem, não há absolutamente nada, nada no processo.
07:42A defesa está trabalhando perfeitamente a questão de que houve fatos pretéritos,
07:47que era um relacionamento conturbado,
07:49que havia violência patrimonial,
07:52que havia xingamentos.
07:54Isso eu não tenho nenhum problema de dizer que era possível desistir.
07:58Eu não vi.
07:58Eu não conheço ninguém que tenha presenciado isso e tenha me dito.
08:03Agora, a questão é que não apareceu ninguém até agora aqui,
08:07ninguém, nesse tribunal, que diga
08:08eu vi o seu Ivanhoé agredindo a dona Suellen.
08:13Obrigado, Zidoro Calixto, pelas informações.
08:16A gente acompanhando um pouco da movimentação
08:18aqui no fórum, no centro de Belém.
08:22E teve a pausa para o almoço e o retorno daqui a pouco,
08:25por volta de uma hora da tarde.
08:27Natália, Genô.
08:28Está aí o repórter Paulo Cidadão trazendo as informações,
08:31ouvindo os dois lados, né, Natália?
08:33As defesas, tanto da memória do Ivanhoé,
08:36que no caso é o advogado Isidoro Calixto,
08:41quanto também da defesa da mulher que está sendo julgada hoje.
08:44Porque até então o que ela alega é que ela agiu em legítima defesa,
08:48só que a outra defesa contesta o que, de fato,
08:53ela argumenta desde quando ela foi levada à delegacia na época.
08:56Na época, inclusive, após o crime,
08:59a repórter Sancha Luna conversou com esta mulher.
09:01E também, na época, ela se defendeu?
09:03Sim, se defendeu.
09:04Disse que sofria violência doméstica,
09:06que, inclusive, o Ivanhoé ameaçava,
09:11não gostaria que ela realizasse nenhum tipo de denúncia contra ele,
09:15não queria que ela desse entrada em medida protetiva.
09:19E ela afirma que ela acabou, né,
09:21assassinando o Ivanhoé em legítima defesa.
09:24Só que ela atira não somente uma vez,
09:27ela descarrega o estojo da arma contra a vítima,
09:31sem chances de defesa.
09:32Pelo menos seis tiros que ela disparou
09:35atingiram a vítima, que não resistiu aos ferimentos.
09:38E nós continuaremos acompanhando ao longo do dia
09:40este julgamento, que está agora numa pausa para o intervalo.
09:43E nós continuaremos acompanhando ao longo do dia.
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