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Mais um ministro do STF entra no radar das conexões aéreas com o Banco Master. Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió acompanhado de sua esposa em um jato particular da Prime You, empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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#NunesMarques #STF #BancoMaster #DanielVorcaro #Jatinho #Escândalo #Brasília #Justiça #PF

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Notícias
Transcrição
00:00O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, viajou de Brasília para Maceió com a mulher em um avião particular
00:10que pertence à empresa que administra bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime U, segundo o jornal O Estado de
00:19São Paulo.
00:20Nunes Marques foi a uma festa de aniversário, em novembro do ano passado, na capital alagoana,
00:26a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e admitiu ser a responsável por arcar com
00:34os custos da viagem.
00:35No Superior Tribunal de Justiça, o STJ, a advogada Camila Everton Ramos aparece como advogada do Banco Master,
00:44de Daniel Vorcaro, em três processos relacionados à recuperação de créditos no setor de álcool.
00:52Ela recebeu procuração para atuar em nome do Banco, em 12 de dezembro de 2024.
00:59Rodolfo Borges, será que tem alguém do Supremo Tribunal Federal que não tem relações diretas ou indiretas com alguém do
01:07Banco Master?
01:09Olha, o Nunes Marques é a bola da vez.
01:13O primeiro começou com o Dias Toffoli, passou para o Alexandre de Moraes.
01:17Aliás, a gente pode dizer que foi primeiro o Alexandre de Moraes, depois o Dias Toffoli que pega a relatoria.
01:22E agora o Nunes Marques é a bola da vez.
01:24Tem, sei lá, o Fachin, até agora não apareceu, o Carme Lúcia também não,
01:28que são esses mais discretos e que não costumam também frequentar tanta festa,
01:34não costumam passear tanto em jatinho de empresário.
01:37Mas aí a gente sempre volta para o mesmo ponto.
01:41Poderia ser que essa advogada aí nunca tivesse, a gente nunca tivesse nenhum motivo para desconfiar de nada em relação
01:48a ela e em relação ao Nunes Marques.
01:50Agora, os ministros frequentam tanta gente, uma hora as questões se cruzam.
01:55Então o assunto em si ali, dos processos, não diz respeito exatamente às questões que estão sendo tratadas agora.
02:02Mas, de qualquer forma, são relações que em algum momento, e isso está acontecendo agora,
02:09podem levar a dúvidas em relação à conduta dos ministros ou à potencial isenção que eles vão ter ou não
02:18ao julgar uma questão.
02:20E o ministro Nunes Marques vai acumulando algumas questões já em relação ao Master.
02:26Essa parece menor em relação às outras, mas de qualquer forma elas vão se avolumando,
02:30vão se avolumando, aí vai crescendo a bola de neve.
02:33E a gente vai somando um monte de motivos para desconfiar de mais um ministro do STF em relação a
02:38essa questão do Banco Master.
02:40Ricardo?
02:42Você vai se lembrar, Inácio, que a gente comentou semana passada a respeito dessas caronas, né?
02:48Que poderia, obviamente, quaisquer um de nós, mas estamos falando das altas figuras da República,
02:54pegar carona ou mesmo alugar um jatinho de aviação executiva.
02:57Não a gente, né? A gente não tem grana para isso.
02:59E que não tem problema nenhum, né?
03:02Mas no caso das altas figuras da República, eles deveriam ter os devidos cuidados de saber quem são os proprietários
03:08dessas companhias de aviação
03:09e, principalmente, a lista de quem seriam os seus parceiros nessas viagens para que não acabassem comprometidos.
03:16Mas o ponto aqui, para além disso que a gente já analisou semana passada, tem um outro detalhe, sabe, Inácio?
03:22E aí também eu me recordo de toda vez que a gente vai debater essa história de código de conduta
03:27que o Fachin quer impor aos ministros,
03:30porque são coisas tão óbvias, tão claras, né?
03:33Tão patentes que não deveriam sequer vir à tona para discussão.
03:37Mas o grande ponto aqui é o seguinte, né?
03:39Qualquer empresa, Inácio, aí a gente mesmo aqui no Antagonista, ou qualquer outra empresa, você tem regras de compliance.
03:46No serviço público, essas regras são ainda mais elevadas.
03:50Uma autoridade que receba, por exemplo, um vinho caro, algum tipo de presente que ultrapassa um valor,
03:56eu não sei qual que é o valor atual, ele é obrigado a não aceitar e a destinar isso,
04:02esse presente, né, isso que ele recebeu, para a União.
04:06Isso vai para os cofres, vamos chamar assim, da União, para o acervo da União, justamente porque é indevido,
04:12porque dentro dessas regras de compliance isso é errado.
