00:01Olha, na verdade, a pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano
00:07é muito mais ampla do que minerais críticos.
00:11Nós temos uma relação diplomática de 201 anos.
00:16É uma relação muito sólida.
00:19Nós fomos surpreendidos com o impacto das taxações dos Estados Unidos,
00:23porque ela foi feita de forma totalmente anômala,
00:27porque era uma coisa impensável você receber no Twitter.
00:31Sabe a determinação de um país de taxar o outro?
00:35Antigamente era feita uma reunião entre os ministros da Fazenda,
00:38entre os ministros da Indústria e Comércio.
00:41Não, mas eles fazem o Twitter.
00:42Nós tomamos as decisões com muita cautela.
00:46Todos vocês sabem que eu tenho na minha cabeça a ideia
00:49de não tomar nenhuma decisão quando eu estou com 39 graus de febre.
00:54Tem que esperar a febre passar para a gente tomar a decisão.
00:57E eu acho que nós tomamos as decisões corretas.
01:01Uma parte das coisas já tinham sido mudadas pelo próprio governo americano.
01:05E agora nós tivemos a decisão da justiça americana,
01:08que tomou outra decisão,
01:10contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump.
01:14Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país.
01:19Não julgo do meu, muito menos de outro país.
01:21Mas o que eu quero conversar com o Trump é a relação entre Brasil e Estados Unidos.
01:25Nós somos as duas maiores democracias da América Latina.
01:29Nós somos dois homens com 80 anos de idade,
01:33portanto a gente não pode ficar brincando de fazer democracia.
01:37A gente tem que tratar com muita seriedade.
01:39Eu disse para o telefone ao presidente Trump,
01:41é preciso a gente pegar um na mão do outro,
01:44olhar um no olho do outro,
01:45para a gente ver o que a gente quer entre Brasil e Estados Unidos.
01:49E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação.
01:55Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação.
01:58Se é para combater o químio organizado, nós estamos nessa para combater.
02:02Se é para fazer parceria com o Brasil,
02:04se é para poder explorar o inércio crítico,
02:07desde que o processo de transformação aconteça no Brasil,
02:11vamos conversar.
02:11O que nós não vamos permitir mais
02:14é que os nossos minerais críticos e as nossas terras raras
02:17sejam explorados como um show minério de ferro durante tantos anos.
02:21A gente só cava buraco e manda o minério para fora
02:24para depois comprar produto manufaturado.
02:26Não.
02:26Nós agora queremos transformar no Brasil.
02:29Por isso que nós criamos um Conselho Nacional,
02:32sabe, de política mineral,
02:34subordinado à presidência da República,
02:36para que a gente possa dar muito, muito, muito mais seriedade
02:41e objetividade no trato dessa nova riqueza
02:44que se apresenta nesse momento de transição energética
02:48que o mundo tanto necessita.
02:51Então, a minha pauta com o Trump é uma pauta longa.
02:55É uma pauta que, da minha parte,
02:57eu vou discutir comércio,
02:59eu vou discutir, sabe, parcerias universitárias,
03:02eu vou discutir a população brasileira que mora nos Estados Unidos,
03:08mas eu quero discutir, sobretudo, qualquer assunto.
03:12Inclusive, investimentos americanos no Brasil
03:15que faz tempo que deixou de existir.
03:17Então, e eu não sei qual é a pauta deles,
03:20mas eu espero que depois dessa reunião
03:23a gente possa estar garantido
03:25de que a gente voltou a ter uma relação
03:28altamente civilizada, altamente respeitosa,
03:34e que a gente não vai deixar de conversar
03:38para o telefone quando tiver qualquer novidade
03:40entre Brasil e Estados Unidos.
03:42E eu quero também dizer para o presidente Trump
03:45que nós não queremos uma nova Guerra Fria.
03:48Nós não queremos ter preferência por nenhum país.
03:52Nós queremos ter relações iguais com todos os países.
03:56Nós queremos tratar todos igualdade de condições
04:00e receber deles um tratamento também
04:03igualitário com os outros países.
04:05Se isso for possível,
04:07eu acho que tudo voltará à normalidade.
04:10E é isso que eu espero.
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