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“Deveriam estar em lua de mel, mas terminou em feminicídio”: advogado criminalista de Cascavel avalia morte de Mayara Araújo Krupiniski Rodrigues

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Transcrição
00:00Era por volta das 8 horas da noite de quarta-feira, dia 18 de fevereiro de 2026,
00:08quando um crime foi registrado no Conjunto Riviera, na região norte de Cascavel.
00:13Uma mulher de 30 anos morta a facadas pelo companheiro com quem ela havia se casado há menos de um
00:21mês.
00:22Essa situação é mais um crime de feminicídio que chamou a atenção de Cascavel.
00:28E hoje, aqui no estúdio da CGN, a gente vai falar sobre esse e outros casos,
00:33na presença dos advogados Luciano Catarinucci e William Douglas. Sejam bem-vindos, doutores.
00:39Obrigado, obrigado pelo convite. Nós sabemos e fazemos a advocacia criminal artesanal,
00:45e uma das coisas que tem chego muito para nós, literalmente, são casos envolvendo violência e principalmente feminicídio.
00:53O William é o nosso estagiário, um estagiário com OAB, um OAB de estagiário,
00:58e também tem acompanhado e tem também desenvolvido algumas teses, principalmente em júris,
01:03que tem sido encaminhado muitas pessoas, homens e principalmente, que é o caso especificamente,
01:09com uma pena agora altíssima com a alteração da legislação penal.
01:13E a gente vai explicar essa alteração também.
01:15Agora, se a gente for avaliar esses casos de violência entre homem e mulher, ou mulher e homem,
01:22tem chamado a atenção esses conflitos que se transformam num assassinato?
01:28Porque a gente está falando aqui de um caso em que esses dois casaram em janeiro.
01:33Eles tinham que estar em Lua de Mel ainda, mas rolou um assassinato.
01:36Esse tipo de conflito, antes do crime, chama a atenção de vocês enquanto...
01:41É um sinal. A gente sempre fala que a violência, quando chega no ápice da violência do casal,
01:47que a gente chama da violência de gênero, ou da violência homem-marido,
01:50que é o feminicídio que tem que ter essa relação,
01:54não é apenas um crime de homem matando mulher, mas tem que ter o feminicídio,
01:58essa relação de esposo, de marido, de mulher, de relação de namorada,
02:02em virtude dessa relação, ocorre a morte, ela vai escalando.
02:08A gente percebe que começa com uma ofensa, muitas vezes, verbal.
02:11Essa ofensa verbal, ela começa com empurrões, depois é tapas,
02:15e depois chega numa escala de homicídio.
02:19Que daí a gente fala agora do feminicídio.
02:21A gente vê que medidas protetivas existem e é para amparar a mulher,
02:26para se proteger, no caso, do agressor,
02:29mas a gente sabe que também existe uma limitação.
02:32A gente fala que a medida protetiva, ela vai gerar temor em quem tem temor.
02:37Em quem não tem temor, pode ser até um gatilho,
02:41para que essa pessoa fique com mais sódio ainda,
02:44e cometa um crime bárbaro, como é o feminicídio.
02:47E a gente percebe que é faca, é tiro, é na pancada mesmo,
02:53os homens, eles excedem muitas vezes isso.
02:55Mas nem todo crime é um feminicídio quando envolve homem e mulher.
03:00Tem que deixar bem claro isso.
03:01O feminicídio, especificamente, precisa ter essa relação.
03:05Precisa ter, em razão dessa relação, o que aconteceu nessa morte.
03:10De acordo com o advogado da família desse caso em específico,
03:15da Maiara Araújo Krupiniski Rodrigues, de 30 anos,
03:18o próprio advogado diz que a relação do casal já era conflituosa,
03:24já havia indícios.
03:25Tanto que ela mesma era acompanhada pela Patrulha Maria da Penha
03:29e havia, em algum momento, recusado qualquer medida restritiva em relação ao marido.
03:36Porém, ele considera também que esse foi um caso de feminicídio clássico.