04:15Uma viagem de avião, e nesse caso aqui essa viagem foi oferecida pela advogada,
04:20isso ficou claro, isso ficou assumido, isso se trata de um valor, né, de um presente monetário bastante elevado, Inácio.
04:28Aquela carona do Toffoli, que o Toffoli pegou para uma final de Libertadores no Jatinho,
04:33isso é coisa de milhares, dezenas de milhares de reais, ultrapassa talvez até um relógio desses aí,
04:40ou uma joia dessas aí que o Bolsonaro ganhou, que a Michelle ganhou, e que deu essa discussão toda.
04:45Porque não é apenas o objeto que tem que estar em discussão, não é apenas se é uma joia, se
04:50é um relógio,
04:51se é um vinho, se é um carro, é o valor monetário do que se recebe.
04:55E um ministro do Supremo viajando de carona, ou seja, tendo uma vantagem oferecida por uma advogada
05:02que tem o valor monetário elevado, isso não deveria poder acontecer de maneira alguma, Inácio.
05:07É mais uma dessas coisas, não só críticas, né, sob esse aspecto ético que eu acabei de falar,
05:13mas principalmente que dão direito a toda a sociedade de olhar com suspeição para o Supremo Tribunal Federal.
05:21Rodolfo, isso que o Ricardo traz é muito esclarecedor, pelo seguinte, você, quando dá uma passagem aérea,
05:32quando freta um jatinho por um ministro do Supremo Tribunal Federal, não necessariamente você está vinculando,
05:37olha, te paguei essa passagem e aqui tem uma causa minha que vocês estão julgando,
05:44eu quero que você vá lá, os famosos embargos auriculares e me beneficie.
05:49Não, é tudo muito mais implícito.
05:51Eu estou te agradando lá na frente, olha só que mundo pequeno, uma causa de fulano de tal aqui, olha
05:57só.
05:58Deixa eu ver com mais carinho.
06:00É um pouco mais sutil do que muita gente talvez imagine.
06:04Não é um toma lá, dá cá escancarado?
06:05Justamente por isso que torna tudo mais nebuloso.
06:09E aí o autocompliance de cada ministro devia gritar uma luzinha vermelha do lado da cabeça dele, né?
06:16Tem várias camadas isso aí, né?
06:18Porque ainda que a passagem não tivesse sido paga,
06:21só o fato de o ministro Luiz Marques frequentar um ambiente no qual tem ali advogados
06:26que potencialmente vão patrocinar causas aí nos tribunais superiores sobre empresas ou sobre autoridades
06:37e podem vir a se beneficiar de uma proximidade com o ministro em um momento.
06:41Porque a questão do Toffoli, por exemplo, ali na viagem para a final da Libertadores,
06:46tem essa questão monetária para a qual o Ricardo chamou atenção,
06:49mas tem também o fato de que você, ao permanecer no mesmo ambiente, fechado,
06:54alguém que tem interesse no tribunal no qual você atua,
06:58vocês podem conversar sobre a questão que pode vir a ser motivo de julgamento.
07:05O Toffoli disse, e o advogado lá, o Augusto de Arruda Botelho,
07:09disseram, os dois, que eles não trataram sobre esse assunto,
07:13sobre o assunto de Banco Master,
07:15quando eles foram lá, dois palmeirenses, assistir a final da Libertadores.
07:21Eles não têm como garantir isso,
07:24a não ser que tudo tivesse sido filmado, o voo inteiro, eles tivessem como provar.
07:28Mas a proximidade entre os dois,
07:31obviamente, leva a questionamento sobre
07:35como essa relação pode vir a influenciar
07:39num julgamento futuro.
07:42É assim, é o mínimo que a gente pode fazer,
07:43eu sempre digo isso aqui, é o mínimo que a gente pode fazer e deve, é desconfiar.
07:47E o mínimo que, diante da possibilidade de desconfiança,
07:50essas autoridades deveriam fazer, é não deixar margem para a desconfiança.
07:55Então, ainda que a passagem não tivesse sido paga, já seria um problema,
07:58porque basta ou bastaria a gente saber de ligações, de intimidade,
08:03entre um advogado e um ministro do STF, para já achar ruim.
08:06Se tem dinheiro envolvido, é pior ainda.
08:09Porque, quer dizer, você que está assistindo,
08:12alguém já te ofereceu uma viagem de jatinho?
08:16Para que um advogado ofereceria uma viagem de jatinho para o ministro do STF?
08:21Porque eles são amigos?
08:23Porque se conhecem há muito tempo?
08:25Ou porque tem alguma expectativa de que
08:28esse agrado possa vir a ser retribuído em algum momento?
08:33É ser muito ingênuo achar que eles são só amigos e é isso mesmo.
08:38Pode ser que o ministro nunca tenha chance de retribuir
08:41e nunca tenha feito isso, mas o potencial sempre vai existir.
08:45Obrigado.
08:46Obrigado.
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