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  • há 10 horas
“Ele atacava quem era mais indefesa”, diz nova vítima do ‘pai social’ preso ao gravar vídeo de crianças em parque de Cascavel

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Transcrição
00:00Primeiro, bem-vinda. Sinta-se acolhida também aqui, para você poder contar um pouquinho disso que você viveu.
00:09Primeiro, eu queria saber que idade você tinha quando essas situações aconteceram.
00:15Eu tinha de 13 para 14 anos, quando abriu essa casa larga. Eu saí do abrigo e fui para a casa larga.
00:22E fiquei em hotel nos 18 anos lá.
00:25E em que momento esse homem apareceu na vida de vocês?
00:34Quando a casa larga abriu, fui escudido um casal, tive que ser uma pessoa casal, né?
00:40E a gente foi morar na sua casa larga. E na época eu fazia um curso, voltando desse curso à noite, ele passa e mexe comigo e com as meninas do curso que estavam ali.
00:50Quando ele, que era eu, que eu falei, olha, eu vou falar para a sua mulher o que você está fazendo.
00:54Ele vim, pegou a bicicleta e foi diretamente para casa.
00:58Quando eu cheguei e falei o que tinha acontecido, eu fui taxada como a louca, como eu queria destruir a casa larga.
01:07Que circunstância, que essa história, eu ia morar na rua, que todo mundo ia morar na rua.
01:12E foi aí que ele começou a se mexer com as meninas.
01:17E começou a acontecer coisas que todo mundo desconfiava, mas ninguém tinha coragem de falar.
01:21E como que você descreve hoje, mulher adulta, aquela sensação que você, enquanto menina de 13, 14 anos, teve que enfrentar?
01:34O que você sentia naquele período?
01:37Era revoltante porque ali era um lugar que a gente queria se sentir segura, se sentir amada, já que a gente não foi pela família adulta, gente.
01:44E foi ao contrário disso, a gente foi abusada, metida, agredida de certa forma e ninguém fazia nada.
01:53Porque mesmo quando a gente falava, a gente só ia como louca.
01:57Então teve situação exomínia que denunciou que a gente foi na delegacia na época, a gente depois contra ele.
02:03Ela sumiu, ninguém sabe nada dela, ninguém sabe para onde levaram ela.
02:07Ela simplesmente sumiu e ninguém fez nada, ninguém, nem psicóloga, nem retorne, nem as freiras, que na época era só freiras que tinham que cuidar do abrigo do Vicanto.
02:18A gente tentou ir até elas e ninguém fez nada.
02:21Então não adiantava falar, né?
02:25A gente não tinha vó, mas quem diz que tá?
02:27Meninos que eram vistos como revoltadas, abandonadas.
02:31E é bem triste isso.
02:33O que esse homem chegou a fazer com você?
02:39Enquanto você dormia, enquanto você estava no quarto, você lembra de alguma coisa que possa ter acontecido?
02:45Eu, em santo, acordada, ele nunca fez nada, porque ele tinha medo da minha família.
02:51Ele era tão covarde que ele tinha medo.
02:53Ele mexia com as meninas que não tinham vós, com as meninas que ele sabia que não tinha ninguém por elas.
02:59E eu, graças a Deus, de certa forma, eu tinha, tenho até hoje.
03:03Então ele tinha medo.
03:05E ele era tão covarde, ele era tão covarde que ele ataca quem é indefesa.
03:09Quem não tinha ninguém por elas, as meninas que não tinham parente livre, não tinham família, eram com essas que ele mexia.
03:15Mas enquanto eu dormia, que era mais velha na época, ela fingia que estava dormindo.
03:21Que ela lia, é tarde livre, ela sempre foi muito estudiosa, muito de ler.
03:25Ela via, ele passou na mãe mim e nas outras meninas.
03:28Então ele fingia que ia dar bênção pra gente e fazia essas coisas.
03:36Houve algum momento em que vocês passaram a ter medo de ficar em casa ou de não estar confortável pra ir dormir?
03:43Houve algum tipo de situação assim?
03:45Muito breve, teve muitas situações, tanto que a gente parou de pedir bênção, porque ele aproveitava o momento que a gente ia pedir bênção, pra abraçar, pra beijar, pra forçar a sentar na fala dele.
03:56E ela falava, vocês têm que dar bênção, vocês têm que beijar, porque ele é um pai.
04:00Ele é o pai de vocês.
04:02Você chegou a pedir pra ir embora?
04:04Eu fugi.
04:05Não, eu fugi, fui pra casa da minha mãe, ela acabou me devolvendo de novo.
04:09Fugi pra casa dele, por causa dela, porque eu não aguentava mais falar.
