00:02O tempo, como sempre, é frio, lá fora e dentro de mim.
00:07Estranhamente me comparo com um inseto, seguindo sistemas complexos sem um objetivo claro,
00:12apenas nascer para construir.
00:13As baratas, ao menos, têm memória associativa, se lembram dos abrigos seguros e evitam áreas de perigo.
00:18E embora eu trace meu caminho diariamente, não sei exatamente para onde estou indo,
00:22ou mesmo qual o objetivo da minha espécie.
00:25Com essa hospitalidade que desfaz a pessoa que eu já fui, ver o massa que se molda, que se comprime
00:29e que por fim se dilui.
00:31Não há espaço para criar, sonho com a libertação do que me prende.
00:34O espaço em branco da minha folha me torna um ser inconsistente.
00:37No fim, somos iguais, minúsculos, mas para nossa própria espécie até mesmo letais.
00:43E que mesmo presa numa estrutura, ainda prossigo.
00:46Certamente, o privilégio de ser mais evoluído não impossibilita o pensamento.
00:50O que aconteceu comigo?
00:57Certamente, o privilégio de ser mais evoluído não impossibilita o pensamento.
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