03:40É isso mesmo?
03:41Tudo indica, pelo que foi reportado, a gente não conhece o caso especificamente,
03:46sou amigo do advogado da parte que ali vai ingressar como assistente de acusação no momento apropriado,
03:52mas que já está fornecendo as informações devidas ali para a localização,
03:56inclusive, do autor do crime que já é identificado,
03:59para que seja tomada a questão das prisões preventivas e assim por diante.
04:03O que nós temos percebido e prestado muita atenção é que, mesmo com o rigor da lei,
04:09que a lei alterou em outubro de 2024,
04:14criando um artigo de lei específico do feminicídio,
04:17a gente tem percebido que isso tem escalado o número de mortes de mulheres.
04:21Não é um caso somente pontual, esse é um caso que chama a atenção,
04:26por ser... depois já teve outros casos na região, no país,
04:30são mulheres que são mortas todos os dias pelos seus companheiros,
04:34pelos seus namorados, decorrente dessa relação.
04:37A gente vê que somente o agravamento da pena não impede e não tem coibido
04:43o aumento do número de mortes por feminicídio.
04:47É até uma das coisas que eu falo com o Iria, né, velho?
04:49É o processo, né? A gente fala sempre de procedimento, né?
04:52E essa questão do procedimento, o Estado, infelizmente,
04:55ele não pode chegar antes do crime acontecer.
04:57O tipo penal não fala sobre não poder matar,
04:59ele fala sobre a pena de matar alguém, a pena de matar uma mulher.
05:02Então é difícil também para o Estado presumir que aquela pessoa
05:05vá, de fato, cometer um crime, vá, de fato, cometer um homicídio,
05:08e ir lá e prender aquele homem antes dele cometer,
05:11ele dar a facada, ele dar o tiro.
05:13A polícia não pode ir lá e prender ele antes disso acontecer.
05:15Por isso fica difícil o combate ao feminicídio,
05:18o combate à violência contra a mulher,
05:20porque não pode haver essa presunção de que haverá um crime.
05:23embora tenha indícios, tenha brigas, tenha conflitos,
05:26não é o suficiente para que haja uma medida estatal de prender esse homem, né?
05:33De tirar ele antes dele.
05:34Uma das coisas que você relatou, inclusive,
05:36é que a própria vítima, nesse caso,
05:38ela não quis exercer a questão de ter a medida,
05:42porque supostamente não daria nada.
05:44É esse não dar nada que faz com que a escala da violência aumente.
05:50Portanto, o termo feminicídio pode ter sido,
05:55de alguma forma, banalizado na sociedade?
05:59Nem todo crime contra a mulher é um feminicídio.
06:02Mas todo crime com a mulher decorrente de ela ser mulher por causa da relação,
06:07e aí ter esse domínio, essa vontade, essa questão da possessão,
06:12você não vai ser minha, você não vai ser de mais ninguém,
06:15é namorado, é esposo, não aceita um divórcio,
06:18não aceita que a gente viu casos, por exemplo,
06:21no caso lá em Goiás, que a mulher traiu o marido,
06:25e o marido veio e cometeu, não crime contra ela,
06:28mas contra os filhos e também se matou.
06:31E uma situação idêntica também no Rio Grande do Sul.
06:33Também, que a marida delegada, que depois repercutiu muito isso.
06:38A gente fala, tá aí, e esse tipo de crime?
06:40Não, aqui foi uma covardia muito grande,
06:42foi dois homicídios e o homicida se suicidou.
06:44Mas casos assim têm evoluído para que, em casos de traição,
06:49o marido mate a mulher, pela sequestão, e é um feminicídio.
06:54Ah, não, ele matou porque foi traído.
06:55Ah, então foi a legítima defesa da ONU.
06:57Isso não existe mais.
06:58O STF, inclusive, pacificou que não pode ser nem argumentado.
07:01Mas eu quero passar um dado técnico, né?
