00:00Aos 74 anos, dona Marinalva já perdeu as contas de quantas vezes adoeceu com a temida dengue.
00:07A doença passa e as consequências ficam.
00:10Foi muita fé, muita dor de cabeça, muita dor nos ossos, que até hoje ainda sinto dor.
00:16Passei quase três meses em cima da cama.
00:17Ela mora na comunidade do Detran, no bairro da Iputinga, periferia do Recife,
00:22onde infelizmente é comum ouvir relatos semelhantes.
00:26Com a vizinha, a Gilvanneide, não foi diferente.
00:28Ela já adoeceu com dengue e chikungunha.
00:31Ficou molinha, molinha.
00:33Oxe, demais mesmo. A gente fica doendo demais.
00:36O cara não faz nada.
00:39Muita coisa, muita coisa a gente perde, perde.
00:41Olha que meu irmão, como é que está?
00:43As duas vizinhas receberam a visita dos agentes de vigilância ambiental do Recife.
00:48O trabalho porta a porta tem ocorrido de domingo a domingo,
00:52para tentar frear o avanço das arboviroses.
00:56As ações têm dado certo.
00:58No ano passado, houve uma redução de 8% nos casos notificados.
01:02Mas ainda assim, os números são preocupantes.
01:05Foram 6.216 notificações de dengue, zika e chikungunha no Recife,
01:12e três mortes confirmadas.
01:152026 chegou com o verão em alta e o risco grande do aumento das doenças.
01:20A gente está num período extremamente crítico, né?
01:23A gente tem chuvas noturnas e de dia muito calor, muito sol.
01:27Isso faz com que o ciclo do mosquito se encurte, né?
01:30Então, do ovo até o mosquito adulto, que é o mosquito que transmite,
01:33a fase que transmite, nós temos muito rapidamente transformado 8 dias, né?
01:40A gente tem do ovo até a fase final, que é a fase que transmite as arboviroses.
01:45Um estudo realizado ao longo de 10 anos por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco
01:51revelou que o Recife é mais propenso à proliferação da dengue.
01:56A forma como a cidade é organizada, com todas as características geográficas,
02:01climáticas e sociais, acaba facilitando a circulação do Aedes aegypti.
02:05O estudo revelou ainda que, em algumas regiões, a dengue se mantém de forma persistente,
02:12principalmente nas zonas norte e aqui, a oeste da cidade.
02:17São justamente as regiões marcadas por maior vulnerabilidade social e urbana.
02:23E isso aparece de forma clara no estudo.
02:26Os pesquisadores cruzaram dados de saúde com informações climáticas,
02:30socio-econômicas e características do território, como a densidade populacional,
02:36renda da população, drenagem nas ruas.
02:39Os bairros mais densamente povoados e com casas mais cheias apresentam maior risco de dengue.
02:46A baixa renda também é fator importante, refletindo a relação direta com precariedade
02:51de infraestrutura, dificuldades de saneamento e maior presença de criadouros de mosquito.
02:56No bairro que visitamos, todas as casas precisam ter caixa d'água por conta da dificuldade
03:02de abastecimento regular.
03:04Nesta, havia tampas, mas até nelas tinha água empoçada.
03:08Aqui nessa comunidade, por exemplo, a gente tem água que chega todos os dias de dia,
03:12mas no final da tarde eles ficam sem água, então eles precisam acumular para o restante do dia.
03:18Isso faz com que a gente tenha criadouros de reservação de água.
03:22Se cada um fizer sua parte, há chances de vencer a batalha contra a dengue.
03:27Aqui a conversa dos agentes com a comunidade mostrou soluções, por exemplo,
03:31para os pneus usados no jardim, que agora ficam todos cheios de terra para não acumular água.
03:37O poder público também precisa estar vigilante.
03:40Nesta região do Detran, um mutirão está marcado para o próximo fim de semana.
03:45A gente vai estar trabalhando no próximo sábado.
03:47São cerca de 60 agentes trabalhando nos finais de semana
03:52para estar fazendo a orientação aos moradores de todas essas questões
03:58que podem aumentar a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
04:03A, a gente vai estar fazendo a
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