00:00Agora sim, quarta-feira, dia de capital sustentável, com o nosso notável especialista em sustentabilidade,
00:12Carlo Pereira. Hoje, para falar sobre a proposta dos Estados Unidos de criar um sistema de
00:18preços mínimos para os minerais críticos e também de um bloco comercial para negociação
00:23de terras raras. Carlo, boa noite para você. Bom, os Estados Unidos estão propondo um
00:28price floor, que é um preço mínimo garantido para minerais críticos. Na prática, o que
00:34que isso muda para quem investe em mineração? Oi, Cris, boa noite. Adorei essa dobradinha
00:40com o Vinícius, hein? Vamos repetir mais. Olha só, muda tudo, muda tudo, né? Porque
00:46o nome do jogo, Cris, quando a gente fala em terras raras, é exatamente você ter garantia
00:50de preço, né? O que acontece? A China, como ela cuida de 70% do processamento das terras
00:57raras e 90% da viabilização do material final, né? O que que ela faz? Qualquer um
01:03que começa a despontar, ela inunda de terras raras o mercado e aí faz com que o preço vá
01:11lá para baixo e você acabe com essas empresas, né? Então, hoje, por exemplo, você tem mundialmente
01:16a Linus, né? Que é uma empresa australiana de terras raras que já teve muito esse problema.
01:21Outras que apareceram morreram por conta disso. Agora, não. Com isso, você vai ter um mínimo
01:28garantido. A China pode fazer o que quiser, né? Que esse preço, dentro desses acordos,
01:35ele vai ter um mínimo garantido. Com isso, os projetos, eles conseguem se desenvolver.
01:40Eles conseguem sair da etapa de mineração para a etapa de concentração e, então, você
01:45pode ter à disposição os óxidos de terras raras tão sonhados.
01:51Bom, a gente sabe que o Brasil tem reservas importantes de lítio, nióbio, grafite. A gente
01:57está na mesa dessa negociação e o que que precisaria mudar aqui para aproveitar mesmo
02:02essa oportunidade, Carlo?
02:05Cris, a gente está, a gente, inclusive, teve nessa reunião, mas a gente estava no cantinho
02:11da mesa, né? A gente não estava ali de uma maneira...
02:14E não é a cabeceira, né?
02:16Na cabeceira, né? A gente estava de uma maneira, não estava de uma maneira muito protagonista,
02:20né? Eu consigo entender o papel do governo brasileiro aqui que é uma política de não
02:26alinhamento, como faz para tudo a nossa diplomacia, né? O que significa isso? O que tempo traz
02:32desse acordo, Cris? Isso que a gente precisa entender ao longo do tempo, né? Você tem ali
02:37alguma coisa de exclusividade, opa, se for exclusividade, talvez a gente não queira, até
02:42porque a gente está em negociação com vários outros blocos e países referentes a minerais
02:47críticos e terras raras, né? Então, por isso que a gente tem que ir com cuidado. Mas
02:54cautela, Cris, não significa não ter uma política agressiva interna para a estruturação desse
03:01mercado de minerais críticos e terras raras, né? Então, para saber com quem a gente vai
03:07se alinhar, se vai ser só uma questão de preço ou uma questão mais geopolítica,
03:13a gente precisa se estruturar mais internamente e ter uma política de Estado.
03:17É, de qualquer maneira, o Carlos, existe um dilema geopolítico aqui, né? Aderir ao bloco
03:22americano pode acabar irritando a China, que no final das contas é o nosso maior parceiro
03:27comercial. Como é que o Brasil deveria navegar nisso, então?
03:31A gente tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, né? E de alguns minerais
03:37que você citou aí, grafita, cobalto e, por exemplo, neóbia, que a gente tem 90% das
03:44reservas e também da produção. Nesse caso, a gente que tem o papel que a China tem para
03:50terras raras, né? Basicamente, né? A gente tem que ter clareza disso, né? Então, hoje,
03:57por exemplo, o Japão, nessa reunião, citou nominalmente a Argentina, né? Então, acho
04:02que, assim, a gente tem que ter clareza que a gente tem essas reservas, a gente tem que
04:06se preparar, como eu comentei, para que a gente possa sentar na mesa de negociação
04:12adequadamente, né? Eu entendo que aqui o mundo inteiro está se mobilizando, tá? E como
04:19esse produto, sendo terras raras, qualquer outro mineral crítico, tá? Ou qualquer outro,
04:25né? Como, por exemplo, o Vinícius acabou de falar aí, você comentou sobre soja do
04:30Brasil, né? Esse é outro tema que a gente também fica ali meio se estranhando com a
04:36China, né? Pensando em Estados Unidos e China, pensando nessa triangulação, né?
04:41Então, por isso, nas terras raras, a gente vai ter que ter a mesma habilidade. A habilidade
04:46essa de não alinhamento, entender o que é melhor para o Brasil, né? Porque, por exemplo,
04:52não faz sentido nenhum você mandar clay, né? De terras raras para o mundo, dado que
04:59terras raras se mede em PPM, parte por milhão, tem quase nada ali. Mas você concentra. Você
05:06vai mandar esse concentrado ou você vai fazer o óxido no Brasil? Então, para além das
05:11questões geopolíticas, tem questões internas de decisão de onde o Brasil quer se posicionar
05:19nisso, né? Quer mandar óxido, quer mandar concentrado ou quer produzir ímãs, né? É
05:27uma decisão que a gente tem que tomar.
05:29Maravilha. Obrigada, viu, Carlo? Boa semana. Até semana que vem.
05:34Obrigado.
05:34Daqui a pouco eu converso com o Isaac Eddington. Ele é presidente da Saltur. Vamos falar sobre
05:40como o Salvador transformou o Carnaval num ativo econômico estratégico e num laboratório
05:47global de gestão e inovação. Isso vai ser destaque no Carnaval Academy Salvador, uma
05:53imersão nos bastidores de uma das operações urbanas mais complexas do mundo. Fica comigo
06:00logo depois do intervalo. Aqui no Times, licenciado exclusivo CNBC, a maior do mundo. Líder em
06:06negócios no Brasil. Eu estou te esperando. Até já.
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