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3º capítulo da série/ documentário “Enciclopédia da Natureza – Planeta Vivo”, lançado em VHS junto com 32 livros ilustrados sobre o reino animal.

Produção: Teresa Clare, Partridge Films e BBC-TV, em associação com a National Geographic Television.

No Equador, os Andes se bifurcam em duas cordilheiras paralelas: a Oriental ou Real e a Ocidental. Entre ambas, se estende um planalto rodeado por mais de trinta cones vulcânicos, entre eles o Chimbonazo, a montanha mais alta do menor país andino.
Este corredor recebe o nome de Avenida dos vulcões, um território inóspito com neve perpétua, onde se desenvolve uma fauna e uma flora muito peculiares. Conheça os costumes do urso de óculos e do condor andino, e observe no seu próprio habitat o gavião-carcará, o animal considerado como um símbolo da sorte pelos indígenas quechuás.

#animais #planetavivo #documentários

Categoria

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Animais
Transcrição
00:00A CIDADE NO BRASIL
00:30A CIDADE NO BRASIL
01:00É uma terra não somente coberta pela névoa, mas também cercada pela mitologia e povoada por animais de reputação legendária.
01:19Este é o território dos deuses, reverenciados pelos povos antigos, cujos descendentes ainda trabalham à sombra dos vulcões.
01:43Os vulcões, mais de 30 deles, dominam esta paisagem.
02:00Estendendo-se a ambos os lados do Equador, suas cabeças despontam entre as florestas tropicais das Terras Baixas.
02:07Alguns são tão altos que seus picos estão sempre cobertos pela neve e pelo gelo.
02:12No norte do Equador, os Andes se dividem em duas cordilheiras paralelas, ao longo das quais erguem-se grandes vulcões que formam um corredor chamado Avenida dos Vulcões.
02:32Os picos gelados dos vulcões elevam-se acima das nuvens que sustentam a floresta.
02:53Esta cobre as encostas mais baixas com uma vegetação luxuriante, formando a moradia preferida das criaturas mais singulares da América do Sul.
03:01Para os antigos povos andinos, o urso de óculos era uma criatura mítica, um mensageiro dos deuses que habitavam nos cumes das montanhas.
03:22Mas, até mesmo na atualidade, a história natural desta única espécie de urso da América do Sul continua sendo um mistério.
03:31A emaranhada vegetação destas encostas acolhe a uma das comunidades de pássaros mais ricas do mundo.
03:42O beija-flor sunagel, de cor púrpura, é apenas uma das 120 espécies de beija-flores que habitam o Equador.
03:56Os rios que descem das montanhas escavam avenidas através da floresta.
04:01Estas águas turbulentas não são o lugar apropriado para qualquer fauna aquática.
04:06Os patos de correntezas estão bem adaptados para nadar contra as mais fortes correntes, tanto por cima como por baixo da superfície.
04:13Estes patos especializados passam suas vidas ao longo de uma pequena extensão do rio, de cerca de um ou dois quilômetros.
04:21Ao contrário do urso de óculos, que percorre vastas áreas de florestas sob as nuvens em busca de alimento.
04:26Este filhote de dez meses já é capaz de subir pelas árvores e aprende a selecionar as frutas que pode comer.
04:38Mas nesta pequena árvore, a maior parte dos frutos nasce no extremo dos galhos,
04:42que são pequenos demais para suportar o peso dos ursos, mas suficientemente fortes para aguentar os pássaros comedores de frutos.
04:49A mãe urso tem sua própria maneira de resolver o problema.
04:59Agora, ambos poderão alimentar-se com o fruto caído.
05:03Este comportamento parece prejudicial à árvore, mas como os ursos se alimentam de uma ampla variedade de árvores,
05:21esta terá a oportunidade de recuperar-se.
05:24O território dos ursos de óculos estende-se muito além das áreas florestais.
05:39Aqui, sobre o platô Andino, a cerca de 3 mil metros, as árvores capitularam ante o rigor da altitude
05:45e em seu lugar crescem bromeliáceas gigantes conhecidas como puhas.
