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A série do Carnaval 2026 no podcast Divirta-se continua e hoje o batuque tem maracas e latinidade. Os convidados deste episódio são membros do bloco 'Como te lhama', bloco que traz a mistura entre o carnaval tradicional com ritmos latinos como a cumbia e a salsa.
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NotíciasTranscrição
00:00Divirta-se! Divirta-se! Cultura, advirta-se!
00:04Olá! Seja bem-vindo ao Divirta-se, o seu podcast de cultura do jornal Estado de Minas.
00:09A gente está no meio de uma série carnavalesca no Divirta-se, os tambores estão aquecidos por aqui
00:14e eu realmente não consigo controlar a minha empolgação com essa entrevista de hoje.
00:19Esse é um dos blocos que eu mais acompanho desde já há algum tempo
00:23e eles tocam também fora do período de carnaval, fazem umas rodas
00:27e é uma coisa que realmente vale a pena todo mundo conferir.
00:32Vou adiantar já as apresentações, Laura Lopes, Carlos Bolívia, da Orquestra Atípica de Lhama.
00:39Sejam bem-vindos ao Divirta-se, pessoal.
00:41Olá! É um prazer estar aqui e compartilhar um pouco da nossa história e do nosso bloco com vocês.
00:48É, muito bom falar com você, trocar essa ideia sobre carnaval, sobre o que a gente está planejando. Vamos lá!
00:54Legal, gente! Bom, eu estou aqui discretamente com a minha camisa de fã aqui da Atípica de Lhamas.
01:04Se você não tinha percebido, agora já está claro.
01:07Mas, porque realmente eles são muito maneiros.
01:11E aí eu já queria começar, então, falando como que começou o bloco,
01:15como que vocês tiveram essa ideia de fazer o bloco,
01:18como é que, quando e como foi o início dessa empreitada, cara?
01:22Vou lá, né? Começa aqui.
01:25Ó, o nosso primeiro carnaval foi em 2017.
01:28Então, a gente fez as primeiras conversas ali no segundo semestre de 2016.
01:33E, inclusive, existem várias versões do surgimento desse bloco,
01:36porque tinha muita gente querendo fazer cúmbia e as ideias estavam surgindo.
01:41Então, nós tínhamos o Frito na Hora, né?
01:44Com pessoas que estão no bloco ainda, que foram fundadores, como a Tiaia Vazquez, né?
01:48Mais aqui, o Frito na Hora, Laura, Popó, Bela.
01:53Tinha Juventude Bronzeada, que já estava fazendo uma experiência com cúmbia também.
01:56Eu fazia parte da Juventude.
01:58No Djalma, a gente já tinha gravado uma cúmbia também,
02:00num disco que saiu em 2014, se eu não me engano.
02:04Então, as pessoas foram conversando e vamos fazer um bloco de cúmbia.
02:08E juntou tanto gente aqui da Sena, aqui de BH,
02:11como algumas pessoas de outros países também, né?
02:13Então, a Tiaia, que é da Sena, mas é uma argentina.
02:17A Cláudia Manzo, que é chilena.
02:19Popó, que é filha de peruanos, né?
02:21Eu sou boliviano e brasileiro.
02:24A Nancy, que é a nossa parceira também.
02:26Costa Rica, né? A Nancy, que é de Costa Rica.
02:28Então, foi uma coisa, assim, de artistas locais, imigrantes,
02:32que todo mundo estava com essa ideia de fazer um bloco de cúmbia.
02:35Aí, em 2017, a gente sai pela primeira vez.
02:38E como que foi esse primeiro desfile? Onde foi?
02:42Quantas pessoas, mais ou menos, colaram?
02:44Vocês lembram disso, assim?
02:46O que vocês sentiram lá em cima?
02:49Conta um pouquinho desse primeiro.
02:50Foi lindo, foi emocionante.
02:53E é uma coisa que não dá mais para reproduzir.
02:55Porque a gente fez com um carro bem precário.
03:00Não era nem lá em cima.
03:01Não, a gente estava na rua, um cabo puxando de dentro do carro, né?
03:05Não tinha nada sem fio.
03:08Então, tinha andando com o cabo da guitarra, assim, cabo do microfone.
03:12E mais ou menos 500 pessoas.
03:15Mais amigos e amigos de amigos.
03:17Foi muito mais.
03:18Foi mais?
03:19Foi.
03:20Foi.
03:20Eu tenho lembrança de Belotur falar coisa em torno de 5 mil já no primeiro.
03:25No primeiro?
03:26Foi.
03:27Foi isso.
03:28Então, a gente, eu passei informação errada no início.
03:30Nossa assessor que está aqui, o Buzatti, já vai ficar com raiva de mim.
03:33Um abraço, Lucas Buzatti, grande amigo.
03:35Eu achei que tinha 500 pessoas no primeiro.
03:38Não, está vendo?
03:38Conta aí, então, Laura.
03:39Tinha assim, comigo foi aonde o desfile?
03:42Foi no Pompeia, ali na Avenida Belém.
03:45A gente desfilou lá umas três vezes.
03:50A gente sempre sai, inclusive, ali na Zona Leste, né?
03:56E, ah, foi belíssimo.
03:58Assim, emocionante mesmo.
04:00Eu acho que pegou, o público estava caliente, assim.
04:04Todo mundo se deixando levar aquela música, muito novidade para a cena de BH.
04:11Então, eu acho que já começou bem.
04:15Já estimulou muito também o público da banda.
04:20A gente fazia os bailes com a típica de lhamas.
04:24E aí, os bailes, no início, eram lotados, esgotavam.
04:27A gente fazia no NECUP e no Bar Latino, que eram dois bares.
04:31Não eram bares, né?
04:32Eram galpões e lugares de estudo, de formação.
04:35Mas que também fazia festas.
04:40Era tocado pelo Rafa Leite, que é uma figura super envolvida com a percussão latina.
04:48E aí, a coisa foi se retroalimentando ali.
04:53Foi muito bonito.
04:55Pois é, a banda grande, né?
04:57Como é que vocês fazem e fizeram, já naquela época, para juntar todo mundo?
