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  • há 2 meses

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00:09O que é o farmacêutico?
00:30O que criou a fórmula e sim uma outra pessoa que produziu essa loção no lugar dele?
00:34O que pode acontecer com essa outra pessoa?
00:36Bom, se essa outra pessoa sabia do ingrediente legal, ela pode ser considerada responsável também.
00:41Se não sabia, é um irresponsável e cai em crime de lesão à saúde pública.
00:46Não sei, isso eu entendi. Mas e se...
00:47Não tem mais, seu Guilherme. Eu quero que você obede imediatamente o nome da pessoa responsável pela loção.
00:52Desculpe o atraso, senhores.
00:54Perdão, senhor delegado, mas o meu cliente não vai falar mais nada sem antes termos uma conversa em particular.
01:00É um direito dele, né?
01:02Tudo bem. O senhor pode falar com o seu cliente.
01:06Eu vou deixar os senhores à vontade.
01:08Com licença.
01:09Obrigado, delegado.
01:12Não sei, quem fez a besteira de vender essa loção sem o registro foi a minha sócia, a Sônia.
01:18Mas eu não tenho coragem de jogar essa culpa nas costas dela.
01:21Não, mas devia jogar, sim.
01:22Eu sou testemunha.
01:24Você perguntou sobre esse registro várias vezes e ela sempre dava uma desculpa.
01:28Mas isso não importa agora.
01:30A beleza pura vai ser punida de qualquer jeito por lançar um produto sem estar registrado na Anvisa.
01:36Ah, meu Deus.
01:37O que a polícia quer saber agora é quem utilizou na fórmula uma planta em extinção.
01:43Isso sim é um delito gravíssimo.
01:44Bom, o nome do farmacêutico que fez a loção é Matheus Cister.
01:51O senhor já deve ter reparado que dá o nome, inclusive, à loção.
01:54Mas ele está morto.
01:55E como é que essa loção foi parar na beleza pura?
01:59Foi a viúva dele, Helena Cister.
02:02Não, o que parece ser uma ótima pessoa, muito honesta.
02:06Deve ter alguma coisa errada nessa história, doutor Ciro.
02:10O que pode acontecer com ela?
02:12Isso não importa agora, Guilherme.
02:14Se ela não for culpada, a polícia vai acabar provando a inocência dela.
02:18Sim, mas ela corre o risco de ser presa?
02:20É possível.
02:22Agora, eu te aconselho a dizer o nome dela.
02:25E explicar que você não tinha conhecimento desse ingrediente proibido.
02:31É, talvez seja a única solução, Guilherme.
02:34Vamos falar com o delegado, então?
02:35Não, não, não, não.
02:37Eu não vou entregar a Helena para o delegado.
02:39Ela está criando ainda um filho pequeno.
02:43Ela já sofreu muito, a coitada.
02:45Não, eu também tenho um pouco de culpa nessa história.
02:47Eu permiti essa venda sem o registro.
02:50Não, tem que ter uma outra saída, doutor Ciro.
02:53Tem que ter.
03:00Tá bom, então.
03:02Muito obrigado, viu?
03:04Obrigado.
03:07Gente, o Guilherme foi preso.
03:11Então a polícia descobriu que a fórmula foi feita de uma substância ilegal.
03:14Como é que você pode fazer isso, Matheus?
03:17Usar uma planta em extinção?
03:18Eu só queria tirar a gente da miséria, Helena.
03:20É?
03:21Tirar da miséria cometendo um crime?
03:23O que se passa nessa sua cabeça, Matheus?
03:25Peraí, peraí, peraí.
03:26Eu estou me tocando de uma coisa.
03:28Então, todos nós que colaboramos para fazer essa fórmula, somos criminosos também.
03:33Ah, fica tranquilo, Betão.
03:34No seu caso, eles não têm como provar nada.
03:35Como não, Helena?
03:36Como não?
03:37Se os meus amigos estão encrencados, eu também estou encrencado.
03:39Comigo é assim.
03:41Então tá.
03:42Vocês me desculpem, então.
03:44Eu não sabia que essa fórmula ia causar esse rebuliço todo.
03:49É que eu estava quase lá, Helena.
03:52Você sabe que essa era a minha grande invenção?
03:55Era o meu espírito científico aflorado?
03:57Você queria o quê?
03:59Que eu desistisse?
04:00Você não consegue entender?
04:02Entender não vai tirar o Guilherme da prisão.
04:04E agora?
04:05O que a gente faz?
04:08Eu não vou me entregar.
04:10Eu não vou me entregar porque se eu me entregar, eu vou ser preso.
04:12E vou ter que pagar uma fortuna de multa.
04:15E a gente vai deixar o Guilherme apodrecer na prisão.
04:18Ai, meu Deus.
04:19Que burra que eu fui, né?
04:22De ter lançado essa noção.
04:26A culpa é minha.
04:27Eu vou me entregar.
04:28Não, não.
04:29Ei, ei, ei.
04:29Tá louca, Helena?
04:30Que isso?
04:31Heroísmo mora dessa, não.
04:33Calma.
04:34Vamos ver primeiro direitinho o que tá acontecendo com o Guilherme.
04:37E depois a gente toma uma atitude.
04:39É, o Bertão tem razão, Helena.
04:42O importante agora é ninguém saber que eu tô aqui.
04:45Até segunda ordem, eu não cheguei ao Rio.
04:48Tá?
04:52Por favor, é da rodoviária?
04:55Eu gostaria de saber a que hora chega um ônibus que tá vindo de Cuiabá.
05:00Saiu de Manaus.
05:01Isso.
05:03É.
05:03É o do noticiário do assalto, sim.
05:06Não esquece de perguntar em que plataforma eles chegam.
05:09É, só um momentinho, por favor.
05:12Só um momentinho.
05:12Papel e caneta, pega Alex, vai.
05:16Só um pouquinho, só um minutinho, por favor.
05:22Pode falar, pode falar.
05:25Anota direitinho aí tudo, hein?
05:27Tá certo.
05:29Tá.
05:30Tá ótimo.
05:31Já anotei.
05:32Olha, muito obrigada, viu?
05:34Tá ótimo.
05:35Obrigada.
05:37Eles chegam hoje às 10 horas da noite.
