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  • há 5 meses
Vorcaro diz que não estaria de tornozeleira eletrônica se tivesse ‘ajuda de políticos’

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Transcrição
00:00E muito se comenta sobre as relações do senhor,
00:03as influências, o senhor tem as melhores bancas.
00:07Isso é muito comentado.
00:10E uma pergunta que eu acho que precisa ser feita para o senhor
00:14é se em algum momento algum dos seus amigos políticos
00:19procurou viabilizar esse negócio,
00:22se o senhor teve contato com o governador de Brasília,
00:26se o senhor poderia fazer algum comentário relativo a isso.
00:28Eu queria só dizer o seguinte,
00:29se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo
00:34e se eu tivesse pedido ajuda desses políticos,
00:38eu não estaria com a operação do BRB negada
00:40e não estaria aqui de tornozeleiro,
00:42não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo
00:44o que a gente está sofrendo.
00:45Então, acho que primeiro vale a pena considerar isso.
00:48Segundo, o negócio com o BRB foi construído tecnicamente
00:52dentro do Banco Central, como eu disse anteriormente.
00:55E aí fica a frustração minha,
00:57porque não era para a gente estar aqui nessa sala
00:59e com essa exposição toda para o país,
01:01porque o prejuízo no final não foi só meu,
01:03foi do sistema financeiro.
01:05Até o dia 17 de novembro,
01:06todos os investidores do Banco Massa
01:08estavam recebendo em dia,
01:10fundo de pensão, clientes, pessoa física,
01:12todo mundo estava recebendo em dia,
01:14com muito custo,
01:14porque eu estava sofrendo uma pressão,
01:16já não era de hoje, já era de muito tempo.
01:18Mas, heroicamente, inclusive,
01:21a gente foi porque os nossos ativos eram bons,
01:23contra tudo que disseram desde o início,
01:25a gente conseguiu ceder ativos próprios,
01:28ativos do banco,
01:29conseguimos honrar todos os compromissos até aquele dia,
01:32que seria, teria tido oportunidade,
01:34ter um desfecho muito favorável.
01:36Então, não teve facilitação política,
01:38eu tive com o governador, sim, algumas vezes,
01:40porque ele era controlador indireto,
01:42mas não teve nenhum tipo de questão tratada,
01:47nesse caso, o BRB, que não fosse técnica.
01:49Talvez, no Brasil, se não fosse assim,
01:52eu não estava aqui e teria dado certo.
01:54Acho que a conclusão desse negócio
01:56é a maior prova disso, como foi o desfecho.
02:00Então, o senhor nega qualquer tipo de pedido
02:03a outras autoridades, parlamentares,
02:06secretários de Estado, diretores de órgãos públicos, etc.
02:10O Banco Central tem discricionalidade,
02:12tanto tem discricionalidade,
02:15que uma diretoria conseguiu criar esse alvoroço todo,
02:20foi a diretoria de organização financeira,
02:22porque a própria diretoria de fiscalização
02:25tinha interesse em criar uma solução de mercado
02:28até um determinado momento
02:30e evitar esse caos que está se instaurado no país
02:35por conta disso.
02:36Então, o senhor reconhece que havia, de certa forma,
02:39uma crise de liquidez na instituição financeira do senhor.
02:41Existia uma crise, não era de hoje,
02:44mas o Banco Marça sempre foi solvente,
02:47sempre teve muito mais ativo que passivo
02:49e sempre honrou todos os compromissos
02:51até o dia 17 de novembro.
02:53E essa crise de liquidez,
02:55há de se ressaltar,
02:56e está no próprio relatório do Banco Central,
02:58foi criada por duas coisas,
03:00por mudança de regulação,
03:01com a pressão dos grandes bancos,
03:02que mudaram por duas vezes a regra do FGC,
03:06porque o mercado se julga dono ali do fundo,
03:10que é criado justamente para criar competição no mercado.
03:14Essa mudança pressionou a captação do banco,
03:17porque todo o plano de negócio,
03:19desde 2018 que a gente entregou para o Banco Central,
03:22ele era baseado no FGC.
03:24O plano de negócio do Banco Marça
03:25era 100% baseado no FGC,
03:27e não havia nada de errado nisso,
03:28essa era a regra do jogo.
03:30E após a gente começar e começar a crescer,
03:33muda-se a regra do jogo.
03:34Quando muda-se a regra do jogo,
03:35a gente precisa se adequar,
03:37a gente vai para outros meios de captação,
03:40e aí inicia-se uma campanha contrária,
03:43reputacional contra o banco,
03:45que já foi várias vezes provada
03:48que não é realidade,
03:49pelos mesmos veículos de mídia,
03:51que são de propriedade de concorrentes.
03:53Essa é a grande realidade.
03:54E o objetivo meu,
03:56ao longo de todo esse prazo,
03:58doutor, eu estou contando isso aqui,
03:59nunca foi me fazer de vítima.
04:01Eu entrei no mercado,
04:02concentrado,
04:03sabia quem eram os donos do mercado.
04:05Agora, desde o primeiro momento
04:06que existia essa pressão de liquidez,
04:09em todo momento,
04:10eu fui no Banco Central,
04:11quase que diuturnamente,
04:13para criar soluções
04:13e evitar um prejuízo para o mercado.
04:15Não era só para mim,
04:16eu não queria deixar,
04:17eu tenho 42 anos de idade,
04:19eu não queria que tivesse acontecido isso.
04:20E, na verdade,
04:21eu tinha arrumado uma solução
04:22para evitar isso.
04:23Porque, independente de transações,
04:26de questões,
04:27o banco tinha centenas de milhares
04:29de transações por dia.
04:31Obviamente,
04:31é essa que era muito relevante,
04:33é essa que a gente está tratando da Tirreno.
04:35Independente de questões,
04:37acho que a proteção do sistema financeiro
04:39deveria ter sido a questão primordial.
04:43E era o que eu estava fazendo.
04:44Eu sentava com concorrentes,
04:45tentei fazer negócio com concorrentes,
04:47sentei com investidores estrangeiros.
04:48No negócio do BRB,
04:51existiu uma gincana
04:52propiciada pelo Departamento
04:55de Organização Financeira,
04:57que a gente foi se adequando
04:58a todos os pedidos,
05:00acreditando que aquele negócio daria certo.
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