07:03A lei 14.994, de outubro de 2024,
07:09ela incluiu no Código Penal, que é de 1941, o artigo 121-A.
07:15Porque o que é o 121? Matar alguém.
07:17E aí, matar alguém tem a questão culposa,
07:21depois a questão qualificada, que a gente quer o dolo.
07:25E aí, vem as qualificadoras do parágrafo segundo,
07:28motivo fútil, motivo torpe, para se vingar, motivo fútil,
07:32ah, com ciúmes, ah, recurso que dificultou a defesa da vítima,
07:36agiu de sorrateiro, agiu por emboscada.
07:40Tudo isso é agravando a vítima.
07:41É, isso.
07:41Aí, vem o artigo 121-A.
07:44Por quê?
07:44O homicídio 5 do artigo 121, caput,
07:47a pena mínima é de 6 anos e a pena máxima é de 20 anos.
07:51O homicídio qualificado, a pena mínima é 12 e a pena máxima é 30.
07:56De 12 a 30.
07:58E aí, as agravantes, que são as qualificadoras,
08:00elas vão afastando do mínimo legal para chegar até o máximo.
08:04O que aconteceu com o feminicídio?
08:06O artigo 121-A, ele diz,
08:08matar mulher,
08:09e aí ele coloca,
08:11por razões da condição do sexo feminino.
08:14E é dentro dessa relação.
08:15Então, matou o pronunciado, matou uma mulher.
08:18Ah, vou matar uma mulher,
08:19e aí eu vou responder a feminicídio.
08:20Depende.
08:21Se o cara está lá numa confusão e mata uma mulher,
08:24mas não tem nenhuma relação com ela,
08:25não vai responder por feminicídio.
08:27É um homicídio.
08:28Agora, se ele tem uma relação com ela, sim.
08:30E aí vem a complicação do negócio.
08:32A pena passa a ser de 20 anos a mínima a 40.
08:36Olha como que o legislador, ele pesou.
08:4020 anos a pena mínima, 40 a pena máxima.
08:44Mas daí vem o que?
08:45O primeiro, que coloca as razões da condição de sexo feminino,
08:49que fala que é sobre violência, tem que envolver violência doméstica e familiar,
08:54menosprezo e discriminação à condição de mulher.
08:56Há um plus nessa questão da condição.
08:59E aí vem o parágrafo segundo, que complica mais a vida do agressor.
09:02Eu acho que envolve esse caso também.
09:04Exatamente.
09:05Por quê?
09:06Durante a gestação, nos três meses posteriores ao parto,
09:10ou se a vítima é mãe, ou responsável por criança,
09:13se a vítima tiver, a pena já aumenta 50%.
09:16Então, a pena mínima é 20.
09:18Se está nessa condição, já vai para 30.
09:21Então, inicia o sujeito no banco dos erros com 30 anos.
09:25E ele coloca aqui, contra a pessoa menor de 14 ou maior de 60.
09:30E também diz aqui, na presença física ou virtual,
09:33de descendentes ou ascendentes da vítima.
09:36Matar na frente do pai, da mãe, matar na frente dos filhos.
09:39Até deixa eu explicar, então, também esse caso da Mayara,
09:42de quarta-feira, dia 18 de fevereiro.
09:45O crime aconteceu, então, por volta das oito horas da noite.
09:48Às oito e quatro, existem imagens de câmeras de segurança
09:52que mostram populares, vizinhos, ali do apartamento,
09:56ali no conjunto Riviera,
09:58que tentam impedir a saída do assassino,
10:02que estava com um carro, modelo Corsa, cor verde,
10:06de sair de lá.
10:07Tentam, inclusive, bater no carro, mas ele foge.
10:10Oito horas e quatro minutos da noite.
10:13No dia seguinte, esse carro foi encontrado
10:16em uma região aqui de Cascavel.
10:18Porém, o rapaz, de 24 anos, não foi encontrado ainda.
10:23O crime foi cometido na frente do filho da vítima.
10:29Não era filho dele, era filho dela.