05:40Plataforma 5.
05:42A Sônia vai ter um belo comitê de recepção.
05:45E a gente não pode atrasar, ouviu?
05:47Imagina.
05:49Pelos diamantes, eu não vou me atrasar nunca.
05:51E ai de você de me deixar pra trás de novo, hein?
05:58Espinho, tá dando pra ouvir tudo?
06:02Mas tá falando baixinho, né?
06:04Fala mais alto!
06:06Kelinha, não dá pra eles escutarem o que a gente tá falando, amor.
06:09Como que vão falar baixo?
06:10Parece que não comeu direito.
06:11É só aumentar aqui, ó.
06:13Aumenta aqui o volume.
06:14Isso.
06:15Pronto, tá vendo?
06:17Agora a gente tem que ouvir alguma coisa que prove que eles roubaram a fortuna do primo, entendeu?
06:23Isso chama confusão, Robson.
06:26A gente tá querendo gravar a confusão deles.
06:30Confissão, amor.
06:32Confissão, confissão.
06:34Vamos ouvir.
06:34E passa a perna naquele pedreiro, né, Rosinha?
06:37Ele pode ser burrinho, mas não é de se jogar fora não, Gamba.
06:42Sim, ah, fala sério.
06:44Você trocaria um iupi moderno como eu por um empilhador de tijolos?
06:52Eu e uma casa em Guaba.
06:54Claro que não, Gamba.
06:55Imagina.
06:57Até porque aquele pedreiro tem péssimo gosto, tá?
07:01Casar com aquela piriguete da Raquel?
07:03Sério?
07:05Piriguete?
07:06Piriguete você, seu jabiranga!
07:08Eu vou agora ir mesmo.
07:09Espera aí, querida.
07:10Piriguete!
07:10Espera aí, querida, querida, querida.
07:11Querida, não adianta nada.
07:12A gente ia até lá.
07:13Tô!
07:14Quieta!
07:15Será que você não entende?
07:16A gente tem que ouvir alguma coisa que eles falem sobre o roubo da grana do primo
07:20Olavo, querida.
07:21Ah, também se o Robson não perdesse a fortuna agora, ia perder daqui a pouco, né?
07:25Porque ele é trouxa que nem uma anta.
07:27Anta?
07:28Anta é você, seu desgraçado!
07:30Xiii, briga, para!
07:31Só um vinho que está falando.
07:36Amor, sabe o que que é?
07:38É que a minha arquiteta lá da mansão de Guaba tá precisando, assim, de um chequinho.
07:46Chequinho, merrequinha, assim, de 100 mil.
07:48Só que eu...
07:49É, é, é, é, 100 mil, cheira, Gabi, olha.
07:52100 mil.
07:52100 mil só?
07:53Só 100 mil.
07:55Entendi.
07:55Mas ela tá fazendo o quê?
07:56Uma casa ou um condomínio inteiro de luxo?
07:59O tobogã da minha piscina fica caro, né?
08:02Vai, assina o chequinho, vai, por favor.
08:04Vamos fazer o seguinte, você, vamos deixar o chequinho pra depois, que agora eu quero comemorar
08:09com a minha ursinha a minha fortuna.
08:12Ai, gamba, mas depois você assina o cheque?
08:14Depois eu assino.
08:14Agora você faz som de ursinha, faz.
08:17E você faz som de gambá?
08:20Gamba, faz som?
08:21Ah, sei lá, Zé, faz som de alguma coisa, faz som de burro, então, faz.
08:25De burro, faz.
08:25De burro, faz.
08:26De burro, faz.
08:29O que é isso?
08:32O que é isso?
08:32É o microfone.
08:34Ah, o que é?
08:36Microfone.
08:36Microfone?
08:38O que é isso?
08:39Microfone, chega lá.
08:43Não foi isso que o Robson veio fazer aqui?
08:46Ai, meu Deus.
08:55Não me amarrar dinheiro não, mais formosura, dinheiro não.
09:02A pele escura, dinheiro não.
09:05Moça preta do Curuzú, beleza pura, federação, beleza pura, bocado teu, beleza pura, dinheiro não.
09:21Quando essa preta começa a tratar do cabelo, é de sonhar.
09:26Toda a trama da dança atrasar o cabelo, com chão de morro.
09:29Ela manda buscar pra botar no cabelo.
09:32Toda a minústia, toda a delícia, todos os búzios, todos os ócios, é.
09:52Atenção, exército da terceira idade.
09:54Mayday, mayday.
09:56Fomos traídos.
09:58O espião se infiltrou na nossa fortaleza e está nos espionando de perto.
10:05O cara tá lá fora espiando a gente, galera.
10:08Presta atenção.
10:09Quando vocês avistarem um homem branco com cara de bandido, ataquem.
10:15Não, não, não, não, não, não, esse não.
10:17Esse não, é aquele outro lá que vocês prenderam aqui na sala outro dia.
10:21Lembra?
10:22É que vai ser difícil.
10:23Presta atenção no meu plano.
10:25A senhora procura pela rua de trás.
10:28As duas procurem nos fundos.
10:30A senhora vigia do teto.
10:32E a senhora...
10:33Faz um cafezinho pra mim, por favor.
10:35Muito obrigado.
10:36Ô, ô.
10:37Ô, gamba.
10:39Tá faltando um estímulo, sabe?
10:41Estímulo.
10:41É um absurdo isso, né?
10:44Vocês deviam ser doces, senhorinhas.
10:47Tá bom, tá bom.
10:48Dez mil reais pra quem me trouxer o Robson, vivo ou morto.
10:52Acabou!
10:54Levante, exército da terceira idade.
10:56Sujou, querinha.
10:57Sujou.
10:58Sujou.
10:59O que aconteceu, vim?
11:00É melhor a gente se mandar, é rápido, viu?
11:02O Zé Henrique já descobriu o nosso microfone, vai mandar aquelas pinte vovós atrás da gente.
11:06Vambora!
11:06O vovô em mini de novo, eu sou uma coisa errada.
11:08Não, querinha, pelo amor de Deus, não chora agora, não.
11:11Não chora, não chora, sabe por quê?
11:13As velhinhas vão escutar a gente aqui.
11:15Vambora, vamos se mandar, pelo amor de Deus.
