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Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, o governador Ronaldo Caiado abre o jogo sobre sua saída do União Brasil e o ingresso no PSD de Gilberto Kassab. Com a experiência de quem domina o Legislativo e o Executivo, Caiado explica por que a fragmentação da centro-direita no primeiro turno é, na verdade, uma estratégia vital para forçar o segundo turno e neutralizar a máquina governamental.

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Transcrição
00:00Nós vamos conversar com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
00:04Obrigado pela presença aqui nos estúdios. Tudo bem com o senhor?
00:07Tudo ótimo. Obrigado, Eric. Prazer em revê-lo aí depois de nossos anos todos naquele Congresso Nacional em Brasília.
00:15É, o prazer é todo meu. E vamos falar então um pouquinho mais de política, né?
00:19Óbvio.
00:20Não tem como fugir desse tema, até porque, né, governador, o senhor fez um movimento político um tanto quanto arriscado no seguinte sentido.
00:27O senhor deixa a União Brasil, né, com a justificativa de que neste momento não encontrava respaldo na legenda para uma possível candidatura à presidência e migra para o PSD.
00:38Só que no PSD o senhor tem dois quadros também importantes da política nacional.
00:43Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior.
00:47Eu queria saber do senhor, qual que é a estratégia?
00:50É uma estratégia clara, ou seja, dentro do União Brasil, que caminhou para uma federação como o PP,
01:00a decisão majoritária é de liberar o partido, para que o partido tenha as suas posições nos estados,
01:09de acordo com aquilo que a bancada federal achar mais favorável para o processo eleitoral,
01:16e que não terá candidato a presidente da república.
01:21Então, não é simplesmente uma troca.
01:25É que eu venho de uma história de vida.
01:28Ou seja, eu venho desde o PFL, a Democratas, União Brasil, então eu só tive um partido.
01:35Olha, o porquê de eu migrar agora para o PSD é em decorrência de ter dito,
01:41olha, não tem mais possibilidade de nós lançarmos um candidato a presidente.
01:46Olha, então, também não podem cobrar de mim, por certo, a homenagem do suicídio político.
01:55Então, eu disse, comuniquei a todos eles, olha, eu vou então buscar um partido.
02:01Vou então buscar um local onde eu tenha a chance de disputar a eleição.
02:06Você coloca muito bem.
02:07Eu fui muito bem recebido pelo convite do Kassab e depois o convite feito,
02:15a reunião feita com o Ratinho e com o Eduardo Leito,
02:19e todos foram extremamente cortesos comigo e me acolhendo no partido.
02:24Dizendo, olha, vamos para esse processo que é mostrando que não é um jogo pessoal.
02:29Ah, é o meu projeto.
02:31Não, eu me subento a qualquer tipo de disputa.
02:36Eu acho isso salutar.
02:38Eu sou um homem que na minha vida nunca fui nomeado a um cargo.
02:42Tudo que eu consegui na minha vida foi para o concurso.
02:45Ou dentro da medicina, ou, se não, dentro da minha área da política, ganhando eleições.
02:51Então, a minha vida nunca foi de um candidato que é protegido de A, protegido de B.
03:00Não, eu sempre me propus a debater a política.
03:04E sempre gostaria, e gostaria, neste momento, com a experiência acumulada
03:08de cinco mandatos de deputado federal, um mandato de senador da República,
03:13dois mandatos de governador do Estado,
03:15o governador mais bem avaliado do Brasil, com mais de 80% de aprovação no Estado.
03:22O Estado com o maior nível de segurança do país, melhor educação do Brasil,
03:27melhor nível de regionalização da saúde.
03:30Um Estado que é referência em todas as áreas.
03:32Ora, chegando com essa experiência toda acumulada,
03:36o PSD me abriu a sua oportunidade.
03:40Quem vai ser o escolhido?
03:41É porque isso conta também nessa bagagem política, né?
03:44Porque Eduardo Leite e Rati...
03:45Júnior, vamos dizer assim, são mais novatos em relação ao senhor na política, né?
03:50O senhor aceitaria, por exemplo, uma chapa puro-sangue do PSD como vice, por exemplo,
03:57tendo o Ratinho ou o Eduardo Leite como candidato principal?