10:31Esse caso, então, aí, ele já vai com mais um agravante.
10:34Exatamente.
10:35E aumenta a pena já de cara.
10:37Ele já senta no banco dos réus com uma aposação
10:40que, pela mínima, parte de 30 anos.
10:43Ou seja, é muito grave.
10:44Existe nas duas, né?
10:45Porque ela é mãe e foi na frente do filho.
10:48É como se fosse um duplamente qualificado.
10:50Um feminicídio duplamente qualificado.
10:53Nós temos visto...
10:54Inclusive, o Willian tem trabalhado,
10:56como estagiário lá do escritório,
10:58tem trabalhado em casos comigo.
11:00Nós temos júri de um feminicídio também,
11:03um dos primeiros feminicídios
11:04de uma cidade vizinha aqui.
11:06E o caso é muito ruim também.
11:07Mas tem toda uma história por trás.
11:09Histórias de conturbação entre também a mulher com o homem.
11:13Que era o homem com a mulher, mas a mulher com o homem.
11:16Existia esses conflitos de separação e retorno.
11:19Quando a própria família falava,
11:20ó, vocês têm que se separar.
11:22Continua assim.
11:22Vai dar ruim, né?
11:24A gíria vai dar.
11:26Vai ter problema.
11:27Como teve esse problema.
11:28Então, quando o casal começa,
11:30vai e volta, separa, ameaça.
11:32Aí ameaça pra voltar, volta.
11:34Aí a mulher começa a ameaçar,
11:35aí o homem volta.
11:36Aí é aquela questão,
11:37eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo.
11:39Quando a gente vê,
11:40isso escala, né, Willian?
11:41A gente tem visto isso.
11:43Isso escala com um crime grave,
11:44que é o feminicídio.
11:45O feminicídio hoje,
11:47ele é pior do que o latrocínio.
11:50Porque o latrocínio é de 20 a 30.
11:52E o feminicídio é de 20 a 40.
11:54E o latrocínio era o pior crime do Código Penal.
11:57Que é o crime contra o patrimônio.
11:59Quando o cara mata pra roubar.
12:00E hoje, quando você olha o feminicídio,
12:03que vai ao tribunal do júri,
12:05e nesse caso específico desse município vizinho aqui,
12:09foi feito o sorteio dos jurados.
12:1135 jurados.
12:1225 mulheres.
12:15Porque são 25, são 40, né?
12:18São 25 mulheres e 15 homens.
12:21São 25 titulares e 15 reservas.
12:23E a gente fala de supletes.
12:25Para escolher 7.
12:26Então, desse daí,
12:2825 são uma entese.
12:29O júri tem a propensão de ser formado
12:32por maioria de mulheres.
12:33E aí complica mais a vida do sujeito aí.
12:36Isso eu queria até te perguntar.
12:37Porque é um assunto difícil de ser tratado.
12:39Mas que precisa ser tratado.
12:41Porque ele está afetando a sociedade.
12:43Por muito tempo,
12:44as mulheres foram perseguidas,
12:46poucos direitos,
12:47violentadas.
12:48E aí surge essa lei Maria da Penha.
12:53Extremamente necessária
12:54e boa, pelo menos no papel.
12:56Agora, vocês acreditam que tenha...
12:58Por exemplo, esse caso da Maiara
13:00é um caso clássico
13:01que poderia ter sido protegida
13:03via a lei Maria da Penha.
13:05Que, por exemplo,
13:06pode estar tão banalizada
13:07que as mulheres têm usado
13:09como arma de vingança.
13:11Ah, isso ocorre.
13:13Usa, por exemplo,
13:14Maria da Penha
13:14dentro de um divórcio
13:15para conseguir o afastamento
13:17do marido da casa
13:18para poder ficar com a casa.
13:19ou para...
13:20Cria-se uma...
13:21Por isso que eu falei
13:22a banalização.
13:23Cria-se uma história,
13:25história com ele,
13:27não com H,
13:28mas uma história
13:29para que justifique
13:31o afastamento do sujeito
13:32por uma suposta ameaça
13:34ou uma suposta agressão.
