00:00A questão é o seguinte, para que a gente possa responder essa pergunta,
00:04precisamos entender um pouco melhor o contexto da criança.
00:10E o contexto é, a criança só pode ter liberdade de escolha naquilo que ela pode bancar.
00:18Então, o que a criança banca?
00:19Ela banca aquilo que ela já tem autonomia e isso não vai trazer implicações negativas para ela.
00:27Portanto, quando a gente dá à criança a escolha de algumas agendas, de algumas pautas,
00:35nós podemos estar negligenciando a formação dessa criança
00:39e podemos estar também comprometendo a segurança dela em algum aspecto.
00:45Vou dar um exemplo.
00:47Será que uma criança pode escolher sua roupa, pode escolher sua comida?
00:52Aí eu respondo, depende.
00:55Depende de quê?
00:56Essa escolha vai trazer que implicações para a criança?
01:00Pode ser uma escolha banal, mas não é.
01:03Exemplo.
01:04Uma criança quer um vestido, ela quer aquele vestido,
01:07mas o vestido é um vestido de festa e você vai ao supermercado.
01:11Aí você atende à vontade da criança e a criança vai sofrer, talvez,
01:18um rechaço social por conta daquela inadequação da vestimenta.
01:23Outra coisa pode ter relação com o clima.
01:25Está quente e a criança quer vestir uma roupa que abafa.
01:31Ou, o contrário, está frio e a criança opta por uma roupa que é uma roupa para o calor
01:38e aí ela vai pegar um resfriado.
01:40Veja, a criança não dá conta de algumas coisas.
01:46Por isso que não é interessante que a gente deixe a escolha por conta da criança.
01:52Quando a gente pode, eu acho que talvez essa seja a grande pergunta dos pais e também dos professores,
02:01e quando é que a gente pode?
02:03Nós precisamos colocar para a criança um certo marco seguro para ela.
02:10E como é que eu coloco um marco seguro para ela?
02:13Quando eu posso dar liberdade à criança, por exemplo, de ter escolhas.
02:20Veja, no caso das vestimentas, coloque um marco seguro.
02:24Qual é o marco seguro?
02:25Escolha três ou quatro roupas.
02:27Não deixe todo o guarda-roupa para a criança escolher.
02:30E aí você já diz, olha, você tem essas três opções ou essas quatro opções.
02:35E aí todo mundo está, no caso, protagonizando.
02:38Ela vai entender que existe um adulto ali, oferecendo a ela um marco de segurança,
02:44e ao mesmo tempo a criança vai ter a liberdade de escolher.
02:49Então, pessoal, para fechar aqui a minha reflexão,
02:52toda criança, principalmente novinha, ou com sete, com oito,
02:58ou até com 13 anos de idade, a criança é caótica.
03:00Agora, nós precisamos vigiar as crianças não é porque o adulto é quem manda.
03:06Não é essa a questão.
03:08A questão é de responsabilidade sobre o processo de formação.
03:12Você deixa uma criança de oito anos sozinha, você não pode fazer isso.
03:17Por quê?
03:18Porque a criança é naturalmente caótica.
03:21Então, é preciso a presença o tempo todo de um adulto.
03:26E essa presença precisa ser uma presença forte, uma presença marcante,
03:31e uma presença que coloca a criança dentro de um marco de segurança.
03:36Essa é a lógica.
03:38Então, a resposta é quase sempre não.
03:41A criança não tem a escolha,
03:43desde que essa escolha seja dentro de um marco de segurança,
03:47como eu já exemplifiquei.
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