- há 2 dias
O canal No Ataque publicou entrevista com Flávia Magalhães.
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EsportesTranscrição
00:00Seja muito bem-vindo ao canal do No Ataque. Eu sou Beatriz Marques e hoje tenho o prazer de conversar
00:05com a doutora Flávia Magalhães,
00:07que tem experiência na seleção brasileira feminina, na seleção brasileira masculina e também em Atlético e América.
00:13É um prazer conversar com você aqui.
00:16Muito obrigada pelo convite. É uma honra, né? Essa casa do futebol mineiro, vamos dizer assim, é uma casa que
00:23tem muita história, né?
00:24A gente fala de diários associados, estados de Minas, a gente tem aqui anos de muitas histórias contando sobre o
00:30nosso futebol mineiro.
00:31E é um prazer ter recebido esse convite para falar um pouquinho sobre a vivência nesse mundo do futebol.
00:38Bom, é um prazer receber você aqui e eu queria começar falando sobre as estruturas médicas que é oferecida hoje
00:45para as jogadoras,
00:46você que tem uma experiência longeva, vai poder falar o quanto tem evoluído e em comparação até com os clubes
00:53do exterior.
00:55Exato. Quando eu comecei com futebol, eu até brinco, né? Que eu comecei na barriga da minha mãe, né?
01:02Porque eu já dividi o espaço com o masculino ali, né? Sou gêmea com o menino.
01:06E aí, quando a gente começa a jogar, vem aquela história, né? Da minha época, assim, que não tinha equipes
01:13femininas,
01:14eu sempre joguei com os meninos, era sempre um futebol de rua, um salão, etc.
01:22E quando a gente vem para uma estrutura, né? A primeira estrutura que eu fui participar mesmo foi a estrutura
01:29do Atlético Mineiro.
01:31E já naquela época, a gente tinha ali uma busca de um espaço para o feminino, mas não existia.
01:41Então, as meninas trenavam cada hora num campo diferente até vir para a Vila Olímpica.
01:47E aí, quando veio para a Vila Olímpica, eu lembro que eu fui muito pioneira nisso, assim, na construção do
01:53departamento médico do Atlético.
01:55Então, quando a gente veio para a Vila Olímpica, eu era aquela pessoa chata que ficava ali toda hora pedindo
02:01alguma coisa para a gente tentar estruturar.
02:04E num primeiro momento, assim, a gente usou a área que era dos peladeiros de final de semana.
02:09Dessa área dos peladeiros, a gente começou a fazer um alojamento para as meninas, colocar uma academia, montar alguma estrutura,
02:17mas muito precário ainda, né?
02:19E hoje a gente vê uma evolução sensacional, né?
02:23A gente está vendo aí o Mirassol investindo, o Palmeiras investindo, mas ainda muito aquém do que a gente vê
02:30na realidade masculina.
02:31Sim. E até em questão disso, a gente sabe que o corpo feminino também tem as suas especificidades, coisas que
02:42são específicas.
02:43E eu queria que você falasse um pouco quais são os acompanhamentos necessários, até quando a gente fala da base
02:50mesmo,
02:50quando a gente trata de atletas que são mais novas, que querem ser jogadoras de alto nível, qual acompanhamento, qual
03:00preparo elas devem passar?
03:02Exato. Então, assim, quando a gente vê o futebol feminino, a gente primeiro vem com aquela parte de que é
03:08proibido pelo risco que a mulher tinha de se lesionar
03:12e aí comprometer o que, pra quê que era o objetivo, né? Do corpo feminino pra ser mãe, né? E
03:20gerar filhos.
03:21Então, a gente começa com essa proibição.
03:24E a partir disso, quando a gente entra assim e fala, não, ok, permitimos que a mulher jogue,
03:31a gente não trabalha nenhum aspecto hormonal da mulher.
03:36A gente começa com uma coisa assim, vamos começar a aprender como a gente controla a carga dessas meninas,
03:42como que a gente faz treino e tudo isso vem evoluindo dia após dia.
03:47E até hoje, no cenário atual, a gente viu, né, aí a pesquisa recente do Barcelona,
03:53temos trabalhos nos outros clubes internacionais, aqui no Brasil também,
03:57a gente já tem um certo pioneirismo nisso de acompanhamento do ciclo menstrual,
04:01mas a gente ainda não tem nada muito robusto de determinar até onde que isso interfere,
04:08traz de fato uma fragilidade maior pra mulher.
04:12O que a gente entende é que, primeiro, não tínhamos competições.
04:17Então, a gente não tinha um número, aquele N, né, que a gente precisa de pesquisa,
04:22de longo prazo pra gente conseguir trazer dados reais.
04:25Hoje, a gente já consegue ter um N melhor, a gente já consegue fazer pesquisas longitudinais,
04:31e conseguimos trazer algumas respostas, mas ainda muito precário, né,
04:36ainda muito no achismo, ainda muito sem tirar esse viés, né.
04:40Ah, então no ciclo menstrual ela tem mais lesão, mas eu olhei a parte psíquica,
04:45eu olhei o tanto que interfere pra ela, né, se o uso de hormônios,
04:50a gente fazer isso a longo prazo, como é que é a fase do ciclo menstrual de cada uma.
