- há 19 horas
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PessoasTranscrição
00:00Há 64 anos, em 1936, pelo meu falecido avô, entretanto passou para as mães do meu pai,
00:09que também já faleceu, e herdei eu esse projeto jornalístico, simples, humilde,
00:14um pouco também à imagem das nossas gentes, um projeto jornalístico, desculpa interromper,
00:19precisamente apostado, e enquadra-se bem neste programa, precisamente apostado nas pessoas
00:23ausentes, que estão na área da era em Lisboa, mas também espalhados por isso muito fora.
00:28O que significa, depreendo eu, era isso que eu lhe ia perguntar, o que significa que esta
00:33comarca da Sertã é não só enviada para vários pontos de Portugal, onde gente da Sertã
00:39está a viver longe da sua terra, mas particularmente para gente que está muito mais longe.
00:44Muito mais longe.
00:45Para onde é que mandam o jornal?
00:46Posso dizer que para além de Luxemburgo, Alemanha, França, temos por exemplo muitos assinantes
00:51na América, se calhar aquela senhora que há pouco de feno é uma nossa assinante, temos
00:56por exemplo também assinantes, na Austrália, em Hong Kong, não muitos, não é um número
01:01significativo, mas de um lado.
01:03Nós até temos um slogan, estamos onde há um beirão.
01:07Estão onde há um beirão, porque não é obrigatório que sejam da Sertã, basta
01:12que sejam beirões.
01:13Exato, aliás, o jornal foi fundado, apostado na defesa dos interesses da chamada Zona do
01:19Pinhal, que alberga quatro concelhos de Sertã, Oleiros, Vila de Rei e Proença Nova.
01:25O João Miguel é o diretor do jornal e tem muita colaboração em termos de redação
01:31ou deitares mãos a isto e faz praticamente tudo sozinho, como é que é?
01:36Normalmente estas coisas são quase one man show, não é?
01:39Sim, sim, sim, self-made man.
01:41Exato.
01:41Se bem que tem alguma colaboração, alguma bastante, porque sozinho, completamente sozinho
01:46era impossível.
01:47Tem alguns estimados colaboradores que a título gratuito lá vão fazendo as suas notícias
01:52vizinhas, locais, e eu tenho o prazer enorme de as publicar.
01:55Mas digamos que o bolo maior fica ao meu cuidado.
02:00É, é, é, é, assim o cuidado.
02:01Portanto, a periodicidade é semanal, sai à sexta-feira, não é?
02:05Sim, sim, sim.
02:06Sai à sexta-feira, 64 anos sem nunca ter parado, não é?
02:09Nunca parou.
02:10Olha, estou aqui a ler uma notícia na última página que é muito curiosa.
02:15Uma que diz assim, cada dia há um passo para o envelhecimento.
02:20É verdade.
02:20Nos tempos em que se avança para o mundo das tecnologias, o modo como a sociedade trata
02:24e convive com os seus mais idosos deve constituir um critério privilegiado para avaliar da qualidade
02:29humana dessa sociedade.
02:30Os idosos são naturalmente muito respeitados e muito considerados no Conselho da Sertã.
02:35Não tenho dúvidas nenhuma.
02:36Sem dúvida alguma.
02:38Nós temos este ano estado a apostar muito nesta matéria, não só por ser o ano internacional
02:42do E-12, cujas comemorações oficiais vão agora iniciar-se, mas nós já as iniciámos.
02:46Mal bateu o dia 1 de janeiro, nós começámos logo com as comemorações.
02:50E há que bater nesse assunto, não só este ano, este ano aumentou-se essa dose lá, mas
02:57há matérias que nós apostamos muito.
02:59E ainda uma outra coisa bem bonita, que é uma notícia muito agradável, mas atenção
03:05cuidado com o medicamento, não tomem demais.
03:07O vinho previne as doenças cardiovasculares.
03:10Mas há medicamentos que têm que ser tomados duas gotas por dia, três gotas por dia, não
03:15é?
03:15Vamos lá ver.
03:16Mas, de qualquer forma, é bem bom nós sabermos que vocês aqui abordam tudo.
03:21E tem sempre aqui uma rubrica que é o falou e disse, não é?
03:24Sim, sim.
03:25Desta vez é o secretário de Estado da Administração Interna que diz, Portugal é o país mais
03:28tranquilo da União Europeia e onde se registram menos problemas de criminalidade e de segurança.
03:33Diz isto porque acredita?
03:34Diz isto porque é verdade?
03:36Bem, foi ele que falou e disse.
03:38Pois, ele falou e disse.
03:39E o diretor do jornal.