05:02Tanto para ensaiar?
05:03Quantos membros que eram e são, mais ou menos?
05:06Ah, eram os 40, né?
05:07Estou brincando.
05:09É, porque assim, nós temos o bloco, que é o Comantelhama.
05:13E nós temos a orquestra, que é a típica de lhamas.
05:16No início, quando a gente fez o bloco, a gente pensou assim,
05:19não, vamos transformar isso em uma orquestra para a gente fazer shows.
05:23A primeira formação da orquestra que foi para o palco foi com 17 pessoas.
05:28Então, foi brabo.
05:29Foi assim, para conseguir o horário, para conseguir ensaiar,
05:32para conseguir ter um ensaio com todo mundo, porque às vezes alguém não pode.
05:36Foi difícil.
05:37Hoje, a gente está com 10 membros músicos, né?
05:40Claro que tem produção, né?
05:42Alice, nossa produtora.
05:44Mas a gente chegou a esse número de 17.
05:47Foi o máximo.
05:48E hoje tem uma bateria também, que fica no solo, né?
05:52Quantas pessoas que são, mais ou menos?
05:54Bom, esse ano, a gente chegou próximo de 150 pessoas.
06:00Mais umas 30 da ala de dança.
06:03Caramba.
06:04Bateria.
06:05E aí, assim, nosso orgulho, né, Carlos?
06:08É o naipe de Guiras, que tem umas 40 pessoas tocando Guira.
06:15Ao longo do ano, eu vou comprando no Mercado Livre Guira, para chegar na hora do bloco,
06:20o pessoal que inscrever, falar assim, ah, eu não consegui comprar, demora dois meses para chegar.
06:24Eu tenho aqui, ó, preço de custo.
06:26Que legal, que legal.
06:27Para poder, galera...
06:29Contrabando de Guira.
06:30Participar mesmo.
06:31Que legal.
06:31É da China, né?
06:33Infelizmente.
06:34É, infelizmente, a gente não tem essa produção aqui.
06:36A Guira é um instrumento que é bem comum na Kombi, na Salsa, parece um ralador, né?
06:41A Laura está com uma versão de madeira aqui hoje, né?
06:44Mas a gente costuma tocar mais com a de latão.
06:47E ele, talvez, no Arrocha, o pessoal toca mais, né?
06:51No Pagodão, o pessoal usa mais.
06:53E ele é um parente do nosso Reco-Reco, né?
06:55E a gente tem esse orgulho, a gente pode falar que nós temos a maior ala de Guira do Brasil, acho assim.
07:00Possivelmente a única, né?
07:01Possivelmente a única.
07:02Ah, isso é só um detalhe.
07:04Não, mas que legal.
07:05Vamos pegar esse gancho, então, para falar um pouquinho desse set-list de vocês, né?
07:10Como é que...
07:11Bom, acho que a gente pode até dar um passo mais atrás.
07:14Fala um pouquinho da história da cúmbia.
07:16A gente estava conversando aqui em off.
07:18Onde nasceu esse estilo?
07:20O que vocês sabem aí dessa parte que, para o pessoal do Divirta-se aí,
07:26poder se atualizar um pouquinho nessa história da música latina e da cúmbia tão forte, né?
07:32É uma história longa, tá?
07:34Tem registros da cúmbia até o final do século XIX, né?
07:39Início do século XX.
07:40É no Caribe colombiano.
07:42E na própria Colômbia tem disputas locais, assim, de cidades que se dizem o berço da cúmbia.
07:48Da cúmbia.
07:49El Banco, Soledad, Cartagena, Barranquilla, San Jacinto.
07:54Eles têm essa disputa.
07:56E é interessante que cada lugar na Colômbia, nesses lugares, nessa cidade, já tem, assim, a singularidade da cúmbia de cada lugar.
08:05Então, você pensa, ali na origem do Caribe, a cúmbia não é uma coisa única.
08:11Num lugar tem um toque um pouquinho diferente, no outro toca com as canhas emílio, que é tipo uma flauta, no outro toca com a gaita colombiana,
08:20em outros lugares se canta, em outros lugares não se canta, em alguns lugares com acordeon.
08:25Na própria Colômbia já é muito variado.
08:28Ali nos anos 50 e 60, a cúmbia começou a se tornar uma música um pouco mais comercial na própria Colômbia.
08:35E daí já começou uma exportação da cúmbia.
08:39Claro que existem registros da cúmbia já viajando antes, mas nos anos 40, por exemplo, uma das cúmbias mais famosas foi composta em Buenos Aires.
08:50Um maestro colombiano foi para Buenos Aires, ficou com saudade da terra dele e ele compôs Dança Negra, que é o Lúcio Bermudas.
08:56Mas ali, em anos 50 e 60, começou a se exportar a cúmbia.
09:00E ela tem uma coisa interessante.
09:02Ela faz raízes onde ela chega.
09:06Então, ela chega no Peru, ela ganha uma cara de cúmbia peruana e ela se transforma num elemento da identidade peruana.
09:16A cúmbia se transforma num elemento da identidade colombiana, mexicana, argentina.
09:22Então, ela tem essa característica.
09:24Ela chega e vira uma coisa local.
09:26Para mim, isso é muito bonito.
09:28E é possível reconhecer, por exemplo, você escuta hoje uma cúmbia peruana de uma cúmbia argentina,
09:34você consegue imediatamente, assim, digamos, falar, bom, isso aqui é bem peruano, isso aqui é bem argentino, mexicano, etc?
09:41Sim, tem gente que gosta de fazer mais fusões, mas no geral você ouve, a pessoa que conhece as cúmbias, ouve e fala,
09:49isso aqui é uma cúmbia bem típica do México.
09:51E na Argentina também, tem a cúmbia Santa Fecina, que é mais ao norte, tem a cúmbia bilheira, que é mais de Buenos Aires.
09:57Você chega, ouve, ela tem as características dela.
10:00Só que, ao mesmo tempo, você consegue perceber que aquilo é cúmbia.
10:04Isso é muito doido, entendeu?
