00:00Existem várias dificuldades, né? Eu sei que é o caminho que eu escolhi e eu não me arrependo nem um
00:04pouco disso.
00:05Eu não me vejo de outra forma, né? É como a minha forma de expressão mais genuína e visceral, assim,
00:12alguma coisa que vem de dentro de mim, alguma coisa que eu sempre sonhei.
00:14Mas a gente sabe que aqui não é o lugar onde... não é o gênero preferido, é um gênero que
00:21sofre discriminação,
00:22é um gênero que muita gente grande, muita gente influente, poderosa, não quer que isso cresça por motivos que, enfim,
00:32a gente pode discutir em um outro momento. Mas eu me sinto muito bem de fazer parte desse movimento, assim,
00:38porque a gente é um movimento de resistência, né? Um movimento que é muito vivo, né?
00:46Ao contrário do que muitas gentes... existem pessoas que o discurso de rock morreu é bem inconveniente,
00:51mas isso não reflete a realidade. A gente sabe que não. A gente vê aí bandas de metal vindo pro
00:55Brasil
00:56lutando estádios, às vezes até mais de um dia de estádio, né? Tanto bandas mais tradicionais,
01:01como, sei lá, pra você pegar um Iron Maiden, Metallica, como bandas mais novas.
01:05Tipo, a Vindia também falou de vir fazer show de estádio, tudo bem que já não é mais tão nova,
01:08mas o Bring the Horizon, né? As bandas do No Metal, Limbiscuit, Korn, todas lutando estádio.
01:13Então, acho que isso diz muito pra gente sobre... a gente gosta, o brasileiro gosta de metal,
01:19e o brasileiro precisa de metal e o brasileiro quer se sentir representado pelo metal, né?
01:23E eu... se eu puder ter o privilégio de ser um dos representantes, pra mim vai ser uma grande...
01:28uma grandissíssima honra. Eu trabalho muito pra que meu trabalho seja cada vez mais lapidado,
01:32pra que eu possa ser... ser uma... uma espécie de referência positiva pro gênero no Brasil, assim.
01:40Eu gosto... porque eu gosto muito, sempre... gostei muito, sempre fui um consumidor,
01:45assim, do das coisas que... tanto daqui quanto de fora. Enfim, pra mim é um... um grande privilégio.
01:51Legal. É... você falou, e acho que vem de outra resposta, é... o que que seria esses interesses aqui?
01:58Você acha que é um negócio mais... é... de caretice?
02:03O que que é contra o metal que tu tem?
02:06É, eu acho que sim, né? Porque o metal, ele é um... é um lugar de rebeldia, né?
02:11De... de resistência, de... muitas vezes de anarquia, de contra-sistema.
02:16E isso pode ser desinteressante, né?
02:18É uma coisa que não é muito... não tá dentro daquele... daquela caixinha de comportado, sabe?
02:23Tipo, você vai ter que ir lá ficar mandando as pessoas tirarem o sinalizador do show,
02:26vai ter que ir lá... mas não façam bagunça, gente.
02:28É pra todo mundo ver o show.
02:30Porque, né? Se as pessoas estão se divertindo e pulando e assistindo um show como deve ser, né?
02:35Que é com energia ou não, pra quem faz... muitas vezes pra quem faz o evento,
02:40pra quem tá ali fazendo a parada, é às vezes até mais interessante que todo mundo se comporte bem,
02:45porque o dinheiro deles vai estar entrando do mesmo jeito e eles vão estar correndo menos riscos, vamos dizer assim,
02:50né?
02:50Mas o metal é isso, né? O metal sempre foi essa catarsis, essa... você extravasar, é você ter essa...
02:56Não só o metal, né? Claro, não é exclusivo desse... desse gênero, mas estamos falando aqui de metal,
03:02Então, eu acredito que exista uma resistência aí, porque é mais interessante que as coisas fiquem mais comportadas
03:08pra algumas pessoas, né? Mas a gente tá aí pra descomportar.
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