05:54Estas plantas florescem apenas uma vez na vida e, por isso, sintetizam muito mais açúcar
06:07para abastecer-se de energia e permitir o crescimento de sua espiga, que chega a alcançar 3 metros de altura.
06:15A concentração de açúcar faz com que as suas flores em desenvolvimento sejam irresistíveis para o paladar do urso.
06:24Os beija-flores jogam papel menos destrutivo para a puha.
06:33O raio de sol brilhante fecunda com pólen as flores que escapam à atenção do urso.
06:44Os beija-flores precisam constantemente de néctar para alimentar-se.
06:57No frio platô, onde o número de insetos fecundadores é pequeno,
07:01os pássaros são o meio mais eficaz de realizar a tarefa.
07:05As flores polinizadas produzirão sementes em breve,
07:14o que assegura um contínuo abastecimento para pássaros e ursos,
07:18embora não com este.
07:22Estes altos platôs são o habitat de outro animal de mítica reputação.
07:26O cárcara carunculado é conhecido pelos índios Kétua pelo nome de kurikingui.
07:37Ele está representado em suas danças e canções e é considerado como símbolo de boa sorte.
07:44Aqui em cima, as minhocas são uma parte importante de sua dieta.
07:47O deslocamento extensivo do urso de óculos pode ser o responsável por seu papel legendário como mensageiro dos deuses.
08:11Seu território abrange desde as cálidas selvas dos contrafortes andinos
08:15até os altos platôs, quase na zona das neves eternas.
08:23Aqui é o reino do condor andino, o maior pássaro voador da América do Sul.
08:45Este inóspito lugar também está habitado por uma das menores aves do mundo, a Estrela Equatoriana.
08:57Habita só em altitudes de cerca de 4 mil metros e se alimenta do néctar das eternas flores da chukiraua.
09:05Os beija-flores estão aqui em seus limites físicos.
09:08O enorme esforço que significa planar neste ar frio obriga a esta espécie a quase abandonar seu hábito.
09:16As estrelas equatorianas precisam de lugares abrigados para reproduzir-se,
09:21protegendo-se assim dos ventos gelados e das frequentes tempestades de granizo.
09:26As fêmeas são responsáveis pela construção dos ninhos.
09:30Os ninhos são grandes, bem isolados com musgo, cabeças macias de sementes e penas.
09:46Esta cavidade pouco profunda é ideal para ninhar, mas estes lugares são escassos
09:51e este, em particular, será compartilhado por seis ou sete fêmeas.
09:55A construção do ninho é uma tarefa lenta,
10:01porque as fêmeas têm que realizar frequentes paradas para alimentar-se e recobrar assim as energias.
10:07Enquanto algumas trabalham muito para construir seus próprios ninhos,
10:11outras conservam suas energias.
10:13Durante a ausência da dona deste ninho, uma vizinha aproveita para roubar o seu conteúdo.
10:25Todo o trabalho de uma manhã pode ser em vão.
10:29O roubo a esta escala atrasa a construção do ninho
10:32e, como este tem que ser grande e aquecido,
10:34uma fêmea pode passar até quatro meses para completá-lo.
10:49Uma coruja grande não tem problemas como este.
10:52Neste platô, as bromeliáceas gigantes ainda não estão florescendo,
11:07mas os ursos de óculos ainda são atraídos por ela.
11:10Os perigosos espinhos não são um problema para estes ursos.
11:22Mas há outro mamífero contra quem estas defesas são totalmente eficazes.
11:32Nos platôs mais remotos, existe uma das criaturas mais ameaçadas
11:36e mais difíceis de se ver da América do Sul, a anta montanhesa.
11:42Este animal é menor que seu correspondente das planícies
11:44e sua pele grossa, que o protege contra as neves da montanha,
11:48é responsável por seu outro nome,
11:50anta lanuda.
11:59Mediante seu sensível olfato,
12:02busca plantas que sejam mais moles que a espinhosa puia.
12:05Infelizmente, como algumas partes da anta
12:13são consideradas de valor medicinal,
12:15muitas morrem nas mãos dos caçadores.
12:19Por isso, só podem sobreviver
12:21nas regiões mais remotas e inacessíveis
12:23da Avenida dos Vulcões.