10:05Então, eu ouço uma cúmbia, sei lá, texana, que tem a cúmbia texana nos Estados Unidos, das comunidades migrantes,
10:13eu percebo que é diferente.
10:15Mas, ao mesmo tempo, tem identidade ali, ser convidado e interagir com aquilo, isso é muito legal.
10:20É tudo de um grande lugar, assim, né?
10:23Legal.
10:24E no Brasil, cara, como que a cúmbia veio?
10:26Há um tempo atrás, eu entrevistei o Saulo Duarte, né?
10:29Que eu tô lá do Pará, circula pelo Maranhão e tudo.
10:33E ele me contou que, há muito tempo, a galera dessa região ouvia as rádios do Caribe, né?
10:40Assim, conseguia sintonizar as rádios.
10:43E aí, até tem um pouco da cúmbia na lambada, em outras vertentes.
10:48O que você me conta da cúmbia brasileira, desse início?
10:53Eu acho que a Laura.
10:54Porque a Laura é uma pessoa que tá em todos os festivais, assim, tá conversando com artistas do Brasil inteiro.
10:59Ela vai poder falar bem da cena brasileira, assim.
11:01Eu gostei dessa propaganda e dessa circulação.
11:07É, não, é sério.
11:09Bom, eu acho que, assim, né?
11:11Eu queria falar que esse ano a gente tá com esse tema mesmo, que é o Cúmbia Brasilis.
11:16E que é justamente pegando um tanto desse repertório que chegou e que foi produzido no Brasil.
11:23Você falou do Saulo.
11:27O Saulo, ele é do Pará e viveu a vida no Ceará.
11:33Então, são dois estados que têm expressões musicais muito diferentes.
11:37Eu acho que, assim, do que eu já percebi, eu vejo a cúmbia mais forte na música paraense do que na cearense.
11:47E, atualmente, tem várias bandas de cúmbia.
11:53Em São Paulo, tem, né?
11:55Me ajudei com os nomes.
11:56Os Bassuros, Laguacamaia.
12:02O próprio Alexei Marradeiro, que é colombiano e que é parceiro nosso, ele tem um movimento forte com a cúmbia.
12:10Em São Paulo.
12:12No Rio, também, já tem algumas manifestações.
12:16Cumbiros da Guanabara.
12:17Em alguns lugares.
12:20E aí, não sei se a gente aproveita esse gancho, mas o Saulo é convidado especial nosso esse ano.
12:26Olha só, meu saber.
12:28Vai cantar no Como o Telhama.
12:29Que legal.
12:29Nós vamos cantar o repertório autoral dele.
12:32E também umas outras surpresas que ele escolheu para o repertório.
12:40E vamos também, vai ter também como convidada a Di Ferreira, que é uma...
12:47Olha que legal.
12:48Eu conheci ela em Medellín.
12:50Eu fui para a Circularte, que é uma feira na Colômbia.
12:55E aí, eu vi um show dela logo antes de uma banda nacional de Barranquilha.
13:02Aí eu falei, nossa, a Di vai tocar logo antes dessa.
13:07Como é que vai ser isso?
13:08Aí ela arrasou, tocou justamente, fechou o show dela com uma cúmbia dela e colocou o público todo cantando em português.
13:16Um teatro gigante, enorme, todo mundo em pé cantando a música dela.
13:22E aí, quando eu voltei para BH, eu compartilhei com os meninos sobre a Di Ferreira, que eu tinha apaixonado com a presença dela e com o som dela.
13:32E aí ela também é uma das nossas convidadas.
13:35Que legal.
13:36Vem para o Como o Telhama.
13:38E que é isso, que discretamente, acho que não é a linguagem mais expressiva do repertório dela, mas está lá.
13:48Está presente.
13:49Essa música que foi a que me conectou primeiro com ela, era justamente uma cúmbia.
13:55Ah, que massa.
13:56Pois é, então agora eu queria saber um pouco da seleção de vocês, mesmo já do passado, de 2017.
14:02Como que vocês fizeram essa pesquisa de qual cúmbia vamos tocar, quais músicas dá para adaptar, vocês fazem umas versões.
14:12Conta um pouco dessa parte do setlist desde o início.
14:15Como que vocês falavam, bom, eu quero essa, vou sugerir essa.
14:19Quais os motivos que vocês foram pegando músicas muito famosas, às vezes, alguns hinos latino-americanos, outros menos.
14:28Conta um pouco aí dessa seleção inicial.
14:31Eu acho que teve muitas fases, eu posso começar nessa?
14:35Que teve muitas fases.
14:36No começo eram as músicas que a gente gostava, e era quase uma disputa, assim, não, vão essa, vão essa, ah, meu Deus.
14:43Era muito difícil escolher.
14:45Pouco a pouco a gente foi criando, foi entendendo quais que funcionavam melhor com a gente.
14:51A gente foi criando também uma estética, uma ideia do que é fazer uma cúmbia brasileira, qual que é a nossa proposta.
14:59Os instrumentos que a gente dispõe, que a gente gosta de fazer essa mistura.
15:06Então, basicamente, hoje, o nosso repertório, né?
15:11O repertório do Carnaval vão ser alguns clássicos da cúmbia, mais algumas músicas brasileiras em versão cúmbia.
15:18Então, a gente vai ter Gilberto Gil versão cúmbia.
15:20A gente vai ter Marina Sena versão cúmbia.
15:23Luiz Gonzaga, versão cúmbia.
15:27É, e Carlos, eu acho que vale pontuar também que o repertório do bloco, ele é diferente do repertório da banda.
15:32É.
15:32Né, assim, a banda, eu acho que a gente fortalece mais o nosso repertório autoral também, né?
15:38Não necessariamente autoral só do Carlos, mas, assim, de ter mais novidades, assim, no repertório.
15:45E no Carnaval, a gente tem que criar uma conexão com o povão, né?
15:50Assim, a gente agora já tá chegando num público de 20 mil pessoas.
15:54Então, tem certas coisas que a gente gosta de ver lá, aquela multidão cantando.
16:00E que é importante pra cativar mesmo esse público, né?
16:05Então, estou aqui, continua no repertório do Carnaval.
