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EsportesTranscrição
00:00É muito comum vermos jogadores se naturalizando por outros países,
00:03especialmente por não receberem oportunidades em suas nações de origem.
00:06Na Copa do Mundo deste ano, provavelmente teremos brasileiros, por exemplo, na seleção do Catar.
00:11Na história recente, vimos diversos atletas nascidos no Brasil ou com raízes brasileiras
00:16fazerem sucesso em seleções do alto escalão europeu, como Deco em Portugal ou Jorginho na Itália.
00:21Duas figuras que disputaram a Copa do Mundo em grandes potências foram o meia-Marco Senna e o atacante Cacau,
00:26que conversaram de forma exclusiva com o lance.
00:29Senna disputou o Mundial de 2006 com a Espanha, enquanto Cacau jogou a Copa de 2010 com a Alemanha.
00:35Coincidentemente, integraram gerações históricas, que quatro anos depois de suas participações,
00:39venceram o torneio mais importante do futebol.
00:42Mas essas histórias começaram diferentes.
00:44Enquanto o espanhol já fez o movimento pensando na carreira esportiva,
00:47o alemão foi recompensado depois de uma decisão familiar.
00:52Obviamente, antes de eu chegar na Espanha, nunca, jamais eu sonharia,
00:58que jogaria por uma seleção de outro país, que não fosse o meu país de origem, o Brasil.
01:05Mas tudo aconteceu muito rápido, cheguei em 2002, em 2005 fiz uma ótima campanha pelo Vila Real,
01:13cheguei na semifinal de Champions League, e foi quando chamou a atenção do treinador,
01:18até mesmo porque eu nunca tinha atuado com a seleção brasileira.
01:23Ele me estranhou, pelo destaque que eu estava tendo na Champions, pelo jogador que ele considerava que eu era.
01:32Chamou a atenção, foi pesquisar e viu que eu nunca tinha atuado pela seleção brasileira.
01:39Foi quando surgiu o interesse, foi no início de 2006, pouco antes da Copa da Alemanha.
01:48E eu tinha 29 anos, a seleção brasileira é praticamente formada, muito difícil,
01:55há pouco tempo de chegar à Copa, e até mesmo porque eu atuava com um time,
02:02o Vila Real, que até então não era conhecido no cenário mundial.
02:06Então eu pensei, é uma ótima oportunidade de que eu possa jogar uma Copa do Mundo
02:12e com uma seleção de expressão, a seleção espanhola.
02:16E a decisão foi muito rápida e fácil de ser tomada.
02:23Obviamente, eu só fui confirmar com meus familiares, no caso minha esposa, meus irmãos mesmo.
02:30Mas foi muito fácil, todos me apoiaram.
02:33Então, em definitivo, foi a melhor decisão que eu tomei, me adaptei super bem,
02:39fui muito bem acolhido e voltaria a escolher outra vez por tudo que eu passei.
02:47Na verdade, eu cheguei na Alemanha de uma maneira inusitada,
02:51eu vim por um time da quinta divisão, onde eu joguei um ano,
02:55depois fui para a equipe B do Nuremberg e, depois de três meses na equipe B,
03:03pude estrear na equipe profissional jogando a Bundesliga.
03:07Passados alguns anos, ou dois anos, eu vim para o Stuttgart,
03:12onde eu fiquei no total de 11 anos.
03:15No ano de 2008, depois de estar já oito anos na Alemanha
03:20e ter a possibilidade de naturalizar e ter o passaporte,
03:24a gente tomou essa decisão como família.
03:27Então, não teve a federação envolvida, não teve o clube envolvido.
03:31Foi mais uma decisão particular nossa, como família, da minha esposa.
03:37E aí, eu fiz todo o processo sozinho, correndo atrás da documentação e tudo.
03:43E depois que eu recebi o diploma ou os papéis para poder receber o passaporte alemão,
03:51é que ficou público.
03:52E aí, todo mundo soube.
03:55Dois meses depois, houve, então, o convite da seleção alemã.