11:17Tá bom, eu choro desse por isso, não.
11:19Bora, querinha.
11:20Bora lá, querinha, vambora.
11:33O que será que o Robson tava querendo gravar, Nen?
11:37Com certeza tava querendo pegar uma confissão do nosso roubo.
11:40Ou da transferência dos bens que a gente fez.
11:44Ah, mas esse pedreiro vai ver.
11:46Chega.
11:46Ah, mas ele vai ver com quantas velinhas se faz um...
11:54O que é que se faz mesmo com tantas velinhas?
11:56Ih, tu vai perguntar pra mim?
11:58Fala sério, né?
12:00Não mete essa.
12:01O que é que se faz com tanta velinha?
12:03Bora, querinha, corre!
12:05É, minha.
12:06Ah, tô ficando por bem.
12:08Peraí, para, para, para, para, para que eu não aguento mais correr.
12:12Ah, ah, ah, eu tô morto.
12:16Socorro!
12:16O Robson tá morto!
12:18Para, para.
12:19A puta de marinha tá morrendo.
12:20Para, querinha, querinha, para, tá maluca.
12:22Por que você que diz?
12:23Tô morto.
12:24Tá bem?
12:24Não, tá maneira de dizer, querinha.
12:26Eu tô morto descansado, né, amor?
12:28É que essas velinhas, elas correm mais que criança brincando de pique.
12:32Nunca vi.
12:33Binho, Binho, então vambora logo.
12:36Se eu não vou transformar a gente em estátua.
12:38Estátua?
12:39É a Pink Startup.
12:41A Pink Startup é uma porra, que ele é uma porra!
12:55Não aguento mais esperar, Gaspar.
12:57Que tanto o doutor Ciro conversa com esse delegado?
13:00Por que você não dá logo essa informação que ele tá querendo, Guilherme?
13:03Eu não posso fazer isso com a Helena, Gaspar.
13:05Não pode fazer, mas devia fazer.
13:08Poxa, tudo bem, ela tem um filho pra criar.
13:10Mas será que ele não sabia da besteira que tava fazendo?
13:12Você também não pode carregar o mundo nas costas.
13:15Não é só isso, Gaspar.
13:16Eu ainda me sinto culpado pelo que aconteceu com o Carcará.
13:20Poxa, e depois o Matheus foi o único que morreu.
13:24Essa culpa.
13:25Até quando isso, Guilherme?
13:27Até quando?
13:32Então, o que ficou decidido, doutor Ciro?
13:35Pode ficar tranquilo, Guilherme.
13:36Você vai ser liberado.
13:38Mas a sua clínica vai receber uma boa multa.
13:41Quer dizer que eu já posso ir embora, então?
13:43Pode sim.
13:44A gente já descobriu quem foi o responsável por esse cosmético.
13:49Descobriram?
13:51Oi, Guilherme!
13:53Suzy?
13:54O que você tá fazendo aqui, Suzy?
13:55Ué, o que qualquer funcionária padrão faria.
13:58Vim salvar meu chapinho, querida.
14:00Ah, eu já entendi.
14:01Foi você que deu o nome do farmacêutico pro delegado, não foi?
14:04Não preciso agradecer, meu amor.
14:06Coisa de amiga.
14:07Se bem, até que em um momentinho caia bem, né, Guilherme?
14:09Por que você fez isso, Suzy?
14:11Gente, não tô entendendo, Guilherme.
14:13Você quer ser solta ou não quer?
14:14Porque eu cheguei na clínica, disseram que você tinha sido preso por causa de uma loção.
14:17E eu vim aqui dar o nome do verdadeiro culpado, não é?
14:20Verdadeiro culpado é o Matheus, que está morto.
14:23Portanto, agora quem vai pagar o pato é a Helena.
14:26Não tá enganado, seu Guilherme.
14:28Nós descobrimos que o Matheus Cister está vivo.
14:32Vivo?
14:33Nós recebemos um comunicado da delegacia de Manaus
14:35dizendo que ele foi resgatado na selva
14:37e que provavelmente já está no Rio de Janeiro.
14:42No Rio?
14:44Mas pra mim, ele não deu notícia nenhuma, inspetor.
14:47Pode acreditar.
14:49Bom, a senhora tá ciente que seu marido tá sendo procurado por crime ambiental
14:52e por estar vendendo produto com ingredientes ilícitos, né?
14:56Não.
14:57Ai, meu Deus, eu não sabia.
14:59Como não sabia?
15:00Se foi a senhora que negociou a venda do produto?
15:02É, na verdade, ele deixou tudo pronto antes de morrer.
15:05Quer dizer, antes de desaparecer na selva.
15:07Sei.
15:08Mas eu não sabia que a loção tinha esse tal ingrediente legal, eu juro.
15:12O que que vai acontecer com o Matheus?
15:14Bom, ele vai pagar uma multa pesada.
15:16Deve pegar de seis meses a um ano de xadrez.
15:20Ai, Jesus.
15:22Bom, e como a senhora tá dizendo que não sabe onde ele tá?
15:26Não, eu não sei mesmo.
15:27Eu queria tanto ver meu marido.
15:29Ai, quanta coisa acontecendo.
15:31Ai, que loucura.
15:33Minha cabeça vai estourar.
15:34Eu lamento muito, senhora, mas olha só, o seu marido agora é um fugitivo da polícia.
15:39Nós já temos um mandato de prisão contra ele.
15:44Uma cantada anônima vai causar muita confusão hoje em Casos e Acasos.
15:52E agora a polícia descobriu que ele tá vivo e quer colocar o Matheus na cadeia, velho.
15:58Mas por que que você tinha que fazer isso, Matheus?
16:01Não tinha nada que mexer com a coitadinha da plantinha extinção.
16:05Não, mas eu também não queria.
16:07Ah, por isso que eu não produzi a loção.
16:11Meu Deus do céu, mas será que naquela Amazônia inteira não tem uma outra plantinha
16:15pra botar num lugar dessa proibida, gente?
16:18Olivete, eu, quando eu tava perdido na Amazônia,
16:21eu cheguei a fazer testes numa planta com propriedades semelhantes.
16:24E funcionou.
16:26Aí, tá vendo?
16:28Então, problema resolvido.