16:09Tem que rolar um hino já do bloco, né?
16:14Esse ano eu pedi, né, sugeri de cantar uma da Marina Sena, que eu acho que é uma representante nossa
16:21que tá já com um reconhecimento nacional forte, ao mesmo tempo é mineira.
16:27E tem uma música que super dialoga com o nosso repertório, tanto o tema, a letra, quanto as escolhas dos arranjos mesmo dela.
16:39Então, eu acho que tem essa diferença que a gente vai conectando e tenta, a cada ano, trazer esse repertório
16:49pra o mais próximo possível do tema que a gente propõe.
16:54Então, se o tema desse ano, a gente pode até falar, né, sobre ele, o tema desse ano é Cúmbia Brasilis, reantropofagia tropical.
17:03Então, né, assim, a proposta vem como forma, assim, de pegar a cultura latino-americana, deglutir e trazer pra uma nova Cúmbia brasileira, né?
17:23Assim, pra...
17:24E essa brincadeira, né, que a antropofagia, ela vem mais das vanguardas europeias e tal, e agora a gente trazendo, tendo a cultura latino-americana como centro.
17:38E aí o repertório, a gente teve também que trazer muita novidade pra ele, porque a gente sempre focou muito no...
17:45No repertório em espanhol, né, então a gente trouxe muita coisa brasileira e em português.
17:54Então, esse ano vai ser atipicamente com canções mais em português, né, apesar de manter os clássicos.
18:03Sim, e além dessas versões que a gente citou, né, Laura falou também, a gente vai tocar algumas Cúmbias brasileiras não feitas por nós,
18:10porque nós temos muitas Cúmbias, nós já gravamos, tem compositores na banda, mas a gente vai olhar também, a gente olhou pra essa cena pra trazer algumas coisas.
18:20Uma coisa da Orquestra Greiosa, vai ter alguma coisa da Academia de Berlinda, dos Bassuros, que é uma banda amiga nossa, de São Paulo.
18:27O próprio Alexei, que é colombiano, mas já tá no Brasil há bastante tempo.
18:32Então a gente olha pra esse Cúmbio Brasília de diferentes olhares, assim, diferentes maneiras.
18:37dar um toque brasileiro em Cúmbias tradicionais e hits da Cúmbia, fazer versões de Cúmbias de músicas brasileiras e tocar Cúmbias que foram gestadas aqui.
18:48Que legal!
18:49Essa coisa do tema é bem interessante, né, porque o pessoal se fantasia, muito, né, a galera dá um sangue, assim.
18:55Eu lembro que ano passado tinha uma menina com as cadeiras de plástico do Bad Bunny e tal.
19:00Quais os temas, mais ou menos, que vocês já tiveram, assim, fala de alguns que já passaram pelo bloco?
19:08Ano passado foi Amor Proibido, que é um tema muito recorrente na Cúmbia.
19:14E aí a gente trouxe o hino da Selena, Quintanilha, né, que chama Amor Proibido.
19:22E aí nisso também, fomos buscando as Cúmbias que falam sobre isso.
19:29Românticas, é um universo romântico da Cúmbia.
19:31É, teve o Macondo, né, que mais vai lembrar.
19:35A gente foi lá, né, nesse universo do Gabriel Garcia Marques.
19:39Teve um ano que foi viagem pelo Amazonas, que foi as Cúmbias Amazonas.
19:43Ah, é, a Rota da Cúmbia, né?
19:45Não, isso foi outra.
19:46Teve uma viagem pelo Rio Amazonas, que a gente trolhou mais a questão da Cúmbia Amazônica,
19:51que é muito forte no Pará e no Peru.
19:54Teve a Rota da Cúmbia, que a gente falou da Cúmbia de vários lugares, assim, mexicana.
19:59A gente colocou vários pontos, assim, né?
20:01México, Argentina, Brasil, né?
20:05Esse foi, foi, teve outros temas, teve Calaveiras yablitos.
20:08Ah, Calaveiras yablitos.
20:10Que gente pensou essa coisa mais mística da Cúmbia, que é uma questão...
20:13Porque era noite, né?
20:13E era noite.
20:15Foi bem legal, Calaveiras yablitos.
20:17São nove anos, o primeiro ano não tinha tema, o tema era nós, nós estamos aqui, né?
20:22Chegamos.
20:22A boa vida.
20:23A verona era existir, né?
20:25Eu tô pensando aqui, quais outros temas?
20:27Eu acho que eu falo todos, né?
20:28Não, mas legal, tudo bem.
20:30É difícil lembrar todos.
20:31Mas é muito interessante isso, porque acaba que tem um processo aí de educação do público também,
20:36que vocês vão fazendo, né?
20:38Eu mesmo conheci vocês, vários hinos latino-americanos.
20:42Alguns eu já conhecia, mas outros não.
20:44E depois que eu conheci, que eu fui ver que eram músicas super famosas e tal.
20:49E isso é muito legal, né?
20:51Vocês pensam nisso, assim, em educar o público de vocês, até pra fora do carnaval também,
20:56com a banda e tudo?
20:58Isso é uma coisa que passou pela cabeça de vocês?
21:00Posso dar um exemplo?
21:02No cortejo do Calaveras e Diablitos, que tem a discussão da cúmbia, né?
21:09Assim, numa das várias teorias sobre a origem da cúmbia, é que ela seria uma música,
21:14até com, em um certo grau, até envolvido com ritos funerários.
21:18Tem uma das várias teorias, né?
21:23Tem até uma música que fala disso, que é Comida La Paz.
21:27Aí, a gente sai, a primeira música que tocou, eu coloquei um cântico Aymara,
21:32um cântico funerário Aymara, lá da Bolívia, da minha terra, né?
21:35Que começou com isso.
21:36E, assim, e as pessoas vestidas com as fantasias mais puxando para o lado mexicano,
21:43que é as caveiras, tudo.
21:46Então, assim, é trazer algumas coisas novas, digamos, que não fazem parte aqui das nossas referências.
21:53Então, aquela vez que eu ouvi essa gente, eu nunca imaginei que, no meio da Auguste Lima,
21:57que foi esse carnaval, as pessoas estariam ouvindo um cântico Aymara.