04:55Então, a questão do olhar pra mulher, eu acho que nós estamos na geração agora do olhar, né,
05:04e a gente ainda vai evoluir muito pra chegar em parâmetros mais fiéis ao que é, de fato,
05:12fator determinante para.
05:14Entende?
05:15Entendo.
05:16E até, eu abordaria mesmo essa pesquisa do Barcelona, que saiu recentemente,
05:21chamou muita atenção, e pras pessoas poderem entender mais,
05:26foi publicado que as lesões, elas não necessariamente são mais graves,
05:31mas levam mais tempo para poder recuperar.
05:35Falando na base da medicina mesmo,
05:39o que que leva esse fator, essa demora em comparação ao corpo do homem,
05:48e é interessante também esse estudo que possa, né, acontecer aqui no Brasil também,
05:55os clubes se aprofundarem ainda mais,
05:58e é algo que a gente vê que não é muito abordado ainda,
06:02mas que pode ajudar muito em campo, a elas se programarem nesse período também.
06:07Sim, sim, e são detalhes, vamos falar assim, simples,
06:11mas que às vezes na gestão a gente esquece, né,
06:15então o próprio fato de a gente ter um short branco no feminino,
06:20é algo que traz para a menina, ela tira o foco, por quê?
06:27Porque se eu estou menstruada, eu tenho o risco de às vezes, né,
06:29ocorrer um vazamento ali do meu fluxo menstrual,
06:33sujar a minha roupa e eu ficar constrangida por causa disso.
06:36Então, será que eu estou jogando com a mesma concentração no jogo
06:41do que se eu estivesse com um short de outra cor?
06:45Que tamparia, que me deixaria mais confortável?
06:48Hoje a gente vê várias campanhas, né,
06:50as calcinhas modernas, que você já consegue colocar,
06:54é, o absorvente, então assim, a gente vê várias coisas que acontecem hoje
06:59que ajudam a mulher a se sentir mais privada mesmo, né,
07:03ela ter o seu cuidado na parte feminina.
07:08Mas também a gente esquece que nesse período menstrual,
07:13é o que a gente chama de TPM, né,
07:15a gente fica brincando que a mulher perde o réu primário nessa área de TPM, não é assim?
07:19Então a gente fica ali com aquele cuidado com a mulher no período de TPM.
07:23Quando a gente fala sobre a questão de quando a menina fica menstruada,
07:30ela tem um período, as lesões, elas são mais longas, né,
07:33elas demoram mais pra se recuperar,
07:36a gente teria que ter um achado muito evidente
07:40de que não teve nenhuma alteração efetiva da menstruação em termos de humor,
07:46em termos de dor, em termos de percepção da performance,
07:50em termos de dor, né, que muitas delas tem dor, tem cólica, tem limitação.
07:58Então são tantas questões que, é, envolvidas com o ciclo menstrual
08:03que acho que, assim, a gente não pode levar só a questão da pesquisa em si,
08:09embora seja uma pesquisa muito legal, né, que pegou um período longo,
08:13que ela tem uma qualidade técnica muito boa,
08:17mas a gente sabe também que na época que a gente tem o aumento, né,
08:23das questões hormonais ali no meio do ciclo, no período ovulatório,
08:27a gente também tem a questão da frouxidão ligamentar maior
08:31e a gente sabe que já faz uma correlação com o aumento de ruptura de LCA.
08:37As lesões, que são lesões musculares, elas não demoram tanto tempo
08:42para recuperar quanto uma lesão de ligamento cruzado, por exemplo.
08:46Então, a gente tem que colocar isso, né, a longo prazo com os detalhes.
08:54Tá muito legal esse momento.
08:56É o momento em que a gente tá, de fato, né, florescendo o olhar da mulher.
09:02A gente consegue fazer assim, olha, nós mulheres temos particularidades.
09:08Temos o quadril mais largo, temos a alteração biomecânica,
09:12a gente precisa trabalhar bastante a musculatura.
09:17Quais clubes que fazem esse trabalho separadamente?
09:21Com esse olhar, com controle de carga.
09:24Um dia eu conversando com o João Paulo, que hoje tá até lá no mundo árabe, né,
09:28que foi aqui do Botafogo, um português que tava aqui coordenando a base do Botafogo.
09:34E ele tava fazendo a coordenação também do futebol feminino.
09:38E num bate-papo leve, ele falou assim,
09:41me chamou a atenção que eles colocavam as meninas pra saltar, né,
09:45que faz aqueles saltos numas...
09:50A gente esqueceu uns tabladozinhos, né, assim, que eu esqueci o nome.
09:54Uns blocos.
09:55Fazia as meninas pra saltar naquele bloco
09:57e colocava as meninas pra saltar num bloco mais alto do que é o perfil da menina.
10:03Ou seja, o quanto a gente num detalhe não olhava pra essa mulher.
10:09E hoje a gente tá, cada detalhezinho importa.
10:13Hoje a gente tá começando a fazer isso.
10:15Então, eu acredito que a gente vai evoluir ainda muito.