04:12Eu era taxada como a ovelha negra, era essa a palavra que era usada como a revoltada.
04:18Aí eu colocava as meninas a fazer vida de rão e eu fugi.
04:23Eu fugi, eu fui pra não aguentar, eu fiquei um tempo fora, quando eu voltei, foi a mesma coisa.
04:27E eles tentaram de tudo quanto é jeito me tirar do meio das meninas, só que eles não conseguiram.
04:33E depois disso, surgiu outros casos, surgiu da unha.
04:36Eu entrevistei ontem uma das meninas, que foi a primeira a falar com a gente,
04:42que ela descreve que ela foi simplesmente tirada do convívio de vocês.
04:50Você lembra desse momento em que essa pessoa que eu entrevistei desapareceu do convívio de vocês?
04:57Eu lembro, porque a gente ia todo mundo junto pra escola, a gente morava próximo da escola,
05:02a gente ia perto a dois juntas e a gente foi juntas pra escola e ela não volta.
05:06Então a gente perguntava, é, cadê a Uli? Cadê a Uli?
05:09No caso, é a menina da época.
05:11E ninguém falava, ela simplesmente desapareceu, ninguém sabe pra onde ela foi.
05:15Tempo depois, a gente reencontrou ela.
05:18E a gente também, isso é um de lá, a gente ficou de maior, a gente reencontrou.
05:21E a gente começou a conversar, a juntar as coisas, falando, eu não sou louca, eu não sou doente,
05:29eu não sou errada, que eles acharam.
05:31Então tava certa, aconteceu mesmo.
05:34Houve também uma outra menina, antes de tudo isso, que também vocês não tiveram mais contato?
05:40A Camila também, a TVS, o que nós chegamos, e na delegacia depois, ela também sumiu,
05:45a gente não sabe dela, até hoje a gente não conseguiu nem reencontrar ela,
05:50não sou menos pra onde levaram ela, nem mais.
05:53Ela foi a primeira que fez a denúncia.
05:55E ela denunciou o quê? O que ela falava que ela tinha que enfrentar?
05:59Que ela foi abusada, que ela foi tocada por ele, que ele ejaculou nela.
06:05E quando a gente foi na delegacia, que eu cheguei a comentar,
06:09ela levou mais um dos na catedral, resolve.
06:11Então, ela fazia uma lavagem, todo mundo tinha medo, tinha medo de morar na rua.
06:20Enfim, é uma situação tão engraçada e triste de se lembrar,
06:24porque a pessoa se escondia atrás da religião.
06:27A pessoa sabe que a família é perfeita, que não traz uma religião.
06:31Aí, hoje, de repente, num fim de semana, você vê uma notícia num portal
06:35de que esse homem foi preso porque estava fazendo vídeo de outras crianças.
06:40O que você sentiu ali no momento que você viu essa notícia?
06:43E qual que é a tua sensação agora, de uma mulher adulta, vendo tudo isso?
06:49Eu estava trabalhando quando eu recebi a notícia.
06:52Eu não sabia se eu chorava, se eu dava risada, se eu comemorava.
06:56Porque muitos homens esperando alguém, enxergar alguém, ver alguém denunciar.
07:02É anos que a gente foi calada, que a gente foi deixada como louca.
07:06E quando eu vi aquilo, eu me senti um alívio muito grande.
07:09E, no mesmo tempo, um louvo muito grande.
07:11Porque eu sou uma criança, gente.
07:13A criança é quem vê uma dada de criança.
07:15Quem vê uma criança com tanta uma dada de...
07:17O ponto de filmar criança é revoltante, gente.
07:21É revoltante isso.
07:22Porque eu sou mãe e eu acho que...
07:25E acho que não, eu sou capaz de fazer tudo.
07:27Mas...
07:27Aí vê um homem, naquela situação, filmando uma criança.
07:32Isso é doitinho, é doitinho.
07:34Vocês têm se mobilizado de alguma forma?
07:37Vocês que conviveram, as meninas que conviveram nesse período?
07:41Vocês estão se unindo, formando algum grupo, alguma coisa?
07:45Sim, nós estamos, é, entendemos.
07:49E até fundo, peço, quem puder investigar e fundo nisso, desde lá do recanto, vocês vão descobrir muita coisa.
07:57Vocês vão achar muita coisa podre por trás disso, desde adoção.
08:01Desde adoção irregular, desde espancamento, desde criança que não podia comer, ficar trancada no banheiro, de castigo, de fome.
08:10Então, assim, vocês vão achar muita coisa.
08:11Então, assim, eu peço, peço ajuda pra quem pudermos ajudar.
08:15Dá paz a nós.
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