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  • há 1 hora
Priscilla revela medos e desafios em 1º papel fixo no teatro: ‘Tive receio de não dar conta’

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Transcrição
00:00Foi muito desafiador, muito divertido também, porque teve toda a questão de, primeiro de tudo, descobrir o corpo dessa boneca,
00:08né?
00:08Como que a gente imprime essa coisa da boneca num corpo humano, né?
00:13E quais eram as nuances, a movimentação.
00:17Então foi um processo ali muito legal, muito divertido da gente descobrir como que é o corpo dessa boneca.
00:22Como que essa boneca fala, como ela se movimenta, o que foi um baita desafio também.
00:27E também entender como que a boneca mostraria os seus sentimentos, né?
00:32Como que a gente conta o que ela pensa, o que ela sente.
00:36Porque ela é só uma boneca, mas ali na peça ela não é só uma boneca, ela tem vida ali,
00:40né?
00:40E não só vida, ela tem sentimento, ela tem pensamento.
00:43Então esse foi um grande desafio, assim, da preparação.
00:47Mas foi muito divertido, assim, foi muito legal.
00:50É uma aventura, realmente você construir um personagem do zero sem muita referência.
00:57Porque as bonecas não, elas não respiram, né?
01:01Elas não têm, elas não são seres humanos.
01:03Então é uma descoberta do zero, como que a gente humaniza esse brinquedo.
01:07Mas foi um desafio muito legal.
01:09O Wicked foi uma participação especial, então foi muito rápida.
01:12Mas foi ali que eu tive certeza que eu teria que dizer sim a esse novo momento.
01:17Porque era o que eu realmente sentia de fazer, o que eu quero fazer.
01:20E não só a atuação no cenário de musical, mas o audiovisual também, eu sempre quis.
01:25Mas eu tinha um pouco de receio de caminhar com alguma coisa em paralelo à música.
01:29O que eu definitivamente não tenho mais, porque existem tantas mulheres com carreiras, né?
01:34Em paralelo.
01:35E eu vou ser mais uma delas, assim.
01:37Vou me divertir fazendo arte de todos os jeitos.
01:40Então, Wicked, essa participação serviu pra virar essa chave na minha cabeça.
01:44E eu mergulhar, assim, com tudo.
01:46Então, realmente foi o meu primeiro papel fixo.
01:49E acho que a minha participação em Wicked foi o pontapé, digamos.
01:58Fiz TV, né? Muito tempo.
02:00E a TV, na época, consumia muito do meu tempo.
02:03Então, eu só consegui focar na música depois que eu saí da TV.
02:06Então, querendo ou não, havia um receio em mim de...
02:10Será que eu dou conta de conciliar dessa vez duas carreiras?
02:14Mas, assim, com certeza já tá tudo organizado na minha cabeça.
02:17Tudo é possível, principalmente pra mulher.
02:19A mulher, a força da mulher, a capacidade da mulher de fazer tantas coisas de uma vez e bem.
02:25Então, só de ser mulher, eu já tenho certeza que eu daria conta, sabe?
02:29Acho que em alguns momentos, né?
02:31Eu acho que a gente sempre tá conseguindo, de alguma forma, se libertar ainda mais pra ser o nosso eu
02:36mais autêntico.
02:37Acho que um grande momento pra mim foi, realmente, quando eu saí da televisão, né?
02:40Então, ali na TV, eu tava sempre dentro de um contexto específico, dentro de um roteiro, de um figurino específico.
02:47E quando eu saí, eu pude, realmente, mostrar várias características, posicionamentos meus,
02:52que na TV não tinha espaço pra isso.
02:55Então, acho que ali foi um grande momento dessa virada de chave.
02:59Deixa agora o público me conhecer por mim, conhecer meus pensamentos, aquilo que eu gosto, que eu não gosto, o
03:05meu jeito.
03:05Então, com certeza, acho que nesse ciclo, né?
03:08Que se encerrou, foi um ótimo momento, assim, pra eu realmente ter a coragem de expor pras pessoas
03:14quem eu realmente era fora do contexto de apresentadora, de todas as coisas que sempre foram atreladas a mim.
03:21Então, acho que aquele momento foi um grande momento.
