00:00Nós recebemos a criança em estado muito grave, muito grave mesmo.
00:06Então, quando ele chegou na urgência do Hospital de Trauma de Campina Grande,
00:12existia um grupo de pediatras e o Ciatox também foi chamado para junto com o Ciatox
00:19nós fizéssemos alguma coisa para aquele tipo de agravo.
00:24A criança estava grave e ela foi só agravando, só agravando.
00:28E até o momento a gente não consegue precisar exatamente que tipo de animal pessoalmente
00:38essa criança foi acometida.
00:40O que eu posso dizer até o momento é que ela já chegou com sequelas do acidente.
00:47Um acidente por serpente, ele deve ser atendido dentro das primeiras seis horas,
00:52o mais rápido possível.
00:55Entretanto, ele chegou, o acidente foi às 11 horas da manhã, né?
01:00E ele chegou em Campina Grande, no Hospital de Trauma, em torno de 18 horas.
01:06Então, um lapso de tempo muito, muito grande, né?
01:10Por ser uma criança, né?
01:12Mas nós fizemos, junto com a pediatria, o corpo clínico,
01:16o raciocínio clínico de que tipo de agravo poderia ter acometido aquela criança, né?
01:23Mas o que eu posso dizer é que ela chegou grave,
01:26tentou se estabilizar o paciente, né?
01:29Porque ele estava assim, ele teve paradas cardíacas no caminho
01:34e lá no hospital ele continuou a ter e foi tentar, né?
01:39Fazer com que ele voltasse.
01:42Mas, infelizmente, né?
01:44Não tivemos sucesso, né?
01:46Mas houve um empenho enorme dos profissionais que fizeram atendimento a essa criança.
01:54Foi uma comoção, além do empenho, né?
01:59De trazer essa criança de volta.
02:01Doutor, ainda não dá pra precisar qual foi o animal peçonhento que picou a criança,
02:06mas eu gostaria de trazer um questionamento agora.
02:09Nós sabemos que a cidade de Salgadinho fica aqui no sertão, na região de Patos.
02:13Fica a cerca de 120, 130 quilômetros de Campina Grande.
02:19E a pergunta que eu gostaria de fazer à senhora, talvez muita gente faça.
02:23E essa é uma realidade que a gente vivencia também no sertão.
02:26Essa distância, esse tempo, essa demora da criança chegar até Campina Grande,
02:33na sua opinião, pode ter contribuído também para a evolução,
02:37para a gravidade do quadro de saúde do paciente?
02:42Olha, são várias variáveis, né?
02:45Vamos falar no animal.
02:49O tipo de serpente, né?
02:52Essa serpente, se foi realmente uma serpente,
02:55ela era um adulto?
02:56Ela era um filhote, né?
02:59Então, o tipo de serpente, como aconteceu o acidente,
03:04o bote que a serpente dá,
03:07quanto ela conseguiu inocular desse veneno.
03:10Então, existe um número grande de variáveis
03:15que a gente não pode chegar aqui e dizer,
03:17não, foi o tempo.
03:17O tempo é uma variável.
03:20Depende, sim.
03:21Quanto mais rápido o atendimento, melhor.
03:23Mas não é o único parâmetro que a gente pode avaliar.
03:28São vários parâmetros.
03:29O trajeto, como foi?
03:31Essa criança parou durante o trajeto até Campina Grande.
03:35Ela teve paradas.
03:36Então, como eu falei para você no início,
03:38ela chegou grave.
03:40E só foi piorando.
03:42Só foi piorando, piorando.
03:44E todas as manobras necessárias para fazer essa criança voltar
03:49foram realizadas.
03:50Eu estava lá, eu estava presente, né?
03:53E eu vi o empenho dos profissionais em fazer com que essa criança
04:00tivesse um desfecho favorável.
04:03A Paraíba, hoje, ela tem distribuição de soro antipersoniento
04:09em praticamente...
04:11Em praticamente não.
04:12São 12 hospitais regionais.
04:15O soro está presente lá.
04:17Está certo?
04:17Não só em Campina Grande.
04:19Campina Grande não é a única referência.
04:21Nós temos em Patos, nós temos em Princesa Isabel,
04:25nós temos em Monteiro, soro.
04:28Então, a rede assistencial, não só Campina Grande,
04:33que faz parte da segunda macro-região,
04:35pode receber esse paciente.
04:37Mas também nos hospitais de referência da terceira macro-região de saúde
04:41do estado da Paraíba.
04:43A gente tem soro hoje em todos os locais.
04:45E aí, abre, inclusive, a possibilidade para um outro questionamento,
04:50que é em relação à família.
04:51A família chegou a comunicar ou trazer alguma informação?
04:55Se chegou a ver o animal?
04:57Como que teria acontecido?
05:00E aproveito para que a senhora possa deixar um alerta agora
05:02para as pessoas que estão nos acompanhando.
05:04Em casos de animais peçonhentos,
05:07seja uma cobra ou algum outro animal,
05:09o que é que deve ser feito?
05:11Imediatamente deve procurar ajuda médica?
05:14Sim, eu conversei com o pai do menino.
05:18Porque é muito importante que a gente tenha um conhecimento
05:23de como ocorreu o evento.
05:25Eu conversei com ele, ele disse,
05:26olha, ele estava brincando,
05:30entrou em casa chorando, reclamando,
05:32que tinha uma dor no pé.
05:35Que o pé estava doendo bastante.
05:38Então, foi quando ele levou o menino
05:40para o serviço de saúde para ter o atendimento.
05:43Quando a criança chegou,
05:45que a gente ficou sabendo que tinha sido no pé,
05:48nós procuramos no pé se havia alguma marca
05:52da presa da serpente.
05:55Exatamente no local que ele disse,
05:57nós não localizamos.
05:59Nós não localizamos.
06:01Mas isso não quer dizer que a serpente
06:04ou outro animal peçonhento tenha inoculado a sua peçonha
06:08ou o seu veneno.
06:11Entretanto, exatamente como ele descreveu,
06:15nós não localizamos.
06:18Então, a gente não pode dizer exatamente
06:20qual foi o tipo de serpente.
06:22O raciocínio clínico para vários tipos de acidente,
06:27nós fizemos.
06:28Mas tem que chamar bastante atenção aqui uma coisa.
06:31A criança estava em parada.
06:35Foram várias paradas cardiorrespiratórias que ela teve.
06:38Ela não chegou estável.
06:40Ela chegou em choque.
06:42Então, o raciocínio clínico para todos nós.
Comentários