16:30Não, não. Mas não é bem assim.
16:32Eu preciso de um laboratório muito bem montado pra ter certeza que isso funciona.
16:36Eu não sabia disso, não, Matheus.
16:39Minha Santarita.
16:40Eu não tinha me lembrado.
16:42A polícia vai fechar o Belezoca por ter vendido a noção pra careca.
16:46Não, Ivete, não.
16:47Fica tranquila que não vai acontecer nada.
16:49Não tem mais nenhum frasco lá no Belezoca.
16:52O que a gente precisa fazer é dispensar essa carecada da saúde, entendeu?
16:56Avisando que acabou o Esqueradoce.
16:58E, Ivete, ninguém pode saber que eu tô aqui, viu?
17:00Porque senão eu tô perdida.
17:02Não, imagina.
17:03Se depender de mim, ninguém vai descobrir nada.
17:06Agora deixa eu voltar lá pro meu salão antes que dê em falta da minha pessoa.
17:11Sabe como é que é, né?
17:13Sou muito amada pelas minhas clientes.
17:15Elas enlouquecem se eu desapareço.
17:18Tchau, Matheus.
17:19Vai dar tudo certo, tá?
17:20Até já, Betão.
17:21Tô te esperando, hein?
17:22Tá bom.
17:23Tô aqui embaixo.
17:24Tá.
17:24Eu já tô descendo.
17:31Matheus, me tira uma dúvida.
17:34Você ficou esse tempo todo na Amazônia porque você tava perdido?
17:38Ou porque você tava procurando a tal planta pra tua loção?
17:43Poxa, desculpa, Guilherme.
17:45Eu achei que eu tava ajudando.
17:47Poxa, eu tava tão orgulhosa da minha atitude heróica, viu?
17:50Tudo bem, Suzy.
17:51Mais cedo ou mais tarde, a polícia ia chegar mesmo aos nomes da Helena e do Matheus.
17:56O resultado da sua iniciativa foi desastroso, Suzy.
17:59Mas eu sei que a intenção foi boa.
18:00Obrigado.
18:02Que bom.
18:04Gaspar, Gaspar, o Matheus, o sister, tá vivo.
18:07Isso é incrível.
18:08Significa que eu não tenho mais culpa pela morte de ninguém.
18:10A melhor notícia que eu podia receber na minha vida.
18:12É, você é um bom sujeito.
18:14Eu mereci esse castigo nas suas costas.
18:18Iris, tô na minha sala.
18:20Pra qualquer coisa, passa pra lá.
18:21Aqui.
18:22Mas, peraí, você acha que a viúva sabe que ele tá vivo?
18:26Não tenho certeza, mas é bem provável.
18:27Ele deve ter voltado direto pra casa, né?
18:29Dá licença, Suzy.
18:30Dá licença.
18:30Fui mal, hein, Guilherme?
18:31Beleza pura, boa tarde.
18:33Dona Suzy, tá sim.
18:35Um momentinho, por favor.
18:36Dona Suzy, pra senhora.
18:38Pra mim?
18:38Ih, gente, será que é a polícia de novo?
18:41Pai do céu.
18:42Alô?
18:43Sou eu?
18:45Sou eu?
18:47Ai, meu ótimo.
18:49Claro, claro que eu vou.
18:51Tá marcado, então.
18:52Tá.
18:52Tchau, tchau.
18:54Olha, gente, que máximo.
18:56Conseguiram me encaixar num médico dificílimo de marcar.
18:59Você acredita que eu vou fazer meu parto pelo método da NASA?
19:02Método da NASA?
19:04Como assim?
19:05Meu amor, meu filho vai nascer voando, né?
19:07O máximo.
19:10Poxa, Guilherme.
19:11A Sônia vive te criticando.
19:13Mas ela quase fecha a clínica com essa loção proibida aí.
19:17É, mas a culpa também foi minha, Gaspar.
19:19Sabe, eu sabia como era a Sônia.
19:21Eu devia ter ficado de olho.
19:23Né?
19:23Sabe o que eu acho que é isso?
19:25A sua velha culpa em relação às vítimas do Carcara.
19:29Você quis realizar o sonho do Matheus e acabou se precipitando aí com o lançamento dessa loção.
19:35Poxa, pensando nisso, né?
19:39Durante esse tempo eu fiz tanta maluquice pra tentar realizar os projetos de vida dessas cinco pessoas.
19:48Olha só, eu abri essa clínica pra Sônia.
19:51Fiz o programa de TV pro Olavo.
19:54É.
19:54Editou o livro do Alex e da Márcia.
19:57E agora por último, com essa loção, eu realizei o sonho do Matheus.
20:02Quer dizer, eu vivi cinco vidas em pouco mais de um ano, meu amigo.
20:06Sabe o que é isso?
20:07É.
20:08Só que esse último sonho quase virou um pesadelo.
20:11Foi.
20:14Tá bom, Betão.
20:15Eu confesso.
20:16Eu não fiquei perdido esse tempo todo na Amazônia.
20:18Pronto?
20:21Como é que você teve a coragem de fazer uma barbaridade dessas, Matheus?
20:25Hein?
20:25Você sabia que o sanguessuga teve na tua casa com os capangas dele?
20:29A ameaçando a Helena na frente do teu filho, sabia?
20:32Eu não sei.
20:32A Helena me contou.
20:34Mas também, o que você queria que eu fizesse?
20:36Você acha que eu ia saber que esse helicóptero ia cair, Betão?
20:38Eu fui pra Amazônia pra ficar dois dias pra gravar um programa de televisão e voltar.
20:42A culpa também não é toda minha.
20:44Você acabou de me dizer que você ficou mais tempo na Amazônia porque você quis.
20:47Tá, mas eu me empolguei.
20:48Será que você não percebe que eu precisava encontrar uma planta pra substituir aquela outra do garrafão?
20:53Só faltava isso pra minha fórmula dar certo, Betão.
20:55Claro, claro.
20:56E a Helena e o Hugo que se danassem, não é?
20:58Eles aqui sofrendo de água e você ali procurando plantinha no meio da selva.
21:02Sim, mas eu já tava no meio da mata.
21:04Eu acabei me embrenhando cada vez mais e eu não me toquei, pô.