13:37Às vezes, não é nem agressão,
13:38é só uma ameaça
13:38para afastar o sujeito
13:40não só da casa,
13:40mas também para impedir a guarda.
13:42E aí já começar o processo
13:44de um divórcio
13:44numa situação em que
13:45coloca-se o sujeito de joelho.
13:47Tem a questão da palavra vítima
13:49que tem até um doutor
13:50que fala daí.
13:51Nós temos o doutor
13:52Auríl Lopes Jr.,
13:53um dos maiores
13:54processualistas penais do Brasil.
13:56Ele traz um estudo
13:57muito complexo,
13:58muito bacana também
13:58sobre essa mudança
14:00nos tempos
14:00da palavra da vítima
14:02que vem de uma demonização
14:04lá atrás,
14:04que a gente fala
14:05daquele período
14:05em que houve uma caçação,
14:07que havia caças bruxas,
14:09que a mulher não tinha voz
14:10na sociedade,
14:10não tinha voto.
14:11Então ela veio
14:12dessa percepção
14:13e agora,
14:14com essa virada de chávia,
14:15é endeusada
14:16a palavra da vítima.
14:17Então é dada a ela
14:18uma credibilidade
14:19acima de uma pessoa
14:20normal.
14:21E aí o que se busca,
14:22de fato,
14:22hoje é uma razoabilidade,
14:24onde você não demoniza,
14:25mas também você não endelza.
14:26Onde tem realmente
14:27a proporcionalidade
14:28de uma pessoa
14:28que é suscetível
14:29à mentira,
14:30de uma pessoa
14:30que também é suscetível
14:31a uma falha à memória,
14:33de uma pessoa
14:33que pode ter
14:34as suas razões pessoais,
14:35como um divórcio,
14:36como um conflituoso,
14:38algo dos filhos,
14:39envolvendo bens,
14:39patrimônio,
14:40enfim.
14:41Então a gente fala
14:42realmente sobre
14:42essa mudança drástica
14:44que trouxe um problema
14:45diferente.
14:46Consertou algo ruim,
14:47mas trouxe um novo
14:48aspecto também negativo
14:49dessa análise
14:51da palavra da vítima.
14:51E o filtro tem que ser
14:53feito pelas autoridades.
14:54E fazer o filtro,
14:55às vezes,
14:56é muito complicado.
14:57Por quê?
14:57Como é que você vai dizer
14:58no primeiro momento
15:00de uma medida protetiva,
15:02a mulher chega e fala assim,
15:04Dr. Raab,
15:05o senhor delegado,
15:06eu estou sendo ameaçada
15:07pelo meu companheiro.
15:10Como é que você vai falar
15:11que ela está mentindo?
15:12E se você não pede,
15:13a senhora quer uma medida protetiva?
15:15Eu quero.
15:16Aí a medida protetiva
15:17é concedida,
15:18mas na verdade
15:19o cara nunca ameaçou.
15:20Porém,
15:21se o delegado
15:22compra aquela história
15:23e fala,
15:24não,
15:24não é possível
15:25que ameaçou.
15:26E o cara vai lá
15:27e a verdade mata a mulher.
15:28Como é que fica
15:29a responsabilidade?
15:30Então,
15:30em regra,
15:31as mulheres,
15:32elas trazem essa versão,
15:34ou seja,
15:34a palavra da vítima,
15:35que tem um peso,
15:36e depois muitos
15:38dos casos
15:39não se validam.
15:40Muitos se validam,
15:40claro,
15:41é verdade mesmo,
15:42mas muitos não se validam.
15:43Por isso que é difícil,
15:44o processo é para isso,
15:46só que a gente está vendo
15:47o que é.
15:47Hoje nós temos
15:48dois juizados
15:49de violência doméstica
15:50em Cascavia.
15:50Tinha um só,
15:51mas sobrecarregou,
15:53a promotora trabalhando
15:55imensamente no processo,
15:56mas é igual
15:56a gente que o Gageiro.