12:24Entre os picos nevados,
12:38o platô se estende sobre um território
12:40esculpido pelas geleiras,
12:42desgastado pelos ventos e pela água.
12:46Desta forma,
12:47é o último refúgio para a fauna
12:48mais ameaçada do Equador.
12:54Os remotos lagos,
13:02alguns situados nos restos antigos
13:04de crateras vulcânicas,
13:06são com frequência um foco de grande atividade.
13:16Apesar de suas águas frias,
13:18neste sobrevivem suficientes insetos aquáticos
13:21e larvas para manter uma densa colônia
13:23de mergulhões prateados.
13:26Agora estão construindo balsas
13:28para as bases de seus ninhos.
13:31O material flotante para a construção de ninhos
13:34está escasso e a competição para obtê-lo
13:36é muito grande.
13:43Todos os casais devem defender seus ninhos
13:45dos vizinhos invasores que tratam de roubar-lhes.
13:48Se roubam demasiado material,
13:50o ninho afunda.
13:53O ninho flotante
13:57forma uma plataforma para acasalamento
13:59e também mantém os ovos
14:00acima da linha de água.
14:05A vegetação pútrida
14:06também gera calor
14:07e ajuda a manter os ovos aquecidos.
14:15Logo que os filhotes saem da casca,
14:17os pais abandonam os ninhos
14:18e levam a família para águas abertas.
14:26Próximo ao ponto mais alto do Equador,
14:28o clima condiciona o tipo de vegetação.
14:30As plantas crescem amontoadas próximas ao solo
14:42e suas folhas cerosas
14:43resistem ao vento devastador,
14:45às extremas temperaturas
14:47e à intensa radiação ultravioleta.
14:49No entanto,
14:56a vegetação é facilmente danificada
14:59pelas ovelhas e pelo gado,
15:00estranhos introduzidos ao platô.
15:03Em grande parte,
15:04estes substituíram as lhamas e alpacas,
15:07espécies pouco daninhas
15:08para as plantas autóctones.
15:10A agricultura também ocupa
15:14há muito tempo
15:15grandes áreas do platô.
15:17O vale fértil que existe
15:18na Avenida dos Vulcões
15:19tem sido ativamente cultivado
15:21há milhares de anos.
15:36Toda a família se reúne
15:38para a colheita do quino,
15:39um grão parecido com o milho,
15:41cheio de proteínas
15:42e utilizado principalmente nas sopas.
15:44Embora na atualidade,
16:10as pessoas que vivem
16:11nos vales cultivados
16:12raramente veem os condores andinos,
16:14este animal continua sendo
16:16um símbolo de poder
16:17e virilidade masculinos.
16:19Mas isto não garante
16:20sua sobrevivência.
16:21No Equador,
16:22só restam menos de 100 exemplares
16:24e estão limitados
16:25aos platôs mais remotos,
16:27onde muitos dependem
16:28das desgraças
16:29dos animais selvagens
16:30introduzidos.
16:31O condor se reproduz lentamente
16:40e necessita oito anos
16:42para alcançar a idade adulta
16:44e desenvolver a chamativa
16:45plumagem negra e branca.
16:47No passado,
17:07muitos platôs
17:08pertenciam a grandes fazendas,
17:10mas as reformas agrárias
17:12aboliram a maior parte delas,
17:14deixando os cavalos
17:15e o gado livres
17:16como animais selvagens.
17:19Hoje,
17:20os corpos dos que morrem
17:22são o ponto de atração
17:23para os carniceiros famintos.
17:25Um cavalo morto
17:33atrai a outros carniceiros
17:34antes da chegada do condor.
17:36Os carcarais
17:37têm crias para alimentar
17:38e o cadáver
17:39é uma possível fonte
17:40de alimento
17:41para vários dias.
17:42Mas nem eles,
17:43nem o gafião vermelho
17:44podem se alimentar
17:46até que a dura pele
17:47seja rasgada.
17:48Este papel
17:48pertence ao condor.
17:53Estes urubus
17:54do novo mundo
17:55aproveitam os fortes ventos
17:56do platô
17:57para elevar-se
17:57e buscar carniça
17:59sobre uma grande área.