10:19E vai chegar um momento que a gente vai falar assim,
10:21não, de fato, ó, essa questão aqui, ela de fato compromete força.
10:26Compromete performance.
10:28Mas se eu consigo trabalhar todas essas questões coletivamente, né,
10:33então aí é o médico, é o nutricionista, é o psicólogo, é o fisioterapeuta.
10:38Se a gente coletivamente trabalha, a gente consegue cortar
10:41todas essas viés que tem em relação à performance da mulher.
10:46Sim, acho que tá aprofundando, sim, ainda tem muita coisa a ser desenvolvida.
10:53Mas é isso, os clubes ter essa iniciativa de acompanhar
10:57esses fatores que influenciam no dia a dia de qualquer mulher
11:01e pra uma jogadora de alto nível não vai ser diferente.
11:05Pensando nisso, nesse planejamento, acho que os clubes também têm se preparado
11:11e as lesões que são mais comuns para as jogadoras, né.
11:16A gente sabe que tem algumas que são mais comuns
11:20e eu queria que você especificasse um pouco pra gente.
11:23Isso, quando a gente fala assim, eu brinco com as meninas,
11:27isso, né, como médica do esporte, eu falo com elas,
11:31eu olho do fio do cabelo à ponta do pé,
11:34porque nós não deixamos de ser mulher.
11:36Então, a gente gosta, às vezes, da unha pintada,
11:38a gente gosta de estar com os detalhes, né,
11:41lembro de um campeonato sul-americano
11:43que a gente fazia trancinha das cores do Brasil.
11:46Então, a gente não deixa de ser mulher.
11:49Então, essa vaidade da mulher,
11:51ela não precisa se perder,
11:53porque é um esporte que tem contato, não.
11:55Então, vamos olhar para a imagem da mulher.
11:58Isso importa.
12:00Então, quando a gente fala de lesão,
12:03eu não posso dar importância também
12:05só pelo corpo da mulher,
12:07porque o esporte é o mesmo,
12:09é o mesmo que futebol.
12:11Então, o esporte, sendo futebol,
12:13o que a gente mais tem?
12:15Sprint, né, aquela que a gente faz
12:18aceleração e desaceleração.
12:20Então, eu tô correndo e aí eu freio.
12:24Eu tenho também mudança de direção.
12:27Eu tô aqui, faço um passe,
12:31ou então eu venho receber uma bola
12:32e faço um giro e vou para o outro lado.
12:35Então, essa mudança de direção
12:36é a característica do futebol.
12:39E a outra coisa,
12:40nós temos vários tipos de gramados, né,
12:43inclusive agora nós estamos com uma publicação aí
12:45sobre os gramados sintéticos e naturais.
12:47Então, assim, a gente tem vários tipos de gramados
12:49e a gente também tem os defeitos do gramado.
12:51As mulheres tendem a julgar em horários piores,
12:56que tem mais prejuízo pela temperatura.
13:00Em condições piores.
13:01Em condições do campo, né, muito piores.
13:04Então, isso também interfere.
13:06E as lesões de tornozelo são muito evidentes.
13:08Então, voltando para o modelo futebol,
13:12elas são muito parecidas em termos de lesão.
13:15O que a gente vai falar é que a incidência
13:18de ligamento cruzado anterior na mulher é maior?
13:21É maior.
13:22Mas eu não só coloco com relação à biomecânica da mulher
13:27ser diferente que causa essa questão de ser maior.
13:30Não.
13:31Eu coloco que a mulher,
13:33a minha primeira convocação,
13:34eu gosto muito de usar esse exemplo,
13:35a primeira convocação,
13:36a zagueira virou goleira.
13:38E isso já era um sub-17.
13:41Você imagina se isso acontece no masculino.
13:43Hoje, os meninos com 10 anos já estão em clube,
13:46já bem posicionados, direcionados
13:49para qual posição que eles vão estar.
13:52Eles já têm essa adaptação neuromuscular
13:55muito mais apropriada para o esporte.
13:59E a mulher, nós estamos agora fazendo lá no Estrelas,
14:01por exemplo, um sub-9.
14:03Mas a gente não tem sub-9 em lugar nenhum.
14:05Então, no masculino, a gente já tem essa adaptação.
14:09Então, o que acontece com a mulher?
14:11A gente pode falar que a parte física da mulher,
14:14a biomecânica da mulher ser diferente.
14:17A gente fala sobre o deslocamento.
14:19Ela tem um pouco mais de lesão de quadríceps
14:21do que de isquio,
14:22que é a região anterior da coxa.
14:24Na mulher é mais prevalente as lesões
14:26do que no homem.
14:27Por quê?
14:28Porque ela faz um deslocamento mais anterior
14:30por causa dessa biomecânica.
14:32A gente fala dessa estrutura da mulher,
14:34do quadril mesmo.
14:36Mas é só isso?
14:37Não.
14:38A mulher não tem...
14:39Olha, assim, é muito evidente isso para mim.
14:43O que a mulher tem de estrutura hoje?