21:07Você é irresponsável, Matheus.
21:10Será que você se dá conta disso?
21:11Um ano é muito tempo, criatura.
21:14Por que você não deu nenhuma notícia, nada?
21:15Você acha que é fácil achar um orelhão no meio da floresta, é isso?
21:18E você acha que é fácil ficar criando um filho doente com uma mão na frente ou tá atrás?
21:23Você tá me acusando de uma mão na família, é isso?
21:25Eu tô acusando você a gostar mais dessa tua loção milagrosa, dessa tua pesquisa, do que da Helena e do
21:31Hugo.
21:32No fundo, no fundo, Matheus, eu acho mesmo que você gosta muito mais de você do que da tua família.
21:46Velhas incompetentes, são incapazes de correr míseros três quilômetros atrás de um pedreiro.
21:50E a culpa é sua, gente.
21:52Minha, o que eu fiz?
21:53Como que você fez?
21:54Você que contratou as aeromoças da Arca de Noé.
21:56As minhas empregadas teriam conseguido segurar o roço.
21:59Ah, não por isso, tá?
22:00Os meus empregados saradões não teriam dado mole pro pedreiro, tá?
22:04O cheiro, olha como você é, cheiro.
22:06Eu tô aqui, uma pilha de nervos e você ainda fica tripudiando.
22:10Podia.
22:11Com licença.
22:16Eu só aceito o chá de camomila, meu filho?
22:19Não, não, não aceito.
22:20Não, não aceito, não preciso me acalmar.
22:21Muito obrigado, pode ir, muito obrigado.
22:25Olha aí.
22:26Tô cargando o ódio dessas velhas, hein?
22:29Ficou nervosa, tá vendo?
22:30Olha aí, olha aí.
22:31Tu quase matou a pobre do coração.
22:33Não tô entendendo.
22:33Não tô entendendo pra que tanta agitação, cabazinha.
22:36Ah, você não tá entendendo.
22:37Não.
22:37O que que é tão difícil pra você entender, Sheila?
22:40Nós fomos grampeados.
22:41O Robson escutou tudo que a gente falou no escritório.
22:44Ih, mas ele não ouviu nada demais, tá?
22:46A gente só xingou ele um pouquinho.
22:48A gente não falou que a gente enrolou o Robson pra ele assinar a procuração.
22:53É.
22:54É, isso só é verdade.
22:56Até porque quem enganou o Robson mesmo foi a tonta da Raquel.
22:59É verdade.
23:00Foi ela que botou a procuração no meio da papelada do casamento e fez ele assinar sem querer.
23:05Então, relaxa, gamba.
23:07Relaxa, tá?
23:08Relaxa.
23:08Não vai dar em nada essa história, não.
23:10Assim, é...
23:12O que foi?
23:13Tô aqui bolada com uma parada.
23:16E se eles escutarem aquela parte que a gente falou, lembra?
23:20Adoro você com aquela lingerie cor de rosa, amor.
23:24O que que tem?
23:24Qual o problema?
23:26O problema?
23:27O problema que era eu que tava falando isso.
23:32Ah, é, é, é, é.
23:35Ah, tá ali, se o Robson não perdesse a fortuna agora, ia perder daqui a pouco, né?
23:39Ele é trouxa, que nem uma anta.
23:44Ah, nós pegamos ele de jeito.
23:46Ah, se pegamos, damastor.
23:48Isso ajudará a provar que a fortuna do patrão foi roubada por esse rábula inescrupuloso.
23:54Damastor, olha o palavrão.
23:57Somos de família, tá?
24:01Que palavrão que ele falou, galinha?
24:03Você não ouviu o nome.
24:08Não, não, senhorita.
24:09Rábula.
24:10É o mesmo que advogado.
24:15Ai, gente, não vamos parar de rolar com o tal de rabo, né?
24:18Vamos levar essa gravação logo pra polícia, vê?
24:21Não, querido, o melhor que a gente tem a fazer é levar pro nosso advogado, tá?
24:25Aí ele vai processar o Zé Henrique e vai colocar esse danado, esse rábula inescrupuloso
24:30atrás das grades.
24:31Ah, não, Binho.
24:33Ah, não, a gente faz o trabalho pesado, depois esse, esse, esse crápula.
24:38Ah, rábula, mas crápula também é adequado na situação.
24:41Tá bom, de crápula, rábula, aí fica a parte mais divertida.
24:44Ah, não, Binho, eu queria...
24:45Pode deixar, galinha?
24:47Pode deixar que assim que essa situação for resolvida, eu mesmo vou na mansão e vou
24:51tirar o Zé Henrique pelos fudidos da calça.
24:53É o que ele merece.
25:06Não, Matheus, não volta pra casa agora, não.
25:09Tem um cara lá embaixo rondando a casa, deve ser um policial.
25:12É, fica aí, Nivete.
25:13Assim que ele for embora, eu te aviso.
25:16Eu também.
25:18Te amo.
25:23Ai, meu Deus, deve ser a polícia.
25:26Eles perceberam que eu tava mentindo, eu sabia.
25:28Eu sabia.
25:32Oi, Helena, dá licença, eu sou o Guilherme Medeiros, eu sou sócio da Sônia lá na Clínica
25:38Beleza Pura, você se lembra de mim?
25:40Ah, claro, já ouvi muito falar de você, entra, por favor.
25:42Tudo bem, muito prazer, hein?
25:43Prazer.
25:44Dá licença.
25:46Olha, Guilherme, eu sei que você tá aqui por causa dessa confusão com a loção sister,
25:49eu tô muito chateada também.
25:51Meu marido deixou tudo pronto, disse que funcionava, que não fazia mal, então eu resolvi vender
25:55pra poder pagar os remédios do meu filho, que são caríssimos.
25:58Não, não, não, não, calma, Helena, calma.
25:59Parte dessa culpa também é minha, afinal eu aceitei vender a loção sem ver o registro.
26:04Eu só não sabia que era feito com um ingrediente ilegal.
26:08Ai, eu juro que eu também não sabia, Guilherme.
26:10A única coisa que eu sabia é que tinha alguma coisa na fórmula que o Matheus tava tentando substituir.
26:15Pois é, isso é que você tinha que ter falado pra gente.
