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  • há 19 horas
"Eu acabei chegando no Brasil, mas sempre me lembrava como era o meu estilo de vida aqui [na Europa]", diz a microempreendedora Aline Milene Machado.A psicóloga intercultural Andrea Sebben costumo chamar isso de “ferida do retorno".Mas tem outros nomes: síndrome do retorno ou choque cultural reverso, por exemplo - com ampla documentação científica.Trata-se do impacto na saúde mental de quem volta para o Brasil depois de um tempo vivendo no exterior, seja por obrigação, como a gente vê nas deportações dos Estados Unidos, ou por escolha, como foi o caso do consultor de vendas Maucir Nascimento, que retornou ao Brasil em 2018 após morar 10 anos na Austrália.

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Transcrição
00:00Eu acabei chegando no Brasil, mas sempre me lembrava de como era o meu estilo de vida aqui.
00:05Sim, chamar isso de ferita do retorno.
00:07Tem outros nomes, síndrome do retorno ou choque cultural reverso, por exemplo,
00:11com ampla documentação científica.
00:12Eu estou falando do impacto na saúde mental de quem volta para o Brasil
00:15depois de um tempo vivendo no exterior.
00:17Seja por obrigação, como a gente vê nas deportações dos Estados Unidos,
00:20ou por escolha, como foi com o Malsir.
00:22Ele retornou ao Brasil em 2018 após morar 10 anos na Austrália.
00:26Eu sempre vi outros imigrantes sofrendo muito com essa coisa da perda
00:30e eu não queria, eu sou filho de mãe solteira, né?
00:32Aquela coisa toda, não tenho família próxima, não tenho nada.
00:35Não era a mesma coisa.
00:36O fenômeno psicológico foi identificado já na Primeira Guerra Mundial.
00:40Na época, médicos perceberam que havia um estrago emocional sobre os militares e civis deslocados na Europa.
00:45No Brasil, os estudos ganharam força nos anos 1980,
00:48com análises sobre a frustração de trabalhadores que tinham passado uma temporada no Japão.
00:52No regresso, muitos manifestavam sintomas de depressão, ansiedade e sensação de não pertencimento.
00:58Exatamente o que a Aline diz ter sentido na mudança para o Brasil ano passado.
01:01Depois de viver 10 anos na Alemanha, ela decidiu ir de malas feitas para Florianópolis.
01:06Meu pensamento primeiro foi chegar em casa.
01:09Mas logo notou que não era tão casa assim.
01:11E deixou o Brasil uma segunda vez.
01:13Eu era sempre muito trânsito, muito carro, parecia que estava sempre cheio.
01:18Então isso aí foi uma das coisas que me pegou um pouquinho mais.
01:21Eu conversei com esta psicóloga intercultural.
01:24E ela me disse que esse baque é provocado pela estranheza de voltar a um ambiente que deveria ser familiar,
01:29mas de todo não é.
01:30É uma idealização porque quando a gente está fora, literalmente fora do contexto,
01:36a gente meio que rompe com a realidade.
01:39A gente se relaciona com o país de origem muito mais no nosso imaginário.
01:43Os dados que tu tem habitam absolutamente no teu imaginário.
01:46Isso faz com que o recuo às origens produza uma espécie de luto migratório, para superar só com muita paciência.
01:53No caso da Aline, ela ficou sete meses no Brasil e não deu conta.
01:56O ideal, segundo a especialista, é aguentar um ano pelo menos.
01:59O Itamaraty tem um guia online com um monte de dicas práticas.
02:02Eu acho que a questão de fazer tudo com o pé no chão é muito importante.
02:06Faz uma matriz aí de prós e contras, planejamento, preparação.
02:10Que começa às vezes com a escolha de onde você quer morar no Brasil,
02:15que estilo de vida você quer levar, que projetos novos existem pela frente.
02:18E retornando também não dá para ignorar as dificuldades que você passava no exterior.
02:23Mas essa é uma reflexão pessoal.
02:25Porque a migração não acontece no lado de fora.
02:28Ela acontece no lado de dentro.
02:31Então eu diria, trato de se preparar no dia do que o seu levantar.
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