14:46Ela pega um ônibus,
14:47ela vai treinar,
14:49às vezes gasta duas horas para chegar no treino,
14:51chega no treino,
14:52às vezes não tem nenhum lanche,
14:53aí ela vai treinar.
14:55Aí ela tem um lanche pós-treino,
14:56e aí depois desse lanche pós-treino,
14:58se ela teve alguma coisa,
14:59ela passa na fisioterapia 30 minutos.
15:02O que acontece com o masculino?
15:04Dois, três turnos de fisioterapia.
15:06Ele fica o dia inteiro no clube.
15:08Ele tem acesso, ele tem alimentação.
15:11Então, tudo isso faz diferença no contexto.
15:15E acredito que,
15:17da mesma forma que o vôlei,
15:18com as outras modalidades,
15:19que a gente já vê uma equiparação maior
15:21entre masculino e feminino,
15:23em nível de concentração,
15:25de estrutura,
15:26quando a gente chegar nesse momento,
15:28a gente não vai falar tanto mais
15:30sobre que a mulher tem mais lesão disso ou daquilo.
15:33Porque a gente já preparou o corpo da mulher
15:35para a modalidade de futebol.
15:37Acho que hoje a gente ainda está nessa fase.
15:39Nós ainda estamos preparando a mulher
15:41para a unidade de futebol.
15:43A gente vê que esbarra muito nas condições
15:46e acaba limitando nessa questão
15:48porque as oportunidades acabam não sendo iguais,
15:52a estrutura não é igual.
15:53Então, acaba também sendo injusto
15:55a gente fazer essa comparação tão ríspida,
15:59sendo que a gente sabe que tem outros fatores também
16:01que influenciam.
16:03Mas uma curiosidade também
16:05é sobre a alimentação dessas atletas em alto nível.
16:10Eu sei que você tem conhecimento
16:11dessa parte de nutrição também.
16:14Então, o que tem na dieta dessas jogadoras?
16:17O que elas mais precisam de nutritivos
16:22para o corpo dela?
16:23Principalmente no momento pré-jogo.
16:26O que é oferecido e o que é positivo também.
16:31Sim.
16:32Eu gosto muito de lembrar também
16:35quando a gente foi para o Sul-Americano em 2016.
16:41Vamos falar assim.
16:41A primeira geração do futebol feminino
16:44que eu peguei da seleção brasileira mesmo.
16:46Eu peguei meninas com percentual de gordura
16:48assim de 23%, 18%.
16:52E aí eu fiz 5 ou 6 convocações.
16:55Então, eu sou médica e nutricionista.
16:58Eu fiz 5 ou 6 convocações
17:00e aí eu comecei a fazer estratégias nutricionais
17:02com as meninas
17:03para que eu conseguisse reduzir o percentual de gordura.
17:06Por quê?
17:07A mulher tem mais acúmulo de gordura corporal.
17:10Isso a gente sabe.
17:11A estrutura da mulher, com mais estrogênio,
17:14a gente tem mais acúmulo de gordura corporal.
17:17E toda gordura é um peso que a gente está carregando
17:19sem função para aquela modalidade esportiva.
17:22Mas eu preciso da gordura.
17:24Ela também é importante no meu corpo, né?
17:27Porque, inclusive, assim,
17:28se eu começo a ter uma dieta muito restritiva,
17:31eu começo a ter outros problemas,
17:32que é o que a gente chama de triagem da mulher atleta,
17:35que agora mudou para REDS, né?
17:37Então, que é assim, é uma insuficiência de nutrientes
17:41e eu começo a não ter produção de hormônios,
17:44aí eu tenho a menor rei,
17:45então não menstruo e etc.
17:46Então, a gente tem que ter muito esse zelo
17:49de estar equilibrado em termos dietéticos.
17:53Em geral, a gente já chega nas meninas,
17:56já com esse olhar de que ela tem que perder gordura.
18:00A gente tem que ter muita cautela.
18:01Não é a qualquer custo, tá?
18:03Não é a qualquer custo.
18:04Obviamente que, cada vez que ela consegue ter a consciência
18:08de que ela está tirando gordura
18:10e acrescentando massa magra no corpo dela,
18:12ela está melhorando a condição dela de atleta.
18:16Então, aí a gente começa com vários tipos de dieta.
18:18Então, vou te dar um exemplo de uma que eu fiz.
18:22Eu comecei a mostrar para elas
18:24que elas não precisavam restringir carboidrato.
18:26Carboidrato é importante para o atleta.
18:28Mas a gente fazia o quê?
18:30Uma dieta um pouco mais hiperproteica e menos carboidrato.
18:34Então, eu tirava um pouco de massa
18:36e deixava ela comer mais salada e carne.
18:39Então, só de fazer essa mudança ali,
18:43eu já consegui em 5, 6 convocações
18:45chegar com a menina que tinha o maior percentual de gordura
18:48para mim, era uma que tinha 15.
18:50Mas todas as outras chegaram
18:52no perfil que a gente queria,
18:54que era de 13%.
18:56Então, a dieta, ela deve ser sempre equilibrada.
18:59A gente tem que pensar não só em grandes,
19:01mas os macronutrientes,
19:02que é carboidrato, lipídios e proteínas,
19:04mas também nos micronutrientes.
