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  • há 4 minutos

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Transcrição
00:02Olá a todos, hoje é 24 de março de 2026, nós estamos aqui na comunidade pesqueira de Inajé,
00:13de frente para a reserva extrativista marinha Bahia do Iguape, o encontro do Doce e o Salgado,
00:19ou seja, na Foz do Paraguaçu. Nós estamos aqui mais uma vez para repudiar as ações
00:26da usina hidrelétrica da Péu do Cavalo. Enquanto a usina gera energia, gera lucro para a empresa,
00:37nós aqui embaixo, pescadores artesanais da colônia Z7 de Maragujip, ficamos desempregados.
00:45Quando o pai de família, mãe de família, trabalhadora da pesca sai para trabalhar, volta a ser nada.
00:52E aí, quem paga os boletos? Nós temos um processo na justiça que já tem já de sete a oito
00:58anos,
00:59e isso também até a data de hoje não foi definido, então a gente faz aqui um apelo também,
01:05mais uma vez, ao escritório de Abadniz, que está com a gente nessa ação, está defendendo os pescadores nessa ação,
01:12E como se não bastasse o seguro defesa, o atrasado, o governo alegando que não tem orçamento,
01:21recebemos de presente, em plena sexta-feira santa,
01:26onde o pescador faz o décimo terceiro salário, essa água doce, matando o marisco
01:33e deixando os pescadores artesanais, por mais uma vez, desempregados.
01:39Nós estamos aqui para sensibilizar a justiça.
01:43Até a data de hoje ainda não teve um parecer no processo.
01:47A gente pede atenção aos juízes, aos desembargadores que estão cuidando desse caso,
01:53e pede uma sensibilização dessas autoridades, porque a fome dói.
02:00A gente encontra pai e mãe de família aqui na comunidade,
02:04relatando que hoje o filho voltou para casa, triste,
02:09porque não trouxe nem o dinheiro do pão, nem da fralda do filho.
02:13Isso dói.
02:14Até quando vamos aceitar isso?
02:18Até quando vamos ver o impacto desse tamanho, dessa natureza,
02:23sendo gerado, desempregando uma classe trabalhadora?
02:28Até quando nós vamos aceitar isso?
02:32E até onde o Brasil vai com tanta injustiça social?
02:37É isso que a gente quer saber.
02:38Entendeu?
02:39Está aqui os pescadores, as marisqueiras desse distrito,
02:43que é um distrito que sustenta praticamente o município do mar do estuário.
02:49Nossa indústria, taquia, é a santa maré.
02:53Nós não temos outro emprego.
02:56O único emprego que nós temos é a maré.
02:59E aí o que acontece?
03:00A pedra do cavalo deixa essa categoria desempregada,
03:05a fim de lucrar, de ganhar dinheiro.
03:09Brasil, mostra a tua cara.
03:11Está errado.
03:13Até quando temos que aceitar isso?
03:15E é isso.
03:17Pode falar aqui os pescadores, aquilo que quiser falar.
03:20Eu tenho quatro filhos em casa, tudo sem leite, sem pão, sem nada.
03:23Pois é.
03:24Eu me chamo, Ana Luba, me espereira.
03:25O número de CPF, que eu não vou falar.
03:28Mas eu estou achando um absurdo.
03:29Chumbinho morto, salambi, sururu, não temos nada, tudo acabado.
03:34Certo que a água tem que ser solta.
03:37E a gente?
03:37O que é que faz?
03:38Como é que a gente fica?
03:40Eu como mãe solo, que tenho que sustentar quatro filhos,
03:42o que é que eu faço?
03:43Pois é.
03:44Porque eu ia para a maré.
03:45Hoje eu não posso ir.
03:46Não tenho nada para trazer para casa.
03:48Então vocês prestem atenção na gente,
03:50que a gente é gente, como vocês.
03:53Viu?
03:53Não defesa, nada de defesa.
03:54Cadê a defesa da gente?
03:56Somos pescadores, raízes de Najé.
04:00Cadê a defesa da gente?
04:01Já deu entrada em um.
04:02Nada.
04:03Deu entrada em outro.
04:03Só estamos esperando.
04:04Ainda é esse descaso.
04:06Cadê essa categoria?
04:07Quantos pais de família tem aqui e outros que não viram?
04:10Já chegaram gente aqui, que foram catar o marisco no mar,
04:13não acharam nada.
04:13E aí, a gente entra em quê?
04:17Pois é.
04:18Estamos aqui.
04:21A gente está indo para a beirada, não acha uma ocha.
04:23Chega na beirada, a gente leva um farrasco.
04:25Chega lá, bate as ochas, fica tudo aberta.
04:27Hoje mesmo eu fui, só trouxe meio balde de ostra.
04:31Já nascemos na santa para a gente fazer a moqueca.
04:34Tanta criança, tanto filho para comer.
04:38Pois é, autoridades.
04:40Como a mãe dessa de família e tantos outros que estão aqui vão sobreviver.
04:44Essa é a pergunta.
04:46Essa é a pergunta.
04:47Será que no Brasil não há justiça social?
04:50Chega.
04:51Nós não aceitamos mais isso.
04:53Nós queremos solução para o problema.
04:57Nós queremos solução para o problema.
05:03Beija, Lucas.
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