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Eleito governador de Minas Gerais em 2018 e reconduzido ao cargo em 2022, Romeu Zema (Novo) deixa o comando do estado neste domingo (22/3) para se dedicar integralmente à pré-campanha à Presidência da República.

Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, o chefe do Executivo mineiro afirma que manterá sua candidatura até o fim, mesmo diante de articulações no campo da direita que cogitam sua presença como vice em uma eventual chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao rejeitar a possibilidade, Zema reforça o discurso de independência e se apresenta como um nome “de fora” da política tradicional. “Sou um candidato, de certa maneira, outsider”, destaca.

Ao avaliar sua passagem de pouco mais de sete anos à frente do governo mineiro, Zema aponta que sua principal marca foi a reorganização das finanças estaduais e a retomada da capacidade de investimento.

Segundo ele, Minas deixou para trás um cenário de “desarranjo” fiscal, marcado por atrasos em repasses e pagamentos, para viver um “círculo virtuoso”, com contas reparadas e um volume expressivo de obras em andamento. “O que era um grande cemitério de obras abandonadas e inacabadas hoje se transformou no que talvez seja o maior canteiro de obras que já teve em Minas Gerais", afirma.

Apesar disso, o governador mineiro também reconhece as frustrações. Afirma que gostaria de ter avançado mais na recuperação de estradas e na conclusão de hospitais regionais, mas atribui entraves à burocracia e às limitações orçamentárias.

“Ser governador de Minas é uma máquina de frustração”, diz, ao ponderar que, ainda assim, os avanços superam os de gestões anteriores.

Na corrida presidencial, o governador aposta na repetição da estratégia que o levou ao Palácio Tiradentes em 2018: ampliar presença no interior e aumentar sua popularidade ao longo da campanha. Mesmo com índices baixos nas pesquisas, ele afirma que pretende percorrer o país e confia no potencial de crescimento à medida que suas propostas se tornarem mais conhecidas.

O governador ainda sinaliza que o confronto político deve marcar sua campanha. Crítico recorrente do Partido dos Trabalhadores e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zema afirma que pretende “denunciar o que está errado”, ao mesmo tempo em que buscará apresentar suas propostas.