22:01Isso aí é doido demais.
22:03Então, eu acho que tem isso, de mostrar um pouco isso no verso,
22:06Eu sempre faço questão de, no Instagram das Lhamas, postar os memes de Cúmbia.
22:11Porque tem um universo de memes, assim.
22:14Ah, é...
22:14Sexta-feira eu só quero, aí aparece a pessoa dançando Cúmbia.
22:19Nossa, essa música me dá muita sede.
22:21O pessoal ouve, já abre uma cerveja.
22:23Então, assim, eu acho que, não no sentido formal de educar, né?
22:28Mas no sentido de mostrar esse universo.
22:30E que tem a ver.
22:31Se você for olhar para as nossas expressões populares,
22:34Elas dialogam muito com a Cúmbia.
22:36A gente pode trazer e ter essa expressão também, né?
22:39No Brasil.
22:39Pois é, a gente comentou em off aqui, da questão das religiões de matriz africana.
22:43Se tinha alguma relação.
22:46Existe alguma relação?
22:47Essa coisa dos tambores e tal.
22:50Como é que é?
22:51É, assim, essa separação entre o que é profano, o que é sagrado, o que é religioso, o que é pagão.
22:58É uma separação que ela é meio...
22:59Ela é meio não.
23:00Ela é arbitrária, né?
23:01Então, é difícil da gente falar até que ponto que é uma música que vai ser mais religiosa ou não.
23:07Mas a Cúmbia tem uma raiz afro-colombiana muito importante.
23:13Em outros países, na Bolívia, por exemplo, ela ganha um tom mais indígena.
23:18Na própria Colômbia, em alguns lugares, ela é mais indígena.
23:21Em alguns lugares, ela fica mais branca.
23:23Mas ela tem, em suas origens, uma relação com a população afrodescendente na Colômbia.
23:30E vários rituais, várias festas.
23:34Tem a festa da Virgem da Candelária, que é uma santa que é representada como uma mulher negra.
23:42A Cúmbia está presente nessas festividades.
23:44Então, sim, ela vai estar relacionada com uma cultura afro-colombiana e, em alguns momentos, vai estar em festas religiosas.
23:54Em outros, vai ser momentos de festa, o carnaval e assim por diante.
23:58E o carnaval que também tem origens religiosas, né?
24:00Exatamente, exatamente.
24:02Legal.
24:03Agora, para falar um pouco mais de vocês, assim, você já teve música na família?
24:07A sua família veio da Bolívia e tal, e já tocava violão, já tinha uma coisa muito musical.
24:16E a pergunta serve para os dois aqui no Brasil também.
24:20Em alguma medida, sim.
24:21Meu pai, ele toca, sempre gostou muito de música.
24:25Minha família boliviana tem alguma relação, mas não é uma relação muito forte, não.
24:31Minha família brasileira, minha família vem de Diamantina, né?
24:35Aquela região, na verdade, de um lugar que já foi Diamantina, hoje é Santo Hipólito, chama Valo Fundo.
24:42Então, tem a Folia de Reis, tem essas expressões.
24:44O meu bisavô tocava na Seressa lá, fazia as Vesperatas em Diamantina, essas coisas, mas isso...
24:52Não tive tanto contato, assim.
24:54Mas, sim, alguma coisa, assim.
24:56E como você começou? Como é que foi, assim, sua primeira viola? Alguém te deu um instrumento ou você já era jovem o suficiente para...
25:03Eu gostava muito de rock. Eu gostava de tocar rock, assim.
25:06Eu queria já começar tocando guitarra distorcida, quando era menino.
25:11E, sim, eu ouvi muita coisa.
25:13Eu acho que minha educação musical de família tem mais a ver com a variedade de coisas que eu ouvi
25:18do que com o ambiente de pessoas tocando ao meu redor.
25:22Agora, eu ouvi coisas muito diferentes. Eu acho que isso foi bom.
25:26E a cúmbia, ela entra de uma maneira muito inesperada.
25:31Porque, quando eu comecei a pegar um violão, eu nunca imaginei que eu ia tocar uma cúmbia.
25:35Eu acho que eu devo ter passado, sei lá, dez anos tocando sem nunca tocar uma cúmbia.
25:39Pois é, você tem esse fundo de alma, né?
25:40Você já teve outros projetos que não estão relacionados, né?
25:45O que acontece é que a cúmbia, ela esteve presente, me educando musicalmente desde muito jovem.
25:50Se anda na rua no Bolívia, é cúmbia o tempo inteiro.
25:52Você entra num ônibus, vai tocar cúmbia.
25:54Você vai no comércio, tá tocando cúmbia.
25:56Então, mesmo que você não faça uma aula, aprender a tocar cúmbia, alguém te passa assim,
26:00o ritmo de cúmbia é esse, você tem que fazer dois toques aqui e três toques ali.
26:04Aquilo tá dentro de você.
26:06Então, um belo dia, assim, ah, vou...
26:08Me deu vontade, assim, sabe de uma coisa?
26:10Vou fazer uma cúmbia pro Djalma.
26:11E saiu, saiu uma cúmbia, assim, de repente tava tocando, sabe?
26:15Então, é porque isso vem naturalmente, né?
26:18Mas é isso, assim, minha formação.
26:21Laura, eu acho que tem uma história mais interessante.
26:23Pois é, conta da sua formação musical, tanto familiar, quanto dessa coisa dos estilos também, por favor.
26:29Minha mãe, ela estudou piano desde criança.
26:35Ela fez conservatório e tudo mais.
26:37E eu também, quando criança, ela colocou a gente, nós só éramos quatro irmãos.
26:46Todo mundo fez musicalização, estudou piano, quando criança e tal.
26:50E eu fiquei um tempo sem estudar e depois voltei.
26:54E aí, quando eu voltei, eu quis estudar violão.
26:59Eu acho que foi na escola, assim, no início da adolescência, eu quis aprender a tocar violão.
27:05E aí, eu ficava tocando violão, tocando violão e vi que eu...
