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  • há 8 horas
Os servidores técnico-administrativos em educação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) decidiram iniciar, a partir da próxima segunda-feira (16), uma greve por tempo indeterminado.

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Transcrição
00:00A nossa greve deflagrada do dia 11 trata-se de uma continuidade da greve nacional que foi promovida em 2024.
00:12Os técnicos vinham num período de longo período sem reajuste, sem nenhum tipo de melhoria, somos a maior categoria do
00:25executivo nacional
00:28e também tínhamos as piores remunerações da carreira do serviço público nacional.
00:35Então, a greve em 2004 surgiu com a sinergia de toda a categoria em busca de justiça com relação à
00:45nossa categoria.
00:47Tivemos um movimento muito forte, muito expressivo, o governo teve que ceder na marra, digamos assim,
00:56e fizemos um acordo importante, histórico, que não só garantiu melhorias salariais,
01:04mas, sobretudo, uma reestruturação profunda da carreira que já estava, aguardávamos há mais de 20 anos.
01:12Entretanto, durante os dois anos que se passaram após o fim da greve, o governo descumpriu praticamente mais de 50
01:23% do acordo.
01:24Ele se ateve à questão orçamentária, à questão salarial, e temos que ser justos.
01:30Tudo foi cumprido, pelo menos na sua essencialidade, ainda há questões a tratar, principalmente entre a categoria dos aposentados,
01:43que estão menosprezados pelo governo, cada vez mais sofrendo impactos por essa distorção
01:51entre os benefícios que são cedidos aos servidores de ativa, não são repassados para os servidores aposentados,
02:02mas, principalmente, no tocante às pautas não orçamentárias, em especial, eu friso a questão de jornada,
02:09um debate forte para que fosse aprovado a flexibilização de jornada de trabalho.
02:18Hoje, cumprimos essencialmente, praticamente, a totalidade dos servidores, a jornada de 40 horas,
02:25para que houvesse esse avanço, para que a nossa jornada fosse de 30 horas,
02:31e também respeitar as legislações que prevê jornadas diferenciadas para outras categorias.
02:37É impressionante, o governo, muitas vezes, na negociação, se apega tanto ao legalismo,
02:43não, mas olha a lei, olha a lei, e ele não cumpre a lei, no que diz respeito à jornada
02:48de algumas categorias,
02:50que tem sua legislação própria.
02:53Então, diante disso, depois de uma longa negociação, muitas vezes fomos desrespeitados pelo governo,
03:03sentávamos, conversávamos, expomos todas essas questões, o governo, vamos marcar uma nova reunião,
03:09que a gente vai conversar com o Ministério e vamos ver o que faz.
03:14E foram várias reuniões, que tudo que foi decidido foi uma nova reunião e nada de avançar.
03:20Então, chegamos no limiar, que é insustentável, essa situação.
03:26A gente sabe muito bem que esse governo é um governo, sim, muito mais aberto, mais próximo, que dialoga.
03:32Mas o não, numa conversa, o não prévio, continua sendo o não.
03:37E se a categoria não desse uma resposta, diante de um acordo firmado e descumprido,
03:44como é que a gente poderia travar outras batalhas sem fazer novos acordos,
03:48se não precisa ser cumprido o acordo que está firmado?
03:51Então, foi esse o entendimento.
03:54O movimento grevista não é apenas a UFCG, já são mais, peguei a atualização da notícia,
04:01são mais de 50 instituições que já deflagraram greve.
04:06A UFCG está se inserindo nesse movimento.
04:09A decisão foi tomada numa assembleia realizada no dia 11,
04:14com expressiva participação da categoria.
04:18E iniciaremos a greve a partir do dia 16, a partir de segunda-feira,
04:26onde cada campus, em suas especificidades,
04:29vão discutir como é que se dará essa adesão.
04:34Acho que, essencialmente, é isso.
04:35Messias, agora há pouco a gente conversava com alguns docentes
04:40da Universidade Federal de Campina Grande,
04:43de alguns campos aqui também do interior,
04:45e tinha justamente essa sinalização, discussão a nível nacional
04:49de possível deflagração de greve de outras entidades,
04:54como você mesmo disse, nessa mobilização nacional.
04:58Mas os docentes, eles continuam ainda,
05:01ainda não houve nenhuma sinalização de greve dos docentes,
05:05já dos técnicos administrativos, sim,
05:08já a partir de segunda-feira.
05:09Eu aproveito para lhe perguntar,
05:11e também quem está em casa agora nos acompanhando,
05:14poder compreender, qual é o impacto,
05:16a partir da deflagração dessa greve,
05:19dos técnicos administrativos da UFCG?