19:07Lembrar que a gente também vai ter as alterações,
19:12competição, lugares diferentes,
19:14temperos diferentes.
19:15Então, se eu fui para a Índia na Copa do Mundo
19:17com a seleção,
19:19era extremamente desafiador.
19:21Porque a gente, além de ter que levar o nosso
19:23nosso chefe de cozinha, o Eduardo,
19:25que foi com a gente, que foi magnífico,
19:26a gente tinha que ter cuidado com tudo,
19:28até com a água da torneira,
19:30e todas as vacinas,
19:32tudo que a gente precisava.
19:33Então, assim, tenham em mente
19:35que, como médica e nutricionista,
19:39eu gosto muito de frisar,
19:41quem faz a dieta
19:42é o nutricionista.
19:44Então, trabalha em conjunto.
19:47Mesmo sendo nutricionista,
19:48quando eu atendo algum atleta,
19:50eu trabalho junto com a nutrição.
19:52Por que eu trabalho junto com a nutrição?
19:54Porque nutrição é uma coisa
19:55que precisa de um olhar contínuo.
19:57Não é só ir lá e fazer uma consulta, não.
20:00Vai fazer uma consulta,
20:01vai ver se você ajustou a sua dieta,
20:03se foi legal aquilo que foi elaborado.
20:07Depois de chegar naquele consenso
20:09que, ok, estou conseguindo seguir,
20:11estou conseguindo acompanhar,
20:12quanto que eu estou perdendo de peso,
20:14de gordura, né,
20:15de gordura corporal,
20:16quanto que eu estou ganhando de massa magra,
20:17e eu vou fazendo ajustes,
20:19vou fazendo modificações,
20:20é mudança de hábito.
20:21E para mudança de hábito,
20:22você precisa, de fato, dedicar.
20:24Então, com a leitura de jogador,
20:26e é aquilo que a gente brinca em casa
20:27com os filhos da gente, né,
20:29com as crianças.
20:30Mas você quer ser jogador,
20:31não quer comer alface,
20:32você não quer comer...
20:33Mas faz parte comer, né,
20:35de forma equilibrada,
20:37comida variada.
20:38Isso tudo faz com que a atleta
20:40consiga ter treino.
20:41Treinar bem.
20:42E nós temos essa característica
20:44que no feminino,
20:45em muitos casos,
20:46elas não têm um lanche pré-treino.
20:48Então, ela almoça e vai para o treino,
20:51gasta duas horas para chegar no treino
20:52e não come nada e vai treinar.
20:54Então, assim,
20:55ela tinha que ter um pré-treino, né,
20:56que seja um sanduíche ali,
20:59que aí é uma fonte de carboidrato e proteína,
21:01que ela faça esse lanche antes do treino
21:04para que ela tenha melhor condição de treinar.
21:08Certo.
21:09Agora,
21:10outro assunto muito interessante,
21:11que a gente vê que tem crescido
21:14entre as jogadoras,
21:15que é a maternidade,
21:16a questão da gestação.
21:18Então, eu tenho interesse também
21:20de saber como é essa preparação
21:23para uma jogadora que pensa
21:25e quer ser mãe,
21:25como ela se planeja.
21:28Principalmente o pós também, né,
21:30porque se manter em alto nível,
21:32eu acredito que seja algo positivo também,
21:35porque a gente,
21:36quando fala de um atleta,
21:37a gente associa uma pessoa
21:39que cuida da saúde,
21:41talvez isso pode ser até um ponto positivo também
21:44na hora da gestação,
21:46ou algo do tipo,
21:47mas é o que eu tenho, assim,
21:49por superficial.
21:50Sim.
21:51Bom, eu posso falar dos dois lados, né,
21:53então, assim,
21:53eu fui mãe trabalhando, né,
21:56com a seleção brasileira,
21:57indo para o sul-americano grávida,
21:59aquele barrigão,
22:00e cuidando das meninas,
22:02como também acompanhei meninas
22:04que eram atletas,
22:06que tiveram gestação
22:07e que tiveram depois
22:09o pós de gestação.
22:10E aí, aqui,
22:11eu posso citar duas, né,
22:12que é a Tamires,
22:13que está hoje na seleção brasileira,
22:15e a Amanda Moura, né,
22:16irmã do Rafael Moura,
22:17que hoje está na Polônia,
22:19joga lá na Polônia
22:20e faz um trabalho magnífico por lá.
22:24O que a gente percebe é,
22:26primeiro,
22:26a decisão de ter o filho.
22:30A carreira da menina,
22:33ela não tem ainda
22:34uma estrutura financeira, né,
22:37para a grande maioria,
22:38não tem uma estrutura financeira
22:39que deixe ela, né,
22:41assim,
22:42ter essa carreira tão longa assim.
22:45Embora,
22:46muitas meninas
22:48continuem julgando,
22:50recebendo pouco,
22:52sabe,
22:52porque elas querem aquilo,
22:54elas gostam daquilo,
22:55então, aquilo é o prazer
22:56da vida delas,
22:57ou elas fazem,
22:58elas têm um emprego
22:59mais tranquilo,
23:01com uma remuneração menor
23:03e joga, né,
23:04ou ela vai,
23:07de fato,
23:07se dedicar na carreira
23:08e tentar alçar
23:09voos maiores
23:10e condições melhores.