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Transcrição
00:05A grande realização desses dois mandatos foi inverter o rumo de Minas Gerais.
00:13Minas Gerais estava vivendo um círculo vicioso e hoje vive um círculo virtuoso.
00:21O Estado tinha um total desarranjo financeiro, não fazia os repasses aos municípios,
00:30não pagava fornecedor em dia, nem funcionalismo.
00:34Hoje, as contas totalmente saneadas.
00:38E além disso, o que era um grande cemitério de obras abandonadas e inacabadas,
00:44hoje se transformou no que talvez seja o maior canteiro de obras que já teve em Minas Gerais.
00:53Nós estamos falando aí da ampliação do metrô, da linha 2, do rodoanel metropolitano,
01:00da duplicação de Belo Horizonte para Ouro Preto e Mariana,
01:06duplicação de Belo Horizonte para Brumadinho, duas pontes sobre o Rio São Francisco.
01:13Talvez o Estado nunca tenha tido tantas obras grandes, estruturantes, simultaneamente, como está tendo agora.
01:22Isso sem considerar a recuperação das estradas.
01:28Ser governador de Minas é uma máquina de frustração.
01:33Eu gostaria de ter feito 5 mil coisas, talvez tenha feito 2 mil,
01:39mas comparado com os governos anteriores que faziam 100 ou 200, o avanço foi muito grande.
01:48Mas eu gostaria de ter reformado todas as estradas de Minas,
01:54gostaria que os hospitais regionais tivessem sido concluídos antes,
02:00mas devido a burocracia, trâmites internos, depredação, não foi possível.
02:06Gostaria de ter feito mais avanços na segurança pública, na educação, na saúde também,
02:15mas as limitações orçamentárias ainda são grandes.
02:19A situação financeira do Estado está longe de ser aquela que propicia grandes investimentos,
02:27mas os avanços, de toda forma, aconteceram.
02:34A minha candidatura se mantém.
02:37Eu conversei com o ex-presidente Bolsonaro em agosto do ano passado,
02:42ele foi o primeiro a ser informado do lançamento da minha pré-campanha
02:47e, posteriormente, candidatura.
02:50E como eu tenho propostas diferentes, propostas que fogem daquilo que geralmente os políticos gostam,
02:58eu estarei levando a minha pré-candidatura e candidatura à frente.
03:05Sou um candidato, de certa maneira, um outsider, apesar de já ter sete anos como governador,
03:13porque minha vida toda foi feita, talhada no setor privado.
03:18E tenho uma visão diferente.
03:21E tenho plena ciência que o Brasil hoje precisa de ter uma visão diferente.
03:26Ele é um país totalmente desfuncional
03:29e, muitas vezes, quem foi criado, quem sempre esteve envolvido no que está acontecendo,
03:36não tem, às vezes, a visão necessária para poder fazer as mudanças que nós tantos precisamos.
03:44Muitas vezes é necessário alguém de fora para dar uma boa chacoalhada.
03:48Isso ocorre muito no setor privado, quando algumas empresas não estão indo bem
03:54e é necessário um outsider chegar para poder fazer aí uma virada.
04:05É bom relembrar 2018.
04:08Eu comecei o ano com 1% dos votos e nós fomos crescendo à medida que rodávamos o interior do
04:16Estado.
04:17Fui a mais de 200 cidades e, a partir do dia 23 de março, agora, eu passo a rodar também
04:25o Brasil.
04:26E, à medida que o brasileiro conhecer as minhas propostas, tomar conhecimento daquilo que nós fizemos em Minas,
04:35com certeza, esse número terá uma melhoria bem expressiva.
04:40E lembrando que eleição é sempre imprevisível.
04:44Mesmo na minha eleição de 2018, faltando ainda 10 dias para a eleição,
04:51eu estava em terceiro lugar e acabei sendo o mais votado ainda em primeiro turno.
04:59Então, muita coisa vai acontecer e nós estamos aí preparados.
05:07O que nós queremos é, primeiro, um país que volte a crescer
05:12e, para isso, será necessário reduzir essa gastança
05:17que provoca inflação, que provoca encarecimento do crédito
05:23e, consequentemente, menos consumo, menos investimentos.
05:29E, reduzindo a gastança, o próprio governo passa a ter um alívio,
05:35já que hoje a despesa com juros está na casa de um trilhão de reais por ano.
05:41Isso é prioridade zero, além da questão da segurança pública.
05:49Nós vamos endurecer as regras para quem não trabalha,
05:55para quem não é do bem.
05:57Criminoso precisa ser tratado como criminoso
06:01e não estar recebendo elogios do presidente como se fosse uma vítima.
06:07E, aqui em Minas, nós já mostramos.
06:10Durante o nosso governo, não tivemos a invasão de terra
06:14e, aqui, o rigor é o maior possível.
06:18E, no Brasil, precisa aumentar mais ainda.
06:22Precisamos fazer algo na linha do que foi feito em El Salvador,
06:27onde nós tivemos uma redução de homicídios de 99%.
06:32E a regra lá foi bem simples.
06:35É prender quem é criminoso.
06:38O Brasil pode deixar de ser o país do mundo
06:43que tem o recorde de homicídios.
06:46Coisa aí de 30, 40, 50 mil por ano, dependendo do período.
06:55Bom, meu foco sempre foi mostrar minhas propostas
06:59e, também, denunciar o que está errado.
07:03Eu não ficaria calado com relação ao escândalo do INSS
07:08descontando dos velhinhos o que foi feito.
07:12E tudo ligado a pessoas da esquerda do PT.
07:18Ficar calado, será que seria o correto?
07:20Ficar calado com relação a ministros do Supremo Tribunal Federal
07:27estarem prestando serviços ou se beneficiando do cargo que exercem.
07:35Será que é ficar calado também que vai fazer o Brasil melhorar?
07:39Estarei falando aquilo que precisa mudar sempre.
07:43Doa a quem doer.
07:45E, é lógico, mostrando as propostas.
07:48Nós queremos um país com taxa de juros civilizada.
07:52Isso vai fazer com que quem paga uma prestação da casa própria,
07:58do carro, do celular, essa prestação seja muito menor.
08:02Esse governo que fala que dá o Bolsa Família,
08:06ele tira muito mais de outro lado na hora que as pessoas vão poder,
08:12na hora que as pessoas fazem o financiamento.
08:14E, além disso, vamos estar levando as propostas nossas de segurança pública,
08:21endurecimento das regras que existem hoje.
08:26Quem comete crime grave precisa ficar preso.
08:30E, dependendo do crime, é prisão perpétua.
08:33Tem pessoas que são incorrigíveis.
08:36Não adianta ela ficar 10, 15, 20, 30 anos que ela vai sair e cometer novamente um problema.
08:45Os sociopatas, os psicopatas, essas pessoas são incorrigíveis.
08:51E isso já está mais do que provado.
08:53E, aqui no Brasil, nós continuamos acreditando na fada madrinha.
08:57E, aqui no Brasil, nós continuamos acreditando na fada madrinha.
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