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  • há 4 horas

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Transcrição
00:00Olá, bom dia, sou o Lucas Quirino, estou aqui na redação do Grupo RPA
00:03e vou entrevistar hoje o doutor Arthur Luiz, que participa da pesquisa de polilaminina.
00:09Doutor, o senhor poderia explicar para a gente, basicamente, do que se trata essa pesquisa?
00:14A polilaminina é o polímero da laminina.
00:18E a laminina é uma proteína que é natural do nosso corpo,
00:22ela está presente em grande quantidade na lâmina basal das células.
00:29E no nosso corpo, ela participa principalmente no momento do desenvolvimento do sistema nervoso central,
00:38no crescimento dos neurônios.
00:40Então, ainda na embriologia, quando a criança está na barriga da mãe,
00:45ela participa do desenvolvimento do sistema nervoso como um todo,
00:49tanto do cérebro quanto da medula,
00:51e do crescimento dos neurônios, dos prolongamentos dos neurônios, que são os axônios.
01:00E isso é uma proteína que pode ser extraída do corpo.
01:04No corpo, ela tem uma conformação como se fosse uma matriz,
01:10como se fosse um tecido, várias proteínas ligadas umas às outras.
01:14E quando essa extração ocorre, ela perde essa conformação
01:17e ficam as proteínas individuais separadas.
01:20A grande descoberta da professora Tatiana foi como polimerizar essa proteína em laboratório
01:27para ela voltar a uma conformação muito parecida com a do corpo humano,
01:33com a conformação natural.
01:35E aí, quando acontece essa polimerização,
01:38ela não somente parece, tem um aspecto de voltar à estrutura natural,
01:46como ela recupera as funções.
01:48Então, primeiramente, foi visto nas placas de Petri, no laboratório,
01:53no crescimento de culturas de neurônios,
01:55que ela promoveu um maior crescimento dos neurônios nessas culturas.
02:02Vendo isso, começou a hipótese, se ela ajuda no crescimento dos neurônios,
02:09ela pode ajudar na regeneração.
02:11Neurônios lesionados podem ser recuperados com esse potencial que ela tem.
02:17Então, iniciaram os estudos em ratos.
02:20Ratos com lesão medular foram aplicados esse medicamento,
02:24e aí eles tiveram uma boa recuperação da função motora após a lesão,
02:30principalmente oito semanas após a lesão.
02:32E aí, esse início que eu falei da descoberta foi 30 anos atrás.
02:37Depois disso, estudo em vitro, estudo em animais.
02:41Foram quatro anos planejando um estudo clínico em humanos,
02:45um estudo acadêmico em humanos.
02:48E esse estudo terminou em 2019 e começou em 2021.
02:53Então, isso é a polilaminina.
02:56Então, é a laminina polimerizada.
02:58Doutor, eu queria que o senhor pudesse explicar em que fase está esse estudo nesse momento
03:02e qual a previsão que o senhor tem de ir avançando nas determinadas fases.
03:09A fase atual do estudo é a fase 1.
03:13Nós ainda não começamos a fase 1, mas ela já foi aprovada pela Anvisa.
03:17Estão fazendo os protocolos de como será o estudo.
03:19A princípio, serão cinco pacientes que vão ser observados por seis meses.
03:25Então, a partir da captação do último paciente,
03:29serão seis meses para o término da fase 1.
03:32Em seguida, a fase 1 é a fase de segurança do medicamento.
03:38E sendo estabelecida a segurança, vão iniciar as fases 2 e 3,
03:43que são as fases de eficácia.
03:46E aí, a expectativa é que esse estudo demore como um todo,
03:52até o fim da fase 3, para comercialização geral,
03:56até uns 4 a 5 anos.
03:58E quais são os critérios de escura desses pacientes?
04:02Para o estudo clínico, os critérios são muito bem definidos.
04:07Pacientes de 18 a 72 anos,
04:12lesão aguda, idealmente até 72 horas,
04:16e lesão medular traumática completa.
04:20Então, a medula tem várias doenças que acometem,
04:24que faz a perda de movimentos, faz paraplegia,
04:27e a gente está estudando lesão traumática.
04:29Então, acidente automobilístico,
04:31lesão por arma de fogo, lesão por arma branca,
04:34queda de altura,
04:36mergulho em água rasa,
04:38e essa lesão tem que ser completa.
04:40Ou seja, abaixo da lesão,
04:42não pode ter nenhuma função sensitiva ou motora.
04:45A escala que a gente usa para avaliar isso,
04:49chama AIS,
04:49que é a Escala de Deficiência da Sociedade Americana de Lesão Medular.
04:54E, além disso, a gente exclui o choque medular.
05:00Para ter certeza que a lesão é completa,
05:02a gente exclui o choque medular,
05:04que é uma condição transitória da medula,
05:10que ela perde as funções,
05:12os neurônios ficam refratários,
05:13e ela perde as funções.
05:15Quando a gente vê o retorno dos reflexos profundos,
05:20principalmente o bulbo cavernoso,
05:22a gente sabe que o paciente já saiu do choque medular,
05:26e a gente pode realmente estabelecer que a lesão é completa.
05:30Ah, sim.
05:30Doutor, para finalizar,
05:31queria que o senhor pudesse fazer um panorama geral
05:34do andamento da pesquisa
05:35e qual as expectativas tanto do senhor
05:38como de toda a equipe para o sucesso dela.
05:40O panorama da pesquisa, no momento,
05:45é de uma expectativa muito grande.
05:48A gente, vou falar por mim, né?
05:50Eu tenho uma expectativa muito grande
05:53em relação a essa pesquisa,
05:55porque desde que eu entrei no laboratório,
05:58era uma coisa assim,
06:00que eu não conseguia explicar o que eu via.
06:03Para mim, sempre foi,
06:06desde que eu entrei na faculdade de medicina,
06:08lesionou medula,
06:10não tem mais recuperação.
06:12Isso era uma regra.
06:13É uma regra.
06:14Até hoje, isso está em todos os livros, texto.
06:17E quando eu entrei no laboratório,
06:19eu vi os ratos melhorando,
06:22eu vi os resultados do estudo acadêmico,
06:24que a gente teve um paciente que voltou a andar
06:27e cinco outros que melhoraram a função abaixo.
06:32Então, isso inicialmente era uma surpresa muito grande para mim,
06:37caindo de paraquedas nessa pesquisa.
06:41E como cientista, nosso deveria ser cético.
06:44Então, eu tinha dificuldade de acreditar.
06:46Até eu começar a fazer meus próprios experimentos,
06:48ver que realmente era assim,
06:50estudar como aconteceu o estudo acadêmico
06:53e ver que não tinha muita dúvida nos resultados,
06:57não tinha como ter dúvida nos resultados.
07:00E a partir daí, eu comecei a acreditar muito
07:04e colocar muita expectativa nisso.
07:05É, inclusive, muito difícil de lidar com pacientes
07:08que estão atualmente recebendo pelo uso compassivo,
07:10porque eu não posso transmitir essa expectativa para eles.
07:14Eu tenho que sempre conscientizar e deixar eles com o pé no chão,
07:21mas a minha expectativa pessoal é de muito sucesso
07:26e eu espero que o medicamento seja aprovado
07:28para comercialização e possa melhorar a vida de muita gente.
07:31Tchau, tchau.
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