00:00A recusa do outro foi sentida como abandono, não como alívio.
00:04Foi ali que...
00:05Freud começou a compreender que o desejo feminino não se organiza em linhas real.
00:10Ele cresce na tensão, na ambiguidade, no espaço entre nós.
00:15Entre o querer e o negar.
00:17Quanto mais o objeto se afasta, mais ele se afasta.
00:20Essa lógica não morreu com Freud.
00:23Ela atravessou o tempo.
00:25Reapareceu em outros laboratórios, com outros nomes, sempre sendo...
00:30Quando Kinsey mediu o corpo feminino, não perguntou o que...
00:35O que as mulheres pensavam.
00:36Observou como reagiam.
00:38E o corpo respondeu sem dúvida.
00:40Sem pudor, sem discurso, sem ideologia.
00:43Reagiu ao proibido.
00:45Ao risco, ao conflito.
00:47Kinsey entendeu o impacto disso e recuou.
00:50Não porque os dados estivessem errados, mas porque o mundo não estava pronto para ouvi-los.
00:55E enquanto a ciência recuava, a cultura avançava na direção oposta.
01:00Criando um abismo cada vez maior entre o que se diz e o que se sente.
01:05Homens passaram a ser educados para evitar qualquer traço de firmeza...
01:10Que pudesse ser interpretado como ameaça.
01:13Foram treinados para explicar tudo...
01:15Justificar tudo...
01:16Justificar tudo...
01:17Ceder sempre...
01:18E algo curioso começou...
01:20Quanto mais corretos se tornavam, menos desejáveis pareciam...
01:25Não porque faltasse bondade, mas porque faltava tensão.
01:29E sem tensão...
01:30O desejo não respira.
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