03:23E a peça fala muito disso, né?
03:25A Suzy, naquele conflito, quando vê a Bárbara toda ali impecável e o cabelo impecável
03:32e o corpo já construindo um padrão de estética irreal, né?
03:36Pra maioria das mulheres.
03:37Então, ali ela entra numa crise de identidade enorme, até ela entender que ela era linda do jeito que ela
03:45era.
03:46Esse é o diferencial e é onde ela precisa se orgulhar.
03:50Então, acho que essa temática da autoestima, ela vem muito pra esse lugar.
03:54Não só de se sentir bem, né? Consigo.
03:58Mas de assumir realmente quem você é, sem se comparar com quem tá do lado.
04:11Será em qualquer lugar
04:15Pra mim, a partir do momento que eu me vejo mulher, eu estou para e por outras mulheres.
04:20Então, obviamente, o feminismo é uma pauta muito ativa na minha vida.
04:23Não só publicamente, mas no meu dia a dia também, né?
04:26Pelas mulheres que me rodeiam, pelas histórias de mulheres que vêm ao meu encontro.
04:30Tem, de fato, essa nuance, assim, na peça.
04:33Quando a gente fala muito sobre a vinda da Suzy, como ela trouxe a possibilidade das meninas terem uma profissão.
04:40E não só brincarem de ser mamãe, né?
04:43Daquele bebezão.
04:44Então, não era mais só uma brincadeira de mamãe e filhinha.
04:47A menina podia ter uma Suzy profissão e criar aquela realidade naquela boneca.
04:53E isso era uma projeção, poderia ser uma projeção da criança pro futuro dela, né?
04:57Através daquela boneca.
04:58Então, acho que isso é muito importante também.
05:00Suzy veio numa época em que esse pensamento era difícil, né?
05:05Para as pessoas aceitarem da autonomia da mulher, da liberdade da mulher.
05:08E ela vem, assim, sendo tudo.
05:11A Suzy, ela era tudo que ela quisesse ser.
05:14E é essa mensagem que ela vem atravessando nas meninas.
05:18E que, com certeza, isso colabora muito para a mensagem que a gente levanta até hoje, né?
05:23Tem um breve momento que, eu não sei, nem se passa despercebido ou não para as pessoas que estão assistindo.
05:30Mas eu, como atriz, interpretando a Suzy e estando na cabeça dela, né?
05:35Na verdade, a cabeça dela está aqui em mim.
05:38Representa muita coisa.
05:39Que é quando a Olga, né?
05:42Que é a dona da Suzy.
05:43Começa a ver a Suzy, né?
05:45Fisicamente.
05:46E aí, a Suzy está toda vestida de rosa, porque ela estava tentando se parecer com a Bárbara.
05:51E aí, começa o discurso da Olga.
05:53Tipo, por que você está com essa roupa?
05:55E ela fala, as meninas gostavam de você do jeito que você era.
05:58E ela começa a enaltecer.
06:00E aí, vai tirando aquela roupa rosa da Suzy.
06:03E acho que ali, a Suzy, vem primeiro uma vergonha dela ter.
06:07Eu acho que é quando a ficha dela cai.
06:09Uma vergonha no sentido de, por que eu estou tentando parecer uma coisa que eu não sou?
06:13Só que eu faço isso porque eu ainda não tenho a confiança para ser quem eu sou.
06:17Então, é um dilema muito grande.
06:19E aí, tem um breve momento, assim.
06:22Que durante esse texto, a Suzy fica envergonhada de estar fazendo aquilo.
06:26Mas, ao mesmo tempo, é o sentimento dela.
06:29E aí, quando a Olga mostra isso para ela, né?
06:33De que o valor dela está na própria identidade dela.
06:36A Suzy muda, assim.
06:37A confiança dela volta.
06:39Ela entende que ela realmente não precisava daquilo tudo.
06:41Então, é um momento tão breve que a Suzy não tem nem fala ali.
06:45Ela só escuta.
06:46E eu acho que é aí que a chave vira, assim.
06:48Eu acho que é um momento muito emocionante.
06:50Eu sempre fico com o olho lacramejando, assim.
06:52Porque é uma situação que muitas pessoas vivem também.
