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  • há 13 horas

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00:10Música
00:30Menos de cinco meses depois do tornado que atingiu o município de Rio Bonito de Iguaçu, a equipe da KTV
00:37está de volta à região sudoeste do estado do Paraná para falar sobre o trabalho de reconstrução dessa pequena cidade.
00:45Tem muita coisa ainda para fazer, muita coisa já foi feita, mas o trabalho ainda requer e demanda de muito
00:56tempo e de muita mão de obra, não só com relação aos prédios públicos, mas também privados.
01:03Aqui, por exemplo, nesse local totalmente destruído pelo tornado, funcionava o Centro de Referência em Assistência Social.
01:13Desde então, esse atendimento social aqui em Rio Bonito de Iguaçu está funcionando em um local improvisado, assim como várias
01:21outras secretarias da Prefeitura de Rio Bonito de Iguaçu.
01:25São pelo menos cinco endereços diferentes. E a sensação dos moradores, depois desse trauma do dia 7 de novembro de
01:332025, é de que tudo está muito demorado.
01:38E convenhamos que ainda tem muita coisa para ser, de fato, reconstruída. Muitos desafios que precisam ser deixados para trás
01:46pelos moradores aqui desta pequena cidade do Paraná.
01:49A cidade de Rio Bonito de Iguaçu ainda está traumatizada. Em meio a um cenário de reconstrução, a incerteza persiste.
01:58Tem muitos moradores que ainda não conseguiram tirar os destroços de dentro das casas, devastadas pelo tornado.
02:06Encontramos o seu José, 71 anos, solitário, derrubando o pouco que sobrou. Desolado, ele ainda depende de ajuda para voltar
02:17à rotina normal.
02:18Está tudo trincado, a parede. Não dá mais para funcionar.
02:23E tem que reconstruir.
02:25Tem que fazer tudo novo.
02:27Sobrou pouca casa do senhor aqui.
02:29Sobrou quase nada.
02:31Onde pegou uma brasilita que eu estava aqui, você pega em mim, deixa eu me matar na hora.
02:36Seu José não esconde a tristeza, mas quase cinco meses depois do tornado, um pouco menos assustado, agradece por estar
02:45vivo.
02:46Estou vendo, derrubou.
02:48Não deu nem para reagir.
02:50Nada.
02:51O senhor está vivo hoje contando a história por sorte. O senhor considera que é sorte.
02:55Nasci de novo.
02:56O morador não recebeu dinheiro do programa Reconstrução, porque a escritura não está no nome dele e atualmente mora com
03:04o genro.
03:05A prefeitura prometeu ajudar o seu José nos próximos dias e na semana que vem a casa deverá ser totalmente
03:13desmanchada.
03:14Essas imagens, feitas pelo drone da KTV, mostram como está a situação.
03:20Muitas coberturas novas foram instaladas.
03:24Nem se compara ao mesmo ambiente que encontramos horas e dias depois do tornado de 7 de novembro.
03:32No entanto, ainda é possível perceber que em lugares que tinham casas construídas, restam só marcas e lembranças espalhadas entre
03:42os restos de materiais.
03:44Quase 150 dias depois do fenômeno que rasgou ruas, arrancou telhados e desfez histórias inteiras em questão de segundos,
03:54a cidade ainda está longe de voltar a ser como era antes.
03:59Estruturas e o psicológico ainda estão abalados.
04:03Buscar as doações que foram entregues pelo Brasil inteiro, para alguns, parece uma enorme dor de cabeça.
04:11Essa fila gigante é para a distribuição de cestas básicas e de calçados.
04:17Rosenilde diz que a entrega está acontecendo, mas com dificuldades.
04:21Ela precisa de quatro pares e só entregaram dois.
04:25Todo mundo está pegando, não está dificultoso, por acaso é que é muita gente.
04:30Mas só que eles estão entregando só dois por família e tem gente que precisa pegar mais de dois.
04:36E eu mesmo peguei dois, mas eu precisava de mais dois, né?
04:39A senhora precisava de quatro e pegou dois. E por que não entregaram dois para a senhora? Explicaram para você?
04:44Não explico. Perguntar não adianta, eles xingam e não adianta nem perguntar.