26:18Não, mas a Sônia sabia do tal ingrediente.
26:20Antes de fechar o negócio eu contei tudo pra ela.
26:23A Sônia é sã.
26:24Eu não acredito, a minha sócia sabia e aceitou comercializar assim mesmo.
26:28Ah, não, eu mereço.
26:30Ai, eu lamento, Guilherme, eu lamento muito.
26:32Ai, minha sócia.
26:34Bom, mas Helena, já que eu tô aqui, eu queria aproveitar e poder conhecer o Matheus.
26:40Ele tá aí?
26:41O Matheus?
26:43Não, eu não sei onde ele tá.
26:45Como que não sabe?
26:46A polícia informou que ele foi resgatado lá na Amazônia?
26:48É, foi o que eles disseram, mas isso é verdade.
26:52Até agora aqui em casa ele não apareceu ainda.
27:08Oi.
27:10Matheus, eu não acredito.
27:12Eu levei um susto quando você me ligou.
27:13Eu não sabia que você tava vivo.
27:15Como é que você tá?
27:16Mais ou menos.
27:17Eu cheguei algumas horas e já tô cheio de problema.
27:19É, eu sei bem como é que é isso.
27:21Mas me conta, onde é que você ficou?
27:23Matheus, o que você ficou fazendo na Amazônia esse tempo todo?
27:26Bom, na maior parte do tempo eu fiquei...
27:28Fiquei fazendo pesquisas.
27:31Sobre os animais, os vegetais da região, é isso?
27:34Digamos que mais sobre os minerais.
27:35Ah, você ficou procurando os diamantes.
27:37Fala a verdade.
27:39Você e o Alex encontraram as pedras, não foi?
27:41Pode dizer.
27:42Você acha que se eu tivesse achado alguma coisa na Amazônia, além de mosquita e cobra,
27:46eu estaria morando aqui nesse bairro, Matheus?
27:48Você não me conhece, né?
27:50Na verdade, eu deixei de conhecer todo mundo que tava naquele helicóptero o dia que ele caiu.
27:54O Márcio foi lá pra passar dois dias pra gravar um programa.
27:57Eu não podia imaginar que Olavo, Alex, Sônia, tavam de conchavo por causa de diamante.
28:02Mas nem eu, nem eu, Matheus.
28:04E se não fosse aquele acidente, até hoje, nós dois estaríamos inocentes nessa história.
28:09Mas já que eles foram obrigados a nos contar, agora eu quero a minha parte.
28:13Eu também.
28:14E o Olavo?
28:16Será que ele não tá pros diamantes?
28:18O Olavo, esse tá pior do que eu.
28:21Um advogado passou a perna no herdeiro dele e ele tá pobre, morando na favela.
28:25E pior, desmemoriado, tá achando que é índio.
28:28Que história.
28:30Você sabe o endereço da casa dele?
28:31O que você quer saber, Matheus?
28:33Fazer uma visita.
28:34Visitar um amigo, assim como eu tô visitando você.
28:36Ah, visitar.
28:38Sei.
28:41Mas olha aqui, Matheus.
28:43Nem adianta você ir lá agora, porque ele foi viajar com a Sônia.
28:50E eu não faço a menor ideia onde eles foram, nem quando eles voltam.
28:53Não te perguntei nada?
28:55Ainda bem.
28:56Porque eu não sei o mesmo.
29:01Qual é o biscoito que você quer mesmo?
29:03O biscoito de champanhe.
29:04Eu tava em salva lá no mercado.
29:06Será que você tem aqui, Edu?
29:08Tá, tá, aqui.
29:10Pronto.
29:11Biscoito.
29:11Ah, peraí.
29:12Não, peraí, peraí, peraí.
29:13Pra que você quer esse biscoito de champanhe aqui, hein?
29:17Ah, é pra fazer aquele pavê de pêssego em calda.
29:21Que eu adoro, é isso?
29:22Ai, Eduardo, estragou a surpresa.
29:25Ah, pô, meu anjo, obrigado.
29:27Você vai fazer aquele pavê de pêssego em calda.
29:28E sabe por quê?
29:30Eu adoro ver aquela tua cara provando meu pavê.
29:34Adoro.
29:35E eu bem aqui, soltando esse botão.
29:39Quando chegar em casa, você passa pra mim.
29:41Tá, nem te reparar.
29:41Tá bom.
29:42Bom, então vamos, porque senão não tem nem jantar e nem pavê.
29:46Me dá aqui, coletado.
29:47Não, não, não, não, o que é isso?
29:48Vai carregar esse peso todo?
29:50Não, te leva até em casa.
29:51Não te acompanha em casa.
29:52Não precisa, eu tô acostumada, Edu.
29:53Precisa sim, senhora.
29:55Eu vou com você aí, vamos logo.
29:56Vamos logo, que eu tô louco pra você começar a fazer meu pavê.
29:59Que pressa, calma.
30:01Vamos embora, vamos embora.
30:02Vamos embora, vamos embora.
30:12Vou te contar, não dá pra acreditar.
30:15Por que que não dá pra acreditar?
30:16Olha lá, minha mãe, dando mó mole pro Eduardo.
30:20Você acredita que hoje em manhã ela disse pra mim que tava confusa?
30:22A gente vai mandar, deixa isso pra lá, vai.
30:25Esquece isso.
30:26Ah, eu tô tentando, Klaus.
30:27Não consigo me conformar.
30:30Aí, tive uma ideia que vai fazer você esquecer dessas paradas aí rapidinho.
30:35Que ideia?
30:35Vamos fazer aquele lance que eu te falei hoje?
30:38Aquele lance que você diz é...
30:42Aquele lance?
30:44É, aquele lance.
30:46Oh, Klaus.
30:47Ai, não sei, não sei.
30:50Não, não, não, Klaus.
30:52Não dá pra ir num tipo de lugar como esse sem carro, né?
30:54Ah, e o carrão da dona Sonha, não conta não?
30:56Ah, Klaus, você vai roubar o carro da sua mãe?
31:00Pera aí, roubar não.
31:01Vou pegar emprestado.
31:03Olha só, ela deixou o carro na garagem.
31:05Aí a gente vai lá em casa, pega a chave reserva.
31:09Depois a gente vai, faz as nossas paradas.