03:40Eu tenho que me avestir.
03:42Nós não temos a política do pessimista.
03:45Mas na Sertã vive-se tranquilamente.
03:48Sim, sim.
03:49A criminalidade é baixíssima.
03:50Já não é muito recomendável deixar a chave na porta, como aqueles anos atrás, mas
03:54apesar de tudo.
03:55Quer dizer, bem, mas é que hoje em dia já começa a não ser recomendável deixar a
03:58chave no bolso quanto mais na porta, não é?
04:00Pois, sim.
04:00Pelo menos aqui, não é?
04:02Portanto, já não é nada mal.
04:03Sim, sim.
04:03Meu caro amigo João Miguel, muito obrigado por ter vindo.
04:05Parabéns.
04:06Continua a fazer o seu trabalho porque já estou a ver que o seu trabalho tem um grande
04:10reflexo para o mundo inteiro.
04:11Cada um nos seus meios.
04:13Eu com este, meu amigo com o seu.
04:14Muito obrigado.
04:15Muito obrigado.
04:17Mas realmente, a representação da Sertã vai de tal maneira e tão longe que até
04:22trazem também um grupo musical que se chama Popchula.
04:27Eu gosto do nome.
04:28Eu gosto do nome.
04:29Agora tenho a certeza que para além do nome vão gostar com certeza da música.
04:32Os Popchula é um tema que se chama Já Ninguém Se Importa.
04:35Não sei com o quê, mas vamos ouvir.
04:46Toda a gente já perdeu a cabeça e bebeu até cair.
04:52Nem toda a gente sentiu a diferença e desatou a rir.
04:58Toda a gente já tem bons amigos com os quais já não convivo.
05:04Muita gente perdeu a alma e os sentidos e se anda é porque vivo.
05:11E há quem se fique a rir.
05:14Proteste os lapsos do sentir.
05:16Como se o sofrimento de uns fosse um espetáculo de outros.
05:32Toda a gente já se perdeu de todo e bebeu até cair.
05:38Nem toda a gente sentiu a diferença e desatou a rir.
05:44A chama de uma palma ao luar já ninguém se importa.
05:51Com o cheiro da carne de manaça, desde que não lhe batam à porta.
05:57E há quem se fique a ver.
06:00Proteste os lapsos do sentir.
06:02Como se o sofrimento de uns fosse um espetáculo de outros.
06:12E há quem se sente.
07:06A CIDADE NO BRASIL
07:35A CIDADE NO BRASIL
07:40Bem, agora também não está a ver, mas quando chegar a casa, alguém há de lá ter uma cassete gravada
07:44para o senhor ver, para o senhor ver o programa, não é?
07:46Então o senhor trabalha em cestos há quanto tempo?
07:48Desde miúdo.
07:49Desde miúdo?
07:50Desde miúdo.
07:50Nunca fez outra coisa?
07:51Não, faz outra coisa, porque senão dá para viver.
07:53Ah, então o que é que faz?
07:54O que é que faz?
07:55O que é que faz? Trabalho na agricultura.
07:56Ah, trabalho na agricultura e tal.
07:58Pois, quando eu comecei a fazer isto, isto dá para viver.
08:01Agora não.
08:01Agora não dá isto.
08:02A evolução do plástico.
08:04O plástico está a dar cabo disto?
08:06Pois, o plástico está a dar cabo disto?
08:06Pois, o plástico está a dar cabo disto?
08:07Pois, assim.
08:08Pois, antigamente para os agricultores dava semanas e semanas sempre a fazer cestos.
08:11Ah, sim.
08:12Pois, um cesto dava para a agricultura, dava para pagar o ordenado do dia.
08:16E agora um cesto rende mil e tal escudos, o que é que não dá para viver?
08:20Um cesto custa mil e tal escudos agora, não é?
08:22Pois, pois.
08:22Não tem para o ordenado de um dia.
08:23Então, e quantas horas é que se mora a fazer isto?
08:25Vou dar duas horas para duas horas e tal.
08:27Duas horas, duas horas e tal.
08:28Sim, senhora.
08:29Então, muito obrigado por ter vindo.
08:30Muito obrigado.
08:31Olha, aproveita que quem faz um cesto faz um cesto, o meu amigo continua.
08:34Está bem?
08:34Muito obrigado.
08:35Muito obrigado.
08:36E agora vou conversar aqui com a senhora Dona Isabel Nunes, que é de cedeira.
08:40Como está a senhora Isabel?
08:41Está boa?
08:42Vai sim.
08:42Muito obrigado.
08:43E então, este revente que está ali é quem?
08:46É a minha filha.
08:47Olá.
