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  • há 2 meses
O número de casos de latrocínio apresentou leve queda no Pará, passando de 67 registros em 2024 para 65 em 2025, conforme dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup). No entanto, no mesmo período, as prisões em flagrante caíram de 20 para 15 ocorrências, o que representa uma redução de 25%. O especialista em segurança pública Roberto Magno Reis Netto analisa os desafios para o combate a este cenário, que combina diminuição discreta dos crimes com queda na efetividade das prisões no momento da ocorrência.

Imagens: Arquivo Pessoal

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Transcrição
00:00A respeito do crime de latrocínio, é muito importante que se faça uma primeira diferenciação.
00:04Ele não é uma tentativa de homicídio que acaba resultando na obtenção de um bem.
00:08Ele é uma tentativa de obtenção de um bem, ou seja, um crime necessariamente patrimonial,
00:12que, diante de uma potencial frustração de sua tentativa, acaba gerando a morte de um indivíduo.
00:18Em muito, essa morte é facilitada pelo mecanismo usado como forma de violência contra a pessoa,
00:24como, por exemplo, a ampla disseminação de armas de fogo, que acaba facilitando essa modalidade criminal por diversos motivos.
00:32E a gente tem que citar que, nos últimos anos, a disseminação de armas de fogo,
00:36principalmente com as facilitações inicialmente dadas por lei,
00:41acabaram espalhando esse tipo de mecanismo por nossas sociedades.
00:45Em segundo lugar, a gente tem, de fato, observado uma migração desse tipo de criminalidade
00:50para áreas que representam maiores oportunidades aos criminosos.
00:54Como na capital, por exemplo, tem se ampliado um policiamento mais efetivo e orientado pela inteligência,
01:02além do uso de câmeras, tanto públicas quanto privadas, e sistemas de segurança privado,
01:07que facilitam a captura desses criminosos, é natural que essa modalidade acabe migrando para outros locais
01:13onde a fiscalização e a presença do Estado também é menor.
01:17E há que se falar também no envolvimento de determinadas organizações criminosas nessas modalidades.
01:22Eles atuam tanto de uma maneira direta, em certas áreas, que não são os núcleos,
01:28já que não é interessante para eles que essa modalidade ocorra dentro dos núcleos específicos dessas organizações,
01:34mas, em muitos casos, eles são facilitadores ao fornecer armas, ao alugar esse equipamento
01:39que é muito utilizado em determinadas modalidades de roubo.
01:42Mas note-se, em áreas que são dominadas por determinados grupos, eles acabam coibindo,
01:49proibindo a ocorrência dessa modalidade criminosa, porque justamente ela representa
01:53um chamamento dos órgãos policiais para dentro dessas comunidades
01:57e investigações que podem acabar resultando na captura também de membros dessas organizações.
02:03É natural, portanto, acabar se observando aquelas fichações de proibição de roubos nas comunidades,
02:09já que não há um desejo por essas organizações que essas modalidades ocorram
02:14em determinados pontos dos territórios que são interessantes para as suas atividades,
02:19como, por exemplo, o tráfico de drogas.
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