18:06Não possuem grande olfato,
18:08mas localizam os cadáveres
18:09graças à sua excelente visão.
18:17Tem receio
18:18em pousar na terra
18:20e com razão.
18:21Do momento
18:22que estão com os buchos cheios,
18:23têm muita dificuldade
18:24em levantar voo
18:25e se transformam
18:26em presas fáceis
18:27para os fazendeiros
18:28que, por engano,
18:29pensam que são responsáveis
18:30pela morte
18:31de seus animais domésticos.
18:33Desta forma,
18:34podem passar dias
18:35para pousar
18:35e se alimentar.
18:39Com a chegada
18:40dos condores,
18:41os carcarais
18:42e os gaviões
18:42mantêm-se à distância.
18:44até mesmo
18:54os condores jovens
18:55têm que esperar
18:56até que os adultos
18:57tenham saciado a fome.
19:06Embora tenha um poderoso
19:08bico para dilacerar a carne,
19:10o condor
19:10não tem garras
19:11suficientemente fortes
19:12para carregar
19:13presas vivas
19:14como é a crença
19:15da população local.
19:21O condor
19:22se retira
19:23diante da presença
19:24da raposa do platô.
19:25Normalmente,
19:52estas raposas
19:53caçam pequenos
19:54roedores e coelhos
19:55no platô,
19:56mas não desperdiçarão
19:57a oportunidade
19:58de satisfazer
19:59sua fome
20:00em uma carcaça
20:01tão grande.
20:06Uma porção
20:07de fígado
20:08é suficiente
20:08por enquanto,
20:09mas a raposa
20:10como o condor
20:11tarde para comer mais.
20:13Os carcarais
20:14têm famintas bocas
20:15para alimentar.
20:16Agora que a raposa
20:17se afastou,
20:18eles têm finalmente
20:19sua oportunidade
20:20para comer.
20:24de fígado
20:26de fígado
20:26de fígado
20:27e de fígado
20:27para comer mais.
20:27Amém.
20:57Um dos filhotes de carcará foi empurrado para fora do ninho e ficou preso entre os galhos, sem ter as forças necessárias para voltar ao ninho.
21:14Os pais chegam com alimento, mas os pedidos de ajuda não são atendidos.
21:19Embora a situação seja desesperada, os pais ignoram sua situação.
21:24Por instinto, eles só reconhecem o seu filhote quando este se encontra dentro do ninho, uma descoberta interessante de como funciona o cérebro de uma ave.
21:45Com quase 6 mil metros de altura, os grandes vulcões encontram-se no caminho dos ventos provenientes do Oceano Pacífico e da Bacia do Amazonas.
21:54O ar carregado de umidade se condensa em forma de nuvens.
21:58O Oceano Pacífico e da Bacia do Ordehell
22:00Amém.
22:30O urso de óculos é um assíduo visitante destes altiplanos.
22:51Seu pelo espesso oferece uma boa proteção contra as condições frias e úmidas.
22:55Habitualmente solitários, os machos e as fêmeas juntam-se no período de acasalamento.
23:14O macho é muito maior que a fêmea.
23:18A diferença em tamanho é responsável pela crença da população local de que há duas espécies de ursos nos Andes.
23:25Esta fêmea está no cio, mas não se mostra muito receptiva aos avanços do macho.
23:32Estes picos nevados inspiraram muitas graças antigas.
24:02Os ameríndios lhes dotaram de gênero e personalidade, e muitos de seus cumes são suficientemente imponentes para ser a morada de seus deuses.
24:11Em um certo sentido, eles estão vivos.
24:28Os vulcões do Equador encontram-se entre os mais ativos dos Andes.
24:32As tranquilas crateras fumegades são apenas uma leve mostra de sua explosiva violência.
24:39O Monte Timboraço é o mais alto do Equador.
25:04Embora seja um vulcão há muito tempo extinto, Taita, o pai Timboraço, é, segundo a mitologia dos indígenas Kuruá, o criador e protetor de sua raça.
25:13Criada nos platôs mais altos do Timboraço, esta gente resistente é capaz de enfrentar o frio sem nenhuma roupa especial.