27:09Ah, eu acho que eu tô conseguindo cantar essas músicas junto, legal.
27:13Aí, eu quis estudar canto também.
27:16E dentro de casa, sempre escutamos muita música.
27:20Minha mãe sempre tocou um repertório mais popular no piano.
27:24As festas de família sempre, minha mãe sempre teve piano em casa.
27:27Tipo o quê?
27:28De música brasileira, era mais Caetano, Gil, Elis, Gal, mas muito rock dos anos 70, assim.
27:45Dire Straits, Cat Stevens, Beatles, que era o que ela mais gostava de tocar no piano.
27:55Então, eu sempre tive contato próximo com a música.
27:59E aí, na adolescência, eu comecei junto com o estudo do canto, também fazia algumas montagens de teatro musical.
28:10E aí, a partir disso, foi crescendo esse gosto.
28:14E aí, fiz, estudei música na UFMG.
28:20E depois fui migrando mais, assim, desse fazer musical para a produção cultural.
28:31Comecei a trabalhar mais com produção.
28:34E nasceu o Música Mundo, que é uma feira de música e negócios que eu faço junto com outros três amigos e sócios.
28:48E aí, também, eu lancei minha carreira solo.
28:52Eu tenho um disco chamado Abaporu, de 2012, que são composições minhas e de alguns parceiros.
28:59Mas, eu acho que fiquei um tempo, assim, meio afastada da carreira artística mesmo.
29:09Fui trabalhar também com outras formas de gestão.
29:12E acho que a típica de Llamas me aproximou de novo desse gosto.
29:20Além, também, do próprio carnaval, que eu já estou naquela turminha lá de 2009, dos blocos.
29:28Participei de composição de algumas marchinhas.
29:32Sempre gravei, também, nessas coletâneas que tem.
29:36Então, essa proximidade com o carnaval já tinha vindo de antes.
29:41Mas, a cúmbia foi total novidade para mim com o nascimento do bloco.
29:47Junto, foi tudo junto, assim.
29:49Legal, legal.
29:51Você acha que a gente pode dar uma palhinha, então, para dar uma aquecida em quem está assistindo aí?
29:56Vou aproveitar que a gente falou, né, dessas manifestações afro-colombianas.
30:03A gente vai tocar uma música que se chama 12 de fevereiro.
30:05E é muito interessante essa data, porque essa data, ela é muito, assim, vamos lá, as coincidências.
30:1112 de fevereiro é o dia nacional da cúmbia na Colômbia.
30:15É também o dia da padroeira da cúmbia, que é a Birre de la Candelaria, né, Nossa Senhora da Candelaria.
30:22E que as festividades dela sempre são com muita cúmbia, né.
30:26E, por coincidência, o dia de Manjá no Brasil, né.
30:29Então, a gente pode, estudando mais, pode descobrir até onde que isso é só um acaso ou tem algo mais, né, que liga mesmo, né.
30:40Legal.
30:40Vamos lá, vamos lá, vamos lá.
31:10E, vamos lá, vamos lá.
31:20E, vamos lá, vamos lá, vamos lá.
31:34Vai lá a Candelária, quando eu chegará?
32:04Assim, de tocar em outros lugares, tem uma coisa de pagar também um pouco a conta da vida como músico, até que ponto também o bloco se tornou sustentável, vamos falar um pouquinho dessa parte que eu sei que é complexa.
32:21Pra começar, não dá grana, não tem nada de pagar.
32:24Agora o carnaval dá.
32:25Carnaval já dá alguma coisa, mas a gente foi mais porque queria tocar, porque foi muito bom o carnaval.
32:33A gente saiu em estado de graça daquele primeiro carnaval nosso.
32:37E a gente saiu no pré, desde o primeiro a gente vai no pré.
32:42Naquele mesmo carnaval, não, vamos sair algum dia agora, vamos tentar sair de novo.
32:46Aí todo mundo estava em um milhão de blocos, não conseguiu, assim.
32:49E ficou naquela vontade, aquele tesão pela música.
32:52Então vamos fazer alguma coisa.
32:54E aí a gente criou orquestra, sei lá, passou o carnaval uma ou duas semanas depois e a gente já estava reunido pensando o que ia fazer.
33:02Então foi muito, porque foi muito bom e a gente animou.
33:05Foi basicamente isso.
33:06Não sei se Laura...
33:07É, e aí assim, em relação ao que você falou de pagar as contas e tudo mais, isso ainda é muito complexo, porque Belo Horizonte tem já vivido um momento já há alguns anos do público não ser um bom pagante.
33:30Então, assim, para ter eventos fechados, sem ser no meio de um festival ou sem ser a própria casa de shows que é subsidiada por algum projeto, alguma coisa te convidar para tocar,
33:46você fazer uma festa independente, tocar, igual a gente fazia os bailes e lotava, atualmente é muito complexo,
33:53porque o público já espera que em algum momento vão ser disparadas as cortesias e tal.
34:01O público não tem sido um bom pagante.
34:04E aí a gente até montou esse formato da roda de cúmbia, que é um formato que é barato para os músicos.
34:13O público geralmente não paga, é o restaurante ou o bar que nos remunera.
34:18A gente passa um chapéu de pix, mas é mais para a gente se manter próximo do público, é para a gente se divertir.
34:28É igual uma roda de choro, uma roda de samba, a gente faz a roda de cúmbia, sentada em volta da mesa, tomando cerveja, cachaça, checkmate, gengibre, rubra, tudo que nos oferecerem.
34:40E agora a gente começou, como estratégia do grupo, a trabalhar mais com outros projetos ao longo do ano,
34:52tendo em vista que justamente a contratação de shows e esses eventos fechados não tem dado muito resultado financeiro.
35:00Então a gente começou a formalizar esse trabalho de escrita de projetos, para leis de incentivo, para editais de fundos e tal.
35:13Então a gente no Carnaval tem trabalhado com isso.
35:17Esse ano a gente está com patrocínio da CEMIG e da Belotu, através do edital de auxílio financeiro a blocos.
35:26E também temos um projeto de gravação do nosso álbum, que a gente vai gravar esse ano, em 2026, através do Fundo Municipal de Cultura.