23:12Para as meninas hoje,
23:14que estão em alta performance,
23:17que querem ter filhos
23:18e não têm uma estrutura familiar,
23:21né,
23:21adequada, assim,
23:22que ela consiga ter
23:24uma condição financeira
23:25de esperar fazer essa pausa,
23:27às vezes o retorno dela
23:29é mais difícil,
23:31né,
23:31um desafio a mais.
23:33Mas meninas,
23:34com uma estrutura
23:35muito adequada,
23:36meninas que tenham,
23:39né,
23:39vamos falar aí agora
23:40a esposa do Ricardo,
23:43e aí, né,
23:43que é lá do Santos,
23:45então, assim,
23:46a Kathleen,
23:46você já tem uma estrutura
23:48familiar ok,
23:49né,
23:49uma família ali,
23:50você conseguiu treinar
23:52até seu último mês
23:53de gestação,
23:54mesmo que você não faça
23:56um treinamento de contato,
23:58mas você consegue manter
23:59sua parte física,
24:00então,
24:01vai depender muito
24:02do cenário
24:03que a menina está.
24:04E se ela manter
24:06em atividade física
24:07até muito próximo
24:09da gestação,
24:10com certeza,
24:11o retorno dela
24:12se torna mais fácil,
24:13desde que não tenha
24:14nenhuma intercorrência
24:15na gestação,
24:16que foi tudo ok,
24:17né,
24:17então,
24:17assim,
24:17o retorno dela
24:18é mais fácil.
24:19A gente vai pedir
24:20ali o tempo,
24:21né,
24:21que é um tempo
24:23de,
24:24vamos falar assim,
24:25do corpo da mulher
24:26se ajustar ali,
24:27que é mais ou menos
24:2760 dias,
24:29né,
24:29e aí ela começa
24:30a fazer um trabalho
24:32gradativo,
24:33e aí,
24:33esse trabalho gradativo,
24:35ela tem que pensar
24:36que ela tem que amamentar,
24:37então,
24:37hoje,
24:37a gente já tem a legislação,
24:39né,
24:39que elas estão amamentando,
24:40elas podem levar o filho
24:41como acompanhante,
24:42então,
24:43tudo isso vai mudando
24:44ao longo do tempo,
24:45mas antigamente,
24:46não,
24:47se você tem filho pequeno,
24:48você só vai voltar
24:49quando ele não tiver
24:49amamentando mais,
24:52você vai ter
24:53uma outra estrutura,
24:54mas é tudo passível
24:56de acontecer,
24:56sabe,
24:57é aquela famosa história,
24:58a mulher pode estar
24:59onde ela quiser,
25:00né,
25:00então,
25:01assim,
25:01pra que eu pudesse
25:03ir pro sul-americano
25:04grávida,
25:05foi feita uma comitiva
25:07lá pra fazer análise
25:08se eu podia ir
25:09como médica
25:10da equipe grávida,
25:11tava indo pra Venezuela,
25:13um país que tava
25:13um caos,
25:15né,
25:15então,
25:15assim,
25:15eu fui fazer um ultrassom
25:16anterior à viagem
25:17pra ver se tava tudo bem,
25:19e consegui ir,
25:20fiquei lá 52 dias
25:22com o filho de um ano
25:23e o outro na barriga,
25:24né,
25:24mas assim,
25:25e isso tá no livro aí,
25:27essas histórias
25:27tão no livro,
25:28mas é,
25:29é,
25:30é diferente,
25:31né,
25:32mas todo mundo fala assim,
25:33ah,
25:34mas esse é o menino,
25:36esse é o menino,
25:37mas ninguém fala isso
25:37pro jogador,
25:38o jogador também tem filho,
25:40tem as mesmas responsabilidades
25:41que a mulher,
25:42né,
25:43então,
25:43se ninguém faz essa cobrança,
25:44e a cobrança da mulher
25:46fica muito mais
25:47nas transformações
25:48do corpo,
25:48né,
25:49do que ela perdeu ali
25:50de massa magra
25:51durante a gestação
25:52e como ela tem que fazer
25:54esse reganho
25:55de massa magra.
25:56É,
25:56falando até da competição,
25:58você chegou a ser homenageada
25:59por uma das jogadoras
26:01na competição,
26:02queria que você falasse um pouco
26:03da relação
26:03com essas meninas,
26:06sobre a comemoração também,
26:07e aprofundar na sua carreira,
26:09nos seus outros trabalhos
26:11de anti-dope,
26:12claro,
26:12todo mundo que quiser
26:13se aprofundar ainda mais,
26:14né,
26:15no seu trabalho,
26:16que é pioneiro,
26:17é,
26:17é,
26:18é um trabalho muito bacana,
26:20o pessoal pode ler
26:21o seu livro também,
26:23é,
26:23te buscar nas redes sociais,
26:25mas aí queria que você
26:26compartilhasse isso,
26:27que a gente ficou bem tocada
26:29de ver como que,
26:30é,
26:30foi essa sintonia
26:31que você criou com elas
26:33e tudo.
