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  • há 2 meses
Alana Anisio Rosa, de 20 anos, rejeitou um homem de sua academia que lhe enviava flores constantemente. Um mês depois, ele invadiu sua casa e a esfaqueou cerca de 50 vezes.

Sua mãe, Jaderluce Anísio de Oliveira, se deparou com a cena em fevereiro, ao voltar para casa em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. "Ele não parou, continuou esfaqueando ela várias vezes", disse Oliveira à AFP, acrescentando que sua sala ficou "toda suja de sangue".

Créditos: AFP

Leia mais:
https://www.em.com.br/internacional/2026/04/7393895-esfaqueada-por-dizer-nao-a-misoginia-online-alimenta-a-violencia-no-brasil.html

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Transcrição
00:00Jaterlúcio não esquece os momentos de pavor ao encontrar a filha esfaqueada em casa.
00:05O crime ocorreu em fevereiro em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.
00:10Alana, de 20 anos, rejeitou um homem que frequentava a mesma academia que ela
00:14e lhe enviava flores constantemente.
00:16Um mês depois, ele invadiu a casa da jovem e a esfaqueou.
00:20Ela falou que quando ela entrou, que ela chegou na academia,
00:23que ela entrou dentro de casa, que ela fechou a porta e escutou um barulho.
00:27Aí ela falou que quando olhou ele já estava empurrando a porta.
00:30Ela já entrou batendo nela, chutando o rosto dela, a cabeça, jogando ela no chão.
00:34Ela falou que nem sentiu as facadas, porque como ele já começou machucando muito ela,
00:39ela falou que as facadas em si ela não sentiu.
00:41Enquanto Alana se recuperava das múltiplas cirurgias,
00:44viralizaram no TikTok vídeos de homens socando e esfaqueando manequins com o slogan,
00:49treinando caso ela diga não.
00:51A mãe da jovem afirmou que o agressor de sua filha seguia esse tipo de conteúdo nas redes sociais.
00:57Dá uma revolta muito grande, que você fica se perguntando por quê?
01:01Por quê? O que se passou na cabeça desse rapaz de fazer uma coisa dessa?
01:05Aí a médica falou assim, vocês eram namorados?
01:07Ela falou, não, nunca namorei ninguém, mesmo se fosse.
01:11Ela só perguntou se era, porque nada justifica.
01:15Ninguém tem direito de fazer isso, de matar, de machucar.
01:20Assim, gente, muito triste mesmo, viu?
01:22É revoltante e é mais revoltante ainda você saber que daqui a pouco ele está solto.
01:26No Brasil, cresce a preocupação com o aumento de conteúdo misógino,
01:30chamado de redpill, na internet,
01:32e a possibilidade de que isso incentive a violência contra as mulheres,
01:36em um país onde a desigualdade de gênero já é disseminada há décadas.
01:40O termo redpill é utilizado para descrever homens que acreditam ter despertado
01:45para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam e exploram os homens.
01:49Eles pregam que o homem deve reassumir o domínio e manter a mulher submissa.
01:54Em 2025, o Brasil registrou 1.568 assassinatos de mulheres,
02:00o número mais alto desde que o feminicídio se tornou crime há uma década.
02:04As mulheres que estão morrendo já estão com cinco medidas protetivas
02:07e a lei não está amparando elas.
02:10Ou seja, existe uma lei, uma formalidade para dizer que ela está segura,
02:15mas na prática, na realidade, ela não está funcionando.
02:19Tanto não está funcionando que está acontecendo o feminicídio.
02:22A crescente preocupação com o feminicídio provocou uma onda de propostas legislativas
02:27nas últimas semanas.
02:29O deputado federal Raymond Santa Bárbara apresentou um projeto para criminalizar conteúdos
02:34que, segundo o político, levam a várias mortes de mulheres por dia no país.
02:39Vários movimentos têm acelerado e têm aumentado e potencializado a violência contra as mulheres no nosso país.
02:46E o movimento Redpill, esse movimento que estabelece uma relação hierárquica entre homens e mulheres
02:54e não uma relação horizontal entre homens e mulheres.
02:57Outro projeto de lei aprovado pelo Senado busca tipificar a misoginia como um crime semelhante ao racismo.
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