04:00Depois disseram, já que a KK tem agora o passaporte alemão e tem jogado bem,
04:06a gente quer convidá-lo.
04:08E, para mim, na época, já tinham bastantes anos passados na Alemanha.
04:13Jogado a quarta divisão, a quinta divisão.
04:17Já tido meu início ali na Bundesliga e depois no Stuttgart com Champions League.
04:23Vários jogos importantes, tanto internacionais como aqui na Liga.
04:29Então, meu nome já era conhecido aqui na Liga.
04:33Mas, para mim, pessoalmente, foi uma surpresa gigante receber esse convite da seleção,
04:39onde, na época, conversei com a minha mãe, com a minha família,
04:43falando para eles dessa possibilidade.
04:45E todos se alegraram comigo.
04:47E foi, no final, uma decisão não tão difícil aceitar o convite.
04:52Pelas trajetórias construídas nos respectivos países,
04:55os dois já chegaram às seleções muito respeitadas.
04:58Foi muito boa.
04:59Foi muito boa porque eu, antes de estrear com a seleção espanhola,
05:04eu já tinha uma boa reputação aqui na Espanha.
05:07Nunca fui um jogador polêmico.
05:09Sempre muito bem aceito, mesmo jogando com o time em contra.
05:16E, quando eu cheguei na seleção,
05:17cheguei, volto a dizer, com uma muito boa reputação.
05:21O pessoal jogava contra, tanto do pessoal do Valência,
05:27Bex, Sevilha, Real Madrid, Barcelona, já me conheciam.
05:31E o treinador era uma figura muito importante também,
05:34que era um grande líder, tinha uma grande gestão,
05:41tinha um time na palma da mão.
05:44Isso é muito importante.
05:45Então, desde o início, ele deixou muito claro
05:47que eu ia ser um jogador mais,
05:50mesmo os que estavam lá, que tinham 100 jogos na seleção.
05:53E, no caso, eu e o Sesc Fábrica, na época,
05:56que estavam estreando.
05:59A gente...
06:00Ele não ia ter...
06:02Não ia fazer excepção de pessoas, né?
06:05E foi muito ótimo.
06:06Desde o início, obviamente,
06:08quando eu coloquei a camiseta da seleção espanhola
06:10pela primeira vez, escutando o hino,
06:14não foi...
06:17Foi algo estranho, né?
06:19Mas, depois que eu me...
06:21Já a partir do segundo jogo,
06:23com adaptação,
06:25o dia a dia com os jogadores,
06:27me senti como um filho adotivo.
06:29E já me senti em casa.
06:32E assim foram de 2006 até 2010.
06:38Na verdade, foi mais fácil do que eu mesmo esperava.
06:44Muitos dos jogadores que estavam ali na seleção
06:46já conheciam de jogar contra.
06:48Muitos eu joguei junto.
06:49O Felipe Lam, por exemplo,
06:51jogamos juntos aqui no começo do Stuttgart.
06:54E na minha primeira convocação,
06:56tinham mais três ou quatro jogadores do Stuttgart,
06:59o que facilitou bastante.
07:01Então, a gente já se conhecia da liga.
07:03E como a minha história foi contada,
07:06até mesmo da convocação,
07:08eu sempre bati nessa tecla,
07:11porque condizam com a realidade
07:12de eu ter tomado uma decisão particular
07:15com relação ao passaporte.
07:17Então, não foi...
07:18Ah, o Cacau tirou o passaporte
07:20para jogar na seleção alemã,
07:22senão foi por eu já ter o passaporte alemão
07:26receber esse convite.
07:28Então, tudo isso facilitou bastante.
07:29Não houve desconfiança dentro da seleção,
07:32dentro da equipe.
07:33Não houve também desconfiança
07:35ou a recepção, até mesmo da torcida,
07:38das pessoas que me conheciam.
07:41E tudo foi muito caloroso.
07:44E facilitou bastante para mim esse começo na seleção.
07:49Cene Cacau, inclusive, usa a mesma descrição
07:51sobre os países que representaram.
07:53A de que são filhos adotivos.
