00:00A luta contra o racismo, você sabe, tem raízes profundas.
00:04Eis uma coincidência simbólica e irônica.
00:07O primeiro grito organizado veio de um capitão do Flamengo contra a seleção da Argentina.
00:14Em 1920, há 106 anos, faz um tempão, ao chegar em Buenos Aires,
00:20a seleção brasileira deparou com a manchete racista do jornal crítica,
00:25Monos em Buenos Aires, com charge de macacos vestindo a camisa da seleção do Brasil.
00:32O capitão Sisson liderou o boicote.
00:36Algumas fontes dizem que ele confrontou o jornalista uruguaio envolvido na manchete.
00:42Uruguaio, o jornalista também que trabalhava no jornal argentino.
00:46Ele e outros jogadores se recusaram a jogar, mas o amistoso rolou, improvisado,
00:51sete jogadores de cada lado, e o Brasil perdeu por 3 a 1.
00:55Esse episódio é visto como a semente de uma luta secular no esporte.
01:00O jornal crítica encerrou atividades em 1962.
01:05Sisson, após o futebol, formou-se médico.
01:08Ele nasceu em Niterói e morreu em Porto Alegre, aos 87 anos, em 1982.
01:14Não é correto generalizar.
01:16Nem toda a Argentina é racista.
01:18Seria injusto e um grande preconceito.
01:20A Argentina tem diversidade, campanhas antirracistas e condena esses atos.
01:26Mas episódios racistas no futebol, e inclui aí a rivalidade com o Brasil,
01:31não são isolados a um padrão recorrente há mais de um século.
01:35Exemplo, em 96, o jornal Olé estampou que vengam os macacos,
01:41referindo-se ao Brasil e Nigéria, que jogariam nas Olimpíadas de Atlanta.
01:46Na época do jornal crítica, jornais sérios como La Nation, La Prensa ou La Razón,
01:53não adotaram o mesmo tom explícito de racismo.
01:58Até a próxima.
Comentários