00:00Você acha que o mal sempre se apresenta como algo grotesco, violento, escancarado?
00:07Só que segundo Hannah Arendt, não.
00:10Hannah Arendt foi uma filósofa, uma pensadora política judia-alemã,
00:13uma das maiores intelectuais do século XX,
00:16que dedicou sua obra a compreender o totalitarismo, o poder e a responsabilidade moral do indivíduo.
00:23Quando Hannah falou sobre como o mal se torna normal, ela não estava falando de monstros.
00:28Ela estava falando de gente comum.
00:30A ideia ficou conhecida como a banalidade do mal,
00:34desenvolvida a partir de sua análise do julgamento de Adolf Eichmann,
00:39um dos responsáveis logísticos pelo Holocausto.
00:42Você achou que eu ia falar de Adolf Hitler, né? Não, não.
00:45Ele foi um dos responsáveis logísticos pelo Holocausto.
00:49O ponto central de Hannah é o seguinte,
00:51o mal extremo não nasce necessariamente de ódio intenso ou sadismo,
00:57mas de algo muito mais perigoso, a ausência de pensamento crítico.
01:03Eichmann, por exemplo, não se via como um criminoso.
01:05Ele se via como um funcionário super eficiente, obediente, cumpridor de ordens.
01:09Ele não refletia sobre as consequências morais dos seus atos.
01:13Só executava.
01:15E é assim que o mal vira normal.
01:18E quando isso acontece?
01:19Quando a gente obedece ao invés de pensar?
01:21Quando as regras substituem a consciência?
01:24Quando o sistema substitui a responsabilidade individual?
01:28E pouco a pouco as ações imorais passam a ser tratadas como procedimento, protocolo, decisão técnica, ordem superior.
01:38Quando ninguém se sente responsável, o mal se dilui.
01:42O mal se institucionaliza.
01:45E qual é o perigo real?
01:46O mal mais eficaz, ele não grita.
01:49Ele não se assume como vilão.
01:51Ele não se percebe como mal.
01:53Ele se apresenta como normal, como legal, como dever, até mesmo como rotina.
01:59Por isso que Hannah é tão atual.
02:02E a gente precisa revisitar ela.
02:04O maior risco não é a crueldade explícita, mas a anestesia moral.
02:08A advertência de Hannah é que sempre que uma sociedade pune quem questiona, quem premia, quem obedece cegamente,
02:15transforma consciência em incômodo, ela está criando as condições para que o mal se torne normal.
02:23Banalização do mal.
02:25Então eu vou deixar aqui uma reflexão, uma provocação.
02:28Em que momento nós paramos de pensar e começamos apenas a cumprir?
02:34Ou mais, a réplica.
03:04Banalização do mal.
03:34Banalização do mal.
04:04Banalização do mal.
04:34Banalização do mal.
05:04Banalização do mal.
05:34Legenda Adriana Zanotto
06:04Legenda Adriana Zanotto
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