07:55Olha, eu me adaptei 100%.
07:57A palavra que eu sempre utilizo é...
07:59me sinto como um filho adotivo.
08:03E o filho adotivo, quando chega em uma casa estranha,
08:06obviamente, a princípio, ele nota.
08:10Mas depois, quando ele se adapta, ele se sente mais um.
08:13Eu, obviamente, tenho 100 brasileiros que correm nas minhas veias.
08:20E a Espanha me adotou.
08:23Me adotou.
08:25Eu sou muito grato a isso.
08:28Foi uma das melhores decisões que eu tomei na minha vida.
08:33Até mesmo porque meus filhos nasceram aqui.
08:36Posso dizer que eu e minha esposa podemos dar uma qualidade de vida para eles.
08:42Que esse era o meu objetivo.
08:44Depois que nascem os filhos,
08:46a gente está mais pendente deles do que da gente mesmo.
08:51Então, eu sempre, quando falo da Espanha,
08:53eu penso, primeiramente, nos meus filhos.
08:55Obviamente, eu falo da minha família,
08:57a qualidade de vida que eu pude dar a eles.
09:01E aqui levo já 23 anos.
09:07Acredito que, a não ser que aconteça alguma coisa extraordinária,
09:12eu saia daqui.
09:13Mas, caso contrário, eu devo ficar aqui por muitos anos.
09:17Cada passo ali era uma emoção diferente.
09:22No começo, eu estreiei pela seleção alemã,
09:24que foi algo especial demais.
09:26Eu fiz o meu primeiro jogo na China, na época, em Xangai.
09:31E aí, depois, eu tive o meu primeiro jogo aqui na Alemanha,
09:34onde jogar na frente da torcida é diferente.
09:37Então, foi todo um processo.
09:38Foi um ano antes da convocação para a Copa.
09:41Então, eu estava participando do campeonato, estava indo bem.
09:45Nas convocações, estava indo, estava indo bem.
09:47Então, tudo indicava que eu estaria na lista final para a Copa.
09:51E, quando isso veio, para mim, foi uma alegria gigante.
09:55Estar podendo representar um país que, no final, me acolheu.
09:58Aí, eu disse sempre em entrevista que foi um país que me adotou aqui na Alemanha,
10:03depois de tanto tempo vivendo aqui, poder representar o país numa Copa do Mundo.
10:08E, sem dúvida, eu sou um filho de Copa do Mundo, por assim dizer.
10:14Eu sempre acompanhei muito.
10:18O mais vivo, para mim, é o Campeonato Mundial de 94, onde o Brasil se sagrou campeão.
10:25Eu vi cada jogo, cada lance, torci, conheço cada jogador.
10:28Puse a conhecê-los depois, pessoalmente.
10:31Então, tudo isso me marcou bastante.
10:33Não poder estar dentro de uma Copa do Mundo, representando uma nação tão forte,
10:40mexeu comigo.
10:41E, no final, você está ali também como profissional.
10:45Então, sabendo que o Brasil estava na disputa, sabendo que uma hora ou outra poderia até mesmo
10:52ter esse encontro no campeonato.
10:55Mas, eu sempre tentava conciliar a emoção com o profissionalismo, que é importante dentro de campo.
11:02Mas, o que ficou mais marcado realmente está inserido dentro de um campeonato,
11:07de uma Copa do Mundo, onde eu sempre vi, sempre sonhei, e sempre olhei reportagens, documentários.
11:15De repente, você é parte disso.
11:18Então, isso me marcou bastante.
11:20Marcos Senna, por pouco, não teve a experiência de enfrentar o Brasil.
11:23E, até hoje, imagina como seria essa situação.
11:26Olha, para ser sincero, nesse momento você nem pensa.
11:29Você está querendo jogar, você vai para uma Copa do Mundo,
11:32você está, dia a dia, ali, concentrado com os seus companheiros do dia a dia.
11:37Porque não dava tempo de estar pensando na seleção brasileira e tal.