15:57E aí agora
15:58teve um outro,
15:59criou um outro juizado
16:01da violência doméstica
16:02específica,
16:03dividiu os processos,
16:04mas é muito volume,
16:06é muito,
16:07é muito.
16:08Até a Maria da Penha,
16:09que é a patrulha Maria da Penha,
16:11ela é mais de mil e poucas pessoas,
16:13então,
16:14lógico que não consegue
16:14estar em todos os lugares,
16:15é difícil.
16:16Por quê?
16:17Porque muitos desses casos
16:18talvez não sejam verdade,
16:19talvez sejam uma banalização,
16:22uma criação de uma história,
16:23e que pode prejudicar
16:24aquilo que é verdade.
16:25Então,
16:26esse é um ponto
16:27que você traz para o debate,
16:28e precisa ter um filtro melhor,
16:31para que não façamos injustiça
16:34com quem não deve,
16:35e deixamos de fazer justiça
16:36com quem precisa realmente responder.
16:38Porque existem mulheres vítimas,
16:41e não são poucas,
16:42são muitas mulheres vítimas,
16:43mas também existem mulheres
16:45vingativas,
16:46que se utilizam da lei.
16:48Isso é uma realidade,
16:49esse debate é difícil,
16:51porque nós vivemos na sociedade
16:52daquela questão dos extremos,
16:54ultimamente é tudo estranho.
16:55Se você falar isso,
16:57ah, então você é contra o direito das mulheres,
17:01não, pelo contrário,
17:03para que o direito da mulher
17:04seja fortalecido,
17:05cada vez mais a gente tem que buscar
17:06o quê?
17:07A imparcialidade,
17:08e principalmente a justiça,
17:11porque se começar a aparecer
17:13muitas situações falsas,
17:15ou falsas denúncias,
17:16enfraquece a denúncia verdadeira.
17:19Isso compromete o direito
17:20que a mulher demorou tanto tempo
17:22para conquistar,
17:22que é um direito.
17:23A gente sabe que homens,
17:25infelizmente,
17:26batem nas mulheres,
17:27infelizmente é a parte mais forte,
17:29infelizmente usa-se de ameaças,
17:31que a gente fala que não é só a violência,
17:32a violência física,
17:34é a violência psicológica,
17:35é a violência financeira,
17:36é o pânico que coloca a pessoa,
17:40ou seja,
17:40tem aquela violência social,
17:42tira a pessoa do contexto,
17:43então tem mais do que a violência
17:45apenas física.
17:47E esses homens,
17:47eles têm que ser contidos,
17:48têm que ser responsabilizados,
17:50e têm que ser tirados da sociedade.
17:51porque uma coisa,
17:53sabe o que acontece?
17:54Replicação.
17:56Se o homem faz com uma companheira,
17:57essa companheira consegue se libertar,
17:59e ele não é responsabilizado,
18:01ele vai na próxima companheira
18:03replicar o mesmo comportamento.
18:05E eu já tivemos casos no escritório,
18:06que foi uma, duas,
18:07da terceira ele matou.
18:09Então,
18:09aí é uma questão complicada.
18:12Nossa,
18:13vamos lá.
18:13Para a gente finalizar a nossa conversa,
18:15eu quero trazer mais uma informação
18:17a respeito do caso
18:19da Mayara Krupiniski-Rodrigues.
18:22No dia 20,
18:24logo,
18:25o crime foi no dia 18,
18:27no dia 19,
18:28foi instaurado o inquérito
18:29pela Polícia Civil,
18:31e encontrado o carro da fuga,
18:33como eu já revelei para vocês agora há pouco.
18:35O delegado,
18:36naquele momento mesmo,
18:37no dia 19,
18:38já disse que havia materialidade
18:40para confirmar que o marido
18:42era o único suspeito.
18:44Tinha testemunhas.
18:45Tinha testemunhas,
18:46tinha tudo.