08:47Então, estavas ali escondida.
08:48Vem para aqui, para o pé da mãe.
08:50E para o pé do tio Júlio.
08:51Está bem?
08:52Olá.
08:53O que te chamas?
08:54Sandra Filipe Afarinha Nunes.
08:57Não tens mais nenhum nome?
08:58Chega.
08:59Sandra Filipe Afarinha Nunes.
09:01Pronto.
09:01Está bem.
09:02Quantos anos tens tu?
09:04Quatro.
09:05Quatro.
09:05São estes.
09:06Exatamente.
09:07Casada?
09:08Solteira?
09:08Divorciada?
09:10Não.
09:11Solteira?
09:13Eu acho que deve ser solteira, penso eu.
09:15Olá.
09:15Está boa?
09:16Olha.
09:17Então, a senhora é de cedeira.
09:18Sim, sim.
09:19Trabalha em linho e fundamentalmente, não é?
09:22Sim.
09:22Muito embora algumas destas peças,
09:23não me parece que sejam em linho.
09:25Eu não sou uma grande autoridade.
09:26Praticamente, são todas em linho.
09:28São todas em linho.
09:29E bordadas à mão algumas e outras trabalhadas por mim, no tiar.
09:33E também a parte das peças bordadas também é feita por si?
09:39Não, bordada à mão não.
09:41Só o bordado no tiar.
09:42Ah, só o bordado no tiar, não é?
09:43Sim, sim.
09:44O tiar que está daquele lado, não é?
09:45Sim, sim.
09:45Depois nós tivemos que ter o tiar, porque realmente vocês não fazem ideia, meus caros
09:49amigos.
09:49Hoje o programa está aqui como se nós estivéssemos num autocarro em hora de ponta.
09:53Está tudo cheio.
09:54Tudo cheio.
09:54Não cabe bem ninguém.
09:56E, portanto, trabalha habitualmente com aquele tiar ou aquele é só para representação?
09:59Não, trabalho com um igual àquele.
10:02Ah, com um igual àquele.
10:02E um maior, dois metros de largo.
10:04Sim.
10:05E quem é que ensinou esta arte magnífica?
10:07É lá uma senhora antiga da terra.
10:09Uma senhora antiga.
10:10São as senhoras antigas é que sabem destas coisas.
10:12Sim, sim.
10:12Quando é que se lembrou de começar com esta atividade?
10:14Já há muitos anos.
10:15Tinha 16 anos.
10:1616 anos.
10:18Oh, Sandra Filipe, a farinha Nunes, também queres trabalhar nestas coisas?
10:22Gostas de fazer isto?
10:24Sim.
10:25Sim.
10:25Ela disse que sim, mas eu acho que não.
10:27Eu acho que vai acontecer outra coisa.
10:29Não, não.
10:29Já puxa o quê?
10:31O tiar?
10:31Já puxa pela arte.
10:33Ah, já puxa pela arte.
10:34Já.
10:34Sim, senhora.
10:35Então vamos lá ver se no dia deste fazes um guardanapo e se me mandas um guardanapo.
10:38Está bem?
10:39Está.
10:39Está bem?
10:40Olha, estas peças são disputadíssimas, com certeza, por muita gente, não é?
10:45Sim, sim.
10:46Fundamentalmente os turistas.
10:47Sim, praticamente os turistas.
10:49Eu tenho estado a trabalhar-se por em comanda porque tenho tido muito trabalho.
10:53Ainda bem, ainda bem.
10:55É que o nosso amigo desteiro estava-se a queixar exatamente o contrário.
10:58Eu até aqui trabalhava sozinha, agora já dei uns cursos que era pessoal, agora estou
11:03a dar um curso do ensino corrente.
11:05Portanto, quer dizer que esta tradição tem pernas para andar.
11:10Está garantida a sucessão, não é?
11:11Por agora está.
11:12Muito obrigado, Isabel.
11:13Então até logo, Sandra, Filipe, Afarinha, Nunes.
11:16Até logo.
11:17Até já.
11:17Até logo.
11:18Até logo.
11:18É, Lise, logo.
11:19Agora venho aqui.
11:20Agora vou falar com a Sônia e da Lina.
11:22Como está, minha senhora?
11:23Muito obrigada.
11:25Olha, eu gosto muito de estar aqui ao pé de si, por duas razões.
11:27Pois é, porque a senhora é muito simpática e depois, quando passei, vem um odor daquela
11:31mesa que até me fez crescer água na boca.
11:33Mas antes disso vamos falar da sua arte.
11:35A sua arte é o quê?
11:38É variadíssimas coisas.