06:55Então, é um sentimento muito real.
06:57Uma situação muito real aquela.
06:58Quando a gente começa a enxergar que a gente já está distante demais de quem a gente era.
07:04E a gente não sabe se é tarde demais para voltar.
07:06Se dá tempo de voltar.
07:08E acho que esse é um momento muito emocionante para mim da peça.
07:11Eu, enquanto intérprete de, enfim, artista, música, cantora.
07:15A gente tem muito como prioridade o som, né?
07:18Então, é a afinação, é a performance.
07:20Do tom da voz é o timbre, é a textura.
07:23Então, o som da voz é o ponto central.
07:27No musical, apesar de ser um musical.
07:29E a gente está contando uma história através da música.
07:32O ponto central não é o som, é a palavra.
07:34Então, isso para mim, eu precisei estudar e separar na minha cabeça a Priscila, cantora da Priscila, atriz de musical.
07:43Porque são formas de cantar diferentes.
07:45Não no sentido de timbre, absolutamente não.
07:48Mas onde você coloca o seu foco, né?
07:51Então, o foco é a palavra.
07:53A gente coloca um som na palavra, mas o foco é a palavra.
07:56E às vezes, cantando no palco ou até no estúdio, meio que não importa o que você fala.
08:00Não importa o som que você está ouvindo, né?
08:02Então, tem várias músicas que a gente ouve.
08:04E às vezes, eu falo, meu Deus, não entendi nada.
08:06Mas eu ouço porque a voz está linda.
08:07E quem me emociona ali é o som.
08:11Eu só quero o som.
08:12O som tem que ser bonito para ouvir.
08:14Às vezes, não importa se a gente está entendendo a letra ou não.
08:16Já no teatro, não pode ser assim.
08:18A pessoa tem que entender a palavra.
08:19Por mais que isso não prejudique.
08:22Por mais que isso, sei lá, às vezes atrapalhe o som.
08:25Tipo, essa nota aqui, eu não cheguei, mas eu falei.
08:28A palavra chegou nas pessoas.
08:29Então, esse foi um grande desafio.
08:31Fico assim, né?
08:32Eu fico tremendo, assim.
08:33Ai, ai, ai, tudo bem.
08:35O que importa é a palavra.
08:36Tipo, ai, meu Deus.
08:37Mas, justamente por eu ser muito perfeccionista,
08:40é que eu me dedico muito para não errar em nada.
08:44Nem na nota, nem na palavra.
08:45O meu objetivo é sempre esse.
08:47Mas eu já entendi que no musical é sobre a palavra que está sendo dita.
08:53É ela que tem que chegar ali na pessoa, na poltrona.
08:56É na pessoa que está ali assistindo.
08:58A palavra, às vezes, vem de um jeito tão forte que o que é um deslize na afinação não é
09:02absolutamente nada, né?
09:04É claro que a gente estuda e se dedica para a gente poder ter um som bonito ali também.
09:08É claro, eu indo em musicais, eu quero ouvir belas vozes e notas, etc.
09:13Mas eu já entendi que está tudo bem, né?
09:16Não entregar, talvez, perfeição em todas as notas, como eu consigo focar mais, por exemplo, nos meus shows.
09:23Porque ali é o meu foco, eu sei que é o som.
09:25Já ali eu estou pensando em várias coisas.
09:27Eu tenho que transmitir emoção, movimento, olhar.
09:30E o som é uma das coisas.
09:32Só mais uma das coisas.
09:33Eu acho que é literalmente sobre a coragem de ser quem você é.
09:37A gente fala muito sobre isso, né?
09:39E também fala sobre o quanto o tempo passa rápido.
09:42E já que ele passa tão rápido, vamos viver do melhor jeito.
09:45E o melhor jeito é sendo quem a gente é, né?
09:47Sem perder tempo tentando buscar ser como o outro.
09:51Ou buscar o que é do outro.
09:52Mas descobrindo quem você é, assumindo isso.
09:55Construindo ali seu próprio caminho, sua própria trajetória.
09:57Então essa mensagem eu sei que ela fica muito evidente, muito clara, assim, durante todo o espetáculo.
10:03Então se a galera sair com isso em mente, a gente cumpre o nosso papel.
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