00:00O meu nome é Gisele, sou brigadista do Bombeiro Civil.
00:05Eu vim para estar ajudando os pessoal na busca de corpos,
00:10porque acabaram de encontrar um senhor agora.
00:13Então, no momento, eu estava lá em cima ajudando
00:15e estava com uma inchada, puxando terra,
00:19porque ainda faltam corpos, infelizmente.
00:23Aí, no momento, eles gritaram porque a pedra estava cedendo
00:28e a pedra ia cair para o meu lado.
00:31Então, eu fui correr.
00:33Aí, eu fui cair num lugar onde tem um barro,
00:37um negócio de barro, que me afundou até que, assim, no meio do corpo.
00:41Isso aqui porque eu lavei, eu tantei água e tudo
00:44para tirar um pouco do barro.
00:46Foi desesperador, foi desesperador.
00:49E os bombeiros me puxando, mas foi tenso, foi tenso.
00:53Foi tenso, foi difícil me tirar daquele barro.
00:55Mas, graças a Deus, estou aqui por amor,
00:59porque eu não estou recebendo nada, entendeu?
01:01Estamos aqui voluntariamente.
01:03E vocês que puderem ajudar os pessoal,
01:06encalçado, roupa, alimento,
01:08que vocês possam estar cooperando aí com a gente.
01:10São vários bairros, como aqui,
01:13como Avenida Rivelli também, que perderam muita coisa.
01:17Eu estava lá em cima,
01:19no momento em que o moço tirou o corpo.
01:23Foi triste eu ver aquilo, cara.
01:25O moço saindo, assim, debaixo da terra,
01:27todo inchado, soterrado, sabe?
01:31É uma tristeza.
01:32Depois o filho dele reconheceu que era o pai dele,
01:35então eu não tenho, assim, sabe o que dizer.
01:39Porque eu que não sou parente,
01:41que estou aqui para estar, assim, cooperando, ajudando,
01:44já estou triste, estou abalada,
01:47estou sem palavras.
01:48E que eu peço a Deus que conforte o coração
01:51dessas pessoas que foram,
01:54que teve de vítimas parentes, amigos.
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