04:01Olha, o problema não é ter aceitar uma chapa, Eric.
04:06É que quando você faz política, você não pode querer engessar o seu candidato a presidente
04:14impondo a ele um vice, o vice é uma figura estratégica.
04:21Você somar aonde a centro-direita já é mais forte,
04:27que é no sul e centro-oeste, um não acresce ao outro.
04:33Sim, eu acrescentaria eles e eles neste momento também não.
04:36Por quê?
04:37Porque seria muito mais voltado para um processo de buscar onde o PT e o Lula têm um maior avanço,
04:46que seria exatamente no Nordeste brasileiro,
04:50e também sem desprezar a importância e a relevância de Minas Gerais
04:54como sendo, na maioria das eleições no Brasil, o definidor do ganhador das eleições.
05:01Então, o aspecto é mais regional também, para você ter facilidade,
05:08que o seu vice abra um espaço para você naquela região que você não tem muita densidade eleitoral.
05:15Então, não é esse casamento de um vai na vista do outro.
05:18É uma estratégia, é um jogo de xadrez.
05:21Você tem que ter estratégia para você poder ser competitivo no processo.
05:26O senhor disse que, ou deixou claro, que o PSD terá candidato à presidência,
05:31isso é martelo batido.
05:33O partido, e o senhor não temem, por exemplo, a fragmentação da direita,
05:38por que se tiverem dois candidatos, ou apenas dois candidatos da direita,
05:43pode roubar voto um do outro e aí acabar beneficiando o candidato da oposição?
05:48Não, nós já temos três candidatos.
05:51São dois, não. São três.
05:53Pode ter outros também.
05:55Eu já tenho, você já tem hoje o Flávio Bolsonaro, você já tem o Zema,
06:00e você terá um candidato que será do PSD.
06:03O governador de Minas, que o senhor disse aí,
06:05Minas, que pode ter um peso importante na definição da eleição.
06:09E é exatamente isso que é o cenário de se ganhar uma eleição.
06:12Você não faz o primeiro turno um candidato contra a máquina de governo.
06:19Você não suporta isso.
06:21Então, às vezes, a pessoa analisando de fora,
06:26que não tem muita convivência com a política,
06:29ele imagina que um candidato só teria votos no país inteiro
06:33e que aquilo daria a chance dele poder levar a um segundo turno.
06:42Não, ele não vai levar no segundo turno.
06:46Se tiver só um a um, como é o segundo turno,
06:49a chance da máquina do governo é ter mais votos.
06:53Agora, quando você tem três candidatos ou quatro candidatos na centro-direita,
07:01olha, a somatória de todos esses faz com que o outro opositor seu
07:06não tenha 50% dos votos mais um.
07:08Então, isso é tão claro, tão evidente,
07:13mas isso ficou algo assim um pouco como sendo uma verdade no Brasil que não é.
07:21O Chile agora acaba de ganhar as eleições,
07:23onde a centro-direita se pulverizou em quatro candidatos,
07:28o que foi para o segundo turno,
07:29aglutinou e ganhou.
07:30Agora, se você tem um candidato só,
07:33com a máquina do PT em cima de um candidato até outubro,
07:38aí você vai falar,
07:39mas no segundo turno é um candidato contra o outro,
07:41mas são 21 dias.
07:42E o sentimento é de todos os outros que não foram para o segundo turno
07:46apoiar o que foi.
07:48Então, é uma lógica que nós temos que brigar muito,
07:51lutar muito no primeiro turno.
07:54Porque o que o Lula quer é um candidato só da centro-direita,
07:59porque aí sim ele passa a ter chance de ganhar,
08:02no primeiro turno, no segundo turno o Lula está derrotado.
08:05O cuidado nosso é ter uma estratégia voltada para termos o segundo turno.
08:10O senhor é conhecido historicamente,
08:12fala um pouquinho de economia também,
08:14de agronegócio,
08:15o senhor é conhecido historicamente como um líder da bancada ruralista,
08:18ajudou a fundar a bancada ruralista,
08:20e a gente sabe que o estado de Goiás tem uma importância muito grande
08:23no PIB brasileiro,
08:24já é o terceiro maior produtor de grãos,
08:27tem soja e milho.
