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  • há 6 horas
Pai de Mayara desabafa: “Temos alívio, mas nada traz minha filha de volta”

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Transcrição
00:00O reino, em parte, é aliviado, porque nada tira o sofrimento de não ter mais a minha filha.
00:11Vai atrás de um alívio saber que ele está preso, que não vai ter perigo de ele cometer essa atrocidade
00:18com mais ninguém.
00:22Com a prisão dele, a minha mãe voltou a comer, voltou a dormir, ela se sentiu muito aliviada.
00:32Como eu já tinha dito que nada atrás da minha filha é de volta, mas só que é um alívio
00:41que ele esteja preso.
00:43Vinte dias atrás, ele agrediu ela fisicamente, pediu e trocou ele de casa.
00:53Ele voltou, depois que ele voltou, foi uns cinco, seis dias depois da conta do que aconteceu.
01:02Foi tipo, para nós, ela relatava, que nós não conhecíamos o Daniel.
01:09E eu acho que ela quis dizer que, para nós, ele era um dentro de casa e ele era outro.
01:15E eu não sei bem dizer como era.
01:18A única coisa que eu sei é que ela relatou essa criação.
01:23Que foi quando eles se separaram.
01:26E depois disso, que ele voltou para casa.
01:29Para vocês, para a família, ele não aparentava ter esse nível de agressividade?
01:34Não, nenhum.
01:36Porque ele, inclusive, falava até baixo.
01:41Eu conversei poucas vezes com ele.
01:44Eu conversei com ele, assim, pessoalmente, três vezes.
01:49E as três vezes que eu conversei com ele, foi assim.
01:52Ele falando muito baixo.
01:55E não aparentava um cara ser agressivo, o ponto de fazer o que fez.
02:04Quando vocês receberam a notícia de que ele havia cometido crime, como é que foi para vocês esse sentimento?
02:11A gente sabe que, lógico, é desesperador, é uma coisa muito triste, muito revoltante.
02:15Mas como é que foi para a família?
02:17Porque se vocês não sabiam de nada, não tinham esses indícios, como é que foi receber essa notícia?
02:24Porque no dia, na quarta-feira, que eu recebi a notícia, eu tinha que acabar de chegar do trabalho.
02:30E eu tinha, mas acabar de sentar, só para assistir o jornal.
02:35Daí o vô da minha filha ligou e falou isso.
02:39Falou, olha, aquele vagabundo matou a Maiara.
02:42E eu achei, é mentira?
02:44Não existe?
02:46Como?
02:46Eu tinha conversado com a Maiara na terça.
02:49Daí ele falou, não, aconteceu isso.
02:51Assim, assim, eu fiquei certo, ele está aí mesmo, assim, eu vim para a Cascavel, que eu moro em Toledo.
02:58Eu vim para a Cascavel, eu cheguei aqui e daí eu constatei a veracidade dos fatos.
03:05Na terça-feira você disse que conversou com ela.
03:07Como é que ela estava?
03:10Tranquila, contando piada.
03:11Porque, nossa, eu tinha feito o motor do carro dela, dela falando que o carro tinha ficado muito bom, que,
03:19nossa, ela estava muito grata.
03:22Foi, tipo assim, uma conversa descontraída entre pai e filha.
03:27Foi uma coisa muito...
03:31Naquele momento, então, ela não relatou nenhuma desavença.
03:34Nada.
03:35Nada.
03:37Então, a princípio, fora de casa, com as outras pessoas, outros familiares, ele era uma pessoa super tranquila, super calma,
03:45não apresentava ser o que era.
03:48Não, não apresentava de forma alguma.
03:52De forma alguma.
03:53Eu não posso dizer, nas três vezes que eu vi ele, eu nunca vi esse homem, pelo menos eu ergui
03:59a voz.
04:01Só que daí, como ela disse, vocês não conhecem o Daniel, vai ver, para nós ele era um e para
04:09ela era outro.
04:11Certo.
04:11Mas ela nunca reclamou de nada?
04:13Não, a única vez foi essa vez que ele agrediu ela e ela falou para ele sair de casa.
04:22Daí, ele voltou há uns oito ou dez dias atrás e fez o que fez.
04:28Olha, pelo que dá para ver, parece que ele não caiu a ficha dele ainda.
04:35Ele pergunta da mãe se amanhã vai demorar a chegar.
04:40Eu acho que é a hora que ele cair na rotina dele de volta e ir à escola e voltar
04:46e ir para a igreja de novo.
04:47Daí que ele vai começar a sentir a falta da mãe.
04:51Vocês não conversaram nada em relação a ele?
04:54Em relação a mãe com ele?
04:55Não, não, tipo assim, foi, foi dito, foi dito para ele, no velório, ele chegava, olhava para a mãe dele
05:04no caixão e perguntava, ninguém vai trocar roupa para a minha mãe.
05:11Não, não, não, não, não.
05:30Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
05:44não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
05:52não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
05:56não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
05:57não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
05:58não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não
06:00que a mãe não veio, porque a minha filha, Carol, que está com ele,
06:05que tem as primas dele, o conselho achou por melhor deixar com ela.
06:13Daí ele só pergunta, ele diz, por que eu estou aqui? Cadê minha mãe?
06:19Ele ainda não caiu a ficha, mas a hora que ele voltava para a escola,
06:24ele é acostumado com a mãe, levar ele para a igreja, levar ele para a escola todo dia,
06:30não vai ter mais a mãe.
06:32Daí nós estamos pensando que é aí que vai cair a ficha dele.
06:38E como que a família está lidando com esses pacientes?
06:42Isso é difícil?
06:43Muito difícil.
06:47Muito difícil.
06:48Ainda mais para mim, porque eu nem aqui em Cascavel moro.
06:54Eu moro em Toledo, e qualquer coisa eu tenho que me deslocar de lá aqui.
06:59Não é tão simples.
07:01Para mim está sendo mais complicado ainda.
07:05Você tem outros filhos?
07:06Tem.
07:07Eu tenho uma menina, a Carol, que ela vai completar 32 anos.
07:13Tinha a Maiara, daí tem um outro menino, e uma menininha mais nova.
07:18Eu tenho quatro filhos em total.
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