18:48Hoje,
18:48dia 20,
18:49a vara de execuções penais
18:51decretou a prisão
18:52desse rapaz de 24 anos,
18:55mas não devido ao crime em si,
18:58mas sim por regressão de regime,
19:01já que ele cumpria a pena
19:02por outros crimes que ele havia cometido.
19:05Ele estava usando tornozeleira.
19:06Provavelmente,
19:06ele deve ter rompido a tornozeleira,
19:08provavelmente,
19:09que isso é uma violação.
19:11Essa falta deve ter ensejado
19:13na decretação imediata,
19:15porque se não fosse,
19:16a pessoa tem,
19:17inclusive,
19:17a possibilidade de apresentar
19:19uma justificativa.
19:21Nesse caso,
19:21não tem justificativa.
19:22Então,
19:22ele deve ter rompido a tornozeleira
19:24e,
19:24imediatamente,
19:25isso já deve ter sido informado,
19:27porque houve uma repercussão
19:28e o juiz da execução penal
19:29de forma preventiva
19:31decretou a prisão dele,
19:32que também,
19:34agora,
19:34provavelmente,
19:35se não foi,
19:36já deve estar sendo processada
19:37a prisão preventiva
19:39decorrente da morte,
19:40que ele é o principal suspeito.
19:41Olha,
19:42até esse momento,
19:43ele ainda não foi preso.
19:45Nessa situação,
19:46com a prisão preventiva decretada,
19:48mas ele ainda não é encontrado,
19:50ele é considerado foragido?
19:52Sim,
19:52sim,
19:53exatamente sim.
19:54Inclusive,
19:54ele é considerado foragido,
19:56porque ele já está identificado.
19:57A questão do flagrante,
19:59tem a questão do flagrante,
20:00que o pessoal assiste em novela,
20:02enfim,
20:02não,
20:02fico 48 horas fora,
20:04aí eu só me apresentar.
20:05Não,
20:05não é isso.
20:05A flagrância,
20:07enquanto a polícia estiver em diligência,
20:09ela continua,
20:10e pode ultrapassar 2,
20:113 dias.
20:12Inclusive,
20:13quando você vê que o cara fugiu,
20:14a flagrância pode ter passado,
20:16mas a autoridade policial,
20:17que já identificou o outro do crime,
20:19pede a prisão preventiva dele.
20:21Tem alguns,
20:22alguns profissionais,
20:23que não se atentam a isso,
20:24e vão,
20:25depois de 72 horas,
20:26apresentar o cliente.
20:28Então,
20:28passou as 48,
20:2972,
20:29eu vou lá,
20:30vim apresentar o meu cliente,
20:31que ele está fora do flagrante,
20:32aí tem uma prisão preventiva decretada para ele.
20:34Sempre verificar isso,
20:35o profissional faz isso.
20:37Então,
20:37nesse caso,
20:37eu percebi que ele já tem uma pela execução penal,
20:40ou seja,
20:40ele já era egresso do sistema,
20:42e vai ter uma agora,
20:43então,
20:43ele vai estar preso por duas modalidades,
20:45pela execução penal,
20:46e pelo processo principal agora,
20:48que vai ser instaurado.
20:49Então,
20:50fica claro que se ele for capturado hoje ou amanhã,
20:53ainda pode haver o flagrante.
20:55Não,
20:55ele já é.
20:56Nesse caso,
20:58provavelmente,
20:59provavelmente,
21:00pode já ter pedido a prisão preventiva dele,
21:02pela identificação.
21:04Qual que é a maior dificuldade
21:05de você pedir a prisão preventiva
21:06de um sujeito suspeito do homem?
21:09Quem que pode?
21:10Pode ser o Rábio,
21:11pode ser o Luciano,
21:11pode ser o William,
21:12pode ser o William.
21:12Não,
21:13então,
21:13a gente não tem como.
21:14Não dá para saber.
21:15Daí o Rábio se apresenta e fala,
21:16eu que matei.