25:32Seu propósito, ao visitar este lugar, é recolher gelo.
25:36Esta mina de gelo foi utilizada durante muitos anos.
25:44É uma geleira fóssil, cuja capa de cinza foi gradualmente retirada por muitas gerações.
25:52A coleta de gelo faz parte dos costumes da família de Felipe Raias há muitas gerações.
26:00O gelo está cortado em blocos de cerca de 23 quilos de peso cada.
26:06Um burro ou uma mula de carga carrega dois blocos.
26:13Provavelmente, a tradição teve início para satisfazer a demanda de gelo da acalorada população costeira de Guayaquil.
26:20Mas atualmente, o gelo se destina apenas à cidade montanhesa de Riobamba.
26:24Atualmente, as pessoas possuem geladeiras e frizzas, mas no mercado de Riobamba, o gelo proveniente do pai Timboraço ainda tem muitos compradores, talvez devido às suas propriedades místicas.
26:37Depois de um duro dia de trabalho, Felipe e seus amigos voltam para seu povoado, deixando a região dos deuses dos Andes para as alongadas sombras de poeira.
27:03Música
27:11Indio de raza, brava sols, nadie lo podrá negar jamás.
27:19Cuidas tus ritos ancestrales, en lo profundo de las quebradas.
27:27Música
27:34Música
27:35Quando a noite chega, os mergulhões prateados preparam-se para dormir, enquanto estranhas criaturas começam a aparecer no platô.
28:04Música
28:05Música
28:06Música
28:07O Peripatus é uma criatura misteriosa.
28:35Antigamente pensava-se que era uma espécie de molusco, mas hoje se considera parte minhoca e parte inseto.
28:42Música
28:44É verdade que tem um corpo mole com mais minhocas, mas suas pequenas patas, cada uma possuindo um par de unhas quitinosas, traz seu vínculo com os artrópodos, um grupo que inclui crustáceos e insetos.
28:56Música
29:03Próximo aos rápidos córregos surge um rato, mas não é um roedor qualquer.
29:08Seus olhos e suas pequenas orelhas externas, seus dedos orlados e sua pele hidrófuga adeludada o equipam para uma existência aquática, pois é um rato pescador.
29:18Música
29:25Nas proximidades, esconde-se uma das rãs mais singulares do mundo, a gasteroteca, ou rã marsupial.
29:33Deposita suas crias em lagoas pouco profundas.
29:36A rã transporta seus ovos em uma bolsa sobre as costas, mas agora que os filhotes são bastante grandes, já podem sobreviver por si próprios.
29:46A água fria penetra na bolsa da fêmea e estimula os filhotes que saem da bolsa ajudados pela mãe.
29:52Música
29:53Aqui, nas pequenas lagoas, os filhotes de rã já bastante crescidos estão relativamente a salvo, mas os peixes que dormem junto ao córrego estão em perigo.
30:10Música
30:11O rato pescador pode localizá-los graças a seus bigodes, uns pelos longos que podem detectar a menor vibração na água.
30:19O rato pescador ataca. Para seu tamanho, é um tenaz assassino, mas o peixe é tão grande quanto ele.
30:25Música
30:49As maneiras da mesa do peripatus são muito peculiares.
30:53Uma barata foi imobilizada mediante um jato de um potente líquido aderente produzido pelos rins do peripatus.
31:00Usando suas pontiagudas mandíbulas, o peripatus morde repetidamente e arranca um pedaço mole do corpo de sua vítima,
31:07injetando-lhe uma potente saliva que mata a barata e transforma sua carne em uma sopa facilmente digestiva.
31:13Música
31:14Pode passar até três semanas para que o peripatus volte a se alimentar.
31:32Enquanto isto, reporá sua carga de líquido aderente, preparando-se para a próxima presa.
31:37Música
31:38No entanto, o rato pescador precisa comer várias vezes à noite.
31:49Música
31:50Sem o calor do sol, a temperatura no platô cai dramaticamente.
31:57Bem antes do amanhecer, uma capa de gelo formou-se sobre a vegetação.
32:01Música
32:01Na gelada noite do platô, é fundamental manter-se seco.