31:12Faz as nossas paradas.
31:14Aí depois eu estaciono o carro lá, bonitinho, no mesmo lugar.
31:17Ela não vai nem perceber, Fernanda.
31:19Ai, príncipe, será?
31:21Será não, vambora.
31:22Tem que ir lá, rapa, não tinha minha minha palma, se eu ia me aparecer.
31:25Ei, isso passa, eu não sabia.
31:28Devia imaginar
31:29Que amor, quando chega, vem pra ficar.
31:33Tem pra...
31:34Tem pra...
31:36Vida oca.
31:38Vida bandida.
31:40Se você não tem graça, tem gosto...
31:42Não acredito que o Matheus sobreviveu à queda do Cacará.
31:45Será que ele achou?
31:46Que nada, Alex.
31:48Matheus tá na estaca zero que nem a gente.
31:50Pelo menos nós dois sabemos que o Olavo e a Sônia vão chegar agora à noite da Amazônia.
31:55Acho mais provável que as pedras estejam com ele.
31:58Alex, vamos logo pra rodovira.
31:59Quanto mais tempo a gente ficar aqui, maior o risco do Edu flagrar a gente.
32:03Vambora.
32:04Você tá rindo de quê?
32:05Seu marido é muito bobo mesmo, né?
32:07Ah, é? Por quê?
32:09Essa história que você inventou de compraternização das vítimas da queda do Cacará.
32:13É dose, né?
32:14Ah, é?
32:15E a sua mulherzinha é o quê?
32:17Algum gênio, por acaso?
32:19Bora, vamos acabar com esse papo logo, que a Sônia e o Olavo já devem estar chegando com os nossos
32:23diamantes.
32:25Falta com o táxi!
32:41Dá licença, garoto. Cadê esse táxi primeiro?
32:43Ô, Titi, eu tô cheio de pressa. Mas depois você pega os táxi.
32:45Titi é sua mãe, ó. Dá licença.
32:46Eu tô com pressa.
32:47Não, pera aí. Não é assim que resolve as coisas, não.
32:49Vai fazer essa barba, então.
32:51O que que é?
32:52Ah, é só o que me faltava agora.
32:54Valeu, me santa do táxi, sei lá qual é.
32:56Santos táxi!
32:57Ô, ô, ô, ô, ô.
32:58Calma aí, espera aí.
32:59Pai, tá maluco? Quer morrer?
33:00Não, não. Olha só. Quero que você siga aquele teu colega ali da frente.
33:03Ih, igual foi um americano?
33:04Igual foi um americano.
33:04Vamos embora.
33:05Vamos embora.
33:40Amigão, eu preciso saber onde é que fica o desembarque do ônibus que veio da Amazônia.
33:45Ah.
33:49Ai, meu Deus do céu, o Matheus se meteu.
33:54Ih, Betão, achou?
33:56Nada. Nada, Helena. Rodei o bairro inteiro e nem sombra dele.
34:01Gente, eu não tô entendendo mais nada.
34:03O Matheus saiu da casa da Ivete sem avisar a ninguém e sumiu.
34:06Pra onde é que ele pode ter ido?
34:09Ai, Betão.
34:11Será que meu marido foi preso?
34:13Não. Não deve ser isso, não.
34:15Se tivesse acontecido alguma coisa, a gente já estaria sabendo.
34:18Notícia ruim, ó.
34:20Viaja a jato.
34:21É, mas se ele foi preso, onde é que ele se meteu, então?
34:25Ah, sei lá, Helena.
34:26Ele não ficou um ano perdido no meio da floresta amazônica?
34:29De repente tá por aí, dando uma volta pela cidade, com saudade.
34:34De respirar um bom gás carbônico.
34:38Diego, já se viu, Betão?
34:39Um sujeito procurado pra polícia ficar por aí de respirando gás carbônico?
34:43Não, isso que você falou aí não tem o menor sentido.
34:46É.
34:47É.
34:48Já dei palpites melhores, né?
34:50É.
34:51Ai, Betão.
34:52Eu sonhei tantas vezes que o Matheus tinha voltado e minha vida tinha voltado ao normal.
34:56Olha só a situação.
34:58O Matheus tá aí, tudo de cabeça pra baixo.
35:00Tudo, tudo não, né, Helena?
35:02O que você tá falando aí, Betão?
35:04Hum.
35:05Tô falando que agora que seu maridinho voltou,
35:07você tem finalmente a chance de se curar daquela paixonite cafona,
35:12aquela coisa brega que você sente pelo Renato, né?
35:14Nem tudo está perdido, amiga.
35:20Não acredito, Cláudia.
35:22Só você mesmo pra me convencer a fazer uma maluquice, Betão.
35:27Relaxa, você tá me estraçada.
35:30Ó, eu prometo pra você que você vai sair daqui levinha, levinha.
35:34Ai, eu tô vencido esse meu namorado?
35:37Tá se achando, né, Cláudia?
35:39Não, pega assim que eu gosto.
35:40Ah, é?
35:41Eu tô.
35:42Vou deixar assim, tá aqui, ó.
35:44Aqui, ó.
35:45Tá errado?
35:48Não sei.
35:51Sabe o que eu esqueci?
35:54Acho que você vai ter que...
35:58Friscar minha memória.
35:59É?
35:59É.
36:01Você lhe pediu dois meses.
36:11Ah, eu quero ver meu comercial logo!
36:31Ai, Bim, peraí que eu propaguei direitinho.
36:35Não sei.
36:35Eu sei que essa parte de dentro vai sumir de tudo que é prateleira.
36:38Que o povo todo vai comprar pra ficar lindão.
36:41Assim que nem você, Cláudia.
36:43Beto, que tal a gente ir lá pra casa depois que assistir o comercial, vamos?
36:47Que isso, meu?
36:49Ô, gente!
36:51Gente!
36:52Silêncio, pô!
36:52Olha lá, olha lá, olha lá!
36:53Vai começar o comercial da Raquel, gente!
36:55Ai, eu tô com o sistema nervoso!
36:57Atacado!
36:58Mãe, eu tô bonita, mãe, eu tô bonita, mãe, eu tô bonita!
37:00Minha filha, você tá linda.