26:35Bom, né,
26:35eu trabalho com,
26:37né,
26:37então eu joguei futebol,
26:39na minha época não tinha times,
26:40né,
26:41femininos,
26:42e aí tive a oportunidade
26:43de jogar no América
26:44e no Atlético,
26:46é,
26:48até,
26:48a época assim,
26:49tinha muito mais futsal,
26:51né,
26:51até brinquei assim,
26:52que era o futsal,
26:52era mais fácil juntar
26:53cinco meninas,
26:55é,
26:55não tinha tanta essa
26:56movimentação de campo
26:57e a gente tinha muito
26:58uma barreira,
26:59né,
26:59de preconceito.
27:00E como eu venho
27:01de uma família que,
27:02né,
27:03seis irmãos,
27:04eram muitos homens
27:05na família,
27:06então o futebol
27:07sempre foi uma marca
27:08e eu,
27:09de fato,
27:09tinha talento,
27:10então comecei a jogar
27:12muito novinha
27:13e participava de todas
27:14as confraternizações
27:16familiares que tinha.
27:17E aquilo
27:18virou uma paixão
27:19muito grande.
27:20Então,
27:21eu tinha uma noção
27:22de que eu queria
27:22trabalhar com futebol.
27:24pensei em educação física,
27:26mas também minha mãe
27:27falava,
27:28não,
27:28não vai,
27:28essa vida,
27:29né,
27:30de professor
27:30que tá cada vez
27:31mais difícil
27:32e fui fazer
27:33a medicina
27:34e acabei fazendo
27:35nutrição também.
27:37Então,
27:37eu sempre tinha
27:39esse olhar,
27:40né,
27:40do cuidado
27:41com as meninas,
27:43não só com as meninas,
27:45com os meninos,
27:46né,
27:47e até fiquei
27:48muito surpresa,
27:49né,
27:49com o depoimento
27:49do Gustavo
27:50esses dias aí,
27:51porque eu fui médica
27:52dele,
27:53então,
27:54eu fico
27:55muito com esse olhar
27:56que eles até falam assim,
27:58ah,
27:58ela é muito maternal,
28:00mas é por quê?
28:01Porque é um olhar
28:02de quem viveu
28:02todas essas fases,
28:04de quem jogou
28:05com os meninos,
28:06de quem apanhava
28:06pra poder jogar bola,
28:08de quem viveu
28:09uma falta de estrutura,
28:10de quem lutou
28:11pra que o futebol feminino,
28:13especialmente do Atlético,
28:14assim,
28:15vingasse,
28:16né,
28:16assim,
28:16de bater na porta
28:17todo dia,
28:18de pedir roupa de cama,
28:19então,
28:20assim,
28:20eu fui uma pessoa
28:21que vivi muito isso,
28:22e hoje,
28:23assim,
28:23eu tenho o prazer
28:25de ainda trabalhar
28:26com várias dessas meninas,
28:28que eu comecei
28:29a trabalhar em 2009
28:30com elas,
28:31né,
28:32então,
28:32assim,
28:32tô no futebol
28:33há 25 anos,
28:35comecei trabalhando
28:36no masculino,
28:37joguei no Atlético
28:38e trabalhei com as meninas
28:40a partir de 2009,
28:42como médica delas,
28:44é,
28:44aí eu tenho
28:45uma,
28:45uma blusa
28:46que eu até postei
28:47esses dias,
28:48que tava lá,
28:48a Camila,
28:49que hoje é fisioterapeuta
28:50do Palmeiras,
28:51que trabalha comigo
28:52no Projeto Estrelas,
28:53ela escrevendo,
28:54a Flavinha,
28:55você foi mãe,
28:56médica,
28:57amiga,
28:58foi quem fez tudo
28:59e mais um pouco
29:01pelo futebol feminino,
29:02então,
29:03eu vivi todas essas fases,
29:05hoje,
29:06eu quero fazer mais,
29:08eu olho pra frente e falo,
29:09a gente pode potencializar
29:10muita coisa,
29:11a gente pode fazer muito
29:12pelo futebol feminino,
29:14basta que as pessoas
29:15também nos dêem
29:16a oportunidade de fazer,
29:18porque é muito mais,
29:20é muito mais desafiador
29:21pra nós mulheres,
29:23conseguirmos,
29:24conseguirmos entrar
29:25nos espaços,
29:25e quando a gente entra,
29:27a gente tem esse trabalho
29:28mais,
29:29vamos falar assim,
29:31multitarefas,
29:31e o homem não enxerga
29:33isso como uma potência,
29:34e muitas vezes
29:35eles enxergam
29:36como se você estivesse
29:36trabalhando
29:37e atrapalhando
29:38a área do outro,
29:39não, não é,
29:39nós temos um olhar
29:40mais amplo
29:41e a gente quer fazer mais,
29:43então,
29:43sempre tive esse olhar
29:44acolhedor com as meninas,
29:46hoje,
29:46eu tô tendo a oportunidade
29:47de acompanhar a Tamires,
29:49a Gabi Fernandes,
29:50a Camila Orlando,