04:48Só dizem que é dois e pronto.
04:49Mas a reportagem da KTV registrou que teve família que conseguiu retirar quatro pares de calçados novos
04:57que foram doados pela Receita Federal e por outras instituições privadas.
05:03Eu vi gente sair com quatro. Três, quatro, até ontem. Eu vim ontem também, estávamos saindo com quatro.
05:09Está difícil acessar as doações que o município recebeu? Existe essa dificuldade mesmo?
05:13Rapaz, eu estou pegando a cesta só aqui, porque outras coisas, eu só peguei a cobertura, mesmo a área.
05:20Não consegui pegar mais nada, porque eles não dão. Não querem dar.
05:23A limitação no atendimento diário gera outra reclamação.
05:28A dona Terezinha chegou cedo, mas as 150 senhas já tinham sido distribuídas.
05:35Quando você vem, o povo já está tudo ali, daí a metade volta, porque não tem senha, não tem, né?
05:42Daí você diz que dão uma cesta, daí não dão carçado, é assim.
05:47Eu não posso dizer para você que eu não peguei, porque eu peguei, né?
05:51Só que os carçados estão difíceis, porque daí a gente vem e não tem o povo.
05:55Olha como é que está o povo ali, né? Está cheio de gente.
05:58São quantas senhas por turno?
05:59É 150, eles falam.
06:01150 de manhã ou 150 de tarde?
06:03Depois de meio dia, diz que é só 100.
06:04Se a senhora chegar aqui e tiver 150 na sua frente, você vai voltar embora de novo?
06:08É, não vou sem nada de novo. Já vim ontem, vim hoje.
06:11Ela também reclama que ainda não recebeu o cartão do programa Reconstrução do Governo Estadual,
06:18um benefício de até 50 mil reais para recuperar o imóvel afetado pelo tornado.
06:24Para nós ainda não veio o cartão da reconstrução.
06:28Nós paguemos as brasilitas que não pudemos ficar no tempo, né?
06:32Porque daí no domingo caiu chuva, no domingo que aconteceu o tornado.
06:37E daí estamos esperando o cartão para pagar essas brasilitas lá, né?
06:41Que fizemos dívida, porque a gente não tem, né?
06:43Para fazer, ainda mais pegou numa hora difícil, né?
06:46Encontramos o seu Milton saindo com uma cesta básica.
06:49Mas o cartão Reconstrução, ele também não viu ainda.
06:53Não recebi ele, mas fizeram as 500 dele em casa.
06:57Eu não tenho nada, ele destruiu todas as minhas coisas.
07:01E ainda não recebeu nada para ajudar a reconstruir?
07:03Até hoje, não.
07:06É uma barbaridade impura, impura, né?
07:08Por outro lado, tem moradores que já receberam benefício.
07:13O Wagner recebeu 35 mil reais em janeiro, mas foi pouco para reconstruir a casa dele.
07:20O benefício destina um percentual para mão de obra e outro para compra de materiais.
07:26Como não deu para pagar um pedreiro para concluir o serviço, aos poucos ele mesmo vai terminando.
07:33Peguei sim.
07:34Não tenho certeza, mas foi ali em janeiro, eu acho que eu já peguei.
07:38Para mim, eu peguei 35 mil.
07:40Veio 28 mil para material e 7 mil para mão de obra.
07:44Você pediu 50 mil, valor total?
07:46Cara, eu não sei como é que funcionou essa questão de seleção.
07:48O pessoal passou fazendo a vistoria, a gente fez o cadastro e veio o cartão.
07:53O pessoal avisou, já saiu a lista, a gente conferiu, foi lá, peguei o cartão na hora.
07:57A promessa de reconstruir casas emergenciais para atender rapidamente os desabrigados
08:03e foi embora com a mesma velocidade do vento que atingiu o Rio Bonito do Iguaçu.
08:08Das 20 casas que deveriam ser construídas pela Coapar, a companhia de habitação do Paraná,
08:15apenas essa aqui está totalmente pronta, porque a moradora decidiu entrar e terminar o piso.
08:22Para a Marilda, falar sobre o tornado é uma dor que não se mede.
08:27Ela perdeu o esposo de 57 anos, que estava sozinho em casa.