21:17Isso,
21:18o que muda juridicamente se ele se apresentar?
21:20Ele se apresenta,
21:21ele é ouvido,
21:21naquele momento,
21:22ah,
21:22então identificou.
21:24Aí,
21:24o delegado pode não prender,
21:26porque ele está fora do flagrante,
21:28que não sabia quem era o sujeito,
21:29o sujeito se apresentou,
21:31mas a gravidade,
21:32o delegado representa
21:34pela prisão preventiva.
21:35Então,
21:35ele entra pela porta da frente,
21:37sai pela porta da frente,
21:38dá o depoimento,
21:39só que eu quero confessar
21:40que foi eu,
21:41mas eu quero ficar em silêncio.
21:42Sai pela porta da frente,
21:43o delegado representa
21:44pela prisão preventiva,
21:45colocando os argumentos lá,
21:46apagando a tia da ordem pública,
21:48para segurar a instrução processual,
21:50para segurar a aplicação
21:51da lei penal,
21:51e aí o juiz decreta
21:53e vai lá em frente o sujeito.
21:54Mas,
21:54o flagrante não tem.
21:56Agora,
21:56nesse caso específico,
21:57eles já identificaram
21:58quem é o autor.
21:59Porque as pessoas viram,
22:00chegaram em seguida,
22:01tentaram,
22:02como você falou,
22:02então tem toda uma característica
22:04de que,
22:05se a polícia não cessou,
22:07a diligência continua em flagrante.
22:09Entendeu?
22:10Não pode cessar as diligências.
22:11Não,
22:11está procurando,
22:11está procurando,
22:12passou dois, três dias.
22:13Não,
22:13eles estão em diligência.
22:14A hora que a chapa ainda continua
22:16em estado flagrancial,
22:18queimando.
22:18Agora,
22:19não,
22:19a gente já identificou,
22:20parando de fazer bolsa,
22:21pede a preventiva dele.
22:23Já pediu a preventiva?
22:24Vai sair quando?
22:24Ah,
22:24saiu hoje.
22:25Então,
22:25agora nós temos a prisão preventiva.
22:27Vamos continuar procurando,
22:29que a gente já sabe quem é.
22:30E quando a gente identificar,
22:31ele está preso,
22:31não mais em flagrante,
22:33está preso preventivamente.
22:34E a prisão preventiva,
22:35tem circunstâncias,
22:36que eu já disse,
22:37ela não tem prazo.
22:39Então,
22:39ela pode perdurar por todo o processo.
22:41Se o processo leva dois anos,
22:42três anos,
22:43quatro anos,
22:43ela pode,
22:45não estou vendo que ela deve,
22:46perdurar por todo o processo,
22:47enquanto estivermos requisitos.
22:49Garantia da ordem pública,
22:50assegurar a aplicação
22:51da lei penal,
22:52garantia instrução para você,
22:53o cara fugiu,
22:54não dá para soltar o cara.
22:55Tem que ficar preso,
22:56porque quando ele teve a oportunidade,
22:57ele fugiu.
22:58Todos os detalhes desse crime
23:00que marcou Cascavel,
23:01marcou essa semana aqui na cidade,
23:03o relatório,
23:04com os detalhes da perícia,
23:06as informações que ainda vão surgir
23:08para esclarecer esse caso,
23:10você vai acompanhar aqui na CGN.
23:13E hoje eu agradeço,
23:14aqui no estúdio,
23:15a presença dos advogados criminalistas,
23:17que ajudaram a gente a entender,
23:19não só detalhes desse caso,
23:21mas do próprio crime de feminicídio,
23:23o William Douglas e Luciano Catarinho,
23:25que muito obrigado.
23:26Eu agradeço,
23:27agradeço a oportunidade do William,
23:28você falou advogado,
23:30ele é estagiário,
23:31quase advogado.
23:32O pessoal está falando agora,
23:33é sabor advogado.
23:36Obrigado pela confiança,
23:38estamos sempre à disposição.
23:39Obrigado.
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