29:51a Roseli,
29:52então, assim,
29:54nossa,
29:54num determinado dia,
29:55eu tive a oportunidade
29:56de acompanhar
29:56as três gerações
29:57do futebol feminino
29:58no mesmo dia,
30:00isso pra mim
30:00foi magnífico,
30:02e essa jogadora,
30:04a gente tava
30:05no Sul-Americano,
30:06passando todos
30:07os perrengues do mundo
30:08na Venezuela,
30:10e aí a gente
30:10tava num jogo lá,
30:12que era um jogo
30:13de semifinal,
30:14se não me engano,
30:15e a Nicole Reis,
30:16ela fez o gol,
30:17e quando ela fez o gol,
30:19meu filho,
30:20né,
30:20que nasceu,
30:21chama Luiz Felipe,
30:22ela colocou a bola
30:23debaixo da barriga,
30:24da blusa,
30:25e fez lá a letra L,
30:27isso pra mim foi
30:28uma emoção, assim,
30:29tremenda,
30:30hoje ela joga,
30:31né,
30:31no Braga,
30:32ela teve um,
30:33infelizmente,
30:34ela na Copa do Mundo,
30:35ela não pôde ir
30:36por uma lesão,
30:38tentei até
30:38contato com ela,
30:39mas não consegui
30:40até pra que ela fosse
30:41uma das prefaciadoras
30:42do livro,
30:43mas ela tava
30:43num momento dela,
30:44ali,
30:45mais introspectivo,
30:47e ao longo do livro,
30:49assim,
30:49quem tiver a oportunidade,
30:51né,
30:51de ler,
30:52vocês vão ver,
30:52assim,
30:53que são muitos obstáculos,
30:55muitas barreiras,
30:56coisas que os homens
30:57não passariam,
30:59não suportariam também,
31:00muitos outros não suportariam,
31:02eu tive que ir passando,
31:04e aí todo mundo sabe
31:05que eu tenho essa paixão
31:06pelo futebol,
31:07eu brinco que hoje
31:08eu fico buscando
31:09outras alternativas financeiras
31:11de vida
31:12pra poder me doar
31:13um futebol feminino
31:15gratuitamente,
31:16como sempre fiz,
31:17com toda paixão,
31:18sabe,
31:18acho que é importante
31:19a gente ter remuneração melhor,
31:21dar melhores condições
31:22pra todo o staff
31:23que trabalha com futebol,
31:25porque às vezes
31:26a gente valoriza só,
31:27né,
31:28o jogador,
31:30e o staff
31:31fica muito reprimido,
31:33e aí às vezes
31:33eles têm uma qualidade
31:34muito boa,
31:35mas não conseguem
31:36ser longevos
31:37naquela função,
31:40né,
31:40por falta de reconhecimento,
31:41financeiro,
31:42e aí você tem
31:43que ficar pulando
31:43igual pipoca,
31:44né,
31:44então assim,
31:45eu não tive muito
31:46essa coisa
31:47do receber bem
31:49no futebol,
31:51né,
31:51embora eu tenha chegado
31:52no profissional masculino
31:53da América,
31:54não recebia bem,
31:56e aí eu comecei
31:58a falar,
31:59poxa,
31:59eu tô conseguindo
32:00agir aqui
32:00num grupo,
32:01né,
32:02restrito aqui
32:03de pessoas,
32:05com potencial
32:06muito grande
32:06enquanto médico,
32:07enquanto nutricionista,
32:09enquanto pessoa
32:09desbravadora
32:10desse cenário,
32:11eu quero fazer mais,
32:13então tô em busca
32:13de projetos,
32:14fazendo projetos
32:15com o Ministério
32:16do Esporte,
32:16buscando outras
32:17alternativas,
32:18né,
32:18que eu consiga trazer
32:20mais qualidade
32:21pra todas as pessoas
32:22que estão envolvidas
32:23com o esporte.
32:25Entendi.
32:26Bom,
32:26foi uma honra
32:26conversar com você,
32:27receber,
32:29escutar toda a sua história,
32:31e você que quer
32:32mais informações
32:33sobre o esporte,
32:34é só acessar
32:35no ataque.com.br
32:37e ficar ligado
32:38em todas as nossas
32:39redes sociais.
32:40E eu agradeço
32:41muito essa participação,
32:43quem quiser me acompanhar,
32:44meu Instagram
32:45é
32:45DRA Flávia Magalhães,
32:47também tem
32:47o LinkedIn,
32:48que é a doutora
32:49Flávia Magalhães,
32:50e tô aí,
32:51respondo todos vocês
32:52que me mandam lá
32:53no direct,
32:53pode ficar tranquilo,
32:54demora um pouquinho,
32:55mas respondo,
32:56e se quiserem
32:57me conhecer,
32:58podem buscar um pouquinho
33:00mais de informações,
33:01ler o livro,
33:02que vocês vão conhecer
33:02um pouquinho
33:02da minha história.
33:04Até mais.
33:06Obrigada.
33:13Obrigada.
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