05:21Qual é o impacto direto no dia a dia do campus?
05:26Olha, a nossa categoria,
05:29embora muitas vezes até invisibilizada,
05:33muita gente, eu sempre que me apresento como servidor da UFCG,
05:37sempre se questiona onde eu dou aula, né?
05:41Porque para muita gente só existe estudante e universidade,
05:47estudante e professor nas universidades.
05:50Mas nossa categoria, ela é fundamental no fazer acontecer
05:56as atividades finas, que são chamadas,
06:00as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
06:06Então, só existe construção, só existe compra de materiais,
06:13só existe aparelhamento e serviços administrativos,
06:20executados pelos técnicos administrativos.
06:24Então, uma paralisação total, geral, da nossa categoria,
06:30pode não ser de imediato inviabilizar as atividades fins,
06:37mas sim, no médio e curto prazo,
06:40fica inviabilizado a execução de qualquer atividade.
06:47Entretanto, a gente, pelo menos eu falo do âmbito que eu presido,
06:52que eu participo, a gente tem esse olhar de que o movimento
06:57não se inicia de forma radical.
07:01A gente, geralmente, faz uma composição, faz uma compreensão,
07:05há serviços administrativos que precisam ser mantidos,
07:11chamados serviços essenciais, atividades ligadas principalmente à saúde,
07:18seja humana, seja animal.
07:20Em partes, nós temos um hospital veterinário,
07:22a gente sempre tem essa sensibilidade de manter a essencialidade do serviço.
07:28No entanto, com o decorrer do processo,
07:32caso, de fato, não haja qualquer tipo de sinalização do governo
07:37em nos ouvir, em ouvir nossas demandas,
07:42a tendência é ir radicalizando e chegar a uma paralisação total
07:49e aí causa um impacto problemático.
07:53A princípio, como eu disse anteriormente,
07:57a gente vai compondo uma redução de jornada,
08:01mantendo os serviços emergenciais,
08:04e aí aqueles serviços que não são tão problemáticos,
08:11a princípio, eles vão sendo represados,
08:13mas em algum momento eles precisam ser executados
08:17e aí é onde causa os principais problemas.
08:21Tem um estoque de material e aquele estoque vai ser utilizado.
08:25Quando aquele estoque acaba, se não tiver técnico,
08:27ele não vai ser reposto.
08:28Não sei se eu me fiz compreender,
08:30mas é essencialmente isso.
08:33A nossa categoria, ela trabalha na estrutura
08:37das atividades das universidades
08:39e muitas vezes não é percebido de imediato
08:44o nosso serviço,
08:45mas com o passar do tempo,
08:48sem técnico trabalhando, as coisas falam.
08:50Com certeza a gente sabe da essencialidade
08:53do trabalho dos servidores da Universidade Federal.
08:57E você espera que essa mobilização a nível nacional
09:01e agora a entidade também,
09:04os servidores técnico-administrativos
09:05flagrando greve,
09:07sinalizando também nessa mobilização nacional,
09:10você espera que o governo Lula
09:11tenha essa sensibilidade
09:13para cumprir aquilo que foi discutido,
09:16acordado lá em 2024,
09:18na última greve, Messias?
09:21Essa é a perspectiva.
09:23Nós sabemos muito bem que o governo Lula
09:27é um governo muito mais aberto
09:29a entender e a compreender
09:32as causas dos trabalhadores.
09:35Mas também compreendemos que foi um governo eleito
09:37com o slogan da Frente Ampla.
09:43E, para nós, essa Frente Ampla significa um governo em disputa.
09:47Do lado, temos os trabalhadores lutando por melhores condições.
09:51Do outro lado, tem os empresários, os financistas,
09:55querendo que o governo os sirva.
09:57Então, existe esse cabo de guerra
10:00e a gente vai tentar, obviamente,
10:04se fortalecer para que o governo sirva
10:07aos trabalhadores e não apenas
10:09a quem sobrevive da exploração do trabalho.
10:14Importante também ressaltar, José,
10:17que no momento de greve,
10:19em que a gente tem uma pauta específica,
10:22no caso, é o cumprimento do acordo que foi firmado,
10:25mas a gente sempre constrói também outras lutas
10:28durante esse período.
10:29Aproveitar que é um período de mobilização,
10:31de consciência,
10:32e trazer, principalmente,
10:36pautas locais, pautas específicas
10:38e convocar, convidar as outras categorias também
10:42a se integrar.
10:44Então, nós, no Campos de Pátio,
10:46pelo menos, já tivemos,
10:47já tratamos com o movimento estudantil,
10:50vamos também dialogar com o movimento de docentes.