11:42Mas, tenho que dizer que, nas oitavas e finais que a gente jogou contra a França,
11:47se nós tivéssemos passado, a gente ia jogar contra o Brasil nas quartas de final.
11:51Tanto é que, depois, o Brasil encontrou com a França e caiu também.
11:57Aí, foi quando, eu acredito que se tivesse passado da França,
12:04aí, achou ver de entrevista um brasileiro jogando na Espanha, vai atuar contra o Brasil.
12:14E, essa situação, eu não pude viver.
12:17Então, eu não posso falar.
12:21Adoraria ter vivido uma situação de jogar contra o meu país de origem.
12:26Seria uma sensação dupla, né?
12:31De, caramba, eu nasci nesse país e agora estou com uma outra camisa.
12:37Não sei, eu tenho as minhas paranoias.
12:41Não é que eu fico pensando nisso, né?
12:43Mas, quando se trata do tema, eu fico pensando como é que seria.
12:48Mas, não aconteceu.
12:50Sempre digo que foi, voltando à seleção espanhola,
12:53foi uma decisão fantástica, maravilhosa.
12:56Cacau, sim, pôde enfrentar a seleção brasileira em um amistoso.
12:58Isso aconteceu antes do fatídico 7x1,
13:01quando não fazia mais parte da equipe alemã.
13:03Hoje, trata com bom humor como teria sido essa situação curiosa.
13:07Todos me perguntam isso, já me perguntaram.
13:11Eu, claro, com certeza daria o meu melhor.
13:16Se tivesse a oportunidade de marcar gol,
13:18não sei qual seria o sentimento, né?
13:21Eu tive a oportunidade de jogar contra o Brasil em 2011,
13:25aqui em Stuttgart, na abertura do estádio,
13:29depois de uma reforma.
13:30Então, ali, antes do jogo, eu cantei o hino do Brasil,
13:33cantei o hino da Alemanha.
13:35Muitas pessoas, amigos no estádio,
13:37torcendo por mim, mas torcendo por o Brasil.
13:39Então, com certeza, essa emoção não seria diferente no Brasil.
13:44Provavelmente, meu passaporte seria retido,
13:47eu não teria mais a possibilidade de entrar no Brasil,
13:50principalmente como foi o desfecho da semifinal.
13:54Após deixarem os gramados,
13:55os dois continuaram morando em seus países adotivos com as famílias.
13:58desenvolveram, então, um sentimento ainda maior
14:01de pertencimento às respectivas nações europeias.
14:05Olha, começando pelo Brasil,
14:06eu torço muito pelo Brasil.
14:09Adoraria que o Brasil ganhasse essa Copa do Mundo.
14:11Já passaram muitos anos.
14:15Também torço muito para a Espanha.
14:17Eu sempre digo que sou um privilegiado.
14:19Tenho duas grandes seleções para torcer.
14:22Torço para o Brasil, do meu país de origem,
14:24e torço para a Espanha.
14:26Aí sempre vem a típica pergunta, né?
14:31E se joga os dois?
14:32Bom, um empate, os pênaltis e ganham o melhor.
14:36É, na verdade, é sempre um paradoxo, né?
14:40Para mim, eu já tenho hoje mais tempo de Alemanha
14:45do que eu tive no Brasil.
14:46Então, isso diz bastante.
14:49Por outro lado, meus principais anos,
14:50como você disse, minha raiz é do Brasil.
14:54Então, eu cresci vendo o futebol brasileiro,
14:57cresci vendo a seleção jogar,
14:59cresci tendo o sonho de jogar pela seleção brasileira,
15:02o que acabou não se concretizando,
15:05mas faz parte de todo esse processo.
15:08E hoje, realmente, eu torço para as duas seleções.
15:12Eu tenho em casa também, né,
15:14esse, entre aspas, esse conflito,
15:16que são os meus filhos,
15:17que são 100% torcedores da Alemanha
15:20e se identificam ali com a Alemanha,
15:24com os jogadores e tudo.
15:25E eu fico ali nesse meio termo,
15:28sempre olhando para o Brasil,
15:30torcendo também.
15:32Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.
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