08:32A aposentada estava em Cascavel quando tudo aconteceu.
08:37Há uma semana, ela voltou para a casa dela, mas com o coração partido.
08:42A gente não tem nem como falar, né?
08:46Porque para mim foi muito difícil, né?
08:48Porque eu perdi meu esposo.
08:52Daí foi difícil, né?
08:53Para a gente chegar até aqui agora, né?
08:57Mas daí eu vim morar semana passada.
09:01Que a gente cansa de estar na casa dos outros, né?
09:03A senhora ficou onde durante esse tempo?
09:05Na casa da minha filha e da minha irmã.
09:08Daí eu vim e me mudei, né?
09:10Daí faltavam os reparos, mas daí eles vieram ali e estavam arrumando para mim.
09:14A casinha tem cerca de 35 metros quadrados, bem menor do que ela estava acostumada.
09:20Mas em meio à dor pela perda do marido com quem foi casada há 35 anos, o Claudino,
09:28e ao medo, porque em dias nublados a devastação vem à mente, surge uma força.
09:34A gente deita e levanta, né?
09:36A gente não consegue esquecer.
09:38Para a gente, isso daqui ainda a gente não acordou, né?
09:42Dias assim, nublados, o medo vem.
09:45Vem.
09:46Vem sempre o medo, né?
09:48A gente era acostumado, estar sempre junto, né?
09:53Mas a vida é essa, né?
09:58A gente às vezes procura não lembrar, mas não tem como.
10:03É.
10:03Ele lembra, né?
10:04Ela lembra, né?
10:06Tem um carro que passa aí que tem o mesmo ronco do dele, né?
10:10É, quando eu escuto já.
10:12Dá para dizer que é ele que está chegando, né?
10:18Não é fácil, né?
10:20Está olhando pela senhora, cuidando da senhora lá de cima, né?
10:23Eu acho que sim, né?
10:27A gente se emociona muito quando a gente lembra, né?
10:32O engenheiro civil da Coapar explica que outras casinhas nos terrenos dos próprios moradores
10:38não foram concluídas porque houve rejeição quanto ao tamanho e ao modelo oferecido
10:44com utilização de um material semelhante ao drywall.
10:47Não teve uma aceitação da população do município.
10:50Depois que acalmou, tudo se acalmou, né?
10:53Que começam a limpar os lotes, fazer a traplanagem, nós começamos a implantar as casas.
10:58Houve uma rejeição da população contra as casas.
11:02Como o contrato foi feito emergencialmente, não teve possibilidade de mudança,
11:07porque a ideia era dar uma agilidade na construção.
11:11Essas casas, tem que deixar bem claro, são normatizadas, são casas feitas na Europa,
11:15feitas no Japão, feitas nos Estados Unidos.
11:17São casas normatizadas que tem toda uma documentação, tem toda uma assinatura,
11:22que estão passadas pela ABNT por todas as normas.
11:24Segundo a Coapar, o contrato inicial era para 320 casas iguais a essa,
11:30mas muitas famílias fizeram a opção pelo programa Reconstrução.
11:34Serão finalizadas, essas já em andamento, mais 30 em outro terreno cedido pela Prefeitura,
11:41que vai receber recursos para construir mais 50 depois,
11:47totalizando então 100 casas neste padrão.
11:50Sobre as reclamações em relação à entrega dos calçados e das cestas básicas,
11:56o prefeito César Augusto Bovino, por telefone porque estava em viagem,
12:00nega que o município esteja criando dificuldades e afirma que a postura criteriosa pode estar sendo confundida.
12:09Ele também nega a falta de transparência.
12:12Todas as doações que nós estamos fazendo é lá no centro centralizado.
12:18Nós estamos entregando todos os calçados, foi feito 3, 4 critérios.
12:23Primeiro, atender todas as escolas e ensino básico.
12:27Nós temos de 30 em 30 dias a entrega de cesta, então cada um tem o seu dia.
12:34Você recebeu hoje, daqui 30 dias você vai receber, eu vou receber,
12:39daqui 30 dias amanhã eu vou receber o meu.
12:41Então tem uma escala para poder atender todas as pessoas bem.
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