08:30Só que a gente percebe que o agro-brasileiro
08:33tem algumas dificuldades e alguns desafios.
08:36A gente vê, por exemplo, em relação a crédito,
08:41que está deixando de pagar,
08:42a gente tem a sazonalidade,
08:43por exemplo, tem chuvas que acabam afetando os produtores.
08:47Como que encarar o desafio do agronegócio,
08:50o senhor que vem e governa um estado tão importante
08:53para o PIB do agronegócio brasileiro?
08:56É um momento delicado que passa, setor.
09:00Concordo plenamente com você.
09:03E vem nessa luta desde 1986,
09:06onde nós renegociamos dívidas,
09:09a secundização, o PESA,
09:13depois criamos o Moda Frota,
09:15depois fomos trabalhando também na transgenia,
09:20então, quer dizer, depois aprovamos a realização ambiental,
09:25então já vem de anos e anos nessa luta do setor.
09:30E agora ela passa a ter um momento delicado.
09:33O custo, o custo da safra está muito alto,
09:38está estratosférico.
09:40dependendo do resultado da produtividade,
09:44ele vai empatar,
09:47e correndo um risco muito grande,
09:49acumular prejuízo nessa safra.
09:52E com também uma alteração, como você colocou,
09:56no atraso das chuvas,
09:58comprometer também o que nós chamamos da segunda safra.
10:01Então, quer dizer, isso tudo levou a um nível de inquietação muito grande,
10:06porque o preço está balizado,
10:09o preço do mercado,
10:11e, de repente, você vê os insumos tomando uma proporção cada vez maior,
10:19gastos maiores em termos de manutenção,
10:22de maquinário, também de combustíveis,
10:25e o custo hoje operacional é muito alto.
10:28Então, é algo que, a se pensar, o quê?
10:32Uma luta nossa, que realmente o PT nunca realmente atendeu,
10:37que é o seguro rural.
10:39Isso é fundamental num país
10:41onde o alicerce da economia brasileira é do agronegócio.
10:45A pessoa pode gostar ou não, mas é a realidade.
10:48Então, nós já batemos americano hoje em produção de carne,
10:52já batemos americano em produção de soja,
10:54já somos hoje, na balança comercial,
10:57o resultado mais positivo que se tem.
10:59Ah, o exportador de milho.
11:01Tudo.
11:02Então, você nota que isto é o que sustenta.
11:04Agora, o setor indo para um processo de recuperação judicial,
11:09isso é muito ruim.
11:10Você sabe por quê?
11:12Porque quebra aquela garantia que ele tem,
11:14aquela convivência que ele tem com o empréstimo no sistema financeiro,
11:18e, ao mesmo tempo, coloca com menor produtividade para os anos seguintes.
11:22Então, o seguro rural é uma luta que tem que ser priorizada,
11:27que nós precisamos de ter um seguro capaz de arcar com essas contingências que ocorrem,
11:33que são situações que o produtor rural não tem como interferir nela.
11:38Agora, que nós somos os mais produtivos por hectare,
11:42nós somos.
11:43Ninguém disputa conosco.
11:44Então, é um setor que tem que ser sempre resguardado pelo setor,
11:49pela economia brasileira e por quem está à frente do governo,
11:53para que não tenhamos aí um debate na economia rural no país.
11:59Foi um pouquinho de reforma tributária.
12:01O senhor debateu muito essa questão enquanto estava no Congresso,
12:05no Senado também, como deputado e também como senador.
12:08E foi aprovado, então, já o início de uma reforma tributária mais ampla
12:13e o ICMS, que é o principal tributo estadual do Brasil,
12:16começa a ser substituído pelo IBS,
12:19que é o Imposto sobre Bens e Serviços.
12:22Eu queria saber a avaliação do senhor sobre essa reforma tributária,
12:25que acabou criando ou vai criar um IVA de 28%,
12:28um dos maiores do mundo.
12:30Uma alíquota de 28%.
12:32O que o senhor acha dessa...
12:32Tá bom, vai ficar gravado aqui.
12:34Tá vendo?
12:35Ele tá falando 28%.
12:36Eu garanto a vocês que vai chegar a 32%.
12:40Aí vamos ser o maior do mundo.
12:41Não, ele já é o maior do mundo.