37:02Tá igualzinha a sua mãe quando era mais nova.
37:04Que nada!
37:04Tá mais linda ainda!
37:06Ei, comercial porreta, hein!
37:08Meu Deus!
37:09Eu queria dizer que ia ficar cada vez mais bonita daqui pra frente.
37:13Ai, meu Deus!
37:13Ei, comercial porreta!
37:14Gente, gente!
37:15Silêncio, não dá pra ouvir nada assim!
37:17Que hálito refrescante!
37:19Dá até vontade de beijar!
37:22Então beijo!
37:24Branquíssima dental!
37:25Pô, que palhaçada é essa aí, hein!
37:28Pô, Calinha, você não me falou que esse comercial aí ia ter beijo, né?
37:31Na boca e dá por cima!
37:33Binho, onde já se viu comercial de pasta de dente sem beijo?
37:38Hein?
37:39Ah!
37:40Mas não comer a noiva, né?
37:41Não comer a noiva, pô!
37:47E agora, já pode?
37:48Não abre, não abre!
37:50Ai!
37:51Agora pode!
37:56Klaus!
37:58Klaus, que quarto lindo!
38:00Gostou?
38:01Olha essa cama, essa colcha, gente!
38:03Olha a banheira, Klaus!
38:05Ai, gente, eu acho que eu nunca vi num lugar assim!
38:08Aham!
38:08Nenhum!
38:10Klaus, amarese, você quer deixar de ser cara de pau?
38:13É, Fernanda, tô falando sério, eu também nunca vi, não!
38:15Ah, não é?
38:16Não!
38:16Aham, é, me engana!
38:17Não me engana que eu gosto!
38:19Aham!
38:19Você gosta?
38:20Aham!
38:20Aham!
38:22Não é que uma história?
38:23Uhum!
38:25Porque eu...
38:25De beijo!
38:27De beijo!
38:28Aham!
38:28De beijão?
38:34Aham!
38:45Aham!
38:47Aham!
38:48Aham!
38:49Aham!
38:49Aham!
38:49Aham!
38:51Eu não vou atender, não.
38:53Príncipe, vai que alguma coisa importante?
38:55O importante é o negócio. Relaxa.
38:58Vai que você deixou, assim, o farol do carro ciso?
39:01Eu não deixei nada ciso, Fernanda.
39:04Ô, ô, Príncipe.
39:06E se cai a bateria? E a gente fica perto?
39:08Ô, Cláudia, você quer atender rapidinho?
39:09A gente tem o tempo inteiro, por favor.
39:13Alô?
39:17O quê?
39:21Mas por que eu...
39:24Tá, tá, tá, tá.
39:26O que que foi? O que que aconteceu?
39:28A moça da recepção falou que a polícia tá subindo.
39:30A polícia? Mas o que que a gente fez de errado?
39:32Ah, sei lá, mas eu não vou ficar aqui pra perguntar, não.
39:35Vambora, Fernanda, vambora.
39:36Vambora?
39:37Fugir?
39:39Será que é melhor pedir a polícia?
39:41Vamos lá, Fernanda.
39:46Calma aí que ninguém vai a lugar nenhum aqui, certo, garotão?
39:52Puxa, meu amor, eu não me conformo, viu?
39:54De você não ter me telefonado com essa história da loção, eu podia ter ajudado.
39:58Não, mas eu não queria te preocupar com os meus problemas, não.
40:02Mas a polícia já sabe que foi o Mateus Cista quem fez a fórmula e já tá atrás dele.
40:06E a mulher disse que não sabe dele.
40:07Pois é, mas a polícia garante que ele foi resgatado na Amazônia.
40:11Ela tá mentindo.
40:13Ela deve tá mentindo pra proteger o marido.
40:15É o que eu também acho.
40:17Agora, que loucura isso, né?
40:19Quer dizer que ele também sobreviveu à queda do Carcará.
40:24Meu Deus, isso é uma loucura.
40:25Ninguém morreu nesse acidente.
40:27Você imagina como eu tô me sentindo aliviado, não?
40:30Ah, não.
40:32Eu imagino sim.
40:33Eu também tô muito aliviada.
40:36Você?
40:38É, claro, meu amor.
40:39Você tá aliviada, eu fico aliviada por sua causa.
40:44Sabe, eu tô...
40:45Tô com uma sensação tão boa, é como se agora,
40:48que eu sei que eu não causei a morte de ninguém,
40:51eu pudesse, de fato, retomar a minha vida, os meus próprios projetos.
40:55E é isso que eu vou fazer, de agora em diante.
40:57Não é?
40:58E você tá pensando em começar por onde?
41:01Ah, o primeiro passo é alugar um apartamento,
41:03porque não dá pra continuar morando lá naquele quartinho da beleza pura.
41:07Ah, mas vai dar um trabalho.
41:09Eu me desfiz de tudo, né?
41:11Quando eu te vendi aqui esse apartamento.
41:13É.
41:14Mas as suas coisas, todas elas, continuam aqui exatamente como você deixou.
41:19Eu vou ter que comprar tudo de novo, né?
41:21Fogão, geladeira, armário.
41:24É, acho que eu vou ter que ficar ainda um bom tempo naquele quartinho.
41:28Eu não sei não, mas eu acho que existe uma solução
41:30pra que você resolva essa questão ainda hoje mesmo.
41:33O quê? Ir pra um aparte hotel?
41:35Não, não. Eu acho muito impessoal e também muito caro.
41:40Não, eu não tô falando de aparte hotel não, Guilherme.
41:44Vem morar comigo aqui, nesse apartamento. Vem.
41:57Copacabana, Copacabana, a gente tem que achar logo a saída dessa maldita rodoviária.
42:02Copacabana só sabe localizar na selva.
42:06Dentro rodoviária, Copa fica perdido.
42:09É, mas a gente tem que saber onde é que é o ponto de táxi.
42:11Não dá pra ficar andando aí com sacos, com sacos de diamante.
42:45A gente tem que achar logo a saída.
42:52Ai, dá vontade de chorar! Não tem um táxi!
42:55Copacabana não tem um táxi no ponto!
43:23O que é isso?
43:28Não amarrar dinheiro não, mais formosura, dinheiro não, a pele escura, dinheiro não, moça pretado cruzou.