10:54Há uma luta na própria universidade,
10:57que é bem específica,
10:58que é a democratização das escolhas dos dirigentes.
11:03A gente sempre requenta essa pauta.
11:08Tivemos uma grande vitória recentemente
11:10que a listra tripse,
11:13a malfadada lista tripse,
11:15que muitas vezes o reitor eleito
11:18não era o reitor empossado,
11:21ela foi derrubada,
11:23falta apenas a ascensão presidencial.
11:26No entanto, a democracia na universidade,
11:28ela tem que ter também paridade entre os segmentos.
11:31Nenhum segmento pode ter monopólio sobre a escolha.
11:35Então, a greve não é apenas em si
11:38um movimento pontual
11:40para cumprir um determinado fim.
11:44Ela também é um momento de mobilização,
11:45de conscientização,
11:46de trazer à tona determinados pontos
11:49que são importantes para toda a comunidade.
11:51Só um ponto muito importante
11:53aqui na cidade de Pátios,
11:54e eu acho que abrange todos os campos
11:57da Universidade do Interior,
11:59é a questão do transporte público,
12:02principalmente para os nossos estudantes.
12:05As cidades do interior do sertão da Paraíba
12:08não dispõem de transporte público,
12:10e muitas vezes os estudantes padecem
12:12dessa problemática
12:13para poder cursar seus cursos.
12:16As universidades não são centrais,
12:19ficam fora do centro da cidade,
12:22e essa problemática é latente,
12:24e infelizmente a política institucional
12:28quer construir prédios,
12:30mas não se preocupa com o dia a dia,
12:33e o transporte público é uma problemática
12:36muito, muito grande aqui
12:38nas cidades do sertão da Paraíba.
12:41Nós queremos, nesse momento,
12:43lhe agradecer, Messias Almeida,
12:46representando a categoria
12:47dos técnicos administrativos,
12:49ele é servidor do Campos de Patos,
12:52da UFCG,
12:53participando conosco,
12:54justamente para explicar
12:55a deflagração da greve
12:57dos servidores técnicos administrativos
12:59da UFCG.
13:00Muito obrigado,
13:01e qual é o recado que você deixa agora
13:03para os demais servidores
13:05que nos acompanham agora,
13:07seja na região de Patos,
13:09na região de Catolé,
13:10região de Souza,
13:11Cajazeiras, Pombal,
13:13no interior do estado,
13:14nos acompanhando nesse momento,
13:16seja na TV,
13:17no nosso portal,
13:18ou também nas emissoras de rádio
13:19que integram a rede.
13:21Muito obrigado,
13:21e qual é o recado
13:23que você deixa
13:24para os seus colegas também,
13:26trabalhadores?
13:29Agradeço demais o espaço,
13:30a oportunidade aqui
13:31de passar a mensagem
13:33e apresentar nesse espaço
13:37a categoria dos técnicos,
13:39O chamamento é bem objetivo,
13:42venha participar,
13:44construa essa greve,
13:45vamos fazer uma greve forte,
13:46porque quanto mais forte,
13:48mais curta.
13:49Se os técnicos se levantarem,
13:53fizerem o movimento
13:54que fizemos em 2004,
13:56em 2024,
13:57vai ser impossível
13:59para o governo nos ignorar,
14:02e temos aí um ponto
14:04muito, muito focal
14:06que até agora
14:08não é bem explicado
14:10por que o governo
14:12não está cedendo nesse ponto
14:15e que vai trazer
14:16um benefício tremendo
14:17para toda a categoria,
14:19que é a nossa jornada
14:20de 30 horas.
14:21A jornada de 30 horas
14:22é qualidade de vida,
14:25saúde física e mental,
14:26é um serviço
14:28mais bem prestado,
14:30com satisfação
14:32pelos servidores
14:34e é incompreensível
14:36porque o governo
14:37é tão inflexível
14:38nesse ponto.
14:39Então,
14:39convido aí
14:40e não só os servidores,
14:42toda a comunidade,
14:43a gente tem sempre
14:44que estar apoiando
14:46a luta dos trabalhadores,
14:48porque quem constrói
14:49são os trabalhadores
14:51e quando eles
14:52se levantam,
14:54não é à toa,
14:55é porque tem uma razão
14:56realmente forte
14:57para fazer
14:58e peço o apoio aí
14:59tanto dos nossos colegas,
15:03como a nossa comunidade
15:04universitária,
15:05como toda a população,
15:07seja do sertão,
15:08da Paraíba,
15:09do Brasil,
15:10a nossa luta.
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