32:23Como qualquer mamífero aquático, o rato pescador passa muito tempo preparando sua pele para fazê-la à prova de água.
32:30Música
32:30Música
33:00Quando começa a amanhecer, ele não se aventura mais fora de seu esconderijo.
33:10Quando o gelo começa a derreter, uma tragédia vem à tona.
33:14O filhote de Carcará, preso na árvore, não recebeu nenhum alimento de seus pais e foi incapaz de sobreviver à geada da noite.
33:21Música
33:21Os pássaros estrela equatorianos passaram as horas de escuridão em um estado de torpor,
33:39quando seu ritmo cardíaco se reduz 20 vezes com relação ao dia.
33:43Esta é a única maneira que tem para conservar a energia suficiente para passar a noite.
33:48Agora, se aquecem à medida que o sol esquenta as paredes de sua cavidade.
33:54Música
33:54Em seguida, chega a hora do banho e de se preparar para as frenéticas atividades alimentárias do dia.
34:06O calor do sol também condiciona a vida dos condores, que esperam correntes ascendentes antes de abandonar seus galhos.
34:12Com filhotes para alimentar, as estrelas equatorianas correm de flor em flor, acumulando suprimentos de nécta.
34:24Música
34:24As perspectivas para o filhote de Carcará sobrevivente são agora melhores, pois recebe uma atenção total de seus pais.
34:40Os adultos estão caçando lagartos que se aquecem ao sol.
34:43Música
35:10A água derretida das geleiras inicia uma viagem através das florestas cobertas de nuvens,
35:38algumas das florestas mais molhadas da terra, transformando-se em cachoeiras e córregos torrenciais.
35:45Música
35:46A enorme força destes rios transporta constantemente a terra úmida dos Andes e seus nutrientes vitais para as florestas tropicais mais baixas.
36:12Música
36:14Estas poderosas águas podem causar problemas até mesmo para os habitantes mais experientes.
36:32Os patos de correnteza têm agora duas crias para cuidar,
36:36mas a atenção dos pais se desvia momentaneamente por causa de um pequeno siluro que a mãe pescou.
36:43Música
36:44Embora os filhotes sejam exímios nadadores desde o dia que nasceram,
36:55os pequenos patos preferem alimentar-se em zonas mais tranquilas.
36:58Como os adultos, estes têm bicos estreitos e flexíveis que lhes permitem pegar insetos e crustáceos nas gritas submergidas.
37:11No entanto, a força dos rios é tal que a corrente é capaz de arrastar os filhotes.
37:16Por isso, os pais mantêm-se constantemente alertas e preparados para resgatá-los em caso de necessidade.
37:22Música
37:23O que ela pode fazer é guiar o pequeno pato pelo caminho mais seguro através da corrente e pô-lo a salvo junto ao resto da família.
37:47Música
37:48Muitos destes rios de rápida correnteza descem pelos vales, cheios de precipícios,
38:10formando assim as únicas passagens naturais através da densa floresta coberta de nuvens,
38:15na qual a umidade constante e o clima temperado mantém uma vegetação emaranhada e impenetrável.
38:21Música
38:45As árvores estão carregadas de plantas epífitas.
39:00Não são parasitas, mas crescem com a umidade e os nutrientes retirados da úmida atmosfera e dos troncos gotejantes.
39:06Música
39:09Mesmo diante de tal variedade rica de vegetação, o urso de óculos escolhe alimentar-se de bromeliáceas, que representa metade da sua dieta.
39:18Suas folhas são tão duras e indigestas que só são comidas por um pequeno número de animais.
39:24Mas o urso de óculos é um especialista na matéria.
39:27Música
39:27O filhote tem quatro meses.
39:33Brincalhão e travesso explora a floresta que o verá crescer e eventualmente terá que sobreviver sozinho.
39:39Música
39:39A mamãe urso gosta de estar perto de sua cria.
39:54Por isso, ela não sobe a uma altura muito grande.
39:59Música
40:00Afinal de contas, há muitas plantas suculentas próximas ao solo.
40:10As partes brancas das folhas que estão no centro da bromeliácea são as preferidas dos ursos.
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40:18O filhote ainda não é bastante forte para arrancar o centro da bromeliácea.