35:39E aí essa é a forma que a gente encontrou de movimentar.
35:44Tem surgido interesse também de... e alguns convites para poder a gente fazer show em São Paulo.
35:49O pessoal da cena lá está achando super legal esse movimento que a gente está fazendo aqui.
35:56E viu que tomou proporções enormes com essa bateria de 150 pessoas tocando cúmbia.
36:02Então tem uma comoção em torno disso.
36:08Mas a banda em si nasceu justamente com o que o Carlos falou mesmo, de interesse de tocar e de continuar fazendo essa música aqui.
36:18E esse álbum, então? O que dá para contar um pouquinho dele aí?
36:22Vão ser mais músicas autorais? Vão ter versões também?
36:27Conta aí o que dá para contar para não estragar a surpresa.
36:30Tem os dois, mas é mais autoral.
36:33A gente está, inclusive, tem coisas que ainda estão fechando, a composição.
36:39Mas a gente quer que seja principalmente autoral.
36:42Nossas ou então autoral sendo uma música inédita.
36:48De compositores.
36:49De compositores, por exemplo, tem o Pablo, que é do Ladélio Valdez.
36:53Vai ter música inédita dele, que não está em nenhum registro oficial ainda.
37:00Tem parceria nossa com a G também.
37:04Vai ter uma versão de uma música que a gente já toca, só que nunca registramos.
37:15Que é uma versão que o Carlos fez uma tradução de uma música para o português, uma adaptação mais livre.
37:22E aí, é isso aí, esperar essa novidade.
37:27Quando que é que deve sair, mais ou menos? Já tem uma precisão?
37:30Segundo semestre desse ano que deve ser.
37:33Mais para o final.
37:34Quando chega o carnaval, a gente acaba deixando as outras coisas em stand-by, mas mais para o final do ano.
37:39As pessoas não fazem ideia o quanto dá trabalho fazer um bloco de carnaval, ainda mais desse tamanho, com trio grande e tal.
37:46Isso aí, né? Eu até queria saber, assim, 150 pessoas na bateria, não desanda no meio não, pessoal?
37:53Como é que é coordenar isso? Eu sei que tem muitos ensaios e tudo, mas é gente para burro, né?
37:59Não tem, assim, uma galera que fica mais bêbada, começa a tocar errado.
38:03Porque a gente já, eu conversei com o de Souza aqui, do Vitor Brilha, e eles uma vez tocaram com 700 no início.
38:11E, obviamente, não deu certo, assim, segundo ele. Foi um caos, a sonoridade ficou poluída e tal.
38:19150 é bastante, não é 700, mas é bastante.
38:22Como que vocês administram, né, para não ficar, assim, ruidoso?
38:26Tem várias coisas aí. Primeiro que momentos caóticos, isso até faz parte do carnaval.
38:32Porque ali são pessoas que não vivem de música, que estão ali se divertindo.
38:35Então, assim, todo bloco, mais ensaiado que seja, chega uma hora numa música que o regente tem uma ideia de improvisar, quer brincar.
38:45O povo bagunça tudo, aí o regente fala assim, não, gente, vocês vão bater palma, aí volta.
38:49Então, assim, isso faz parte dessa ludicidade do carnaval.
38:52Carnaval é isso, tem uma brincadeira, né?
38:55É claro que a gente ensaia, a gente está fazendo nossas oficinas desde outubro desse ano, né?
39:01E já tem gente do ano passado, tem gente que está vindo de outros carnavais, tem gente que a gente hoje está tocando muito bem já, né?
39:11Então, assim, nossa bateria está bem afiada, assim, é bonito de ver, né?
39:16Mas sempre tem algum momento ali que fica até engraçado, a gente quer levar isso na brincadeira.
39:21Calma, gente, vamos tocar um pouquinho mais lento, vamos seguir o regente.
39:25É, mas tem umas ferramentas também, né?
39:27Então, assim, tem um representante, uma liderança por naipe, ou às vezes até mais de uma, às vezes, por exemplo, o professor que conduz as oficinas,
39:39ele coloca lá dois alunos que estão muito firmes para poder ajudar nessa condução, né?
39:45Então, tem esses regentes de naipe, tem esses ensaios que começaram como oficinas, passando cada ritmo, junto com a regência,
39:57então tem os comandos que eles recebem, então, né?
40:01Aproximar da linguagem de sinais da regência do comotelhama, né?
40:07Porque, às vezes, a pessoa toca em outros blocos, mas os comandos são diferentes.
40:10Então, é aprender esses comandos, e aí, depois, a gente começou a fazer os ensaios com a banda.
40:17Então, já desde novembro, que a bateria está ensaiando com a banda, o repertório do desfile.
40:24Então, a gente está passando as músicas mesmo, os arranjos.
40:28Então, é claro que, mesmo assim, vai ter algumas passagens que embolam.
40:34A gente já identificou exatamente onde que é a garra, em cada música.
40:38A gente vai lá e repete, repete, repete.
40:39Aí, repete, repete, e vai errar no dia também, mas não tem problema, porque aquilo ali, em algum lugar,
40:45já está mapeado na cabeça da bateria, né?
40:49A gente vai soltando, foi soltando a playlist lá do Spotify por ensaio, falando,
40:56ah, as próximas músicas são essas.
40:58Agora já está tudo lá, está a playlist toda.
41:00Já tem a playlist desse ano pronta?
41:01Tem, posso te mandar.
41:03Então, assim, tem esses recursos, né?
41:07Que é o recurso de, além da própria regência, da regência única, que fica lá em cima do trio,
41:14tem uma liderança, uma pessoa de referência em cada naipe.
41:19E também, a banda, a gente faz questão da banda estar bem firme em cima do trio.
41:29Então, a banda estando firme também, e o trio lá, com aquela potência toda de som, ajuda muito, né?
41:37Até, assim, ritmicamente, a gente tem o Fernando Feijão, a Bela Leite, Ana Lubraga, a Cici, Alcione Oliveira, né?
41:47Então, assim, são pessoas que são muito fortes no meio da música, que estão na cena há muito tempo e que ali ajuda demais a manter tudo na linha.