12:43É o maior do mundo.
12:44É o 28% é o maior do mundo.
12:45Certo?
12:45E aí eles querem botar na lei o mesmo ridículo que puseram na Constituição,
12:49que o juro não podia ser a mais de 12%.
12:51Depois foi revogado isso da Constituição brasileira.
12:54E eles querem colocar exatamente esse ponto na lei.
12:57Ou seja, o IVA não pode ultrapassar 26%.
13:00Então, você sabe que isso é o ridículo.
13:03Segundo lugar, esse é um assunto bom.
13:07Eu estou falando aí que é um segmento que todos nós desejamos,
13:11uma simplificação da tributação no Brasil.
13:16Isso é uma demanda de todos os empresários.
13:18Demanda do Brasil todo.
13:20Agora, só que essa reforma, ela é o quê?
13:25Ela é algo inovador?
13:27Não.
13:28Ela não tem nada de novo.
13:29Ela é uma cópia do modelo implantado na Índia.
13:34Eu fui lá.
13:36Levei toda a minha equipe de economistas.
13:38Eu não sou economista.
13:39Só no conselho gestor,
13:41eu fiquei numa audiência lá durante seis horas
13:44com meus economistas e técnicos da Secretaria da Fazenda.
13:50Então, você vai ver o que vai acontecer.
13:53É aquilo que está acontecendo na Índia.
13:55Ou seja, a Índia não tem nenhuma comparação com o Brasil do ponto de vista tributário.
14:01Não tem nem a caracterização da tributação entre estados.
14:07Não tem uma estrutura consolidada hoje de pessoas que têm o seu CPF
14:13produzindo o seu próprio imposto.
14:17Bom, você copiou algo que foi criado para um país desestruturado
14:23que quer saber e poder identificar todas as pessoas
14:28o que cada um gasta, o que cada um recebe
14:30dentro de um banco de dados
14:32para fazer a redistribuição disso.
14:36Ora, o que está acontecendo?
14:39Você está fazendo o quê?
14:40Uma concentração em cima das cidades.
14:43Mas não sou eu que estou dizendo.
14:45Você vai ouvir deles.
14:45É só ir lá.
14:47Só os empresários irem lá na Índia.
14:50Poder sentar com ele.
14:51É o meu modelo.
14:52Durante cinco anos, nós pagamos, por certo, esse diferencial
14:57para compensar essas regiões que foram mais penalizadas.
15:03E agora está aí.
15:04Você tem a concentração em Nova Delhi, Bombay.
15:08Isso aí que é a realidade hoje.
15:10E o resto do país está cada vez mais empobrecido.
15:15Então, reforma tributária é um tema que eu debati muito.
15:20E disse, essa concentração de renda em Brasília,
15:24isto aí com o comitê gestor em Brasília,
15:27isso é mais um projeto de concentração de poder,
15:31porque o pobre coitado do prefeito vai ter que ir lá em Brasília
15:35saber por que o ISSQN dele diminuiu, por que o repasse dele diminuiu.
15:41Ou seja, você tira a autonomia dos estados, o estado passa a receber mesada.
15:47Então, você pode conciliar muito bem a reforma tributária com a governabilidade.
15:54Você não pode transformar um governador num simples gestor do estado.
16:00Ele tem a obrigação de saber o que é que ele pode aumentar a sua capacidade de arrecadação,
16:06o desenvolvimento, tem esse potencial de fazer isso, como nós fizemos no estado de Goiás.
16:12Agora, no momento que você passa a receber mesada,
16:16aí realmente você tira essa capacidade criativa,
16:19esse crescimento exponencial que você tem, principalmente no centro-oeste e no norte brasileiro.
16:25Governador Ronaldo Caiado, queria muito agradecer a sua entrevista,
16:29a sua presença aqui nos nossos estúdios.
16:32Boa sorte para o senhor nessa empreitada, né?
16:34Que talvez vire uma candidatura à presidência.
16:38E sempre bom falar contigo. Obrigado pela entrevista.
16:40Muito obrigado pelo espaço aí na oportunidade de estar aqui no CNBC,
16:45que é uma honra para mim.
16:46Muito obrigado, governador.
16:47Obrigado.
16:48Obrigado.
16:49Obrigado.
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