40:34Mesmo nesta idade, ainda depende do leite materno.
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40:38O ursinho acompanha a mãe durante quase um ano.
40:43Aprende a conhecer o terreno, os sons da floresta e a identificar as plantas e as frutas comestíveis.
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40:50A cria observa a mãe de perto.
41:14Mas nas árvores úmidas e resvaladiças, nem mesmo ela pode dar um bom exemplo.
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41:26Não estava longe do solo e tanto a mãe como o filhote não parecem muito perturbados pelo acidente.
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41:35O urso de óculos comparte a floresta com uma das aves mais extraordinárias da América do Sul.
41:42Um pássaro que na maioria das vezes se ouve, mas não se vê.
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41:47Durante todo o ano, os machos se reúnem em zonas tradicionais de cortejo.
41:58Cada um ocupa seu próprio lugar que deve estar limpo de folhas para que possa ser visto mesmo nesta emaranhada vegetação.
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42:06Os machos formam o que se conhece como lex e começam a se exibir para atrair as fêmeas.
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42:14Os machos executam sua estagiante dança aos pares.
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42:33A chegada de uma fêmea causa uma grande agitação entre os machos.
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42:41Esta é de cor marrom-cinza, o que a protegerá nos úmidos lugares sombreados onde fará seu ninho.
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42:51Os machos podem se permitir serem mais chamativos, já que não participam da criação dos filhotes.
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42:57Cada macho tenta desesperadamente atrair a atenção da fêmea.
43:07Ele não se apressa e não aceitará qualquer pretendente.
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43:12Até 14 machos podem chegar a competir pelo favor das fêmeas.
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43:39Mas um só dentre eles monopoliza a maioria dos acasalamentos.
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43:43Apenas alguns leques foram descobertos no Equador, pois estão situados em lugares muito inacessíveis.
44:00Infelizmente, estas florestas de nuvens estão se reduzindo.
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44:04Diferentes tipos de avenidas estão sendo abertas nos vales, à medida que grandes quantidades de árvores estão sendo derrubadas para a agricultura.
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44:18O milho é um dos mais antigos tipos de cultivo dos Andes e é muito apreciado.
44:28Durante milhares de anos foi a dieta básica, especialmente para os pobres.
44:32Para o urso de óculos, uma espiga de milho é um irresistível presente dos deuses.
44:40Mas é arriscado roubar comida alheia.
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44:45O urso colhe o milho quando está tenro e doce, um pouco antes de estar pronto para a colheita.
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44:56O apetite do urso é tão grande que ele pode devorar toda uma plantação em apenas poucos dias.
45:04Entretanto, sua reputação como mensageiro dos deuses não lhe protegerá dos disparos.
45:10Na verdade, como o urso de óculos é tido como possuidor de poderes mágicos,
45:15sua gordura e várias partes de seu corpo são altamente valorizadas devido às suas propriedades terapêuticas imaginárias.
45:21Um pássaro carpinteiro, carmezim, é outro visitante da floresta que encontrou uma nova fonte de alimento.
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45:40Durante sua vida, de uns cinquenta anos,
46:04Este condor talvez veja o desaparecimento de zonas virgens do platô e da floresta
46:09enquanto voa sobre uma terra cada vez mais habitada e cultivada.
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46:22No Equador, ainda existem áreas virgens,
46:48Mas a agricultura penetra cada vez mais no reino do urso de óculos,
46:52o que aumenta os conflitos com os colonizadores.
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46:54Quando este ursinho abandonar sua mãe, precisará estabelecer seu próprio território.
47:13O que não sabe é que seu mundo está cada vez mais reduzido e fragmentado.
47:19Com sorte, restarão platôs e florestas de nuvens quando este urso estiver preparado para procriar.
47:25A grande altitude das montanhas e sua proximidade do Equador
47:28fazem da Avenida dos Vulcões uma combinação única.
47:33Só se se conservarem as áreas naturais que ficam no Equador,
47:37as montanhas continuarão sendo amorada não para os deuses,
47:40mas para uma comunidade muito especial de animais e plantas,
47:43da qual ainda temos muito o que aprender.
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