11:39Sim, porque o que vejo aqui são montes de coisas diferentes.
11:42E é só realmente uma amostra daquilo que já fiz pela vida fora.
11:45Ah, sim.
11:46Mas, pronto, atualmente aprendi esta arte que é o macramé.
11:54Portanto, são as franjas de nó.
11:56Mais típico por conhecido franja de nó, que é tudo só trabalhado com as próprias mãos,
12:02não tem agulhas, só para prender o trabalho.
12:04Onde sou atualmente formadora na Câmara, tenho alunas.
12:10O que significa que a Câmara está a apoiar estas atividades todas de artesanato e de preservação
12:14da cultura.
12:15Tenho nove alunas.
12:17Parabéns à Câmara e ao seu presidente.
12:19Várias alunas, todo o tipo de pessoas mais jovens, mais idade.
12:25E aqui o que é que tem?
12:27Isto é muito bonito que a senhora aqui nos traz, estes quadros.
12:30Pronto, isto são trabalhos em cascas de cebola.
12:32Em cascas de cebola?
12:34Sim, sim.
12:35Não lhe cheira.
12:36Não lhe cheira, mas devo dizer, só de olhar para isto até choro.
12:39Choro de emoção, porque realmente serve-se complicadíssimo de fazer.
12:42É um bocadinho trabalhoso, muito minucioso.
12:44Deve ser mesmo muito trabalhoso.
12:46Mas que realmente vale a pena.
12:48É extraordinário.
12:49E tenho escamas de peixe.
12:51Em escamas de peixe?
12:52Sim.
12:52Também não me está a cheirar a nada.
12:53Trabalho em escamas de peixe e tenho as cascas dos alhos.
12:58Com cascas de alhos?
12:59Não gosto nem que seja com cascas de alho.
13:01Pois é, isto é realmente espantoso.
13:03Até com cascas de alhos podem fazer obras de arte.
13:06Já repararam?
13:07Sim, onde tenho os chiles, que são típicos das mulheres da aldeia.
13:13Também bordados por si?
13:14Sim, também tudo bordados por mim.
13:17Uma colcha de bebê.
13:19Várias coisas também bordadas para bebê.
13:22Uma toalha...
13:23Então, a senhora tem dedicado a sua vida inteira a todas as artes possíveis e imaginárias
13:28na área do bordado, essencialmente, não é?
13:31Fora disso, há muito mais.
13:33E mais coisas?
13:34Houve muito mais.
13:35E mais coisas?
13:36Olha, de qualquer maneira, os meus parabéns.
13:37Tenho uma toalha de batizado e tenho aquela toalha ali que é o exemplo dessas ditas franjas...
13:45Em macramê.
13:46Sim, sim, que estou a ser formadora, portanto, que já tem mais de 100 anos aquela toalha.
13:51Minha senhora, muito obrigado.
13:52Dona Idalina.
13:53Obrigada.
13:54É realmente uma vida dedicada a várias formas de arte, não apenas uma.
13:58E fiquem com a certeza de uma coisa, quando agora estiverem a descascar as cebolas, peguem
14:03as cascas e experimentem fazer isto.
14:05Até choram.
14:07Até choram.
14:07Tenho a certeza que não é possível.
14:09A verdade é que eu agora não consigo deitar cascas nenhumas fora.
14:12Não deita cascas nenhumas fora?
14:13Não consigo.
14:14Aproveitem, com tudo quanto seja cascas.
14:16Comecem com cascas de coco, que é mais fácil.
14:19Está bem?
14:19Pronto, ainda tem mais uma coisa que gostaria de mostrar.
14:22Onde tenho vários quadros que se relacionam realmente com os ditos xaios.
14:28São colocados em caminhas.
14:30Estes são feitos com...
14:31Um tabuleiro.
14:31Um tabuleiro feitos com...
14:32Pintura judaica.
14:33Pintura judaica.
14:34Este é o tomo judaico.
14:35E os quadros que são a condizer com os xaios para pôr na parede e isto numa caminha.
14:41Dona Idalina, 12 horas de trabalho por dia será?
14:44Talvez 24 e durmo de pressa.
14:46Dorma à pressa, pronto.
14:48Durmo de pressa.
14:48Pronto, então muito obrigado.
14:50Muito prazer em conhecê-la.
14:51E agora, vamos ficar com o primeiro tema da Filarmónica União Certaginense, que hoje
15:01nos honra também com a sua presença.
15:03Eu adoro ouvir bandas.
15:05Vamos ouvi-la.
15:06Aplausos.
15:07Aplausos.
15:08Aplausos.
15:09Aplausos.
15:10Aplausos.
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