41:59Legal, legal.
42:01A minha diretora já está sinalizando ali que a gente precisa chegar para o fim.
42:05E a gente faz uma brincadeira aqui no Divirtes, que é, eu vou perguntar uma coisa e vocês vão responder da forma mais curta possível,
42:13mas com uma certa liberdade.
42:15Então, aí eu falo para um, depois para outro.
42:18Pode ser?
42:18Sim, pode começar sempre lá, não.
42:20Então, tá.
42:22Uma música.
42:23Posso falar uma?
42:24Vai.
42:25El Humahuaceno.
42:26Que a gente toca, vai ser uma das primeiras.
42:29Por quê?
42:30O que é essa música de calma?
42:31Essa música é um carnavalito do norte da Argentina, uma região indígena da Argentina, uma coisa muito bonita.
42:37E a melhor versão para mim é a versão do Roberto Carlos.
42:40Então, para mim, isso é muito reantropofagia tropical.
42:43Ah, eu escolhi uma também.
42:45La Cumbita, que é uma música de autoria do Carlos, Bolívia.
42:50E é uma música que ela traz a história da chegada da Cumbia.
42:56Ela tem uma primeira parte em português, uma segunda parte em espanhol.
43:00Então, ela faz já essa conexão de Brasil com a América Latina, hispano-ablante lá, né?
43:09E que eu tive o prazer de gravar no álbum do Carlos em 2019, 18, não sei.
43:17Então, acho que para ela, para mim, ela é das mais importantes aí do nosso repertório.
43:24Autoral, Cumbia, La Cumbita.
43:27Legal.
43:28Um artista.
43:29Andrés Landero, que é o mestre da Cumbia colombiana.
43:35Toto la Mopocina.
43:37Massa.
43:38Um álbum.
43:40Um álbum.
43:41Cumbia Hasta Lunes, do Cumbia Hasta Lunes, que é um grupo argentino que faz uma mistura muito legal de cumbia com rock e essas coisas.
43:49Ah, eu sou apaixonada. Como é que chama aquele do Ladélio?
43:54Sonido...
43:55Subtropical.
43:56Subtropical.
43:57Subtropical. Maravilhoso.
43:59A gente toca umas duas dele.
44:01E aí eu queria ver se vocês chegam num consenso. Um desfile do bloco, do Comitê Leão.
44:07Um dos que já tiveram, escolheu um.
44:10Macondo.
44:11Macondo, para mim, é o do ano passado.
44:13Foi muito bom. E o primeiro? Por quê?
44:16Bom, o Macondo, eu acho ele muito lindo. Tanto o tema, quanto a cenografia, quanto a ala de dança.
44:28Eu acho que foi uma montagem muito redondinha, sabe?
44:34Tava tudo muito poético, assim.
44:37É, o Gabriel Garcia Marques inspira um pouco essa viagem, né?
44:41E o seu?
44:42Eu vou falar de dois, assim. O primeiro é porque aquilo nunca mais vai acontecer.
44:47Aquilo não tem como voltar naquilo.
44:49É, foi lindo.
44:51E o último, porque eu acho que a gente já chegou num nível de um espetáculo muito bonito.
44:55Mas não um espetáculo pelo espetáculo. A gente curtiu.
44:58Então não foi só entregar um produto. Foi lindo. Foi muito bom.
45:03Legal. Bom, deixa um espaço para vocês falarem em redes sociais.
45:06Onde que o pessoal acha mais informação de vocês.
45:09antes da gente fazer uma palhinha final para encerrar e o Divirta-se.
45:13Então, por favor.
45:14Então vou dar o serviço completo.
45:16Estamos no Instagram, a Típica de Lhamas.
45:19Estamos também no Spotify. Tem as nossas músicas lá.
45:21A nossa playlist também está lá.
45:24E, assim, chegando no Instagram você já vai ver todo o serviço do bloco.
45:28Mas eu vou falar aqui para a gente guardar.
45:30Vai ser no sábado 7 de fevereiro.
45:33Vai ser no Boa Vista, na rua Gomes Pereira, 209.
45:38Cheguem lá.
45:39Uma da tarde é a nossa concentração.
45:41Duas da tarde a gente já sai começando o cortejo.
45:44Ah, e também queria convidar para o ensaio geral aberto.
45:49Que vai ter na quarta-feira, dia 4.
45:54No Montê.
45:55Ali no antigo 104.
45:58Vai ser à noite.
46:00Às 20h30 nós vamos tocar.
46:02Mas a casa abre às 17h30.
46:05Legal.
46:06Bom, gente.
46:07Só agradecer mesmo.
46:09Valeu demais o papo.
46:11A aula aqui de música latina.
46:13E da história de vocês.
46:14Foi incrível.
46:15Para mim é até emocionante estar aqui.
46:19Porque eu acompanho desde o primeiro bloco também.
46:21Sou maior fã.
46:23E pedi para tocar uma palhinha final.
46:25Então para o pessoal do Divirta-se curtir mais um pouquinho.
46:29Vamos lá.
46:29Então vamos com o motoral do Carlos.
46:32Legal.
46:45E eu quero convidar.
46:47Eu quero convidar.
46:50Eu quero convidar.
46:53Eu quero convidar.
46:56Eu quero convidar.
46:58Já se me acabou
47:22Já não tenho dinheiro
47:25Já que a perdí
47:29Agora vivo só
47:31Já não tenho mais
47:34Mota pra mim porro
47:37Mas te encontrei
47:40E me dá um sorbo
47:44Tranquilo, o que aconteceu?
47:47Desde que estás em pedo
47:49Contame tudo, pois
47:52Changuito
47:53Te joden as notícias
47:57A vida que se foi
48:00Você é o que queres, amigo
48:04Eu quero cumbiar
48:07Eu quero cumbiar
48:10Eu quero cumbiar
48:13Eu quero cumbiar
48:15Eu quero cumbiar
48:18Eu quero cumbiar
48:21Se acaba
48:21Eu quero cumbiar
48:23Eu quero cumbiar
48:26A cultura advirta-se
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